Um levantamento publicado nesta segunda-feira pelo jornal O Globo mostrou que o Espírito Santo tem a melhor situação fiscal entre os estados brasileiros no indicador de dívida em relação à receita, segundo dados do Tesouro Nacional. O Estado aparece no último lugar do ranking de endividamento, com resultado negativo de -52,48%, o que indica que possui mais recursos financeiros disponíveis do que dívidas consolidadas. O indicador considera a relação entre a dívida consolidada líquida e a receita corrente das unidades da federação. Quando o resultado é negativo, significa que o ente público mantém disponibilidades financeiras e haveres superiores ao endividamento. Além do Espírito Santo, apenas Mato Grosso (-14,90%), Rondônia (-5,02%) e Paraná (-4,91%) apresentam esse tipo de resultado. Enquanto o Espírito Santo aparece em situação confortável, a maioria dos estados brasileiros enfrenta desafios fiscais. Dados do Tesouro Nacional mostram que Rio de Janeiro (217,20%), Rio Grande do Sul (173,80%), Minas Gerais (167,44%) e São Paulo (123,46%) lideram o ranking de endividamento proporcional à receita. O caso fluminense é o mais crítico, sendo o único estado acima do limite de 200% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Esse cenário ajuda a explicar a adesão em massa dos estados ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), criado pelo governo federal para renegociar débitos com a União. Ao todo, 22 das 27 unidades da federação solicitaram participação no programa, que prevê prazo de até 30 anos para reestruturação das dívidas e possibilidade de redução dos juros reais para 0%, 1% ou 2% ao ano, corrigidos pela inflação. Atualmente, muitos contratos ainda seguem a regra de IPCA mais 4%. O programa também permite que estados utilizem bens públicos, participações societárias, créditos e outros ativos para abater parte da dívida. Como contrapartida, os governos estaduais deverão destinar parte da economia obtida para educação, segurança pública, habitação, mobilidade, infraestrutura e meio ambiente. A maior parte do passivo estadual tem origem na década de 1990, quando o governo federal refinanciou dívidas acumuladas pelos estados após o Plano Real. Hoje, o estoque da dívida estadual supera R$ 800 bilhões, concentrado principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Apesar da renegociação, especialistas divergem sobre os efeitos do programa. Economistas avaliam que a medida pode aliviar o caixa dos estados no curto prazo, mas também pode representar transferência de parte do custo da dívida para a União e incentivar novas renegociações no futuro. No caso capixaba, a posição no ranking reflete um cenário distinto do restante do país, já que o Estado aparece entre os poucos com dívida líquida negativa, resultado da existência de recursos financeiros superiores ao total das obrigações de endividamento registradas pelo Tesouro Nacional.
Turismo de experiência ganha força nas redes sociais e transforma o jeito de viajar
O turismo de experiência deixou de ser tendência e se consolidou como um dos principais motores do setor turístico, impulsionado pela busca por autenticidade, cultura local e vivências personalizadas. É o que aponta a pesquisa “Turismo de Experiência – O que dizem os usuários das redes sociais?”, realizada pelo Sebrae/ES. Segundo o levantamento, cerca de 90% dos turistas brasileiros buscam experiências autênticas, com contato direto com a cultura local — um segmento que já responde por mais de 60% do faturamento dos pequenos negócios turísticos no Brasil. No cenário global, o turismo de experiência movimenta mais de US$ 1 trilhão por ano, com crescimento médio superior a 10%, de acordo com dados da plataforma Statista. Para entender o comportamento digital dos viajantes, o Sebrae/ES analisou 4.011 publicações nas redes sociais Instagram e X (antigo Twitter). O estudo mostra que as redes se tornaram um dos principais espaços de inspiração e decisão de viagem. Cerca de 62% dos conteúdos analisados estavam no Instagram, reforçando o protagonismo da plataforma no turismo. De acordo com o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, o momento exige que empreendedores valorizem as experiências oferecidas ao público. “Mais do que vender serviços, é necessário destacar os benefícios da vivência, como aprendizado, bem-estar, conexão com a cultura local e transformação pessoal”, afirma. A pesquisa também indica que mais da metade das publicações (50,6%) é produzida por empresas ou empreendedores do setor, com predominância de conteúdos positivos — 71,3% das postagens analisadas exaltam o turismo de experiência, valorizando cultura, identidade e interação com o território. Segundo a analista de Relacionamento do Sebrae/ES, Regina Paixão, a presença digital consistente é fundamental para os pequenos negócios turísticos. “Manter perfis atualizados, com informações claras e conteúdos frequentes, ajuda a fortalecer a confiança do público. Mostrar bastidores, processos produtivos, histórias e pessoas torna a comunicação mais próxima e autêntica”, explica. A gastronomia e o agroturismo aparecem como importantes vetores desse movimento, especialmente em destinos como Venda Nova do Imigrante, reconhecida como Capital Nacional do Agroturismo, onde produtos artesanais e experiências locais atraem visitantes interessados em conhecer a origem dos alimentos e a cultura regional. Turismo com propósito O estudo evidencia uma mudança no comportamento dos viajantes. Se antes predominava o interesse genérico por conhecer novos lugares, agora cresce a busca por microvivências, rituais culturais e destinos fora do roteiro tradicional, capazes de gerar o chamado “efeito descoberta” — quando o visitante sente que encontrou uma experiência única. Outro destaque é a associação do turismo ao bem-estar, à saúde mental e à reconexão com a natureza, reforçando o papel dos pequenos empreendedores como mediadores dessas experiências e responsáveis por transmitir confiança e identidade ao visitante.
Bloco Vive Le Vin confirma segunda edição no Carnaval das Montanhas Capixabas
Depois do sucesso da estreia, o Bloco Vive Le Vin retorna ao Carnaval das Montanhas Capixabas em 2026 para sua segunda edição, na Cervejaria Azzurra, na Pedra Azul, em Domingos Martins, consolidando-se como uma das propostas mais charmosas e autorais da folia na região. Idealizado pela Invite Inc., o bloco reúne música, encontros e experiências sensoriais em uma programação que acontece ao longo do feriado de Carnaval, reforçando um novo jeito de viver a festa: com leveza, identidade e celebração do tempo de qualidade. A programação reúne atrações que transitam entre samba, pop, música brasileira e eletrônica, sempre em sintonia com o espírito do Vive Le Vin e com o clima acolhedor das montanhas capixabas. Para Carla Ribeiro, gerente de marketing da Invite Inc., o bloco é um convite à celebração. “A ideia é que as pessoas venham viver o Carnaval de forma leve, descontraída e cheia de boas experiências. O Vive Le Vin é sobre encontros, música, bons momentos e aquele clima gostoso de aproveitar o tempo sem pressa, em um lugar que já inspira isso naturalmente”, afirma. O Bloco Vive Le Vin se firma como um dos movimentos culturais que traduzem o Carnaval contemporâneo nas montanhas capixabas, conectando pessoas por meio de experiências que vão além da festa. BLOCO VIVE LE VIN | CARNAVAL 2026 Local: Cervejaria Azzurra — Rota do Lagarto, s/n — Zona Rural, Domingos Martins (ES) Programação do Carnaval 14/02 — Sábado de Carnaval 19h — Lajota Duo e DJ Dubonzin 15/02 — Domingo de Carnaval 14h às 17h — Bloco Vive Le Vin 17h — Banda Estação Lunar 20h — DJ Avilla (Set Brasilidades / Eletrônico) 16/02 — Segunda-feira de Carnaval 12h — DJ Avilla (Set Brasilidades) 16h — Duets 19h — DJ Avilla (Set Brasilidades / Eletrônico) 17/02 — Terça-feira de Carnaval 12h — DJ Avilla (Set Brasilidades)
Semana deve ter calor, sol entre nuvens e pancadas de chuva na Grande Vitória
A semana na Grande Vitória deve ser marcada por temperaturas elevadas, variação de nebulosidade e possibilidade de pancadas de chuva típicas do verão, segundo previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Climatempo. De acordo com o Climatempo, os próximos dias devem manter o padrão de sol com aumento de nuvens e chuva rápida em alguns períodos do dia, especialmente entre a tarde e a noite. As temperaturas devem permanecer altas, com mínimas próximas de 23 °C e máximas entre 30 °C e 33 °C na Grande Vitória. Nesta segunda-feira (9), por exemplo, a previsão indica tempo abafado e possibilidade de pancadas isoladas de chuva ao longo do dia, mantendo a sensação de calor típica do verão no litoral capixaba. O Inmet também aponta que a circulação de umidade e o aquecimento diurno favorecem a formação de áreas de instabilidade no Sudeste, condição comum nesta época do ano e que pode provocar chuvas rápidas, trovoadas isoladas e aumento da nebulosidade ao longo da semana. A tendência, segundo os institutos de meteorologia, é que o calor continue predominando na região, com vento fraco a moderado e umidade elevada, mantendo o padrão climático típico do verão capixaba — dias quentes, períodos de sol e chuva irregular ao longo da semana.
Grupo Águia Branca anuncia chegada Denza em Vitória e amplia presença no mercado premium
O Grupo Águia Branca anunciou a chegada da Denza ao Espírito Santo, ampliando sua atuação no segmento de mobilidade premium e veículos de luxo. A novidade será viabilizada por meio da Divisão Comércio do grupo, com operação prevista em Vitória. A marca passará a integrar o portfólio da empresa por meio da Vitória Motors Denza, reforçando o posicionamento do grupo no mercado de veículos elétricos e híbridos plug-in de alto padrão, segmento que cresce no Brasil e no mundo. Segundo o grupo, a iniciativa representa um movimento estratégico de expansão no setor automotivo premium, incorporando ao portfólio uma marca reconhecida globalmente por tecnologia, inovação e sustentabilidade. A base da Denza em Vitória já conta com um canal exclusivo de relacionamento comercial, disponível pelo telefone (27) 99781-4484, para atendimento ao público interessado. Mais detalhes sobre a operação da Vitória Motors Denza no Espírito Santo devem ser divulgados em breve.
Abram alas que o Maluco Beleza vai descer a Rua Sete no Carnaval
Os foliões apaixonados pelo tradicional Carnaval de rua no Centro Histórico de Vitória têm encontro marcado com a alegria: manhã do domingo, 15 de fevereiro. Segurem-se nas cadeiras, ou saltem delas, o Bloco Maluco Beleza vai descer a Rua Sete mais uma vez. Reúna amigos, família e amores que o clima vai ser, como em todos os anos, de sorrisos, cantoria e felicidade ao som do repertório de Raul Seixas. Separe a fantasia, capriche no glitter e vá… Há de ser tudo da lei. Criado em 2019, o Maluco Beleza arrasta foliões pelas ruas do Centro Histórico de Vitória, desde o Carnaval de 2020, em cortejos marcados pela alegria e pela presença de crianças e adultos em um ambiente de irreverência, bom humor e cantoria desde as calçadas até o alto dos prédios, nas janelas animadas por sua passagem. Neste ano, o Maluco Beleza vai se apresentar a partir das 8 horas do domingo de Carnaval (15/02) na Rua Sete, local onde já se tornou uma tradição capixaba do calendário da capital. No repertório deste ano, o Maluco Beleza vai executar as canções de Raul Seixas em vários ritmos marcados por sua bateria com cerca de 60 componentes. Entre as que não podem faltar e levam todas as pessoas a cantar junto, destacam-se: Maluco Beleza, Metamorfose Ambulante, Aluga-se, Cowboy Fora da Lei, Tente Outra Vez, SOS, Ouro de Tolo, entre outras. Além disso, neste ano, o Bloco vai apresentar músicas de parceiros, amigos e influências de Raul Seixas, como Sérgio Sampaio, Luiz Gonzaga, Jerry Adriani e outros. Tudo em arranjos de Forró, Rock e Samba, em uma miscelânea de ritmos para formar um caldeirão de sonoridades como bem gostava nosso Raulzito. O ambiente da Rua Sete é extremamente seguro e tranquilo, mas cabe aos foliões observar o respeito às pessoas, o cuidado com a desidratação e o uso de protetor solar. Uma dica importante para quem for à apresentação é olhar para cima. Os moradores nas janelas durante o cortejo são um show à parte fazendo a perfeita integração entre o Bloco e a Comunidade do Centro Histórico. Dos seus “camarotes”, homens e mulheres de todas as idades cantam e interagem e compõem um quadro inesquecível da Cultura Popular Capixaba. SERVIÇO Bloco Maluco Beleza Onde: Rua Sete de Setembro, Centro Histórico de Vitória. Dia: Domingo, 15 de Fevereiro. Hora: Concentração às 8 horas e Saída às 10 horas. Drive com imagens para Divulgação: https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1mhK_V8I7fyZUbpRnN1mDvL09ftMveQ9z (caso necessite de outras imagens, fique à vontade em solicitar) Mais informações e entrevistas: Instagram: @bloco.malucobeleza e-mail: contato@blocomalucobeleza.com.br telefone: (27) 99237-3461 (Camila Benezath)
João Gualberto – “O agente secreto”
Como todos sabem, afinal foi fartamente noticiado, o filme brasileiro O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça e tendo Wagner Moura como protagonista, recebeu quatro indicações ao Oscar: melhor seleção de elenco, melhor filme internacional, melhor ator para Wagner Moura e melhor filme. Essas indicações, em si mesmo, já atestam a importância atual deste filme em especial, e do cinema brasileiro como um todo. Isso porque ele vem de uma trajetória de prêmios como o festival de Cannes, na França, o Globo de Ouro, nos Estados Unidos. São todas premiações importantes. Esse crescimento qualitativo do nosso cinema não é obra do acaso, é o resultado, em primeiro lugar, do talento do nosso povo para as artes, basta lembrar que nossa música também é genial e tem destaque internacional. Outras linguagens, como a literatura, também têm mostrado a força da criatividade brasileira, nosso soft power. Também é resultado de uma trajetória de grandes talentos, onde destaca-se Glauber Rocha e sua genialidade, e o chamado Cinema Novo, que deu grande projeção a toda uma geração de diretores como Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues, todos geniais. Temos essas escolas criativas e, mais recentemente, políticas públicas como a Lei Rouanet, que muito alimentam o surgimento de tantos talentos. Na minha infância, íamos ao cinema ver Oscarito e Grande Otelo, Ankito; depois tivemos Mazzaropi, que minha mãe adorava — ria como criança quando via seus filmes — e tantos outros artistas populares que levavam drama e alegria por todo o país. O grande sucesso, nacional e internacional, das novelas da Rede Globo também criou uma escola de dramaturgia importante. Quero com tudo isso dizer que, por trás do sucesso tão merecido de Kleber Mendonça e do seu filme, de todo o competente elenco e da equipe técnica que participou de O Agente Secreto, há uma história coletiva, só interrompida nos trágicos anos do governo Bolsonaro, que tentou desqualificar tudo isso em nome de uma estética brega e de uma afirmação mais bruta no sentido da vida cultural brasileira, alicerçada na força e no machismo tóxico. Mas vamos falar do que me tocou de forma especial nesse delicado filme com tanta cara do Nordeste brasileiro, para mim que me interesso em estudar a sociologia do nosso cotidiano, expressa no campo das artes, seja ela literatura ou cinema. Não me aventuro em fazer uma análise como crítico de cinema, que não sou; meu olhar é outro. É dele que posso dizer que temos no filme um retrato muito fiel do que se passava no Brasil de 1977, que vivi também. O clima de desconfiança, em que parecia sempre haver alguém nos espionando, era sempre presente. Um governo autoritário faz perversidades explícitas como as mostradas no filme que ganhou o Oscar anos passados, o excelente Ainda Estou Aqui, mas também cria outras circunstâncias igualmente ruins. Quando a ditadura brasileira prendeu e expulsou do nosso território artistas como Chico Buarque, Caetano, Gil, Geraldo Vandré, Glauber Rocha e centenas de ativistas, intelectuais e políticos, ela queria provocar o fim das atividades de contestação da ordem vigente, mas queria também provocar o medo na juventude e nos que não concordavam com o que estava se passando. O meu sentimento naqueles anos era o de que a inteligência no Brasil estava se esvaindo; os que a tinham não podiam exercê-la. Vivíamos essa asfixia diária. No ambiente universitário que eu frequentava, não havia mais atividades políticas explícitas; estudante era feito para estudar, gostavam os homens da ordem de repetir. A censura inibia as manifestações artísticas na literatura, na imprensa, no cinema, no teatro ou onde quer que elas estivessem. Para todo esse aparelho repressivo funcionar, foi necessário criar um sistema de informantes, os tais agentes secretos aos quais o título do filme faz referência. Sempre havia a sensação de que, na sala de aula, tinha alguém do pavoroso SNI; na mesa próxima no bar também alguém nos escutava todo o tempo. Qualquer conteúdo mais crítico só podia ser dito nas nossas casas ou em ambientes controlados. O Agente Secreto mostra esse clima, as histórias que a imprensa inventava para ocupar os espaços censurados, como parece ser a tal “perna cabeluda”, criada em Recife nesse contexto. O ar que nos asfixiava o tempo todo está lá na obra de Kleber Mendonça, retratado com rigor e competência em um filme que merece tanta premiação. E pensar que existem brasileiros interessados no retorno de tempos tão tristes; por isso é preciso que os que não viveram aquelas barbáries as conheçam. Recomendo com convicção que todos os que ainda não viram o filme não o percam. Ele é simplesmente genial. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018.