TST define regra para indenização por falhas na complementação de aposentadoria Trabalhadores que recebem ou irão receber complementação de aposentadoria devem redobrar a atenção. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) estabeleceu que o prazo para solicitar indenização por valores não considerados no cálculo do benefício segue a mesma lógica das ações trabalhistas: até cinco anos durante o vínculo empregatício e, no máximo, dois anos após o término do contrato. A tese foi fixada no Tema Repetitivo nº 20 e envolve situações em que parcelas salariais — como horas extras e outras verbas — não foram incluídas na base de contribuição para planos de previdência complementar vinculados à empresa. Quando começa a contagem do prazo A principal definição diz respeito ao início da prescrição. O trabalhador só poderá pleitear indenização após a concessão da complementação de aposentadoria ou quando o plano for encerrado para novas contribuições, momento em que não há mais possibilidade de corrigir os recolhimentos anteriores. Segundo o advogado Caio Vairo, sócio do escritório Ferreira Borges, o prazo não começa quando ocorreu o pagamento incorreto das verbas, mas quando se torna inviável ajustar as contribuições. “A partir da concessão do benefício ou do fechamento do plano é que surge o direito de pedir indenização. Antes disso, ainda seria possível regularizar os valores devidos”, explica. Na prática, é necessário observar tanto a data de início da aposentadoria complementar quanto a existência de ações trabalhistas que tenham discutido verbas como horas extras. Marcos para casos anteriores Para situações anteriores a entendimentos do Superior Tribunal de Justiça, o TST definiu datas de referência. Em ações envolvendo horas extras, o prazo de cinco anos passa a contar a partir de 16 de agosto de 2018, desde que o processo trabalhista já tenha sido concluído ou não tenha sido ajuizado. Para outras parcelas salariais, o marco é 11 de dezembro de 2020. Se a ação ainda estava em andamento nessas datas, a contagem começa a partir do trânsito em julgado — ou seja, quando não há mais possibilidade de recurso. De acordo com Vairo, essas datas servem para uniformizar a análise de processos antigos e evitar interpretações divergentes sobre o início da prescrição. Prazo de dois anos após o desligamento O limite de dois anos para ingressar com a ação após o fim do contrato de trabalho vale apenas para quem deixou a empresa depois da fixação da tese no Tema 20. Contratos encerrados antes dessa definição podem receber tratamento diferente, dependendo das circunstâncias de cada caso. Indenização pode continuar sendo possível O Tribunal também esclareceu que a impossibilidade de cobrar diretamente os reflexos das verbas na previdência complementar não elimina automaticamente o direito à indenização. Segundo o advogado, o pedido só estará prescrito se a própria verba salarial que fundamenta a ação já tiver ultrapassado o prazo legal. “O fato de não ser mais possível discutir o reflexo direto no plano não impede, por si só, a busca por reparação”, afirma. Orientação aos trabalhadores Quem participa de plano de previdência complementar vinculado à empresa — especialmente aqueles que já discutiram horas extras ou outras parcelas na Justiça — deve revisar atentamente datas e decisões judiciais. A contagem do prazo depende do momento da aposentadoria complementar, do encerramento do vínculo empregatício e da situação do processo trabalhista. Com a tese consolidada, o entendimento passa a valer em todo o país e tende a uniformizar decisões nos tribunais. Para os trabalhadores, a principal mensagem é objetiva: o direito pode existir, mas há um limite de tempo para reivindicá-lo.
Após 30 anos no PSB, Cael Linhalis migra para o PSDB e assume comando do partido em Vila Velha
Em uma movimentação que impacta no cenário partidário capixaba, o vice-prefeito de Vila Velha, Cael Linhalis, anunciou nesta quinta-feira (19) sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda onde militou por cerca de 30 anos e na qual manteve proximidade política e pessoal com o governador Renato Casagrande, principal liderança do partido no Espírito Santo. Cael irá se filiar ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), presidido no Estado pelo prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo. A mudança ocorre em alinhamento com o grupo político ao qual integra e reforça a articulação em torno de um projeto estadual liderado por Arnaldinho. Com a filiação, Cael também assumirá a presidência municipal do PSDB em Vila Velha. Participação ativa na gestão Desde que foi escolhido para compor a chapa vitoriosa de 2024 como vice-prefeito, Cael Linhalis passou a exercer papel estratégico na condução de projetos e políticas públicas da gestão municipal, com atuação em diferentes áreas da administração. Antes disso, já integrava o primeiro escalão da Prefeitura. À frente da Secretaria Municipal de Planejamento desde agosto de 2023, participou diretamente da organização fiscal, do planejamento estratégico e da formulação de políticas estruturantes. Com a prevista renúncia de Arnaldinho no início de abril para disputar o Governo do Estado, Cael deverá assumir a Prefeitura. A transição será marcada pela continuidade das diretrizes atuais, “com manutenção do ritmo de investimentos e foco em responsabilidade fiscal, eficiência administrativa e resultados.” “A decisão de ir para o PSDB simboliza minha confiança em um projeto inovador que transformou Vila Velha e que pode transformar o Espírito Santo. Caminho ao lado de Arnaldinho por convicção e por compartilhar uma visão moderna de gestão pública, baseada em planejamento, eficiência, inovação, transparência e compromisso com as pessoas”, afirmou Cael Linhalis. Fortalecimento do grupo Para Arnaldinho Borgo, a filiação representa o amadurecimento de uma construção política coletiva com projeção estadual. “Cael sempre esteve ao nosso lado na construção de uma gestão moderna, eficiente e reconhecida nacionalmente. Sua chegada ao PSDB fortalece um grupo comprometido com planejamento, responsabilidade e transformação social. A experiência de Vila Velha demonstra que é possível avançar com organização e visão de futuro, respeitando as particularidades de cada município.” Com longa trajetória no serviço público e na política, Cael Linhalis é formado em Administração, professor universitário e economiário federal concursado, com 35 anos de carreira. Foi superintendente estadual da Caixa Econômica Federal e presidente da Cesan. Pai do deputado federal Victor Linhalis (Podemos), reúne experiência técnica, articulação política e respaldo partidário para os novos desafios. A mudança de partido, segundo aliados, não representa ruptura, mas a formalização institucional de uma parceria política já existente, agora fortalecida e projetada para uma nova etapa.
ESTour chega a Vitória para posicionar o ES como destino estratégico do turismo nacional
Uma feira inédita voltada exclusivamente à geração de negócios turísticos promete colocar o Espírito Santo no centro das atenções do setor no Brasil. A ESTour — organizada pela COOPTURES (Cooperativa de Eventos e Turismo do Espírito Santo) — será realizada entre os dias 25 e 28 de abril, na área do Aeroporto de Vitória, reunindo operadores, agentes de viagens, influenciadores e especialistas do mercado. A proposta é apresentar, de forma estruturada e orientada para vendas, os destinos capixabas e suas potencialidades comerciais. O evento nasce com a missão de consolidar o Estado como um destino completo e competitivo, capaz de oferecer, em uma mesma viagem, experiências que vão do litoral às montanhas, passando por patrimônio histórico, gastronomia e natureza. A expectativa é de que as rodadas de negócios e o contato direto com compradores estratégicos gerem resultados que ultrapassem os dias da feira, fortalecendo toda a cadeia turística capixaba ao longo dos meses seguintes. Alinhada ao Plano de Marketing do Turismo do Espírito Santo (2026–2030), a ESTour aposta em um reposicionamento da imagem do Estado, buscando deixá-lo de lado da percepção de destino complementar para ocupar um espaço de desejo no mercado nacional e internacional. A apresentação estruturada a grandes players do setor deve ampliar a visibilidade dos atrativos capixabas e impulsionar o fluxo de visitantes para todas as regiões. Segundo Alfonso Silva, presidente da Cooptures, a proposta é valorizar um turismo autêntico, baseado na identidade local. “Da moqueca capixaba aos cafés especiais, do artesanato à cultura vibrante, cada experiência revela a identidade do Espírito Santo, apresentando um turismo menos massificado e mais conectado às histórias, ao território e às pessoas do Estado”, destaca. Mais do que uma feira tradicional, a ESTour será organizada em eixos temáticos que representam as principais vocações turísticas capixabas: Sol e Mar; Agroturismo e Turismo Rural; Cultura e Patrimônio; e Montanhas e Natureza. Em cada espaço, os participantes terão acesso direto a produtos turísticos, rede hoteleira, atrativos e condições comerciais das cidades participantes. Regiões como Caparaó e Guarapari aparecem entre os destaques, evidenciando tanto o potencial do turismo de natureza quanto do litoral. A programação inclui ainda mostra de destinos, área dedicada às operadoras, espaço cultural e gastronômico com valorização da culinária regional, rodadas de negócios e um conjunto de capacitações para agentes de viagem, em parceria com o Sebrae-ES. Também estão previstos famtours — viagens de familiarização que permitem aos profissionais conhecer, na prática, os roteiros turísticos do Estado — com itinerários de pelo menos dois dias em regiões como o Caparaó capixaba e Itaúnas, incluindo hospedagem local. Com participação do Governo do Estado e de entidades do setor, a expectativa é que a ESTour se consolide como um marco na promoção turística capixaba, ampliando o posicionamento do Espírito Santo no cenário nacional e internacional e estimulando novos investimentos e parcerias para o desenvolvimento do turismo.
Instituto Cultural das Montanhas inicia 2026 com aulas gratuitas de música em Afonso Cláudio
O Instituto Cultural das Montanhas dará início às atividades de 2026 ampliando suas ações de formação musical em Afonso Cláudio, na Região Serrana do Espírito Santo. A aula inaugural será realizada no dia 23 de fevereiro, a partir das 8 horas, na sede da instituição, reunindo 360 alunos inscritos nos projetos Musicalização Agrícola, Corais das Montanhas e Orquestra Jônice Tristão. Os projetos Musicalização Agrícola e Corais das Montanhas contam com patrocínio da EDP, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), enquanto a Orquestra Jônice Tristão — primeiro grupo de cordas friccionadas da cidade e da região — é mantida com patrocínio direto do Grupo Tristão. Todas as atividades são gratuitas e abertas a participantes a partir dos seis anos, sem limite de idade, incluindo crianças, adolescentes, adultos, idosos e pessoas com deficiência. Ao longo do ano, o Instituto prevê uma programação diversificada, com concertos, aulas abertas para as famílias, apresentações ao ar livre em diferentes pontos da cidade, intercâmbio do Coro Jovem com outros grupos do Estado, masterclasses com profissionais convidados e um recital de encerramento aberto ao público. Na área social, a instituição passa a oferecer também o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Afonso Cláudio. O Instituto está com edital aberto para 50 alunos contemplados com bolsa-auxílio de R$ 185 e disponibiliza ainda seis vagas de monitoria para jovens a partir de 16 anos, com bolsas entre R$ 400 e R$ 810. Além da formação musical, a entidade mantém ações de assistência social, como a distribuição de cestas básicas para famílias inscritas no CadÚnico. Entre 2023 e 2025, foram entregues cerca de cinco toneladas de alimentos, e a previsão para 2026 é de 270 cestas destinadas a mais de 60 famílias. As aulas de musicalização incluem desde instrumentos de iniciação até formação técnica em flauta transversal, clarinete, saxofone, trompete, trombone, percussão, violão e instrumentos de cordas. O projeto Corais das Montanhas oferece cerca de 150 vagas para oficinas de canto coral, enquanto a Orquestra Jônice Tristão reúne atualmente 60 integrantes. Embora a maior parte das vagas já esteja preenchida, moradores de Afonso Cláudio ainda podem cadastrar crianças e adolescentes em lista de espera por meio do WhatsApp (27) 99699-6584. A prioridade é para famílias em situação de vulnerabilidade social, mas as atividades também são abertas à comunidade em geral. Fundado em 2022, o Instituto Cultural das Montanhas é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada ao atendimento de pessoas em situação de risco e vulnerabilidade social por meio de ações culturais, educativas e assistenciais. Nos anos de 2023 e 2024, a instituição foi finalista do Prêmio da Música Capixaba na categoria Impacto Social Através da Música.