Com o início da entrega do Imposto de Renda 2026 – ano-base 2025, especialistas reforçam a importância de atenção na declaração para evitar inconsistências que possam levar à malha fina da Receita Federal. A líder da XP no Espírito Santo, Cecília Perini, explica que investidores precisam ter atenção redobrada no preenchimento das informações, principalmente diante do crescimento do número de pessoas físicas no mercado financeiro. Segundo dados da B3, o Espírito Santo está entre os dez estados com maior proporção de investidores na Bolsa em relação à população. Atualmente, cerca de 3,05% dos capixabas investem no mercado acionário, o que reforça a importância de contar com orientação adequada no momento da declaração. “O capixaba está cada vez mais presente no mercado financeiro, mas ainda existem muitas dúvidas sobre as obrigações fiscais relacionadas aos investimentos. Erros simples podem gerar inconsistências na Receita e levar à malha fina”, explica Cecília. Ela destaca que a declaração pré-preenchida, disponível no Programa Gerador da Declaração e no aplicativo Meu Imposto de Renda, facilita o processo, mas não dispensa a conferência dos dados. “A ferramenta ajuda bastante, mas o contribuinte continua responsável pelas informações. É fundamental revisar todos os dados antes de enviar a declaração”, afirma. Os três erros mais comuns entre investidores De acordo com a especialista, os principais equívocos cometidos na declaração do Imposto de Renda envolvem: Erro nas alíquotas das operações: Cada operação financeira possui tributação específica. Aplicar uma alíquota incorreta pode gerar pagamento errado do imposto e divergências com a Receita. Uso inadequado da nota de corretagem: Erros na classificação de operações como day trade ou swing trade, omissão de prejuízos ou custos operacionais e falhas na informação de ativos recebidos por doação ou herança são problemas frequentes. Declaração incorreta de investimentos no exterior: Quem possui aplicações internacionais deve informar corretamente rendimentos e impostos pagos fora do país. Acompanhamento de um contador: Contar com o apoio de um contador pode reduzir erros e trazer mais segurança na declaração do Imposto de Renda. O profissional auxilia na correta apuração de ganhos, compensação de prejuízos, escolha das alíquotas e cumprimento das obrigações acessórias, além de orientar sobre mudanças na legislação e evitar inconsistências que possam levar à malha fina. Sobre a XP A XP é uma das principais instituições financeiras do Brasil. Criada em 2001, nasceu com o propósito de transformar o mercado para melhorar a vida das pessoas — promovendo educação financeira e democratizando o acesso a investimentos de qualidade. Desde então, o Grupo XP lidera uma disrupção no setor ao construir um ecossistema completo de serviços financeiros, com soluções que vão de investimentos a crédito, seguros e banking, no Brasil e no exterior. Com foco em planejamento financeiro completo para investidores, a companhia investe na excelência em servir o cliente como a principal alavanca de crescimento. Esse compromisso com a qualidade já se reflete em reconhecimentos importantes: a XP foi eleita sete vezes consecutivas a Melhor Assessoria de Investimentos de São Paulo pela premiação “O Melhor de São Paulo”, realizada pela Folha de S. Paulo. Saiba mais em www.xp.com.br
Tecnologias quânticas ganham força como agenda nacional, afirma Felipe Belluci em evento na Ufes
As tecnologias quânticas foram destacadas como uma das principais fronteiras de inovação e disrupção no cenário global durante o Quanta ES 2026, realizado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, nos últimos dias 26 e 27. Representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o coordenador-geral de Tecnologias Habilitadoras, Felipe Bellucci, reforçou a importância da mobilização dos estados para o avanço dessa agenda no Brasil. Segundo Bellucci, o MCTI atua como articulador nacional para impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico, tratando as tecnologias quânticas como um eixo estratégico. “As tecnologias quânticas são uma das fronteiras mais próximas de disrupção. Por isso, é fundamental que os estados compreendam a relevância dessa agenda e comecem a se mobilizar internamente”, afirmou. Durante a programação, Bellucci participou do painel “Plano de Desenvolvimento de Quântica Brasil e Espírito Santo”, ao lado do diretor-presidente da Fapes, Rodrigo Varejão, com mediação do professor doutor Guilherme Pereira, do Instituto Arandu. O debate abordou a construção de estratégias integradas entre União e estados para fortalecer o avanço das tecnologias quânticas, considerando as vocações regionais e o papel das instituições locais. De acordo com o representante do ministério, o impacto dessas tecnologias é transversal, com aplicações em áreas como comunicação, computação e sensoriamento. “Ela funciona como uma camada habilitadora para diversas áreas, porque tudo envolve comunicação, processamento de dados ou captação de informações. Isso mostra o potencial de transformação em grande parte da sociedade”, explicou. Bellucci também destacou o esforço do governo federal em integrar diferentes ministérios na construção de uma política coordenada para o setor. A proposta é elevar o tema ao nível de política de Estado, com atuação conjunta entre as áreas e incentivo à participação de universidades e institutos de pesquisa. “A grande força dessa agenda está nos estados, nas universidades e nos centros de pesquisa. Cabe ao Ministério sensibilizar e convidar a comunidade a colaborar, porque é desse ambiente que surgem as principais soluções”, disse. No caso do Espírito Santo, o coordenador apontou que o estado já possui uma base relevante para avançar no tema, especialmente em áreas como nanotecnologia, fotônica e materiais semicondutores. Para ele, o próximo passo é inserir as tecnologias quânticas na agenda estratégica estadual. “O Espírito Santo já tem tradição em áreas fundamentais para a tecnologia quântica. Agora, é preciso demonstrar a importância do tema para que ele seja incorporado como prioridade. A partir disso, há uma mobilização natural de esforços para o desenvolvimento dessas tecnologias”, afirmou. A articulação nacional, segundo Bellucci, também busca respeitar as vocações regionais. A ideia é que cada estado contribua de forma alinhada às suas características e necessidades locais, fortalecendo a construção de uma política nacional integrada para o setor. A importância da infraestrutura institucional Durante o painel, o diretor-presidente do Instituto Arandu, Guilherme Pereira, destacou a importância da estrutura institucional para o desenvolvimento científico e tecnológico, apontando que o avanço da inovação depende de três pilares centrais: infraestrutura, capital e organização institucional. “A gente fala de infraestrutura, inclusive da infraestrutura da pesquisa. A gente fala de capital e de um terceiro eixo importante, que é a questão institucional, a organização institucional”, afirmou. Segundo ele, políticas públicas consistentes são determinantes para o sucesso de iniciativas tecnológicas no país. Guilherme citou exemplos históricos para ilustrar esse ponto. “Quando se fala da Embraer e da Gurgel, são exemplos clássicos disso, da importância do ambiente institucional e das políticas de apoio ao desenvolvimento”, disse. O diretor também mencionou avanços no reconhecimento dessa agenda no Brasil, destacando a inclusão do tema na Constituição. “A emenda constitucional de 2015 traz um ponto extremamente importante ao afirmar que o mercado interno é patrimônio nacional. A gente precisa cumprir isso”, ressaltou. Para Guilherme, o desafio agora é transformar esse entendimento em ações concretas, conectando diretrizes nacionais com iniciativas práticas nos estados e nos ecossistemas locais de inovação. O avanço do Espírito Santo Durante o painel, o diretor-presidente da Fapes, Rodrigo Varejão, destacou o avanço do Espírito Santo no financiamento à ciência e inovação, com aumento expressivo dos investimentos nos últimos anos. Segundo ele, o volume executado saltou de R$ 160 milhões, em 2023, para R$ 328 milhões em 2025. De acordo com Varejão, o Estado se consolida hoje como um dos principais destinos de investimento per capita em ciência e tecnologia no país, com uma das maiores execuções financeiras entre as fundações de amparo à pesquisa. O dirigente ressaltou que a ampliação de recursos é essencial, mas precisa estar associada a estratégia. “Não basta ter recurso. É preciso direcionar investimentos para áreas que gerem impacto e estejam conectadas com as necessidades do Estado”, afirmou. Nesse sentido, ele destacou a criação de uma agenda estratégica na Fapes, com foco em áreas como transformação digital, supercomputação e inteligência artificial. A proposta é sair de iniciativas isoladas e promover maior conexão entre projetos, aumentando a capacidade de gerar resultados concretos. Varejão também enfatizou a importância de aproximar a produção científica da sociedade e do setor produtivo. “Não pode ficar restrito à academia. É fundamental envolver empresas e ampliar o ciclo de maturidade das pesquisas até sua aplicação”, disse. Outro ponto abordado foi a construção de um planejamento estruturado para o desenvolvimento científico capixaba, com base em diagnóstico realizado em parceria com o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). A partir disso, foram definidos eixos prioritários, como retenção de talentos, fortalecimento da governança e difusão do conhecimento. O plano da Fapes está organizado em três vetores principais: interiorização da ciência, internacionalização das iniciativas e aumento da maturidade científica e tecnológica. Segundo Varejão, esses pilares devem orientar os próximos investimentos e consolidar o crescimento do setor no Estado. O dirigente destacou ainda a necessidade de ampliar a competitividade do Espírito Santo, inclusive com a criação de mecanismos para atrair pesquisadores e fortalecer redes de colaboração. “Esse é um caminho sem volta. Precisamos estruturar o Estado para competir em nível nacional e internacional”, afirmou.
Nova versão do Mounjaro reforça tendência de tratamento individualizado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste mês a chegada ao Brasil de uma nova versão das canetas do medicamento Mounjaro, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. O novo dispositivo permite o ajuste de diferentes doses em uma única caneta, ampliando a flexibilidade no tratamento de pacientes com diabetes mellitus tipo 2, obesidade e síndrome da apneia do sono. Segundo a endocrinologista Gisele Lorenzoni (foto), a aprovação acompanha uma tendência crescente de personalização das terapias no cuidado metabólico. A especialista destaca que a possibilidade de ajuste de dose em um único dispositivo representa um avanço na prática clínica, aproximando o Mounjaro de medicamentos já consolidados no mercado, como Ozempic e Wegovy, que utilizam sistemas semelhantes. “A possibilidade de ajustar a dose em uma mesma caneta torna o uso mais prático e seguro, permitindo uma progressão mais gradual conforme a resposta do paciente e reduzindo efeitos colaterais”, explica. A principal mudança está na concentração de múltiplas doses em um único dispositivo. Apesar da inovação, a administração do medicamento permanece semanal. O Mounjaro tem como princípio ativo a tirzepatida, um co-agonista dos hormônios intestinais GLP-1 e GIP. Essa combinação atua diretamente no controle da glicemia, na redução do apetite e na regulação do metabolismo energético. Até então, o medicamento era disponibilizado no país em canetas de doses fixas, como 2,5 mg, 5 mg, 7,5 mg e 10 mg, com novas concentrações em expansão. De acordo com a especialista, a tirzepatida se destaca pela ação dupla. “Ao atuar simultaneamente nos receptores de GLP-1 e GIP, o medicamento potencializa os resultados tanto no controle do diabetes quanto na perda de peso, com evidências de maior eficácia em comparação a outras terapias já disponíveis”, afirma. Entre os benefícios associados estão a melhora significativa dos níveis de glicose, maior perda de peso sustentada e possível impacto positivo em comorbidades, como a apneia do sono. “É uma medicação que amplia o arsenal terapêutico e oferece novas perspectivas para pacientes que não tiveram resposta adequada a outros tratamentos”, completa Gisele Lorenzoni.