Por Eduardo Caliman “Um governo que transformou o Espírito Santo em um estado respeitado, que governa com diálogo, humildade e responsabilidade.” É assim que o governador Renato Casagrande projeta o legado de seu terceiro mandato à frente do Executivo estadual. Em entrevista ao diretor de conteúdo do News ES, Eduardo Caliman, no último dia 22, no Palácio Anchieta, Casagrande faz um balanço das principais conquistas da gestão, destaca avanços nas áreas de saúde, segurança pública, educação e economia e projeta a consolidação dessas políticas a partir de 2026. Ao longo da entrevista, o governador cita resultados como a ampliação expressiva das cirurgias eletivas e da oferta de consultas e exames na rede pública de saúde, a modernização da segurança pública com o uso de biometria facial e outras tecnologias, além da expansão da educação em tempo integral e dos investimentos em inovação e diversificação da economia capixaba. Ele também comenta políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres, projetos em análise na Assembleia Legislativa e investimentos em cultura e esportes. O conteúdo integra a terceira parte da entrevista concedida pelo governador. Confira como foi a conversa: ENTREVISTA | RENATO CASAGRANDE Economia e desenvolvimento NEWS ES – Sobre o balanço dos resultados do ano, o PIB do Espírito Santo ainda é muito influenciado pela indústria extrativa, principalmente petróleo e gás. Como incentivar a indústria de transformação? RENATO CASAGRANDE – “Sinais já são muito positivos. Por exemplo, a Marcopolo produz uma boa quantidade de ônibus, inclusive elétricos, para linhas comerciais, intermunicipais e interestaduais. As plantas industriais de café solúvel também são um exemplo. Outra parte importante é a fábrica de papel, em Aracruz, da Suzano. A ArcelorMittal trabalha na perspectiva de montar um laminador de tiras a frio. Então, assim, há investimentos nossos em tecnologia que a gente está tendo no Estado por meio do Funcitec, do fundo soberano. Isso tudo vai sofisticando um pouco mais a nossa economia, mas, de fato, nós passamos por muito tempo muito dependentes de petróleo e gás — petróleo em especial —, da exportação de minério, que só é exportado por aqui, da exportação de celulose, da exportação de pelotas, pela Samarco, da exportação de café e de pedras ornamentais. Hoje em dia, nós já temos uma cadeia produtiva mais verticalizada no café, com a indústria de café solúvel e com os cafés especiais também. O valor médio do café se elevou pela qualidade do nosso café e até pela produção e pelo consumo aqui mesmo, dentro do estado do Espírito Santo. Então, tem um caminho que a gente está fazendo para dar à atividade empreendedora capixaba um nível de complexidade maior, porque isso é fundamental para termos empregos de mais qualidade e uma economia que também se sustente em épocas de crise que possam ocorrer no Brasil ou no mundo.” Segurança pública Quais são as próximas etapas do programa Estado Presente e como o governo pretende reduzir ainda mais os índices de violência? RENATO CASAGRANDE – “Nós já vamos fechar 2025 com a menor taxa de homicídios da história do Estado do Espírito Santo, e o nosso caminho será a incorporação de tecnologia. Transformamos a segurança pública de uma segurança analógica para uma segurança pública digital. Utilizamos biometria facial, biometria digital, leitura de placas e softwares avançados para apoiar a Polícia Científica e a Polícia Civil. Já prendemos mais de 600 pessoas, reconhecidas com mandados de prisão decididos pela Justiça. Estavam soltas, percorrendo as ruas das cidades do Estado livremente. Estamos entre os primeiros estados na emissão da nova Carteira de Identidade Nacional e seguimos investindo fortemente em tecnologia. Esse trabalho já está acontecendo e vai continuar, com novos investimentos para ampliar a capacidade de identificação e localização de pessoas envolvidas em crimes.” Combate ao feminicídio O Estado tem a meta de feminicídio zero. Como esse trabalho está sendo conduzido? RENATO CASAGRANDE – “Nós acompanhamos muito de perto. Tomamos algumas medidas nessa área do feminicídio, que ainda é um desafio colocado para nós. Abrimos 11 Núcleos Margaridas no Estado, com atendimento multiprofissional. Estamos abrindo 18 Salas Maria em todas as delegacias de plantão, para acolhimento de mulheres vítimas ou ameaçadas de violência. Criamos a Companhia Independente Maria da Penha. Temos uma companhia agora na Polícia Civil, a Delegacia Móvel da Mulher e o programa ‘Papo de Responsa’, da Polícia Civil. Também estamos usando a tecnologia. Colocamos à disposição da Justiça um sistema em que o agressor é monitorado com tornozeleira eletrônica, e a mulher recebe um smartphone para ser avisada caso ele se aproxime. A tecnologia está à disposição para ajudar a reduzir a violência contra as mulheres. Mas é muito importante que a gente tenha educação. Por isso, já temos 232 escolas com educação em tempo integral. Fazemos fortes investimentos em educação e reforçamos o alerta às famílias, a conversa dentro de casa sobre a necessidade do respeito às mulheres e a conversa dentro da sala de aula. Tudo isso é muito importante, porque acreditamos que a família e a educação podem ajudar muito a sociedade a ter qualidade de vida.” Educação Qual o plano para manter o Espírito Santo no topo do Ideb e garantir que a tecnologia chegue também às escolas das áreas rurais? RENATO CASAGRANDE – “A gente acabou de inaugurar o Aristóteles Barbosa Leão, a maior escola do Estado, com 2.200 vagas. É um padrão de escola que não perde para nenhuma outra. As nossas escolas estão nesse padrão, com qualidade de infraestrutura. Nossos professores e servidores são muito bem treinados e qualificados. Ajustamos o pagamento do bônus de desempenho para que o professor não seja penalizado e possa receber adequadamente. Vamos continuar avançando na educação em tempo integral. Em oito anos, abrimos 200 escolas nesse modelo. Vamos abrir mais 22 escolas no próximo ano, e o próximo governo poderá continuar esse trabalho. Já temos 60% das escolas com educação em tempo integral e 110 escolas do futuro, levando tecnologia para dentro das salas de aula. Na área rural, boa parte da educação está sob responsabilidade dos municípios, porque