Atividade econômica do Estado teve sua terceira alta anual consecutiva, de acordo com os dados do Observatório Findes A atividade econômica do Espírito Santo cresceu 3,2% em 2025, marcando o terceiro ano consecutivo de avanço no Estado, de acordo com dados do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), elaborado pelo Observatório Findes. O resultado ocorre em um cenário de desafios no ambiente internacional e de juros elevados no mercado interno. Segundo o levantamento, o crescimento foi de 3,4% em 2023, 2,5% em 2024 e 3,2% em 2025. Para 2026, a projeção é de expansão de 2,1%. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (18), durante coletiva realizada na sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), em Vitória. O presidente da Findes, Paulo Baraona, destacou que o ano foi desafiador para as empresas capixabas, especialmente devido ao cenário externo e à política monetária. “O cenário internacional e o câmbio impactaram o nosso comércio exterior. Apesar de as nossas exportações terem crescido em volume (+11%), o valor exportado caiu (-2,1%). Passamos por um momento de queda nos preços internacionais de commodities importantes para a nossa pauta exportadora, como petróleo, celulose, minério de ferro e café.” Baraona também apontou o impacto da taxa básica de juros. “A taxa básica de juros – a Selic – continua elevada, em 15% ao ano. Isso reduz muito a nossa competitividade. Com os juros caros, fica pouco atrativo para as empresas investirem em modernização ou ampliação das fábricas. Esse patamar de juros também impacta quem pretende comprar imóveis, por exemplo, já que fica mais caro financiar”, afirmou. A economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, ressaltou que o desempenho capixaba superou o nacional. “A atividade econômica do país cresceu 2,3% em 2025. Esse avanço do PIB foi impulsionado pelo desempenho positivo dos três grandes setores da economia, com destaque para a expansão de 11,7% da agropecuária, cujo resultado foi influenciado, principalmente, pelo desempenho das lavouras de milho e soja, além do aumento da produtividade no campo e da expansão da atividade pecuária.” Todos os setores cresceram em 2025 O crescimento da economia capixaba foi impulsionado por todos os grandes setores: agropecuária, indústria e serviços. A agropecuária avançou 18,6%, a indústria cresceu 6,1% e o setor de serviços teve alta de 1,2%. Indústria puxa desempenho com petróleo e gás A indústria foi o principal motor da economia em 2025, com destaque para a indústria extrativa, que cresceu 18,6%. Entre as atividades, a pelotização de minério de ferro avançou 7,6%, enquanto a produção de petróleo e gás natural registrou alta de 26,8%. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção média de petróleo no Estado atingiu 192,9 mil barris por dia em 2025, crescimento de 24,5% em relação a 2024. Já a produção de gás natural chegou a 5,1 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 39,5%. O gerente de Ambiente de Negócios do Observatório Findes, Nathan Diirr, explicou o avanço do setor. “O desempenho positivo do setor de petróleo e gás no ano passado está relacionado ao aumento da produção no ambiente marítimo, reflexo dos constantes avanços na produção do navio-plataforma Maria Quitéria, localizado no campo Jubarte. O campo registrou aumento de 32,7% na produção de petróleo, enquanto a produção de gás natural cresceu 51,8% no ano.” A atividade de energia e saneamento também cresceu 1%, impulsionada pelo aumento do consumo de energia elétrica, com destaque para as classes residencial (+2,0%) e industrial (+0,3%). Por outro lado, a indústria de transformação recuou 0,8% em 2025, impactada por quedas em segmentos como minerais não metálicos (-2,9%), papel e celulose (-2,7%) e alimentos e bebidas (-0,8%). Já os setores de metalurgia (+1%) e de derivados de petróleo e biocombustíveis (+2,7%) registraram crescimento. Agropecuária cresce com força, puxada pelo café A agropecuária capixaba avançou 13,9% em 2025, com crescimento na agricultura (+16,7%) e na pecuária (+1,3%). O desempenho foi impulsionado principalmente pela safra de café, além de culturas como cana-de-açúcar, milho, arroz, tomate e laranja. “A boa colheita de café conilon compensou os efeitos da bienalidade negativa esperada para o arábica. A expansão do conilon foi favorecida pelo regime de chuvas no Norte do Estado. Tivemos condições climáticas favoráveis na floração e na formação dos frutos, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Além disso, observamos investimentos em mecanização da colheita, que potencializaram a produção”, afirmou Marília Silva. Serviços avançam com consumo e logística O setor de serviços cresceu 1,2% em 2025, com destaque para o segmento de transportes (+2,6%), impulsionado pela maior demanda por cargas, em função do crescimento da produção agrícola e industrial. O comércio avançou 1,0%, favorecido pelo aumento da renda das famílias, com crescimento nas vendas de supermercados, vestuário, móveis, eletrodomésticos, produtos farmacêuticos e materiais de construção. Já os demais serviços cresceram 1,1%, com destaque para atividades culturais, serviços pessoais, imobiliários e a ampliação da oferta de serviços públicos.
No Espírito Santo, mulheres representam um em cada três empreendedores
Com uma população composta por 51% de mulheres, o Espírito Santo tem cerca de 1,7 milhão de capixabas em idade de trabalhar. Deste total, aproximadamente 195 mil atuam no empreendedorismo. Os dados são da pesquisa Retrato do Empreendedorismo Feminino Capixaba, elaborada pelo DataSebrae ES, e mostram que uma em cada três pessoas empreendedoras no estado é mulher. O avanço feminino no empreendedorismo acompanha uma tendência nacional. Levantamento do Sebrae Nacional, com base em dados do IBGE, aponta que, entre o quarto trimestre de 2012 e o quarto trimestre de 2025, o número de mulheres empreendedoras no Brasil passou de 7,4 milhões para 10,4 milhões. Ao final de 2025, o país registrava 567,4 milhões de donos de negócios, dos quais 180,8 milhões eram mulheres — o equivalente a um terço do total — representando um crescimento de 31,7% no período. Apesar da evolução, os homens ainda predominam na força de trabalho, com taxa de participação de 73,1%. Entre as mulheres, a taxa de desocupação é maior, chegando a 3,1%, contra 2,2% entre os homens, o que indica maior dificuldade de inserção no mercado. A desigualdade também se reflete na renda: no Espírito Santo, o rendimento médio mensal feminino é de R$ 2.786, enquanto o masculino chega a R$ 3.692 — diferença de 24%. Capacitação como estratégia Seja no mercado de trabalho ou no empreendedorismo, o crescimento exige preparo. Em 2025, uma em cada quatro empresas lideradas por mulheres no Espírito Santo recebeu apoio do Sebrae, reforçando o papel da qualificação na evolução dos negócios. “Os dados mostram um movimento consistente de crescimento da presença feminina no empreendedorismo, mas também evidenciam desafios importantes. Por isso, a capacitação se torna uma ferramenta estratégica para transformar potencial em resultado. Quando a empreendedora investe em conhecimento, organiza a gestão e fortalece sua rede de conexões, ela passa a ter ferramentas para expandir de forma estruturada o seu negócio. Apoiamos essas mulheres para que seus empreendimentos evoluam e se tornem mais competitivos”, explica Eurípedes Pedrinha, diretor-técnico do Sebrae/ES. Por meio do programa Sebrae Delas, empreendedoras têm acesso a mentorias, orientação para crédito, rodadas de negócios, eventos de conexão, ações de visibilidade e redes de apoio voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino. Segundo a gestora do Sebrae Delas no Sebrae/ES, Suzana Fernandes, as trilhas de capacitação são estruturadas de acordo com as demandas dos territórios e o estágio de maturidade das empresas. “Elas são estruturadas para desenvolver competências técnicas e comportamentais, sempre com foco na aplicação prática e na melhoria dos resultados empresariais”, explica. Há também trilhas específicas voltadas para mulheres, abordando temas como acesso a crédito, autoconfiança e fortalecimento de redes de apoio. “Essa segmentação torna o conteúdo mais contextualizado e aplicável à realidade delas”, destaca Suzana. Entre os assuntos mais procurados estão gestão financeira, liderança, marketing digital, vendas e planejamento estratégico, além de conteúdos ligados à inovação e posicionamento de mercado. Trajetória reinventada para apoiar outras empreendedoras A consultora empresarial Ana Claudia Prates (foto acima), fundadora da Crescere, transformou desafios vividos no empreendedorismo em um negócio voltado a apoiar outras mulheres. Criada em 2023, a empresa oferece consultoria para microempreendedoras que desejam estruturar ou fortalecer a gestão de suas empresas. Com atendimentos remotos, a Crescere já orientou mais de 45 negócios em diferentes regiões do Brasil e também no exterior. A trajetória de Ana Claudia começou em 2018, com uma floricultura online que cresceu durante a pandemia, mas foi encerrada após a abertura de uma loja física. A experiência evidenciou lacunas na gestão e motivou a busca por capacitação. Após retornar ao mercado de trabalho e atuar nas áreas comercial e de consultoria, ela decidiu empreender novamente, agora com foco em levar conhecimento a outras mulheres. Em 2025, participou de eventos e capacitações que fortaleceram sua atuação, especialmente nas áreas de negociação e marca pessoal. “Muitas empreendedoras dominam o produto que vendem, mas ainda precisam desenvolver habilidades de gestão. Entender o financeiro, a sazonalidade do negócio e a estratégia de vendas faz toda a diferença para transformar conhecimento em resultados”, afirma. Do pequeno negócio ao crescimento estruturado Para o Sebrae, a capacitação tem impacto direto na sustentabilidade dos negócios. “A capacitação qualifica a tomada de decisão, organiza processos e reduz riscos. Ela transforma ideias em estratégias estruturadas, fortalecendo a sustentabilidade e o crescimento do negócio”, afirma Suzana Fernandes. Empresas que investem em qualificação e acompanhamento técnico apresentam maior taxa de sobrevivência e melhores indicadores de organização financeira e expansão. O diferencial entre negócios que permanecem pequenos e aqueles que crescem está no preparo estratégico. A orientação para quem deseja avançar é aplicar imediatamente o conhecimento adquirido, estabelecer metas claras, acompanhar indicadores e ajustar estratégias sempre que necessário. “É fundamental fazer um diagnóstico do negócio. Se o principal desafio está na organização interna, priorizar gestão e finanças. Se está na expansão, focar em vendas e marketing. A capacitação deve responder ao gargalo mais urgente da empresa”, salienta a gestora. Como acessar capacitações gratuitas As trilhas e cursos do Sebrae podem ser acessados pelo site es.sebrae.com.br, pela plataforma Sebrae Delas ou nas unidades regionais da instituição, que também oferecem capacitações presenciais e híbridas. Grande parte dos cursos é gratuita. Os conteúdos são organizados conforme o estágio do negócio: desde quem deseja começar a empreender, com foco em comportamento empreendedor, planejamento e validação de ideias, até empresas em fase de crescimento, com temas como gestão financeira, marketing, vendas, inovação, liderança e acesso a mercados. Perfil das empreendedoras capixabas O levantamento também traça o perfil das mulheres que empreendem no Espírito Santo: 85,2% trabalham por conta própria 81,7% não possuem sócios 77,1% têm renda de até dois salários mínimos 65,2% possuem escolaridade até o ensino médio 54% são negras, sendo a maioria chefe de domicílio 50,5% atuam na informalidade 39,3% já formalizaram seus negócios Informações e fotos: Sebrae-ES