Foi sancionada e publicada no Diário Oficial do Estado a lei que atualiza a Política Estadual de Cooperativismo no Espírito Santo. A norma é resultado de proposição do deputado Allan Ferreira (Podemos) e substitui a legislação anterior, em vigor desde 2006, considerada defasada diante das mudanças promovidas por normas federais mais recentes sobre o tema. A nova Lei nº 12.689/2025 tem como objetivo conferir mais eficácia e segurança jurídica ao setor cooperativista capixaba, por meio da reorganização de instrumentos e mecanismos voltados ao estímulo e ao fortalecimento das atividades cooperativas no estado. Entre as principais mudanças está a definição do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Espírito Santo (OCB/ES) como órgão técnico consultivo do governo estadual. A partir da nova legislação, ações de incentivo ao cooperativismo e a prestação de assistência educativa e técnica às cooperativas sediadas no Espírito Santo deverão ser estruturadas com base em planejamento elaborado com a assessoria do sistema OCB/ES. A lei também prevê a criação de mecanismos voltados à comunicação e à disseminação da cultura e da doutrina cooperativista, além de medidas destinadas a contribuir para um ambiente mais íntegro, com o combate à atuação de cooperativas irregulares, em consonância com o sistema OCB/ES. Outro ponto relevante da atualização é a vinculação da regularidade junto à OCB/ES a uma série de prerrogativas. A partir de agora, apenas cooperativas em situação regular poderão oferecer crédito consignado a servidores públicos, participar de licitações, receber recursos oriundos de emendas parlamentares e celebrar convênios com o Estado. Outras leis sancionadas Além da atualização da política de cooperativismo, outras leis de autoria parlamentar também foram sancionadas e publicadas. Do deputado Mazinho dos Anjos (PSDB), entraram em vigor as leis nº 12.665, que institui o Dia Estadual da Pipa, a ser comemorado em 20 de julho, e nº 12.676, que estabelece o Dia do Patrono da Escola, em 13 de agosto. O deputado Coronel Weliton (PRD) é autor das leis nº 12.681, que cria o Dia Estadual do Conselheiro Comunitário de Segurança, celebrado em 30 de agosto, e nº 12.668, que institui o Dia Estadual do Conselheiro Tutelar, em 18 de novembro. Já a deputada Janete de Sá (PSB) assina a Lei nº 12.671, que institui o Dia Estadual do Tosador, Banhista e Esteticista de Animal Doméstico, em 26 de julho. É de autoria do deputado José Esmeraldo (PDT) a Lei nº 12.672, que estabelece o dia 8 de agosto como o Dia da Convenção das Igrejas Independentes e Ministros das Assembleias de Deus no Estado do Espírito Santo e Outros (Cimadeso). Por fim, o deputado Sérgio Meneguelli (Republicanos) é autor da Lei nº 12.673, que institui a Semana Estadual de Enfrentamento ao Etarismo, a ser realizada anualmente na semana em que recair o dia 1º de outubro, data em que se celebra o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Já o deputado Zé Preto (PP) assina a Lei nº 12.675, que cria a Semana de Conscientização e de Combate ao Relacionamento Abusivo, a ser realizada na semana que antecede o dia 7 de agosto.
Calor pode aumentar risco de casos de AVC, alerta médico
Casos de acidente vascular cerebral (AVC) tendem a aumentar no verão, disse à Agência Brasil o neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro, Orlando Maia. Segundo o médico, uma série de fatores predispõem o ser humano nessa época do ano ao AVC. Um dos principais é o próprio calor que gera uma desidratação natural das células que, por sua vez, causam um aumento da possibilidade de coagulação do sangue. “E isso tem um maior potencial de gerar AVC, porque o AVC está ligado a coágulo”, disse o médico. Existem dois tipos de AVC. Um é o AVC hemorrágico, que é o rompimento de um vaso cerebral e representa a minoria dos casos, em torno de 20%. O outro tipo, que domina o número de casos, é o AVC isquêmico, causado pela formação de um coágulo e entupimento de um vaso. Orlando Maia explicou que, como o sangue fica mais espesso, mais concentrado devido à desidratação, isso favorece a trombose, que é a formação de um coágulo e, por isso, tem maior predisposição ao AVC. Pressão arterial Há outras causas que seriam relacionadas à pressão arterial. “A nossa pressão arterial no verão tem uma tendência, pelo calor, a diminuir por conta da vasodilatação. Ou seja, nossos vasos, para poder compensar o calor, se dilatam. E essa dilatação causa uma diminuição da pressão, o que favorece também a formação de coágulo e de uma outra situação cardiológica, chamada arritmia. É o coração batendo fora do ritmo”, explica o médico. Quando isso acontece, favorece também no coração a formação de um coágulo que, entrando dentro da circulação sanguínea, tem grande predisposição de ir ao cérebro porque 30% de todo o sangue que sai do coração vão para o cérebro. Uma outra causa do AVC, também comum no verão, é que as pessoas se cuidam menos por conta das férias, o que promove um aumento do consumo de bebida alcoólica, que, por sua vez, amplia a desidratação. Orlando Maia afirmou que a bebida alcoólica também aumenta a possibilidade de arritmia. A negligência pode levar ainda a pessoa a esquecer de tomar remédio, o que contribui para elevar o risco de um AVC. Doenças típicas A isso se somam as doenças típicas de verão, como gastroenterite relacionada ao calor, o que dá diarreia, insolação e esforço físico. “Tudo isso associado faz com que a pessoa tenha uma maior tendência a ter um AVC no verão”, enfatiza. O neurocirurgião lembrou que o tabagismo também colabora para isso. “O tabagismo hoje é uma das maiores causas externas para AVC”. O fumo contribui para a formação de uma doença cerebrovascular chamada aneurisma, que está muito ligada à nicotina. “A nicotina bloqueia uma proteína do nosso vaso chamado elastina, diminui a elasticidade do vaso, então pode favorecer ao AVC hemorrágico, como também causa um processo inflamatório no vaso em si, favorecendo a aderir as placas de colesterol a longo prazo e o entupimento dos vasos. Então, o tabaco é diretamente proporcional à situação tanto do AVC hemorrágico como do AVC isquêmico”, preconiza o médico. Para o médico, o estilo de vida moderno – aliado ao tabagismo e a doenças crônicas não controladas – faz com que cada vez mais pessoas com menos de 45 anos desenvolvam a doença. Nessa época de verão, o Hospital Quali Ipanema, por exemplo, atende cerca de 30 pacientes por mês, o dobro de épocas normais do ano. Maia diz que o AVC é uma doença muito comum. “Se você pegar o AVC como uma doença isolada, esquecendo que há vários tipos de câncer que podem ser separados, a doença mais frequente na humanidade é o AVC. E uma em cada seis pessoas vai ter um AVC na vida”, salienta. O médico disse ser muito importante a pessoa averiguar na sua família, entre os amigos, quem teve AVC porque não são casos isolados. Médico Orlando Maia alerta para riscos de doenças no verão Foto: Arquivo Pessoal Mortes O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. “Quando não mata, deixa a pessoa incapaz. Eu digo que é uma doença que não é na pessoa, mas na família, porque pelo menos duas pessoas vão ter que se dedicar a cuidar daquele doente com AVC. Além da mortalidade, ela é uma doença extremamente desabilitadora. A pessoa fica sem andar direito, sem falar direito, sem condições de se alimentar sozinha. É uma doença extremamente crítica. Quando você vê uma pessoa andando com dificuldade é porque ela já teve uma sequela ou consequência de um AVC. Ficou paralisada de um lado ou sem conseguir falar direito, sem enxergar, se pegar a área da visão, porque o cérebro é um grande computador. Vai depender da área afetada pelo problema”, assegura o médico. De acordo com Orlando Maia, a prevenção pode evitar um AVC. “É uma doença que a gente tem que gritar para todo mundo ouvir que há prevenção e tratamento. A prevenção [envolve] o hábito de vida saudável, prática de exercício físico regular pelo menos três vezes na semana, alimentação saudável, controle da pressão arterial, tomar os remédios direitinho e não fumar. E existe tratamento”. No passado, como não havia tratamento, quando a pessoa chegava com AVC, não havia o que fazer, a não ser controlar a pressão. Hoje, há duas formas de tratamento e quanto mais rápido a pessoa chegar a um hospital, mais eficaz será o tratamento. O primeiro é a infusão de um remédio. “Você coloca um remédio na veia que dissolve o coágulo e, na maioria dos casos, o remédio resolve”, ensina. Quando isso não acontece, ou em outros casos mais selecionados, Maia disse que os médicos entram com um cateter na virilha da pessoa e passam um desentupidor. Esse método retira aquele coágulo, por meio de uma aspiração dentro do vaso, liberando a circulação de volta. Com isso, a pessoa retorna ao normal. Cateter Orlando Maia esclarece, também, que o remédio tem uma característica: “só pode ser dado até quatro horas e meia desde o
Comércio e serviços capixabas criam mais de 2,2 mil empregos formais
Mesmo em um mês marcado por ajustes no mercado de trabalho, o Espírito Santo voltou a registrar desempenho positivo no setor terciário. Comércio e serviços encerraram outubro com a criação de 2.299 empregos formais, resultado do saldo entre admissões e demissões no período, confirmando o papel estratégico dessas atividades na sustentação da economia capixaba. Do total de vagas geradas, 1.291 foram abertas no comércio e 1.008 nos serviços. O resultado foi impulsionado, principalmente, pelo varejo, que respondeu por 721 novas contratações, com destaque para supermercados e lojas de vestuário e acessórios, e pelo segmento de alojamento e alimentação, responsável por 727 postos de trabalho — tradicionalmente aquecido no fim do ano. As análises são do Connect Fecomércio-ES, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os números reforçam uma tendência observada ao longo de 2025. “O comércio e os serviços vêm funcionando como um fator de estabilidade do mercado de trabalho capixaba. Mesmo em meses mais desafiadores, esses setores conseguem manter um ritmo de contratações e reduzir os impactos negativos de outros segmentos da economia”, avaliou. Com o resultado de outubro, o Espírito Santo passou a contabilizar 931.941 vínculos formais, crescimento de 1,7% em relação ao mesmo mês de 2024. No período, comércio (2,5%) e serviços (2,2%) apresentaram as maiores expansões proporcionais, reforçando o protagonismo do setor terciário na geração de empregos. Na análise dos últimos 12 meses, o setor de serviços liderou a criação de vagas no estado, com 9.425 novos postos entre outubro de 2024 e outubro de 2025. O comércio aparece na sequência, com 5.797 empregos gerados no mesmo intervalo. “Quando observamos apenas os setores que ampliaram seus estoques de empregos, comércio e serviços respondem por cerca de 90% de todas as novas vagas abertas no estado, o que deixa claro onde está o motor atual do mercado de trabalho capixaba”, destacou Spalenza. O recorte regional também aponta movimentações relevantes. Em outubro, os municípios com maior saldo positivo foram Vila Velha (547 vagas), Cariacica (354) e Vitória (286). No conjunto, a Região Metropolitana apresentou saldo positivo de 84 postos de trabalho, refletindo desempenhos distintos entre os municípios. No acumulado de janeiro a outubro, o Espírito Santo registrou a criação de 22.561 empregos formais, mantendo trajetória positiva ao longo do ano. Esse desempenho ocorre em um contexto de mercado de trabalho aquecido. De acordo com a PNAD Contínua, a taxa de desocupação caiu para 2,6% no terceiro trimestre de 2025, o menor nível desde o início da série histórica, em 2012. No período, o número de pessoas desocupadas recuou para 54 mil, após redução de 11 mil no trimestre. Segundo Spalenza, o cenário se aproxima do pleno emprego. “O desemprego tende a ser mais transitório ou estrutural, com maior dificuldade para as empresas encontrarem mão de obra disponível, tornando os processos de contratação mais desafiadores”, observou. O desempenho positivo do comércio e dos serviços ajudou a compensar os ajustes registrados em outros segmentos. Em outubro, indústria, construção e agropecuária apresentaram saldos negativos, levando o Espírito Santo a encerrar o mês com redução líquida de 296 empregos formais em relação a setembro. A indústria registrou o maior impacto, com fechamento de 1.562 vagas, seguida pela construção (810) e pela agropecuária (223). A pesquisa completa está disponível em www.portaldocomercio-es.com.br.
Luiz Paulo Vellozo Lucas – “A hora do centro democrático”
A performance de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de opinião, depois de ungido candidato oficial do bolsonarismo, surpreendeu e consolidou a saída de Tarcísio de Freitas da disputa presidencial. O governador de São Paulo é o preferido do establishment empresarial, na medida em que sua candidatura ainda parecia ser a única capaz de unificar o campo oposicionista já no primeiro turno. Com a presença certa de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial para puxar o bonde do 22 nas campanhas para deputado e senador Brasil afora, será inevitável a construção de um outro projeto eleitoral para a oposição. Não será uma obra simples. O favoritismo de Lula e a estreiteza do bolsonarismo empurrarão as forças políticas do centro e da direita democrática para essa tarefa. Não é a primeira vez que isso acontece. Candidaturas vitoriosas de outsiders, como Jânio Quadros, Fernando Collor de Mello e Jair Bolsonaro, bem como as tentativas de Silvio Santos e Luciano Huck, foram fruto de articulações em circunstâncias muito semelhantes. A grande diferença é o cardápio de lideranças emergentes existente hoje na vida política brasileira, a rejeição dos dois líderes dos polos populistas e a ação de caciques partidários experientes e habilidosos, como Gilberto Kassab. Não vejo muito espaço para outsiders, mas essa opção sempre existe. O estado de espírito do ambiente especulativo é de pessimismo, com reflexos no mercado financeiro. Os exercícios de cenários de segundo turno, dando como certas as presenças de Lula e Flávio, afastam do debate o tema mais importante: o terceiro candidato. Seja Ratinho Junior, Eduardo Leite ou um novo nome, o ponto central segue sendo a busca de convergência de líderes e partidos políticos na construção de um projeto de oposição ao Lula 4, longe do bolsonarismo. As primeiras declarações de Flávio Bolsonaro procuram desenhar um personagem moderado, próximo do centro e distante da pauta antissistema da extrema direita que marcou seu pai. Do lado do PT, o movimento é duplo e propositalmente ambíguo. De um lado, reforça o protagonismo da esquerda raiz, com Gleisi Hoffmann, Guilherme Boulos e Lindbergh Farias; de outro, busca papéis importantes para Geraldo Alckmin, Simone Tebet e Fernando Haddad, fiadores do posicionamento de frente ampla vitorioso em 2022 e abandonado no governo. Os dois lados procuram atrair o centro, e o espaço da rejeição a ambos os populismos segue desocupado. Os palanques regionais vinham sendo montados até aqui relativamente desvinculados da disputa presidencial. A liderança e o favoritismo do Lula 4, depois do tarifaço e da ação aloprada do bolsonarismo junto a Trump, encorajaram a formação de projetos eleitorais próprios do PT em estados onde essa opção não era considerada, como no Espírito Santo. Aqui, esse fenômeno pode se repetir, estimulado pela candidatura de Flávio Bolsonaro, que pode ancorar projetos majoritários próprios do PL 22 no estado ou forçar uma presença maior no projeto do prefeito Lorenzo Pazolini, do Republicanos. A velocidade de circulação da informação, factual ou especulativa, multiplicada milhões de vezes pela tecnologia e pela imaginação fantasiosa dos seres humanos, molda a guerra de narrativas e versões que fazem a luta pelo poder. A formação da opinião pública e a força eleitoral dos diferentes projetos e líderes estão em disputa permanente no ambiente digital, e o resultado futuro é trazido a valor presente a cada instante, formando a expectativa dominante. No mercado futuro do poder, só não há acordo possível entre comprados e vendidos. O centro democrático terá um projeto eleitoral para presidente da República nas eleições de 2026, formado pelas forças moderadas representadas apenas marginalmente no Lula 4 e em Flávio Bolsonaro. No Espírito Santo, três palanques já estão de pé: os incumbentes Ricardo Ferraço, governador, e Casagrande, senador; Lorenzo Pazolini, governador e principal desafiante; Helder Salomão, governador, e Fabiano Contarato, senador, pelo PT com o Lula 4; Arnaldinho Borgo, governador, e Luiz Paulo Vellozo Lucas, senador, no PSDB sob nova direção. A posição do PL 22, de Magno Malta, fortalecida pela candidatura de Flávio Bolsonaro, ainda não se definiu. A eleição para deputado federal, a começar pela formação das chapas, é a competição mais acirrada. Mudanças de partido são esperadas na janela que se abre em 5 de janeiro, e a cotação dos principais candidatos sobe também. Os mais bem posicionados têm a primazia de escolher o partido político. Nem todas as legendas conseguirão montar chapas com expectativa de vitória. A eleição é o momento mágico da democracia. Tudo pode mudar. *Luiz Paulo Vellozo Lucas é engenheiro de produção e professor universitário. Mestrado em desenvolvimento sustentável. Foi prefeito de Vitória-ES e deputado federal pelo PSDB-ES. Membro da ABQ — Academia Brasileira da Qualidade. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
João Gualberto – “A hora dos predadores”
Em seu novo livro publicado em 2025, título do presente artigo, Giuliano Da Empoli dá continuidade à análise iniciada em outra obra sua de enorme sucesso mundial, Os Engenheiros do Caos. Neste trabalho mais recente, ele expande a sua reflexão sobre o novo cenário político global e explora a convergência inquietante entre tecnologia, guerra e poder. Como bem registra o livro em sua contracapa, as democracias ocidentais foram seduzidas pelo que ele chama de oligarquias tecnológicas e autocratas carismáticos, que, de fato, as conduzem através do imenso poder das redes sociais. Ele vê tudo isso como uma enorme ameaça ao ambiente democrático e plural, com a construção de uma nova camada de oligarcas mundiais que detêm o controle da comunicação digital e que hoje tendem a governar o mundo. Um grupo extremamente reduzido para governar um universo de produção de riquezas e poder cada vez mais amplo. Em uma narrativa clara e bem construída – o livro é muito bem escrito, aproxima-se de um ensaio de corte histórico e filosófico – Da Empoli expõe como o uso da inteligência artificial, associada a ciberataques, manipulação de dados e guerra de narrativas está redesenhando os campos de batalha do século XXI. A força volta a prevalecer sobre o diálogo e a diplomacia. Para ele, o atual momento, a hora dos predadores, é, no fundo, um retorno à normalidade. Anomalia teria sido o breve período em que se acreditou no ocidente, em ser possível domar a busca sangrenta pelo poder por meio de um sistema de regras. Para o autor, todo o campo diplomático construído no século XXI, em especial depois da segunda grande guerra mundial, está perdendo espaço para personagens autoritários como Donald Trump, Nayib Bukele ou mesmo Jair Bolsonaro. Mais do que isso, esses personagens, em suas trajetórias tirânicas, estão usando sem qualquer princípio ético ou compromisso com a verdade as redes socais, agora potencializadas pela nova versão da Inteligência Artificial. O que dá densidade a tudo isso é o fato de o novo presidente dos EUA ter assumido um cortejo heterogêneo de autocratas sem escrúpulos, conquistadores de tecnologia, reacionários e conspiradores sempre ávidos por confrontos. O objetivo que me parece mais importante em A Hora dos Predadores é o de mostrar que existe uma nova elite dirigente mundial dividida em dois segmentos importantes: os tiranos políticos e os gestores das grandes corporações mundiais como a Meta, dona do Whatsapp, do Intagram e do Facebook. Os dados que o autor apresenta nos convencem facilmente de que isso é verdade. O que Da Empoli nos mostra é que, enquanto as competições políticas ocorriam no mundo real, nas praças públicas e nos meios de comunicação tradicionais, os costumes e as regras de cada país determinavam seus limites. Quando o debate público se transferiu para o ambiente digital, transformou-se numa espécie vale-tudo onde as únicas regras são as das plataformas utilizadas. Para ele, o destino das democracias ocidentais será cada vez mais decidido em uma espécie de Somália digital, uma escala planetária submetida às leis dos senhores das guerras digitais e de suas grandes milícias. Trazendo essas reflexões para o que assistimos no Brasil a partir das eleições de 2018, percebemos que, de fato, a política migrou para as redes sociais. Nesse ambiente é que se formaram as opiniões e ideologias, o apoio às diferentes propostas de poder, sempre em clima de enfrentamento e guerra cultural. Mesmo que essa guerra venha a nos cansar definitivamente, os donos das máquinas lutarão até o fim pela manutenção do poder. O enfrentamento recente do governo Trump com o STF brasileiro contém os elementos dessa disputa. Os novos oligarcas digitais não querem ter disciplinas nacionais, querem antes estar acima das leis de cada país, querem ditar as novas regras do jogo e querem, sobretudo, lucrar muito. Não por acaso estavam todos presentes na posse desse novo senhor do mundo e apoiam-se mutuamente de forma clara e transparente. Elon Musk chegou mesmo a ocupar um lugar claro de poder na estrutura estadunidense de governo. Dentro ou fora do governo o seu poder é imenso, e representa apenas uma amostra do que está acontecendo no mundo atualmente. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Vintage Culture leva potência da música eletrônica ao Verão P12 Guarapari 2026
Uma das noites mais aguardadas do verão capixaba já tem data marcada. No dia 29 de dezembro, o DJ e produtor Vintage Culture, um dos maiores nomes da música eletrônica mundial, retorna a Guarapari para comandar mais uma edição do Verão P12. A apresentação promete casa cheia, repetindo o sucesso dos últimos anos, com uma experiência sonora e visual de padrão internacional. Ícone absoluto da cena eletrônica, o artista vive um dos momentos mais celebrados da carreira em 2025 e chega ao Espírito Santo com um set especialmente preparado para a temporada de verão. Reconhecido globalmente, Vintage Culture segue como referência do gênero, unindo técnica, sensibilidade musical e uma conexão intensa com o público. Entre as conquistas recentes, o DJ figura, ao lado de Alok e Mochakk, entre os indicados ao prêmio de DJ do Ano no Prêmio Multishow 2025. No mesmo período, realizou apresentações de destaque em festivais de grande porte, como Awakenings e Só Track Boa Festival, além de lançar novos mixes e faixas que ganharam projeção nas plataformas digitais. Um dos destaques foi o set especial gravado para o One World Radio, da Tomorrowland, em julho de 2025. Com uma sonoridade marcada por atmosferas emocionais, vocais expressivos e uma construção musical sofisticada, Vintage Culture é conhecido por arrastar multidões ao redor do mundo. Seus lançamentos figuram entre os mais ouvidos da música eletrônica, e seus shows se destacam pela intensidade, transições precisas e energia capaz de transformar o público em uma experiência coletiva. No palco do P12 Guarapari, o artista deve apresentar uma seleção potente, reunindo grandes sucessos da carreira, remixes reconhecidos internacionalmente e faixas recentes que vêm embalando suas turnês pelo Brasil e pelo exterior. Serviço – Verão P12 Guarapari 2026 Atração: Vintage Culture Data: 29 de dezembro de 2025 (segunda-feira) Abertura dos portões: 20h30 Local: P12 Parador Internacional – Guarapari (ES) Endereço: Rodovia do Sol, Km 26 – Praia de Porto Grande – Guarapari/ES Classificação: 16 anos (De 14 a 16 anos, somente acompanhados pelos pais ou responsável legal) Ingressos e setores: conferir lote vigente no site oficial Área VIP Meia-entrada | Lote 2 – R$ 180,00 (+ taxa R$ 21,60) Ingresso Social (1 kg de alimento) | Lote 2 – R$ 190,00 (+ taxa R$ 22,80) Inteira | Lote 2 – R$ 360,00 (+ taxa R$ 43,20) Front VIP A partir de R$ 230,00 (+ taxas) Valores sujeitos a alteração conforme lote disponível. Vendas: Brasil Ticket Pontos físicos: Country Ville – Cariacica Av. Expedito Garcia, nº 197 – Campo Grande – Cariacica/ES Bilheteria do local: nos dias de abertura Mais informações: @p12guarapari
Multiplace Mais celebra 26 anos com Filipe Ret e TZ da Coronel em noite dedicada ao rap
O Multiplace Mais, em Guarapari, comemora 26 anos de história no próximo dia 29 de dezembro com uma noite especial que marca oficialmente a abertura do verão capixaba. A programação reúne dois grandes nomes do rap nacional: Filipe Ret, com a turnê “Nume”, e TZ da Coronel, um dos principais fenômenos da nova geração do gênero no Brasil. A data une a celebração do aniversário da casa ao retorno de Filipe Ret ao palco do Mais, em um show especial baseado nos discos Nume e Nume Epílogo. A apresentação integra a programação do Verão 2026 e reforça a trajetória de inovação e diversidade musical que consolidou o Multiplace Mais como uma das principais referências do entretenimento no Espírito Santo. Inaugurado em 1999, o Multiplace Mais se tornou um espaço reconhecido nacionalmente por reunir diferentes estilos musicais, públicos e experiências em um único complexo. Ao longo dos anos, a casa construiu uma identidade marcada pela pluralidade, recebendo festas eletrônicas, shows de samba, pop, rock e rap, e se transformando em um verdadeiro festival multicultural durante o verão. “Famílias que começaram essa história no Mais, hoje vêm com os filhos — e esse é o nosso maior orgulho”, afirma Bruno Lawall, do Multiplace Mais. Com mais de 8,5 bilhões de reproduções nas plataformas digitais, Filipe Ret retorna ao Espírito Santo após temporadas de grande público na casa. A turnê “Nume” representa uma fase de maturidade artística do rapper, combinando lirismo, intensidade sonora e uma proposta visual imersiva, ampliando a conexão com o público. Dividindo o palco na mesma noite, TZ da Coronel promete elevar ainda mais a energia da comemoração. O artista acumula milhões de seguidores, hits virais e números expressivos nas plataformas digitais, consolidando-se como um dos principais nomes do rap nacional na atualidade. Com estética marcante e forte presença de palco, TZ leva a Guarapari um show de alto impacto, promovendo um encontro entre diferentes gerações do rap brasileiro. Serviço Aniversário do Multiplace Mais – Filipe Ret (Turnê Nume) e TZ da Coronel Data: 29 de dezembro (segunda-feira) Local: Multiplace Mais Endereço: Rua Gilda Leal, nº 110 – Meaípe, Guarapari (ES) Abertura da casa: 22h Vendas: Brasil Ticket Sem cobrança de taxa de serviço Pontos físicos de venda: Hotel Meaípe – Guarapari (ao lado do Multiplace Mais) Rua Izaltino Alves, nº 74 – Meaípe De segunda a domingo, das 8h às 19h Country Ville – Cariacica Av. Expedito Garcia, nº 195 – Campo Grande Segunda a sexta, das 9h às 18h Sábado, das 9h às 16h Domingo, fechado Danni Marchese Semi Jóias – Guarapari Rua Getúlio Vargas, nº 334 – Centro Segunda a sábado, das 9h às 19h Domingo, fechado Informações: www.multiplacemais.com.br WhatsApp: (27) 99745-3003 Sobre o Multiplace Mais Com mais de 8 mil metros quadrados de terreno e cerca de 7 mil metros quadrados de área construída, o Multiplace Mais é um dos principais ícones do entretenimento noturno no Brasil. Localizado em frente à Praia de Meaípe, em Guarapari, o espaço se destaca pela arquitetura, serviços e programação artística, especialmente durante a temporada de verão. Considerado o primeiro complexo de entretenimento noturno do Espírito Santo e do país, o Mais reúne diversos ambientes integrados, como boate, pizzaria, hamburgueria, sushi bar, camarotes, bares e uma ampla praça de shows, com áreas cobertas e ao ar livre. A estrutura foi planejada para garantir conforto, acessibilidade e livre circulação, incluindo elevadores e banheiros adaptados para pessoas com deficiência. Com capacidade para mais de seis mil pessoas, o Multiplace Mais já recebeu milhares de atrações nacionais e internacionais ao longo de sua trajetória. Esse histórico rendeu à casa o Prêmio Nacional de Qualidade em Turismo, concedido pela FENACTUR, como melhor Complexo de Entretenimento Noturno do Brasil. Desde 1999, o espaço integra a memória afetiva de capixabas e turistas e segue como referência no verão do Espírito Santo.
Impostos chegam a superar 77% do valor de presentes de Natal
Perfumes e maquiagens importados lideram ranking de tributação, com mais de 70% do preço final destinado aos cofres públicos Com a chegada do Natal — principal data do calendário para o varejo brasileiro — os consumidores encontram um peso extra no orçamento: a elevada carga tributária embutida nos preços dos presentes. Levantamento elaborado pelo advogado tributarista Samir Nemer, com base em dados do Impostômetro, revela que, em alguns casos, os impostos representam mais de 77% do valor pago pelo consumidor. Os perfumes importados lideram o ranking, com 77,43% do preço final correspondendo a tributos. Em seguida aparecem as maquiagens importadas, com carga de 71,43%, e os perfumes nacionais, que têm 66,18% do valor destinado aos cofres públicos. Também figuram entre os produtos mais tributados itens tecnológicos e de vestuário importados, como tênis (65,71%), iPads (63,18%) e smartphones (62,46%). “Em períodos como o Natal, o consumidor costuma observar apenas o preço final, sem perceber que uma parcela significativa desse valor corresponde a impostos acumulados ao longo da cadeia produtiva e comercial, especialmente no caso dos produtos importados”, explica Samir Nemer, sócio do escritório FurtadoNemer Advogados e mestre em Direito Tributário. Segundo o advogado, a diferença de tributação entre produtos nacionais e importados é expressiva e pode influenciar diretamente a decisão de compra. “Enquanto um perfume importado carrega mais de 77% de tributos, produtos similares fabricados no Brasil, apesar de também serem bastante onerados, tendem a ter carga menor. Optar pelo produto nacional pode representar uma economia relevante para as famílias”, afirma. Mesmo diante da alta tributação, a expectativa é de um Natal aquecido em todo o país. Pesquisa de Intenção de Compras para o Natal 2025, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil, estima que a data deve movimentar cerca de R$ 84,9 bilhões na economia brasileira. De acordo com o levantamento, 76% dos consumidores pretendem comprar ao menos um presente, com tíquete médio estimado em R$ 174 e média de quatro itens por consumidor. No Espírito Santo, o cenário também é positivo. Dados do Connect Fecomércio-ES, com base em informações da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do IBGE, apontam que o Natal deve gerar R$ 1,57 bilhão em vendas no comércio capixaba apenas na semana da data, crescimento de 3,4% em relação a 2024. Ao longo de todo o mês de dezembro, a expectativa é de que o volume de vendas alcance R$ 9,4 bilhões no estado. Os segmentos de hipermercados, supermercados, vestuário e calçados devem concentrar cerca de 75% da movimentação econômica prevista — justamente categorias que também apresentam elevada carga tributária. No caso das roupas, os impostos chegam a 34,58%. Calçados nacionais têm tributação de 36,02%, enquanto brinquedos, como carrinhos e bonecas, alcançam 39,52%. Para Samir Nemer, o cenário reforça a importância do planejamento financeiro. “Mesmo em um ambiente de maior aquecimento da economia, o peso dos impostos é significativo. Conhecer a carga tributária ajuda o consumidor a comparar preços, avaliar alternativas e fazer escolhas mais conscientes, especialmente em um período de maior volume de gastos”, analisa. O advogado também destaca a relevância da transparência tributária. “Quando o consumidor entende quanto está pagando em impostos, ele exerce melhor sua cidadania fiscal e passa a cobrar do Estado a contrapartida em serviços públicos essenciais. A educação tributária é fundamental para amadurecer esse debate no país”, conclui. Ranking dos principais presentes e carga tributária: Perfume importado: 77,43% Maquiagem importada: 71,43% Perfume nacional: 66,18% Tênis importado: 65,71% Vinho importado: 64,57% iPad importado: 63,18% Smartphone importado: 62,46% Maquiagem nacional: 53,17% Cosméticos: 52,69% PlayStation: 51,46% iPad nacional: 47,90% Relógio: 47,41% Vinho nacional: 45,56% Óculos de sol: 43,91% Bijuterias: 42,43% Brinquedos (carrinho, boneca e similares): 39,52% Chocolate: 38,25% Sapato: 36,26% Tênis nacional: 36,02% Bermuda e camisa: 34,58% Chinelo: 31,09% Fonte: Levantamento do advogado Samir Nemer com base no Impostômetro. Dados de intenção de compra: Connect Fecomércio-ES e CNDL.