A realidade é direta, dura e provocadora: o salário da maioria dos brasileiros não chega ao fim do mês. Pouco importa se o trabalhador é CLT ou PJ. O que muda é apenas a forma como o sufoco aparece. Para uns, ele vem em parcelas; para outros, na instabilidade permanente. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: uma população economicamente ativa operando no limite. Esse cenário não é apenas um problema financeiro. É um problema produtivo, organizacional e de saúde pública. Estudos recorrentes na área de gestão e saúde ocupacional mostram que o estresse financeiro está entre os principais fatores de queda de produtividade no trabalho. Funcionários preocupados com dívidas tendem a apresentar mais faltas, menor concentração, aumento de erros operacionais e dificuldades na tomada de decisão. Não por falta de competência, mas por excesso de ansiedade. O cérebro ocupado com boletos simplesmente não performa. Os impactos também aparecem nos indicadores de saúde mental. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que os afastamentos por transtornos de ansiedade e depressão cresceram de forma consistente nos últimos anos, figurando entre as principais causas de concessão de auxílio-doença no país. E não é coincidência. A instabilidade financeira prolongada ativa um estado constante de alerta, elevando níveis de cortisol, prejudicando o sono e comprometendo relações pessoais e profissionais. Outro dado alarmante: grande parte dos trabalhadores brasileiros não possui reserva financeira mínima. Isso significa viver permanentemente à mercê de imprevistos. Uma emergência médica, um problema no carro ou a perda momentânea de renda são suficientes para empurrar famílias inteiras para o endividamento crônico. É o que chamo de gestão financeira de sobrevivência, quando toda a energia é gasta para apagar incêndios e nenhuma sobra para planejar o futuro. Do ponto de vista da Administração, isso é insustentável. Organizações dependem de pessoas minimamente equilibradas para funcionar bem. Um colaborador financeiramente adoecido é um risco silencioso: para si, para a equipe e para os resultados. Ainda assim, o tema segue sendo tratado como assunto privado, quase um tabu dentro das empresas. Precisamos romper com essa lógica. Educação financeira não é luxo, nem pauta motivacional de final de ano. É ferramenta de gestão, de prevenção e de desenvolvimento humano. Empresas que investem em programas estruturados de orientação financeira tendem a observar redução do absenteísmo, melhora no clima organizacional e aumento do engajamento. Não por mágica, mas por lógica. No campo das políticas públicas, o desafio é ainda maior. Um país que normaliza o endividamento como estilo de vida e o improviso como estratégia econômica compromete sua capacidade de crescimento sustentável. Sem base financeira, não há consumo consciente, empreendedorismo saudável ou planejamento de longo prazo. O fato é simples: quando o salário acaba antes do mês, algo está profundamente errado no modelo e não apenas no bolso do trabalhador. Enquanto tratarmos a saúde financeira como responsabilidade exclusiva do indivíduo, continuaremos assistindo ao avanço silencioso de um colapso que já está em curso. Ignorar isso custa caro. Para as pessoas, para as organizações e para o país. Érico Colodeti Filho é coordenador da Câmara Temática de Educação e Administração Financeira do CRA-ES, sócio e gestor de educação da Forttu Investimentos.
Carnaval no Espírito Santo deve movimentar R$ 228,7 milhões na economia
Estimativa do Connect Fecomércio-ES aponta crescimento de 3,5% em relação a 2025, acima da média dos últimos dez anos O Carnaval de 2026 promete ter impacto significativo na economia do Espírito Santo. A estimativa é que o período movimente R$ 228,7 milhões nos setores de comércio, serviços e turismo, impulsionado pelo aumento do fluxo de foliões e turistas em fevereiro. A projeção representa crescimento de 3,5% em relação ao ano passado, quando a movimentação foi estimada em R$ 221 milhões, e supera a média de expansão registrada na última década, que ficou em torno de 2% ao ano. Os dados são do Connect Fecomércio-ES, com base em informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No cenário nacional, a CNC projeta que o Carnaval gere R$ 14,48 bilhões em receitas, com crescimento real de 3,8% frente a 2025, já descontada a inflação. Caso se confirme, o resultado capixaba será o melhor da última década e o maior volume desde a pandemia da covid-19. Segundo André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, o cenário indica um ambiente mais favorável para o consumo e para a atividade turística no estado. “O crescimento projetado para o Carnaval no Espírito Santo indica reflexos diretos na geração de renda e de empregos temporários”, avaliou. Carnaval de Vitória antecipado amplia fluxo turístico Um dos fatores estratégicos destacados no levantamento é a realização do Carnaval de Vitória antes do calendário nacional. Ao ocorrer uma semana antes do período oficial, a capital capixaba passa a integrar um circuito ampliado de eventos carnavalescos, atraindo visitantes interessados em estender o período de lazer ou participar de mais de uma programação. “Essa antecipação reduz a concorrência direta com outros grandes destinos e contribui para ampliar o fluxo turístico em um momento fora do pico nacional”, explicou Spalenza. O efeito econômico se traduz em maior ocupação da rede hoteleira, aumento do consumo em bares, restaurantes e no comércio local, além de maior circulação de pessoas na cidade. De acordo com o Connect Fecomércio-ES, a maior parte da movimentação deve se concentrar em Vitória, Guarapari e em outros municípios litorâneos, que tradicionalmente recebem o maior número de turistas durante o Carnaval. Serviços lideram faturamento e impulsionam empregos O valor estimado considera principalmente os setores diretamente ligados às atividades típicas do Carnaval, sem abranger toda a economia estadual. Os maiores volumes de receita devem se concentrar em serviços de alimentação, hospedagem, lazer e cultura, além do transporte rodoviário e aéreo. Do total projetado, cerca de R$ 91,1 milhões devem ser movimentados pelos serviços de alimentação, o equivalente a 39,8% do total. Já os serviços de hospedagem devem responder por aproximadamente R$ 22,7 milhões, ou 9,9% da movimentação econômica do período. Outro destaque é a geração de empregos temporários. A projeção indica a abertura de 704 vagas durante o Carnaval, o maior número de contratações desse tipo nos últimos sete anos no estado. Para Spalenza, o dado reflete maior confiança dos empresários na demanda do período e tende a gerar impactos positivos sobre a renda e a atividade econômica local. Custos do Carnaval para o consumidor O Carnaval também se reflete no orçamento dos consumidores, que se dividem entre quem permanece em casa, participa de blocos ou viaja. Na Grande Vitória, a inflação acumulada da cesta de consumo para atividades domiciliares chegou a 4,99% até dezembro de 2025, acima da média nacional (4,26%). O principal impacto veio do grupo bebidas e infusões, com alta de 16,97%, especialmente a cerveja, que acumulou variação de 9,27%. A alimentação dentro do domicílio teve inflação mais moderada (0,78%), abaixo da média nacional. Frutas apresentaram aumentos mais expressivos, enquanto os pescados registraram deflação, contribuindo para aliviar parte dos custos de quem opta por comemorar em casa. Para quem frequenta blocos e eventos de rua, a alimentação fora do domicílio acumulou alta de 9,31% na Grande Vitória, acima da média brasileira. Lanches subiram 14,17%, enquanto refrigerantes e água mineral tiveram aumento de 8,05%. O grupo vestuário registrou elevação de 6,6%, com destaque para joias e bijuterias utilizadas em fantasias, que encareceram 20,15%. Entre os foliões que planejam viajar, o grupo transportes apresentou inflação acumulada de 3,59%, puxada principalmente pelo ônibus intermunicipal, que subiu 12,57%. As passagens aéreas tiveram alta mais moderada (2,91%), enquanto os custos para quem utiliza veículo próprio cresceram 3,6%, influenciados pela gasolina. Mesmo com o avanço de preços em alguns itens, o cenário geral aponta para um Carnaval aquecido no Espírito Santo. “O conjunto de dados mostra que o Carnaval segue como um importante indutor da atividade econômica, capaz de dinamizar diferentes setores e fortalecer o desempenho do estado no início do ano”, concluiu André Spalenza. A pesquisa completa está disponível no site portaldocomercio-es.com.br. Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a CNC e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no Espírito Santo e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades e atuação presencial ou on-line em todos os municípios capixabas, o Sistema Fecomércio-ES representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).
Lúcio Mauro Filho e Bruno Mazzeo celebram a amizade e em comédia no Teatro da Ufes
O espetáculo “Gostava Mais dos Pais” chega à capital capixaba para três apresentações, nos dias 6, 7 e 8 de março. Embora o humor corra nas veias de Bruno Mazzeo e Lucio Mauro Filho, carregar o DNA de dois ícones da comédia brasileira e ainda seguir a mesma profissão não é algo trivial. Esse é o fio condutor do espetáculo “Gostava mais dos pais”, que após sucesso fenomenal desembarca para apenas três apresentações no Teatro Universitário – UFES, nos dias 6, 7 e 8 de março, estreando os espetáculos de 2026 da WB Produções com chave de ouro. Além da divertida homenagem a Chico Anysio e Lucio Mauro, o espetáculo propõe uma reflexão bem-humorada sobre a adaptação à era digital e a preservação da identidade diante da pressão da herança paterna. Com mais de 85 mil expectadores em São Paulo, Belo Horizonte, Rio, Belém, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Florianópolis e Salvador, o espetáculo lotou todos os teatros por onde passou. Na peça, os atores celebram a amizade de longa data e as dores e delícias de sucederem a Chico Anysio (1931 – 2012) e Lucio Mauro (1927 – 2019). Os ingressos já podem ser comprados em www.sympla.com.br, a partir de R$30,00, com produção local da WB Produções. “Esse espetáculo é, antes de tudo, a celebração da grande amizade que nossos pais passaram para nós. Nossas trajetórias se entrelaçaram por conta própria, repetindo uma feliz parceria deles, mas do nosso jeito, no nosso tempo”, resume Lucio. “Na peça nós os usamos para falar sobre a passagem do tempo e a tentativa de entender o nosso lugar nesse mundo novo”, completa Bruno. O embrião do projeto nasceu antes da pandemia, quando estavam em turnê com “5x Comédia”, espetáculo que rodou o país. Debora Lamm foi convidada para assinar a direção, enquanto Aloísio de Abreu e Rosana Ferrão respondem pelo texto, escrito a partir de questionamentos levantados pela dupla de protagonistas. “Nós somos parceiros da Debora há pelo menos 20 anos, no teatro, no cinema e na TV. É uma química testada e aprovada, tanto na esfera pessoal quanto na profissional”, pontua Lucio. “Eu e Lucinho começamos a ter várias ideias, mas queríamos um olhar de fora. Foi aí que convidamos Aloísio e Rosana, dois parceiros meus de muitos anos, que assinaram comigo os roteiros de ‘A Diarista’ e ‘Cilada’, respectivamente. Nós sabíamos sobre o que gostaríamos de falar. Eles nos ouviam, traziam ideias e a gente lia, debatia, levantava outras. Enfim, foi um trabalho muito participativo”, conta Bruno. Os atores interpretam cerca de dez personagens e várias versões de si mesmos numa série de esquetes que entrecruzam as suas histórias de vida com temas contemporâneos, como as barreiras impostas ao humor e a dificuldade de encontrar os seus lugares na era digital, a cultura do cancelamento, a instantaneidade das viralizações e as fake news. “Uma das finalidades do humor é fazer as pessoas olharem para coisas que estão acontecendo na sociedade sob outra perspectiva. E a nossa peça faz uma reflexão sobre a linha tênue que define os limites da comédia e da nossa responsabilidade de estar em sintonia com o nosso tempo. O humor também envelhece”, pondera Lucio. “Rir de si mesmo é humor esperto. Numa mistura de autoficção e variados personagens, os meninos fazem um divertido panorama de suas próprias trajetórias, abraçam a crise da maturidade em meio ao declínio do patriarcado e, simultaneamente, emocionam ao falarem da importância da amizade e parceria que perpassam os anos”, observa Debora Lamm. Os atores brincam também com o peso do legado dos pais – e as inevitáveis comparações com eles –, a dificuldade de entenderem seus lugares no mundo moderno e o esforço para se manterem relevantes na faixa da meia-idade. “É uma reflexão também sobre o desejo de não remar contra a maré e ao mesmo tempo entender os novos tempos. Ou seja, nós não somos youtubers, nós não sabemos fazer um TikTok. Então, o que a gente faz? Será que ainda vai ter espaço para o que a gente sabe fazer”, questiona Bruno. “Enxergar o novo é a chave. E também buscar um equilíbrio entre a bagagem que acumulamos e podemos oferecer aos projetos, sempre mantendo as portas abertas para as novidades”, complementa Lucio. O título faz alusão a uma situação que os atores vivenciaram inúmeras vezes quando interpelados na rua. Ela tece mil elogios, mas finaliza o encontro com a frase: “Gostava mais do seu pai”. Ainda assim, nenhum dos dois se furta em fazer piada dessa “herança”. Uma das cenas brinca com o aposto “filho do Chico Anysio”, frequentemente associado a Bruno em entrevistas na TV, enquanto o minimalista e sofisticado cenário concebido por Daniela Thomas exibe uma sequência de imagens de arquivo que ilustram o episódio. Lucio, por sua vez, diverte-se com o fato de que não consegue escapar de seu próprio sobrenome. A pressão para permanecerem antenados com o mundo contemporâneo enquanto se aproximam dos 50, além dos conflitos internos e consequências decorrentes disso, permeiam diversos momentos do espetáculo. O ponto de partida é um debate sobre a postagem ou não de uma dancinha deles no TikTok e o que se desencadeia depois são recortes de pontos de vistas afiados que provocam risadas e reflexões. Sinopse: Uma comédia imperdível em que Bruno Mazzeo e Lúcio Mauro Filho revelam com muito humor as dificuldades de entender os seus lugares no mundo contemporâneo, ao mesmo tempo em que lidam com o peso de serem filhos de dois ícones do riso: Chico Anysio e Lucio Mauro. 19 ANOS DA WB PRODUÇÕES A WB Produções, fundada em 2007 por Bruna Dornellas e Wesley Telles, neste ano celebra 19 anos de atuação no mercado cultural com um histórico de mais de 2 milhões de espectadores em 55 cidades brasileiras. Reconhecida por produzir grandes sucessos teatrais, a empresa já levou aos palcos obras premiadas como: Através da Íris, Misery, Três Mulheres Altas e Gargalhada Selvagem. Movida pela paixão em levar histórias inspiradoras aos palcos e conectar arte e público de maneira
Abertura do ano legislativo reúne Poderes e instituições na Assembleia
Autoridades dos Poderes Executivo e Judiciário, além de representantes de diversas instituições, participaram nesta segunda-feira (2) da sessão solene que marcou a abertura dos trabalhos legislativos de 2026 na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). A cerimônia inaugurou o último ano da 20ª Legislatura. Com o plenário lotado, a sessão foi conduzida pelo presidente da Ales, deputado Marcelo Santos (União), ao lado do governador Renato Casagrande (PSB), do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e dos demais integrantes da Mesa Diretora. Também compuseram a mesa principal a presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, desembargadora Janete Vargas Simões; o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo, Francisco Martínez Berdeal; o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, conselheiro Luiz Carlos Ciciliotti; e o defensor público-geral do Estado, Vinicius Chaves de Araujo. Representando os municípios, participaram o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, e a vereadora de Vila Velha, Patrícia Crizanto. Também estiveram presentes o procurador da República no Espírito Santo, Vinicius Cabele; o reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, Eustáquio de Castro; a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo, Érica Neves; e o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, Namir Souza Filho. Após o pronunciamento do presidente da Assembleia, que destacou os desafios do ano legislativo de 2026, a presidente do TJES fez uso da tribuna para ressaltar o papel central do Poder Legislativo na estrutura do Estado Democrático de Direito. Segundo a desembargadora Janete Vargas Simões, a sessão solene vai além do cumprimento constitucional e reafirma o compromisso das instituições com a democracia, a legalidade e a confiança da sociedade. Ela destacou a Assembleia como espaço de representatividade, escuta ativa, elaboração das leis e fiscalização dos atos do poder público. A magistrada também mencionou que episódios recentes no cenário nacional impactam a credibilidade das instituições públicas, o que amplia a responsabilidade dos agentes públicos na defesa do interesse coletivo. Ressaltou ainda que, por se tratar de um ano eleitoral, o Parlamento deve atuar com elevada consciência institucional, equilíbrio e responsabilidade histórica. Encerrando sua fala, a presidente do TJES reforçou a importância da harmonia e da independência entre os Poderes, apontando o diálogo como caminho para o fortalecimento da justiça social e da cidadania. Na sequência, o governador Renato Casagrande destacou que a capacidade de convivência e diálogo é um dos principais diferenciais do Espírito Santo. Em seu discurso, enfatizou a importância da humildade e do respeito institucional para a preservação da democracia, especialmente em um contexto de crescente polarização e de episódios de violência política.