O governador Renato Casagrande destacou a importância da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou as tarifas de importação impostas pelo governo norte-americano. Em manifestação nas redes sociais, ele afirmou que a medida reforça a necessidade de equilíbrio nas relações comerciais e protege setores produtivos. Segundo o governador, a decisão demonstra que o comércio internacional deve ser conduzido com base na legalidade e no diálogo, evitando prejuízos a quem produz e gera empregos. O vice-governador Ricardo Ferraço, coordenador do Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação (CETAX), também avaliou que a medida representa um alívio importante para a economia capixaba, especialmente para cadeias produtivas estratégicas. “Uma ótima decisão para a economia do Espírito Santo por tudo que pode representar de retomada de competitividade de alguns arranjos muito importantes que temos aqui, não apenas do ponto de vista econômico mas também do ponto de vista social. São setores que geram milhares de empregos e muita renda, dando estabilidade às famílias, e divisas ao Governo do Espírito Santo, recursos para realização de investimentos nos municípios”, afirmou. Entre os produtos impactados pelas tarifas estão itens tradicionais da pauta exportadora do Estado, como café, rochas ornamentais, pescados, gengibre, macadâmia e aço, todos com forte presença no mercado norte-americano. “Nossos cafés, mármore e granito, pescados, gengibre e macadâmia, por exemplo, são produtos muito apreciados no mercado norte-americano, assim como o aço também tem sua importância. Com os maiores custos, preços elevados e inflação no dia a dia, os próprios americanos ingressaram na Suprema Corte para questionar a medida que determinava a taxação”, disse. Ferraço lembrou que o governo estadual vinha monitorando os impactos desde a adoção das tarifas e adotando medidas para preservar empregos e buscar novos mercados. “Estamos acompanhando esses desdobramentos desde quando o governo dos Estados Unidos impôs a taxação. Reunimos o setor produtivo capixaba, anunciamos medidas para amenizar os impactos e buscamos alternativas de mercado. Tudo isso tendo como contrapartida e objetivo a manutenção dos empregos, dos postos de trabalho. Alguns produtos foram excluídos da taxação anteriormente e agora vem essa ótima notícia da Suprema Corte americana”, afirmou. Para o vice-governador, os Estados Unidos continuam sendo um parceiro comercial estratégico e de difícil substituição para diversos produtos capixabas, o que amplia a relevância da decisão. “Os Estados Unidos são um mercado muito importante, tradicional e fiel para um conjunto significativo de produtos capixabas, não muito simples de ser substituído, e a decisão certamente contribui para melhorar as condições de competitividade dos produtos do Espírito Santo”, concluiu.
TCE-ES aponta avanços e pendências em medidas para fortalecer a Polícia Civil
O Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) concluiu o primeiro ciclo de monitoramento das recomendações feitas após auditoria sobre a investigação de crimes contra o patrimônio no Estado. O acompanhamento avaliou providências adotadas pela Polícia Civil, pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e pela Secretaria de Economia e Planejamento (SEP), constatando que a maior parte das ações foi apenas parcialmente cumprida. Ao todo, foram analisadas 21 recomendações aprovadas em 2023. Segundo o relatório, oito medidas foram totalmente implementadas, duas parcialmente, dez estão em execução e uma não foi adotada. O monitoramento examinou ações implantadas, resultados obtidos e pendências relacionadas à investigação de furtos, roubos, estelionatos, extorsões, receptação e outros crimes patrimoniais. A auditoria havia identificado problemas estruturais e operacionais, como limitações físicas em delegacias, baixa capacidade investigativa e ausência de indicadores para medir o esclarecimento dos crimes. Em levantamento de 2021, apenas 9,4% das ocorrências registradas tiveram abertura de investigação, 4% resultaram em procedimentos com potencial de indiciamento e somente 2,4% foram concluídas ou encaminhadas à Justiça. Dados mais recentes mostram que o Espírito Santo registrou 78.161 ocorrências desse tipo em 2024, redução de 2,1% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a média anual entre 2022 e 2024 — cerca de 80,8 mil casos — permanece superior à observada no período anterior analisado pelo TCE-ES. Em média, foram aproximadamente 214 crimes patrimoniais por dia no ano passado. Entre as melhorias identificadas está a implementação de mecanismos para que todos os procedimentos investigativos tramitem integralmente em sistema informatizado. Outras recomendações seguem em andamento, como a criação de monitoramento contínuo dos índices de esclarecimento desses crimes. Por outro lado, não foi adotada a proposta de implantar um sistema automatizado para informar as vítimas sobre o andamento das ocorrências por SMS, e-mail ou aplicativos de mensagem. O relatório também destacou desafios persistentes, como a limitada capacidade investigativa das delegacias distritais, deficiências na infraestrutura, ausência de acompanhamento sistemático da saúde psicológica dos policiais e fragilidades no controle de jornada e produtividade. Diante das pendências, o TCE-ES decidiu manter o acompanhamento de 13 recomendações ainda não plenamente cumpridas. Para o relator do processo, conselheiro Rodrigo Chamoun, a continuidade do monitoramento é necessária para garantir transparência, fortalecer a atuação da Polícia Civil e aprimorar a política pública de segurança, especialmente no combate aos crimes contra o patrimônio.