Estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia clara de crescimento e modelos escaláveis estão entre os principais requisitos para que startups estejam mais preparadas para crescer e atrair investimentos. Esse é o cenário apontado por empresas capixabas que começam a ganhar espaço em mercados internacionais e indicam um caminho mais estruturado para novos empreendedores. A nova geração de startups do Espírito Santo já não se apoia apenas no potencial, mas apresenta resultados concretos. Empresas locais têm avançado para mercados globais ao focar na resolução de problemas reais, execução disciplinada e construção de modelos de negócio sustentáveis desde o início. A iTrois Tecnologia e Inovação é um exemplo desse movimento. A empresa desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT) e já atua em hubs internacionais como Dubai e Bruxelas. Entre os produtos criados estão o Sommie, um sommelier virtual, e o Barist.AI, voltado para a experiência em cafeterias e restaurantes, com foco em demandas específicas do mercado. Segundo o CEO, Pablo Oliveira (foto), o crescimento da empresa está diretamente ligado à capacidade de transformar tecnologia em aplicação prática. “Enquanto o hype pode gerar visibilidade momentânea, é a capacidade de entregar soluções robustas e gerar valor real que sustenta o crescimento a longo prazo”, afirma. A trajetória da startup também envolveu desafios, como a validação de tecnologias complexas em setores tradicionais, a exemplo dos mercados de vinhos e cafés especiais. “Ganhar a confiança de produtores, restaurantes e baristas exige demonstrar valor claro e retorno sobre o investimento”, explica. A gestora de startups do Sebrae/ES, Isabella Calmon (foto), destaca que o mercado entrou em uma fase de maior maturidade, na qual investidores valorizam menos promessas e mais resultados. Atualmente, o Sebrae/ES reúne 594 negócios inovadores capixabas cadastrados na plataforma Sebrae Startups, evidenciando o crescimento do ecossistema local. Para empreendedores que desejam atrair investimentos, Pablo Oliveira aponta alguns fatores essenciais: resolver problemas reais, construir uma base tecnológica sólida e desenvolver parcerias estratégicas desde o início. “A tecnologia é um meio, não um fim. O sucesso vem da capacidade de resolver uma dor real do mercado e construir soluções que possam ser escaladas e adaptadas a diferentes contextos”, afirma. Postura estratégica No caso da iTrois, o crescimento foi sustentado por decisões estratégicas, como o foco em nichos específicos, o desenvolvimento de soluções aplicadas e a participação em programas de aceleração e eventos internacionais, que ampliaram a visibilidade da empresa e abriram portas para novos mercados. Dados do relatório Venture Pulse, da KPMG, mostram que o volume de investimentos de venture capital caiu até o final de 2023, com recuperação parcial em 2024 concentrada em empresas com fundamentos mais sólidos. Esse movimento impactou diretamente o perfil das startups que recebem atenção do mercado. No Espírito Santo, empreendedores passaram a adotar uma postura mais estratégica, priorizando consistência e validação. Pesquisas realizadas com investidores convidados para o ESX – Innovation Experience Espírito Santo indicam que fatores como potencial de mercado, qualidade do time fundador, tração do negócio e capacidade de crescimento estão entre os principais critérios de investimento. “Isso mostra que não basta ter uma boa ideia. É preciso demonstrar que existe demanda real, que a solução foi validada e que há um modelo de negócio capaz de crescer”, explica Isabella. Na prática, startups precisam chegar mais preparadas ao mercado. Estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia clara de crescimento e modelos escaláveis — muitas vezes baseados em receita recorrente — tornaram-se requisitos básicos. “No Brasil, 39% das startups operam no modelo SaaS (software por assinatura) e metade atua no modelo B2B, vendendo soluções para outras empresas. Esses formatos reforçam a previsibilidade de receita e a escalabilidade”, detalha. Ecossistema favorável Outro exemplo é a Takeat, criada para levar tecnologia ao setor de restaurantes e que hoje se destaca no segmento de foodservice. O fundador e CEO, Miguel Carvalho, afirma que o crescimento da empresa foi impulsionado pelo ambiente de inovação do estado, que reúne editais, hubs e programas de incentivo. A conquista de uma rodada Série A — etapa de investimento em startups que já iniciaram a escalada — com um dos fundos mais bem-sucedidos do país reflete a evolução desse ecossistema. Segundo Carvalho, o crescimento foi baseado em consistência e geração de valor. “Crescimento a qualquer custo nunca fez sentido. É preciso gerar valor para o cliente e, do ponto de vista financeiro, fechar a conta”, afirma. A Takeat estruturou sua evolução em três pilares: proximidade com o cliente, disciplina na gestão e execução consistente da estratégia. A empresa desenvolveu soluções a partir da vivência no dia a dia dos restaurantes, mantendo contato direto com as operações. “Tecnologia é o que vai permitir resolver a dor que você se propõe, e mercado é você de fato resolver essa dor. Os dois precisam andar juntos”, diz. A trajetória também exigiu resiliência diante de desafios como a validação do modelo de negócio, dificuldades no go-to-market e os impactos da pandemia. Ainda assim, a startup manteve foco em eficiência e sustentabilidade financeira. “Não há segredo. É execução inteligente, com estratégia clara e bem definida e fundadores obsessivos”, resume. Para empreendedores, o CEO reforça a importância de entender profundamente o cliente. “Se preocupe menos com sua tecnologia e mais com a dor que busca resolver. É preciso ter uma obsessão pelo cliente”, orienta. Mercado mais seletivo O avanço de startups como iTrois e Takeat reflete uma mudança mais ampla no ecossistema de inovação, que passou a exigir maior preparo, consistência e capacidade de execução. A analista de investimentos da Quartzo Capital, Bruna Dartora, explica que o mercado passou por uma correção após um período de alta liquidez. “Hoje os fundos olham com mais atenção para a geração de valor real, eficiência operacional e capacidade de crescimento sustentável”. Segundo ela, a avaliação de uma startup considera pilares como qualidade da equipe fundadora, tamanho do mercado, viabilidade do modelo de negócio, estágio do produto, diferenciação competitiva e potencial de escala. Nesse cenário, demonstrar maturidade se tornou decisivo. “Indicadores como receita recorrente, crescimento consistente da base de clientes e eficiência na
Inspeção identifica lançamento irregular de efluentes na Curva da Jurema e na Guarderia
Em inspeção para apurar a responsabilidade por indícios de contaminação nas praias da Guarderia e da Curva da Jurema, em Vitória, o Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo emitiu, nesta quarta-feira (8), determinações às Secretarias Municipais de Meio Ambiente e de Obras. A decisão é monocrática do relator, conselheiro Carlos Ranna, e foi publicada no Diário de Contas. A fiscalização identificou duas possíveis irregularidades: o lançamento irregular de efluentes no sistema de drenagem de águas pluviais e falhas na atuação fiscalizatória dos órgãos municipais envolvidos. No mês de fevereiro, auditores do Núcleo de Controle Externo de Meio Ambiente, Saneamento e Mudanças Climáticas realizaram visita técnica ao canteiro de obras da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais, na Praça dos Namorados. A equipe analisou o projeto da estação elevatória, vistoriou as intervenções em andamento e acompanhou a etapa de rebaixamento do lençol freático. Durante a inspeção, também foram verificados, in loco, os pontos de saída de água pluvial por onde ocorre o escoamento do efluente proveniente do rebaixamento do lençol freático e da estação elevatória que será substituída após a conclusão das obras. Após a visita, foram solicitados documentos complementares para subsidiar a análise técnica e a decisão do relator. Na decisão desta quarta-feira, o relator determinou à Secretaria Municipal de Meio Ambiente que, em episódios de possível contaminação de recursos hídricos, realize de forma tempestiva a coleta e análise do material, com o objetivo de identificar as origens e eventuais responsabilidades. Já à Secretaria Municipal de Obras foi determinado o controle rigoroso dos efluentes gerados pelo sistema de rebaixamento do lençol freático nas obras da estação, com a exigência de instalação de caixa de decantação ou solução técnica equivalente, para evitar o lançamento de resíduos na rede de drenagem pluvial do município. O Tribunal também determinou que a pasta fiscalize o cumprimento das condicionantes ambientais do contrato e exija do consórcio responsável documentação emitida pela Agência Estadual de Recursos Hídricos, como Portaria de Outorga, Declaração de Uso ou Certidão de Uso Insignificante, relacionada à captação de água nas obras. Ligação à rede de esgoto O relator determinou ainda que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente fiscalize e notifique imóveis em situação irregular nos bairros Praia do Canto, Enseada do Suá e Santa Helena, para que sejam conectados à rede de esgoto onde houver disponibilidade. O prazo estabelecido é de 180 dias. Após esse período, caso ainda existam imóveis sem ligação, a Companhia Espírito-santense de Saneamento deverá realizar a conexão ao sistema, com cobrança ao usuário, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento. Os responsáveis pelas secretarias municipais e pelo consórcio executor da obra foram citados para apresentar justificativas e documentos no prazo de 30 dias, em relação aos achados da fiscalização. Obra e monitoramento Na visita técnica realizada em fevereiro, participaram representantes das secretarias municipais, da companhia de saneamento e das empresas envolvidas na execução e no gerenciamento da obra. De acordo com a equipe municipal, a intervenção integra um projeto para ampliar a capacidade das estações de bombeamento e reduzir alagamentos na região, diante do desgaste e da limitação operacional de equipamentos existentes. As estações atuam no controle do nível das águas das chuvas nas galerias de macrodrenagem e evitam a entrada de maré alta no sistema, o que pode causar alagamentos mesmo em períodos sem chuva. O projeto inclui ainda a construção e implantação de um centro de comando de operações, que permitirá o monitoramento integrado de todas as estações do município. Segundo os técnicos municipais, o lançamento de efluentes é monitorado e ocorre em conformidade com as diretrizes técnicas e ambientais do projeto, que possui os licenciamentos necessários. A previsão de conclusão das obras é junho de 2026.