Com o início do outono no Hemisfério Sul, marcado nesta sexta-feira (20), a estação passa a influenciar também os hábitos alimentares, com a chegada de frutas típicas do período. Temperaturas mais amenas e dias mais curtos favorecem a presença de alimentos como cáqui, goiaba, pinha, abacate, pitaia e ponkan nas feiras e supermercados. De acordo com a nutricionista da MedSênior, Giselli Prucoli, responsável pelas oficinas do NutriSaber, programa de Medicina Preventiva da operadora, o consumo de frutas da estação é uma estratégia que alia sabor, qualidade nutricional e economia. Segundo ela, esses alimentos tendem a apresentar melhor sabor, aroma e concentração de nutrientes, já que amadurecem de forma mais natural e são colhidos no período ideal. Outro fator destacado é o custo mais acessível, resultado da maior oferta no mercado. “As frutas da estação fazem bem para a saúde e para o bolso, garantindo uma alimentação mais rica e natural, sem gastar tanto”, afirma a nutricionista. Entre as principais frutas do outono, o cáqui se destaca pelo alto teor de fibras, antioxidantes e vitaminas A e C, contribuindo para a imunidade, saúde da pele e dos olhos, além de auxiliar na regulação da pressão arterial e do intestino. A pitaia, por sua vez, é rica em fibras, vitamina C e ferro, tem baixo índice glicêmico e está associada à melhora da saúde intestinal e ao controle do colesterol. A goiaba, em período de safra, apresenta maior teor de vitamina C — superior ao da laranja — além de fibras, potássio e antioxidantes como o licopeno. Já o abacate é considerado um “superalimento” por conter gorduras monoinsaturadas, fibras e vitaminas, contribuindo para a saúde cardiovascular, controle do colesterol e aumento da saciedade. A mexerica, também conhecida como ponkan ou tangerina, é rica em vitamina C, fibras e antioxidantes, auxiliando na imunidade, digestão e saúde da pele. Já a pinha, ou fruta-do-conde, oferece fibras, vitaminas C e A, potássio e compostos antioxidantes, com benefícios para a digestão, imunidade e saúde cardiovascular. A inclusão dessas frutas na rotina alimentar contribui para a diversificação do cardápio e para o aporte de nutrientes importantes ao organismo. Especialistas recomendam o consumo regular de frutas ao longo de todo o ano, com preferência para as opções da estação, como forma de garantir qualidade nutricional, melhor custo-benefício e uma alimentação mais equilibrada.
Federação União Progressista declara apoio a Ricardo Ferraço para o Governo
A Federação União Progressista anunciou, nesta segunda-feira (23), apoio à pré-candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço ao Governo do Espírito Santo nas eleições de 2026. O anúncio foi feito na sede conjunta do Progressistas e do União Brasil, em Vitória. Participaram do evento o presidente do PP e da Federação, deputado federal Da Vitória; o presidente do União Brasil, deputado estadual Marcelo Santos; os deputados federais Messias Donato e Amaro Neto; e os deputados estaduais Deninho, Adilson Espíndula e Raquel Lessa. Prefeitos de diferentes municípios capixabas, além de vice-prefeitos, vereadores e filiados às duas siglas, também estiveram presentes. Durante o anúncio, Da Vitória afirmou que o apoio representa um compromisso político com o Estado e destacou a experiência administrativa de Ricardo Ferraço. Ele também mencionou a necessidade de estabilidade política e institucional. Marcelo Santos reforçou o apoio da federação e ressaltou a atuação de Ferraço nos municípios capixabas, com interlocução junto a prefeitos, vereadores e parlamentares. Ao agradecer o apoio, Ricardo Ferraço afirmou que pretende conduzir um governo de “continuidade, não de continuísmo”, e destacou a importância do diálogo na gestão pública. Ele também citou a estabilidade fiscal, política e econômica do Espírito Santo como base para o próximo ciclo de governo.
Grande Vitória terá semana de “montanha-russa” térmica e pancadas de chuva
Os moradores da Grande Vitória devem manter o guarda-chuva por perto e se preparar para mudanças bruscas de temperatura nos próximos dias. De acordo com dados cruzados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e do Climatempo, a primeira semana cheia do outono será marcada pela combinação de calor intenso e a chegada de frentes de umidade que trazem instabilidade para a Região Metropolitana. Calor e Alerta de Temporal O início da semana ainda carrega o DNA do verão. Para esta segunda e terça-feira, as máximas podem atingir os 32°C. No entanto, o aquecimento diurno somado à alta umidade cria o cenário perfeito para as chamadas “chuvas de verão” no final da tarde. O Inmet emitiu um aviso de Perigo Potencial (bandeira amarela) para a região, alertando para o risco de chuvas intensas de até 50 mm/dia e ventos que podem chegar a 60 km/h. A recomendação é evitar abrigar-se debaixo de árvores e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão em caso de rajadas de vento. A Virada na Quarta-feira Quem espera por um refresco encontrará alívio a partir de quarta-feira (25). A entrada de uma massa de ar mais fresca e o aumento da nebulosidade devem derrubar as temperaturas máximas, que não devem ultrapassar os 27°C. Programação para o Fim de Semana Para quem planeja atividades ao ar livre, a tendência é de que a instabilidade perca força gradualmente a partir de sexta-feira, embora o céu permaneça com variação de nuvens. A umidade relativa do ar seguirá alta, entre 75% e 90%, mantendo o tempo “abafado” mesmo com temperaturas menores. Confira as máximas previstas: • Terça-feira: 32°C • Quarta-feira: 27°C • Quinta-feira: 27°C • Sexta-feira: 28°C
João Gualberto – “As fofocas como traço identitário”
Nas análises que tenho feito da construção do imaginário social capixaba através da literatura, chamo sempre a atenção para dois elementos que me parecem fundamentais nesse processo: a violência e a fofoca. Creio que sejam organizadores e legitimadores de todo um conjunto de ações na sociedade, que, em seu conjunto, foram o que tenho chamado de imaginário social, sempre dentro do olhar conceitual do filosofo político grego, que produziu toda a sua obra em Paris, Cornelius Castoriadis. Em uma das vezes que citei a fofoca como importante na nossa identidade, a escritora e intelectual renomada Andréia Delmaschio me recomendou ler Os Estabelecidos e os Outsiders, de Norbert Elias & John L. Scotson, já que os autores descrevem e analisam uma longa pesquisa sobre o tema realizada nos anos 1960, em uma comunidade inglesa. Foi o que fiz há alguns dias. O resultado da leitura foi muito útil, e fortalece a ideia que tenho desenvolvido nos meus textos. Quando fiz uma espécie de construção histórica da trajetória da fofoca entre os capixabas, me apoiei fortemente no livro Chamas na Missa, de Luiz Guilherme Santos Neves. Nele vemos como a Santa Inquisição espalhou um clima de desconfiança e intrigas na população de Vitória no século XVIII, fazendo com que fossem à igreja delatar vizinhos e amigos. A lógica investigativa na religião oficial do Império Luso-Brasileiro deu origem a comunidades marcadas pela intriga. A presença do catolicismo muito conservador e punitivo marcou nossa sociedade. Depois fui em Menino de Pedro J. Nunes e vi evidências de como as redes de intriga constituem-se em elementos vivos das pequenas cidades do Espírito Santo, na segunda metade do século XX. Em Renato Pacheco de A Oferta e o Altar busquei entender a lógica das fofocas. No romance de Renato, a personagem Joaninha do Muxá constrói uma rede maldita de destruição de reputações com método,para colher e espalhar suas Fake News, como se diz em tempos das redes sociais. Nela a fofoca é personagem da história, e como elemento central da trama, atinge o seu ápice. Estou convencido de que sem ela não entendemos nossa identidade cultural e nem a lógica política que preside as eleições até hoje. Isso explica por que a indicação de leitura da obra do Norbert Elias me pareceu oportuna. Afinal ele estuda, no único livro propriamente etnográfico, como se organiza a vida em uma comunidade britânica onde as intrigas estão muito presentes. A pesquisa foi feita em três anos de trabalho de campo em uma cidadezinha do interior da Inglaterra, cujo verdadeiro nome é ocultado na obra. No estudo, apesar da base econômica relativamente homogênea, os moradores não tinham essa percepção. Havia um grupo que se percebia como estabelecidos e um outro de famílias outsiders, ou seja, inferiorizados no trato social. A distinção se fazia pelo princípio da antiguidade, e os estabelecidos se viam como representantes dos princípios da tradição e da boa sociedade, enquanto os outros eram estigmatizados por atributos como delinquência e desintegração. O que chama a atenção nas reflexões de Elias é que essa diferença se mantém basicamente em uma rede fofocas que distanciam as pessoas, os comportamentos aceitos e rejeitados e também moldam identidades individuais e coletivas. É como se a força da fofoca em A Oferta e o Altar fosse analisada por um cientista social de muito peso, um dos maiores do século XX. É de Elias a seguinte conclusão: Assim, as calúnias que acionam os sentimentos de vergonha ou culpa do próprio grupo socialmente inferior, diante de símbolos de inferioridade e sinais de caráter imprestável que lhes é atribuído, bem como a paralisia da capacidade de revide que costuma acompanhá-los, fazem parte do aparato social com que os grupos dominantes e superiores mantêm a sua dominação e superioridade em relação aos socialmente inferiores. Arma importante, portanto, de dominação e humilhação. No caso dos capixabas, não diferente do resto do Brasil, a diferenciação vem do longo processo colonial, escravocrata, desigual e injusto. Mas, a coesão social precisa de mais elementos do que a realidade, por isso,gosta da ideia do imaginário social e de quais são os seus cimentos. A prática cotidiana da destruição da imagem alheia seguramente foi fartamente utilizada no nosso caso. O racismo se alimenta disso, assim como a misoginia e o machismo. Os estabelecidos, donos da verdade que impõem ao mundo, manipulam suas redes de intriga de forma perversa e conseguem manter funcionando preconceitos absurdos. É isso que aponto nas análises da literatura pelo viés sociológico que tenho feito. Por isso, a fofoca é tão definidora de identidades coletivas. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018.
Governo do Estado inicia pavimentação da ES-440 entre Bebedouro e Regência
O governador Renato Casagrande assinou, nesta sexta-feira (20), a ordem de serviço para elaboração dos projetos e execução das obras de implantação e pavimentação da ES-440, no trecho entre Bebedouro, na BR-101, e Regência, na ES-010, em Linhares. A intervenção vai conectar a sede do município ao litoral e melhorar a infraestrutura da região norte do Espírito Santo. A obra será viabilizada com recursos do Acordo de Mariana, voltado à recuperação das áreas impactadas pelo desastre na bacia do Rio Doce. A expectativa é de melhoria na mobilidade, aumento da segurança viária e estímulo ao turismo e às atividades econômicas locais. Segundo o governador, o projeto enfrentou entraves judiciais após a licitação, mas foi liberado para execução. A previsão é de cerca de dois anos de obras, com início pelo trecho de Regência. Casagrande também informou que o Estado deve assinar, na próxima semana, convênio com a Prefeitura de Linhares para construção dos portos de Regência e Povoação. O secretário de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi, afirmou que as obras fazem parte de um conjunto de investimentos em infraestrutura na região, incluindo intervenções viárias entre Aracruz e Linhares, com foco no desenvolvimento econômico, no escoamento da produção e na segurança dos moradores.