O empresário Wander Belizário, sócio-proprietário da cervejaria Reserva do Gerente, lançou no mercado um novo licor cremoso de doce de leite com a marca Reserva do Sol. A bebida chega com diferenciais importantes e é apresentada como o primeiro licor gourmet do Brasil com especificação zero lactose. Para viabilizar o projeto, a empresa investiu cerca de R$ 1 milhão em equipamentos, estrutura física, maquinário e contratação de profissionais capixabas. O desenvolvimento do produto levou pouco mais de um ano até chegar à fórmula final. Segundo Wander Belizário, o processo exigiu atenção minuciosa para garantir qualidade e naturalidade. “O processo demandou atenção minuciosa. Desenvolvemos um produto extremamente saboroso, mas que também é 100% natural, zero lactose e livre de corantes, aromatizantes e glúten. Além disso, utilizamos a água cervejeira, responsável por encorpar o sabor do leite, e álcool de cereais de alta pureza, muito usado em bebidas finas por não imprimir aroma nem sabor”, explica. O licor foi desenvolvido para ser uma bebida leve e refrescante, com apelo para diferentes públicos, especialmente jovens e mulheres. A produção já está em andamento e o produto começou a ser comercializado na loja Reserva do Gerente, localizada às margens da Rodovia do Sol, no km 28. O licor cremoso gourmet de doce de leite está disponível nas versões de 50 ml, long neck de 275 ml e garrafa de 500 ml. A previsão é que o produto chegue às prateleiras de supermercados em cerca de 15 dias. Inicialmente, a distribuição será concentrada na Grande Vitória, com possibilidade de expansão para outros mercados, tendo São Paulo como próximo destino estratégico. Além do novo lançamento, a marca Reserva do Sol já comercializa licores de diversos sabores de frutas, produzidos pela licorista Zenilda Stoffel. A empresa também testa novos sabores de licores à base de leite, acompanhando o crescimento do consumo desse tipo de bebida na região Sudeste.
Decisão do STJ pode permitir restituição de IR a aposentados e participantes de fundos de pensão
Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode abrir caminho para que aposentados e participantes de fundos de pensão recuperem valores pagos a mais de Imposto de Renda. No julgamento do Tema Repetitivo 1.224, a Primeira Seção da Corte reconheceu que as contribuições extraordinárias destinadas a cobrir déficits em entidades fechadas de previdência complementar também podem ser deduzidas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), respeitando o limite de 12% da renda tributável anual. Na prática, a decisão pode permitir a recuperação de valores pagos indevidamente nos últimos cinco anos. O entendimento já foi comunicado a todo o Judiciário e diferentes varas do país vêm aplicando a tese em novos processos. Nos últimos anos, fundos de pensão como Petros, Funcef e Postalis instituíram planos de equacionamento de déficit, que resultaram na cobrança de contribuições extraordinárias de participantes. Até então, apenas as contribuições ordinárias eram consideradas para dedução no Imposto de Renda, enquanto os valores extras não eram incluídos nas declarações. Segundo o advogado Bruno Melo Motta, o STJ reconheceu que essas contribuições também possuem natureza previdenciária. “O STJ reconheceu que as contribuições extraordinárias também têm natureza previdenciária. Elas servem para garantir o pagamento futuro dos benefícios. Por isso, devem receber o mesmo tratamento tributário das contribuições normais, dentro do limite de 12% previsto em lei”, explica. Com a decisão, podem ter direito à restituição aposentados vinculados a fundos de pensão e trabalhadores da ativa que pagaram contribuições extraordinárias e recolheram Imposto de Renda nos últimos cinco anos sem incluir esses valores na dedução. O advogado chama atenção para o prazo para buscar o direito. “A prescrição é de cinco anos contados da entrega da declaração. Quem demorar pode perder o direito de recuperar parte dos valores. Por isso é importante fazer a análise o quanto antes”, orienta Bruno Melo Motta. Ainda não há orientação formal da Receita Federal sobre a aplicação administrativa da decisão. “A retificação direta pode gerar questionamentos e retenção em malha. O mais seguro é fazer um cálculo técnico, verificar se há espaço dentro do limite de 12% em cada ano e, havendo crédito, avaliar a via judicial adequada”, afirma o advogado. Como a decisão não teve modulação de efeitos, é possível buscar a restituição referente aos últimos cinco anos, com atualização pela taxa Selic. Para muitos aposentados que enfrentaram descontos elevados nos planos de equacionamento de seus fundos de pensão, a medida pode representar uma recuperação financeira relevante.
Anvisa alerta para risco de danos ao fígado associados a suplementos com cúrcuma
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma, também conhecida como açafrão. A medida foi adotada após investigações internacionais identificarem casos raros, porém graves, de inflamação e lesões no fígado relacionadas ao consumo de cápsulas ou extratos concentrados da substância. De acordo com a Anvisa, as análises apontaram suspeitas de intoxicação hepática em pessoas que utilizaram produtos com cúrcuma ou curcuminóides. Os casos estão especialmente associados a formulações e tecnologias que aumentam significativamente a absorção da curcumina pelo organismo, elevando os níveis da substância muito acima daqueles obtidos no consumo alimentar comum. O tema também vem sendo acompanhado por outras autoridades regulatórias internacionais. Agências da Itália, Austrália, Canadá e França já emitiram alertas semelhantes após registros de casos de intoxicação hepática relacionados ao uso de suplementos com cúrcuma, o que levou, em alguns países, à retirada de produtos do mercado e à exigência de avisos de segurança nos rótulos. Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho (ANSES) identificou dezenas de relatos de efeitos adversos associados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina, incluindo casos de hepatite, registrados no sistema de nutrivigilância. O alerta divulgado pela Anvisa traz orientações voltadas a profissionais de saúde, fabricantes de medicamentos e suplementos alimentares, além de consumidores. Uso culinário é considerado seguro A Anvisa esclarece que o alerta não se refere ao uso da cúrcuma na alimentação cotidiana. O pó utilizado como tempero na culinária é considerado seguro e não está associado aos riscos identificados, já que não existem evidências de toxicidade relacionadas ao consumo da cúrcuma como alimento ou aditivo alimentar. A diferença está na concentração da substância presente em medicamentos e suplementos, que costuma ser muito maior e formulada para ter maior absorção pelo organismo. Sinais de alerta A agência orienta que alguns sintomas podem indicar possíveis problemas hepáticos e devem levar à procura de avaliação médica. Entre eles estão: • pele ou olhos amarelados (icterícia); • urina muito escura; • cansaço excessivo sem causa aparente; • náuseas e dores na região do abdômen. Caso esses sinais apareçam, a recomendação é interromper imediatamente o uso do produto e buscar orientação de um profissional de saúde. Suspeitas de eventos adversos podem ser notificadas por meio do sistema VigiMed, no caso de medicamentos, ou pelo e-Notivisa, quando se tratar de suplementos alimentares. Medidas preventivas Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização das bulas dos medicamentos Motore® e Cumiah®, que passarão a incluir avisos de segurança relacionados ao possível risco de efeitos hepáticos. No caso dos suplementos alimentares, a agência informou que será iniciado um processo de reavaliação técnica do uso dessas substâncias. Também será exigida a inclusão de advertências obrigatórias nos rótulos sobre a possibilidade de efeitos adversos associados ao consumo.
Casagrande participa de encontro com empresários na Serra para falar sobre economia do ES
A Associação dos Empresários da Serra (ASES) realiza, nesta terça-feira (10), a 231ª edição do Café de Negócios (Caneg). O encontro abre a agenda de eventos da entidade em 2026 e contará com a participação do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, que apresentará a palestra “Cenário Econômico do Espírito Santo 2026”. O evento acontece a partir das 7h40, no Steffen Centro de Eventos, em Jardim Limoeiro, na Serra, reunindo empresários, lideranças e representantes de diversos setores produtivos para uma manhã de debates, networking e troca de informações sobre o ambiente de negócios no Estado. Tradicional na agenda empresarial capixaba, o Caneg se consolidou como um espaço de diálogo entre a iniciativa privada e o poder público, promovendo discussões sobre temas estratégicos para o desenvolvimento econômico da Serra e de todo o Espírito Santo. A escolha do tema acompanha o momento de planejamento das empresas para o novo ciclo econômico, em que empresários buscam compreender tendências, desafios e perspectivas de crescimento que impactam diretamente o ambiente de negócios. Para a presidente da ASES, Leonelle Lamas, a participação do governador contribui para fortalecer o diálogo institucional e ampliar o acesso dos empresários a informações importantes para a tomada de decisões. “Ouvir o governador sobre as perspectivas econômicas do Espírito Santo é fundamental para que os empresários possam planejar investimentos, gerar empregos e tomar decisões mais seguras. O Caneg é um espaço de conexão, escuta e construção coletiva de soluções para o desenvolvimento da Serra e de todo o Estado”, destaca. 231º Café de Negócios da ASES – CANEG Tema: Cenário Econômico do Espírito Santo 2026 Palestrante: Renato Casagrande Terça-feira, 10 de março A partir das 7h40 Steffen Centro de Eventos – Serra/ES Inscrições: www.caneg.com.br
João Gualberto – “O racismo como instituição imaginária”
Li recentemente uma coletânea de artigos organizada por Selma Pantoja e Estevam Thompson denominada Em torno de Angola: narrativas, identidades e conexões atlânticas. São comunicações apresentadas em um seminário internacional que teve o mesmo nome da obra. O evento, por sua vez, foi realizado na Universidade de Brasília em 2011, através de dois de seus programas de pós-graduação que se ocupam dos chamados Estudos Atlânticos. Esse esforço para a formação de um fórum internacional de pesquisas e debates históricos, culturais e literários parte de uma releitura de eventos da história nos três continentes banhados pelo Atlântico: Europa, África e América. O que se vê nos vários artigos que compõem o livro é a descrição, com detalhes, dessa tragédia moderna chamada escravidão negra. Todos sabemos que o aprisionamento e a escravização de povos vencidos em guerras sempre fizeram parte da história da humanidade; inclusive os povos originários tanto da América quanto da África praticavam a escravidão. Isso sem contar com o passado bíblico que também conhecemos do Velho Testamento. Entretanto, a escravidão negra que marcou o chamado mercantilismo e que vigorou em boa parte do mundo ocidental até o século XIX é uma instituição muito diferente daquela havida nos povos da Antiguidade. Muito mais complexa, e com desdobramentos mais profundos no nível da construção imaginária das sociedades que compõem o nosso mundo. Só os muito ingênuos, mal informados ou mal-intencionados podem acreditar que a base desse processo era desempenhada por africanos que, por ganância, prendiam pessoas de outros grupos para vendê-las aos mercadores europeus. O sistema criado pela mais extrema perversidade dos povos europeus era uma verdadeira cadeia de produção de escravizados e de morte. Todo um aparato estatal e comercial, muito lucrativo, teve que ser criado para sustentar um comércio que enriqueceu muita gente e que foi mesmo o centro econômico de sociedades como a brasileira daqueles tempos. Presídios, estruturas de poder voltadas para garantir a busca e o aprisionamento, e o fortalecimento de elementos culturais eram necessários para sustentar a escravização de milhões de pessoas durante séculos. A leitura de Em torno de Angola não deixa dúvidas quanto à complexidade dessa máquina que engendrou desespero, sacrifício e morte de tantos irmãos africanos, tendo produzido a maior diáspora de todos os tempos. Mas também produziu fortunas extraordinárias e deixou um rastro de desigualdades até os dias atuais. O racismo, o desprezo pelos diferentes na cultura e na cor é uma delas, e que está infelizmente novamente na pauta. É só observar o que se passa com o ideal da supremacia branca no mundo de Donald Trump, e ainda a aversão do mundo tido como desenvolvido pelos povos nascidos nos países pobres. Creio que toda a engenharia social que esteve por trás do comércio atlântico de seres humanos não seria possível sem que houvesse uma ideia de que o europeu era superior, que portava uma semente do progresso que os povos originários da América e da África não tinham. Foi essa superioridade que permitiu que o mundo não europeu fosse todo desorganizado para dar lugar a um casamento desigual de culturas. O racismo foi o suporte narrativo e intelectual dessa monstruosidade chamada escravidão moderna, sobretudo a dos africanos, mas também a dos indígenas no Brasil e de outros povos originários do que se chamava Novo Mundo. Cornelius Castoriadis, em um texto chamado Reflexões sobre o Racismo, publicado no livro O Mundo Fragmentado, faz uma afirmativa que me parece definitiva para a nossa análise: “Na minha opinião, a ideia central é a seguinte: o racismo participa de alguma coisa muito mais universal do que aceitamos admitir habitualmente. O racismo é uma transformação ou um descendente especialmente violento e exacerbado (arrisco-me até mesmo a dizer: uma especificação monstruosa) de uma das características empiricamente quase universais das sociedades humanas. Trata-se da aparente incapacidade de constituir-se como si mesmo sem excluir o outro; em seguida, uma aparente incapacidade de excluir o outro sem desvalorizá-lo, chegando finalmente a odiá-lo.” Para o filósofo grego, que produziu toda a sua obra radicado em Paris na segunda metade do século XX, o ódio ao diferente, a intolerância de qualquer ordem, vem dessa incapacidade de ser sem excluir e odiar o outro. É a raiz da intolerância religiosa e de gênero, por exemplo, em nossos dias no Brasil. O ser que não precisa excluir e odiar para ficar de pé, para existir com autonomia, é um ideal social importante nos dias atuais. Vencer o racismo também é vencer a existência de pessoas que se instituem pelo ódio.