O Governo do Estado e executivos da Great Wall Motors (GWM) apresentaram, nesta terça-feira (24), no Palácio Anchieta, em Vitória, as próximas fases do projeto de instalação da montadora no Espírito Santo. A iniciativa conta com apoio da Agência de Atração de Investimentos do Estado (Nova ES) e consolida Aracruz como polo estratégico da indústria automotiva nacional. A futura unidade será construída no Parque Industrial de Aracruz, na região de Barra do Riacho, em uma área de cerca de 1,7 milhão de metros quadrados, dentro de um perímetro declarado de utilidade pública por decreto estadual. O projeto prevê a integração da planta à estrutura logística do ParklogBR/ES. Para o governador Renato Casagrande, a escolha do Estado reforça a confiança da empresa no ambiente de negócios capixaba. “Esse é um passo muito importante. Temos investido em infraestrutura e construído um ambiente favorável ao setor produtivo. A presença de uma grande indústria fortalece a geração de empregos, atrai fornecedores e amplia a diversificação econômica”, afirmou. O vice-governador Ricardo Ferraço, que participou de missões oficiais na China para tratar do investimento, destacou o caráter estruturante do projeto. Segundo ele, a GWM prevê investimentos de até R$ 10 bilhões no Brasil, com uma parcela significativa destinada ao Espírito Santo. Em plena operação, a estimativa é de até 10 mil empregos diretos e indiretos. Ferraço também ressaltou que a atração da empresa envolveu a apresentação das vantagens competitivas do Estado, como infraestrutura, incentivos e segurança jurídica. A expectativa é de que a instalação da montadora impulsione a cadeia produtiva local, atraindo novos fornecedores e aumentando o valor agregado da produção industrial. De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, a planta contará com processo produtivo completo — incluindo estamparia, soldagem, pintura e montagem final — e capacidade de produção de até 200 mil veículos por ano, podendo se tornar a unidade mais avançada da GWM nas Américas. Durante a fase de construção, a previsão é de geração entre 1.500 e 3.500 empregos, principalmente na construção civil. O impacto econômico também inclui alta demanda por insumos, como concreto e aço, além da movimentação de fornecedores locais e do setor de serviços quando a fábrica estiver em operação. Representantes da GWM afirmaram que a decisão de investir no Espírito Santo ocorreu após análise de diversos estados brasileiros, com destaque para as condições de competitividade encontradas no território capixaba. A Nova ES ressaltou que o projeto resulta de uma estratégia estruturada de atração de investimentos, baseada na articulação entre setor público e iniciativa privada. O empreendimento é fruto de negociações iniciadas em 2023, com visitas técnicas, reuniões com órgãos estaduais e missões internacionais. Em janeiro de 2026, foi assinado o Termo de Compromisso de Investimento durante agenda oficial na China, consolidando o acordo entre as partes. As próximas etapas incluem levantamentos topográficos, sondagens, licenciamento ambiental e início das obras de terraplanagem. Com a implantação da GWM, o Espírito Santo busca consolidar sua posição como destino de grandes investimentos industriais, apoiado por infraestrutura logística, localização estratégica e ambiente institucional favorável.
Luiz Paulo assume instituto e prioriza plano de governo para Arnaldinho
O presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela (ITV), Marconi Perillo, assinou um ato que nomeia o ex-prefeito e ex-deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas como presidente do ITV no Espírito Santo. O instituto é o órgão de estudos e formação política do PSDB. Segundo Luiz Paulo, a principal prioridade da entidade no Estado será colaborar na elaboração do programa de governo do pré-candidato tucano ao Palácio Anchieta, Arnaldinho Borgo. “Vamos reunir subsídios para construir um plano de governo baseado no diálogo e na experiência do PSDB, alinhado ao momento vivido pelo Espírito Santo, marcado pela transição da reforma tributária e pela diversificação da economia. O partido é parte importante do processo de recuperação do Estado nas últimas duas décadas e seguirá contribuindo para um novo salto de desenvolvimento, que o cenário atual exige”, afirmou Luiz Paulo.
Prefeito assina ordem para construção de nova ponte em Vila Velha
O prefeito Arnaldinho Borgo assinou, nesta segunda-feira (23), duas ordens de serviço para obras de mobilidade urbana em Vila Velha: a construção de uma ponte ligando os bairros Praia das Gaivotas e Ilha dos Bentos e a pavimentação da Avenida França, em Jabaeté. A autorização para a ponte foi formalizada na Rua Copo de Leite, na Ilha dos Bentos, com a presença do deputado federal Victor Linhalis, vereadores, lideranças comunitárias e moradores da região. A estrutura será construída em concreto, com cerca de 17 metros de extensão e 11,5 metros de largura, sobre o canal Guaranhuns, conectando a Avenida do Canal à Rua Coronel José Gabriel Marquês Filho. Durante a execução, a prefeitura orienta motoristas e pedestres a redobrarem a atenção e respeitarem a sinalização no entorno do canal. O investimento estimado é de R$ 1,8 milhão, com prazo de conclusão de 12 meses. Além de criar uma nova ligação viária entre os bairros, a obra permitirá a futura implantação de um sistema binário entre a Avenida Leila Diniz e a Rua Copo de Leite, com objetivo de reorganizar o tráfego e ampliar a fluidez na região. A ponte integra o chamado Corredor Amarelo de mobilidade urbana, um conjunto de intervenções viárias que soma cerca de 13 quilômetros e já está em andamento em bairros como Praia das Gaivotas, Novo México, Araçás, Guaranhuns, Nova Itaparica, Ilha dos Bentos e Praia de Itaparica. Pavimentação em Jabaeté No mesmo dia, o prefeito também assinou a ordem de serviço para o tratamento asfáltico da Avenida França, em Jabaeté. A obra prevê pavimentação de aproximadamente 2 mil metros quadrados, ao longo de cerca de 250 metros de extensão e largura média de 8 metros. O investimento estimado para a intervenção é de R$ 300 mil.
João Batista Dallapiccola Sampaio – “Desafios jurídicos do empreendedorismo à luz da lógica do Cisne Negro”
O ambiente empresarial contemporâneo vive sob a sombra constante da incerteza. Inspirando-se na obra A Lógica do Cisne Negro, famoso e clássico livro escrito por Nassim Nicholas Taleb, percebe-se que o empreendedorismo opera dentro de um cenário marcado por eventos raros, imprevisíveis e capazes de provocar impactos profundos e abruptos. Esses eventos, denominados de “Cisnes Negros”, podem alterar mercados inteiros, derrubar modelos de negócios ou criar oportunidades extraordinárias. No campo jurídico, tais fenômenos exigem que empresas estejam preparadas não apenas para os riscos previsíveis, mas, sobretudo, para aqueles que escapam aos modelos tradicionais de avaliação. A imprevisibilidade, defendida por Taleb como elemento estrutural da realidade, afeta diretamente o cotidiano do empreendedor. Mudanças regulatórias repentinas, crises econômicas inesperadas, inovações disruptivas e decisões judiciais de alto impacto podem transformar completamente a dinâmica de uma organização. Embora seja impossível prever a natureza exata desses eventos, o ordenamento jurídico e a gestão empresarial devem estar estruturados para absorver choques e garantir a continuidade do negócio. Nesse sentido, a presença de uma equipe jurídica robusta deixa de ser opcional e torna-se fator de sobrevivência no mercado. No cenário global, grandes empresas têm demonstrado que a atenção à transformação do mercado é uma questão estratégica. Gigantes como Blockbuster, Kodak e Nokia figuram como exemplos clássicos de organizações que não conseguiram interpretar ou se adaptar a tempos de mudança. Embora seus problemas não tenham sido exclusivamente jurídicos, a falta de preparação para cenários extremos, como mudança de tecnologia, alteração contratual massiva, propriedade intelectual e compliance, contribuiu para sua decadência. Assim, compreender a lógica dos Cisnes Negros é também reconhecer que a inércia corporativa pode ser fatal. Ao mesmo tempo, empresas como Amazon, Tesla e Mercado Livre se destacaram não apenas pela inovação tecnológica, mas também pela capacidade de lidar rapidamente com questões regulatórias, tributárias, operacionais e contratuais. Em setores cujo marco regulatório muda rapidamente, tais como e-commerce, fintechs, inteligência artificial, proteção de dados e energia renovável, sobreviver significa antecipar riscos jurídicos e estruturar mecanismos internos capazes de absorver impactos inesperados. Na verdade, a fragilidade é inimiga da evolução. O jurídico empresarial, portanto, precisa trabalhar para transformar estruturas frágeis em robustas, ou até antifrágeis. A incerteza como elemento central no empreendedorismo O empreendedor não opera em um ambiente estático, e sim em um ecossistema de mudanças constantes. A cada nova tecnologia lançada, a cada decisão política ou judicial inesperada, o mercado pode sofrer alterações profundas. A teoria do Cisne Negro reforça que, mesmo com análises sofisticadas e modelos estatísticos avançados, eventos extremos continuarão surgindo. Por isso, o jurídico não deve trabalhar apenas com o previsível: precisa preparar mecanismos de resposta rápida, evitando vulnerabilidades contratuais e regulatórias que possam comprometer a estabilidade da empresa. Além disso, o empreendedorismo moderno exige uma mentalidade de humildade epistemológica, como defende Taleb. Isso significa admitir que não é possível prever tudo e que a estratégia empresarial deve incluir margem para falhas, redundâncias, diversificação e cláusulas de proteção. Essa perspectiva transforma o jurídico em ator fundamental: é ele quem atua para blindar contratos, minimizar litígios, orientar decisões e construir uma arquitetura legal resistente ao inesperado. Assim, a empresa reduz sua dependência de previsões falhas e amplia sua capacidade de adaptação. Impacto das inovações e a necessidade de respostas jurídicas rápidas Em setores altamente dinâmicos, a inovação surge muitas vezes como um verdadeiro Cisne Negro. A chegada de novos modelos de negócio, como plataformas digitais, criptomoedas, veículos autônomos e inteligência artificial, cria desafios jurídicos imediatos. Para as empresas já consolidadas, lidar com essas inovações exige reestruturação de processos, revisão de compliance, novos contratos com parceiros e adequação a legislações emergentes. Um jurídico fraco ou lento pode impedir a adoção rápida de tecnologias que garantiriam vantagem competitiva. Grandes empresas do varejo, por exemplo, enfrentaram desafios significativos com a expansão do comércio eletrônico. Questões tributárias interestaduais, logística reversa, proteção de dados e responsabilidade pelo produto exigiram soluções jurídicas complexas e imediatas. Empresas que se adaptaram rapidamente prosperaram; as que resistiram ou subestimaram a mudança perderam espaço. Isso reflete exatamente a crítica de Taleb: a incapacidade de reconhecer a transição de um mercado estável para um mercado dominado por eventos extremos e descontinuidades. Grandes empresas e o monitoramento constante das mudanças do mercado O histórico corporativo demonstra que nenhuma empresa está imune a mudanças repentinas. Gigantes tradicionais podem ser surpreendidas por startups pequenas, mas ágeis, que introduzem novas soluções e modelos de negócio — como ocorreu no transporte com o surgimento do Uber, na hotelaria com o Airbnb e no mercado editorial com a divulgação digital de conteúdo. Em todas essas transformações, emergiram complexos desafios jurídicos: regulação estatal, responsabilidade civil, direito trabalhista, segurança do consumidor, direitos autorais e gestão tributária. Assim, o desafio das empresas não é apenas inovar, mas também responder juridicamente às inovações. É necessário acompanhar projetos de lei, decisões administrativas, mudanças normativas e posicionamentos jurisprudenciais. Igualmente importante é manter um canal permanente com órgãos reguladores, associações de classe e consultorias jurídicas externas. A presença de uma equipe jurídica forte não serve apenas para apagar incêndios, mas, sobretudo, para identificar riscos legais antes que se tornem crises estruturais. O papel do jurídico na prevenção de Cisnes Negros empresariais Embora não seja possível prever Cisnes Negros, é possível reduzir vulnerabilidades internas. No campo jurídico, isso envolve auditorias permanentes, governança sólida, contratos bem elaborados, políticas de compliance e gestão assertiva de riscos. Empresas robustas conseguem absorver impactos porque possuem cláusulas de salvaguarda, reservas estratégicas, controles internos e processos decisórios transparentes. A área jurídica torna-se a guardiã dessa robustez, traduzindo incertezas externas em normas internas que protejam o negócio. Além disso, a postura preventiva reduz significativamente a litigiosidade, economizando tempo e recursos que podem ser direcionados à inovação. Empresas que negligenciam o jurídico acabam dependentes do acaso, vulneráveis a multas, processos, sanções regulatórias e escândalos reputacionais. Conforme sugere Taleb, sistemas frágeis entram em colapso diante do inesperado — e, no ambiente corporativo, uma única decisão judicial desfavorável pode gerar danos irreversíveis. Assim, o jurídico deixa de ser visto como setor burocrático e passa a ser compreendido como núcleo