Filas longas, espera cansativa e tempo perdido em uma das noites mais marcantes da vida acadêmica. Esse cenário começou a mudar no Espírito Santo com o desenvolvimento de um aplicativo capixaba que vem transformando a experiência das festas de formatura no estado. Criada pela empresa Na Beca, a ferramenta informa com precisão o momento em que o formando deve se dirigir ao estúdio fotográfico, substituindo o antigo sistema manual e eliminando filas. A proposta é simples: garantir mais tempo para a celebração e menos burocracia durante o evento. “A ideia nasceu da necessidade de romper com um padrão ultrapassado. Queríamos que o formando fosse protagonista da própria celebração, sem perder tempo em filas”, explica a CEO da Na Beca, Mayara Mello. Com mais de cinco mil usuários ativos, o aplicativo reúne em um único ambiente digital diferentes funcionalidades, como controle de pagamentos, compra de ingressos, aquisição de álbuns, acesso às fotos e participação em um clube de descontos exclusivo. A tecnologia também substituiu processos tradicionais, como contratos físicos e ingressos impressos, trazendo mais agilidade, transparência e redução de custos. “Hoje, tudo acontece em poucos cliques. É uma experiência mais moderna, prática e alinhada ao que essa geração espera”, reforça Mayara. Além dos benefícios para os formandos, a inovação trouxe ganhos operacionais para a empresa, como aumento da eficiência, redução de custos e maior escalabilidade do modelo de negócio, ampliando a autonomia dos clientes na gestão dos próprios recursos. Com resultados positivos, a Na Beca já projeta expansão gradual da solução. “Vamos crescer de forma estruturada: primeiro na Grande Vitória, depois em todo o Espírito Santo e, na sequência, em nível nacional. O mercado de eventos nunca mais será o mesmo”, afirma a CEO.
João Gualberto – “Florentino Avidos”
Leandro Quintão é um produtivo historiador capixaba. Mestre e doutor em história por nossa Universidade Federal, tem se dedicado de forma consiste a estudar a primeira república no Espírito Santo. Sua análise sobre a importância política de Muniz Freire, que foi presidente do estado por duas vezes (1892-1896 e 1900-1904) é primorosa e está presente em vários artigos de sua produção científica. Reunir dados e informações, construir análises e interpretações, já o fariam, só por essa razão, um dos nossos maiores estudiosos no campo da política. Ele tem nos brindado, em seus estudos mais recentes, com novas compreensões do passado recente, com um importante olhar sobre as ideias de construção do progresso em nossas terras, desde do “alevantamento provincial”, discutido na Assembleia no final do império, até o fim da primeira república. Não foi pouco o que fez Muniz Freire, o nosso primeiro grande líder republicano, e também não foi pequena a sua importância como chefe político de uma importante oligarquia regional, reunida no Partido Republicano Construtor. Esse partido só perdeu seu protagonismo na cena política capixaba com a ascensão do Partido Republicano Espírito-santense, criado pela oligarquia Monteiro, que viria a substituir a força de Muniz. Tudo isso fica mais fácil de entender lendo a obra de Leandro Quintão. Ele acaba de contribuir com a profundidade de sempre em uma publicação chamada O Espírito Santo no Novecentos (1889-1930), junto a outros importantes intelectuais ligados à área de história na Ufes, com o artigo intitulado Um estranho no ninho? Oligarquia e economia no governo: Florentino Avidos (1924-1928). Nele explora a discussão sobre os três principais governantes, aqueles que tiveram maior notoriedade no período, respectivamente Muniz Freire, Jerônimo Monteiro e Florentino Avidos. A notoriedade a eles atribuída por nossos estudiosos leva em conta as realizações que conduziram à frente do Governo Estadual, tais como estrada de ferro, indústrias, planejamento urbano – sobretudo da capital – e modernização portuária. Para além de meros ícones daquele período, essa tríade de personagens foi interpretada como pertencente a um grupo de governantes responsáveis por alavancar o progresso do Espírito Santo no século XX; Florentino, inclusive. As principais realizações da administração do Presidente Avidos, especialmente no campo econômico, segundo o autor, foram: melhoramentos urbanos, tendo como marco a construção da Avenida Central, hoje chamada de Jerônimo Monteiro, procurando seguir os padrões da avenida com o mesmo nome no Rio de Janeiro, inaugurada décadas antes; continuação das obras de aparelhamento do Porto de Vitória, interrompidas em 1914 e retomadas no governo anterior; planejamento e construção de estradas e pontes, facilitando a comunicação; planejamento de novas vias férreas; apoio à diversificação agrícola; estímulo ao povoamento e colonização de novas terras; e a proteção à produção cafeeira, via criação de um serviço de defesa do café estadual, de suma importância naquele momento. As realizações do Governo Avidos foram responsáveis, em grande parte, pela popularidade alcançada por Florentino ao término de seu mandato, em 1928, reforçando de forma clara o modelo de desenvolvimento capixaba, inteiramente baseado na produção do café. A sua gestão estava comprometida em reforçar a centralização das exportações pelo Porto de Vitória. O aparelhamento do porto era uma de suas maiores aspirações, pois tinha como objetivo garantir que tal centralização fosse assegurada. Para receber o café que chegaria em maior quantidade pela ferrovia, era preciso um porto moderno, com grandes armazéns e guindastes e com capacidade de receber navios de maior calado. Não é difícil supor que o protagonismo das estradas de ferro, no antigo plano de “alevantamento provincial”, era bem compreendido por Florentino Avidos. Dessa forma, a centralidade portuária da capital deveria ser combinada com a centralidade ferroviária, o que, em termos, já era realidade. Os principais troncos ferroviários que atravessavam o estado – a Estrada de Ferro Vitória a Minas e a Leopoldina Railway – iniciavam seu percurso ao lado da capital, mas, a seu ver, esse projeto precisava ser reforçado, o que foi objeto de seus planos. Em suma, Florentino Avidos deu continuidade ao antigo plano de centralização comercial em Vitória, estruturado em ferrovias, portos, economia cafeeira e estreitamento das comunicações com o Sul capixaba e com o Leste de Minas Gerais, fortalecendo o modelo econômico do café. Florentino, portanto, está entre os três grandes personagens da nossa história durante a primeira república, que era a dos coronéis, apoiada no cultivo do café. Mais do que isso, o Espírito Santo teve notáveis governantes que se ombreavam aos grandes políticos brasileiros no século XX. Há um outro presidente muito importante nesse mesmo período, espero a publicação de obra em fase de conclusão do notável biografo Romulo Felipe para voltar ao assunto. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Estado define Índice de Participação dos Municípios para 2026; maior fatia é da Serra
O Governo do Espírito Santo definiu o Índice de Participação dos Municípios (IPM) que será utilizado para o repasse do ICMS aos municípios capixabas em 2026. O decreto com os percentuais finais foi publicado nesta segunda-feira (22) no Diário Oficial do Estado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz). A Serra lidera o ranking estadual, com IPM de 14,449%, seguida por Vitória (10,318%), Cariacica (9,940%), Vila Velha (5,565%) e Linhares (4,894%). Os índices divulgados já consideram o encerramento dos prazos para recursos e a conclusão das análises técnicas. De acordo com a Sefaz, 25% de toda a arrecadação do ICMS no Estado é destinada aos municípios, conforme o IPM. O principal critério de cálculo é o Valor Adicionado Fiscal (VAF), que representa 75% da composição do índice e reflete a atividade econômica local, considerando indústria, comércio e serviços. Além do VAF, o IPM também incorpora indicadores como qualidade da educação, serviços de saúde, área territorial, número de propriedades rurais e produção agrícola. CLIQUE AQUI para conferir o IPM de cada município.
Polícia Militar inicia Operação Verão 2025/2026 no Espírito Santo
Teve início nesta sexta-feira (26) a Operação Verão 2025/2026, que mobiliza as Forças de Segurança em 27 municípios do Espírito Santo. As ações seguem até o dia 22 de fevereiro e têm como foco garantir a ordem pública e a segurança da população durante o período de alta temporada. A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) atuará de forma intensificada por meio de operações de saturação, pontos de bloqueio, abordagens a pessoas e veículos, além de fiscalização de trânsito. As ações são concentradas em balneários, locais com grande circulação de pessoas, regiões com lagoas, rios e cachoeiras, além dos principais pontos turísticos do estado. Outras instituições de segurança também participam da operação de forma integrada. O reforço do policiamento ostensivo será realizado em diferentes modalidades, incluindo patrulhamento a pé, motorizado, montado, ciclístico e tático motorizado, ampliando a presença policial em áreas estratégicas ao longo do verão. A operação também contempla reforços específicos para grandes eventos do período, como as festas de Réveillon, o Carnaval de Vitória, o Carnaval oficial, os blocos carnavalescos e festas municipais, com adequação dos recursos às particularidades de cada demanda. Para a Operação Verão 2025/2026, a PMES estruturou sua estratégia operacional com base em três pilares. O primeiro prevê a mobilidade estratégica do efetivo, por meio do pagamento de diárias para o deslocamento de policiais militares às áreas litorâneas, garantindo flexibilidade para a redistribuição rápida de recursos conforme a necessidade de cada região. O segundo pilar estabelece incentivos operacionais às unidades do litoral, com o aumento da Indenização Suplementar de Escala Operacional (ISEO), reconhecendo o esforço adicional exigido durante a alta temporada. Já o terceiro pilar fortalece os comandos do interior, com aporte de ISEO aos Comandos de Policiamento Ostensivo Regionais, assegurando o atendimento das demandas de segurança em regiões montanhosas e turísticas do interior do estado. Foto: PMES