Empreendedoras capixabas compartilham trajetórias de superação, coragem e transformação que refletem o espírito da premiação promovida pelo Sebrae Por trás de cada empresa de sucesso existe uma história de persistência, desafios e recomeços. É justamente esse lado humano do empreendedorismo que o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios busca valorizar ao reconhecer mulheres que transformaram suas trajetórias pessoais em iniciativas capazes de gerar renda, oportunidades e impacto social. Com inscrições abertas até o dia 19 de junho (clique aqui), a edição 2026 da premiação destaca histórias inspiradoras de mulheres de diferentes realidades e segmentos. Entre elas estão a da maquiadora e empresária Ana Julya de Oliveira Castro, que enfrentou o preconceito para construir o próprio negócio, e a da empresária Sabrina Maia, que decidiu mudar de carreira após duas décadas no setor bancário para investir no turismo em Santa Teresa. As duas empreendedoras representam perfis distintos, mas têm em comum a determinação para superar obstáculos e a crença de que empreender pode transformar vidas. Suas histórias ajudam a explicar por que o prêmio se tornou uma das principais iniciativas de valorização do empreendedorismo feminino no Brasil. Mais do que reconhecer empresas de sucesso, o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios busca dar visibilidade a histórias de mulheres que transformam desafios em oportunidades. Com inscrições abertas até 19 de junho, a iniciativa valoriza trajetórias de empreendedoras de todo o país e, este ano, traz como novidade premiações em dinheiro para as vencedoras estaduais e nacionais. Entre as inscritas está a maquiadora, influenciadora digital e empresária Ana Julya de Oliveira Castro, 28 anos, de Conceição do Castelo, no Espírito Santo. Dona da loja “Beleza Sem Rótulos”, ela carrega uma história de empreendedorismo que começou muito antes da abertura do negócio. Aos 11 anos, Ana Julya já ajudava a complementar a renda da família. Enquanto a mãe dividia o tempo entre os cuidados com o marido, que enfrentava problemas cardíacos, e a rotina da casa, ela teve a ideia de produzir doces para vender nas ruas. “Eu pedia para minha mãe fazer os doces e saía vendendo. Quando voltava para casa, separava o dinheiro dos ingredientes para produzir mais e dividia o restante com ela. Eu queria ajudar e também conquistar minhas próprias coisas”, relembra. O primeiro contato com o empreendedorismo acabou se transformando em aprendizado para a vida. Anos depois, já no fim do ensino médio, com 16 anos, Ana Julya enfrentou outra realidade: a dificuldade de conseguir uma vaga no mercado de trabalho. “Com a dificuldade de emprego para pessoas como eu, uma pessoa trans, resolvi fazer um curso de maquiagem. Meu pai já tinha falecido, minha mãe pagou o curso e comecei a atender na sala da nossa casa”, conta. O negócio estava indo bem até a chegada da pandemia. Sem clientes, a fonte de renda desapareceu. Foi então que nasceu a “Beleza Sem Rótulos”, hoje instalada na própria residência da empreendedora. Sua mãe chegou a oferecer dinheiro para pagar as contas, mas ela queria encontrar uma solução. “Pensei: e se começarmos a vender maquiagem? Foi assim que tudo começou.” Mais do que vender cosméticos, Ana Julya queria construir um ambiente de acolhimento. O nome da empresa surgiu a partir das experiências de preconceito que viveu ao longo da vida. “Sempre que entrava em algumas lojas, sentia os olhares e os julgamentos por ser uma pessoa trans. Então queria criar um espaço onde as pessoas se sentissem bem, acolhidas e sem diferenças.” Ela afirma que o preconceito ainda é um dos principais obstáculos enfrentados por empreendedoras trans. “As pessoas colocam meu trabalho à prova o tempo todo. Muitas vezes não acreditam no meu potencial. Isso acaba desacelerando o crescimento do negócio, principalmente em uma cidade pequena.” Apesar dos desafios, Ana Julya destaca as oportunidades conquistadas por meio de programas de incentivo ao empreendedorismo. Ela também desenvolveu projetos sustentáveis, produzindo embalagens artesanais com papelão reutilizado. Seu propósito sempre foi empreender, mas também ajudar a reduzir impactos ambientais. Durante um tempo ela recolheu papelão das ruas e transformou em embalagens personalizadas para os clientes. Pela primeira vez inscrita no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, ela admite que precisou vencer a insegurança para participar. Durante um longo período da vida, Ana Julya achou que a sua história não era suficientemente importante. Ela ressalta que via tantas pessoas com negócios inovadores e pensava que o dela era apenas uma loja. “Hoje, entendo que a minha trajetória também tem valor. Mais do que buscar reconhecimento, quero inspirar outras pessoas trans, que nós podemos conquistar sonhos, crescer e ocupar espaços que também são nossos por direito.” Ela destaca, ainda, que enxerga o Brasil empreendedor com pessoas resilientes, fortes, que muitas vezes passam por fases difíceis em sua jornada, mas mesmo assim não desistem de acordar todos os dias para correr atrás de seus sonhos, de seu sustento. E mesmo diante dos desafios, como acesso a crédito, tributos e impostos, seguem firmes no seu propósito. Do mercado financeiro para o turismo Sabrina Maia, 44 anos, proprietária e idealizadora dos Chalés Villa Caravaggio, em Santa Teresa, no Espírito Santo, foi uma das inscritas e ganhadoras do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2025. “Resolvi me inscrever porque percebi que minha história precisava ser dividida e servir de inspiração. Ela representa a trajetória de muitas mulheres que empreendem, enfrentam desafios diários, conciliam trabalho, família e sonhos, e seguem em frente mesmo quando o caminho parece difícil”. Ela lembra que quando veio o reconhecimento, foi uma emoção muito grande. “Ganhar prêmio significou olhar para trás e perceber que cada esforço, cada renúncia e cada desafio enfrentado tinham valido a pena. Foi um momento de gratidão, mas também de responsabilidade, porque entendi que minha história poderia inspirar outras mulheres a acreditarem mais em si mesmas e nos seus projetos. Foi uma validação não apenas do meu trabalho, mas de toda a trajetória construída ao lado da minha família e da equipe que caminha comigo todos os dias”. Antes de se aventurar no setor de turismo, Sabrina Maia conta que foi bancária durante 20
MC.Arte vai levar murais gigantes e oficinas gratuitas para bairros da Grande Vitória
Projeto selecionará cinco comunidades da região metropolitana para receber atividades de arte urbana, pintura coletiva de murais de até 100m² e uma mostra de cinema dedicada à cultura urbana Os muros da Grande Vitória vão ganhar novas cores, desenhos e histórias por meio da participação dos próprios moradores. Em sua edição de 2026, o MC.Arte, iniciativa do Movimento Cidade, vai selecionar cinco bairros periféricos da região metropolitana para receber oficinas gratuitas de arte urbana e a produção coletiva de murais de até 100 metros quadrados, desenvolvidos em parceria com artistas capixabas convidados. A programação também contará com uma mostra de cinema inédita voltada à cultura urbana. As inscrições para as comunidades interessadas seguem abertas até o dia 12 de junho. Os bairros selecionados receberão até 10 atividades formativas gratuitas entre os dias 29 de junho e 31 de julho. Ao final da programação, serão produzidos 10 murais espalhados pelas localidades contempladas. As inscrições podem ser realizadas pelo link bit.ly/mcarte-2026. As oficinas abordarão temas ligados à arte urbana, experimentação artística e criação coletiva, aproximando crianças, jovens e adultos do universo do grafite e de outras linguagens urbanas contemporâneas. A proposta é fortalecer a relação entre arte, território e comunidade, estimulando a ocupação criativa dos espaços públicos. Segundo a diretora-geral do Movimento Cidade, Luísa Costa, o projeto busca transformar os espaços urbanos em ambientes de encontro, memória e pertencimento. “Cada experiência artística nasce do encontro entre as pessoas, suas histórias e memórias e as relações com o território. Acreditamos que as ações do projeto MC.Arte não chegam apenas para trazer mais cor para os bairros, mas também para criar conexões, trocar experiências e transformar espaços em símbolos de identidade e pertencimento para a comunidade”, afirma. Criado em 2021, o MC.Arte já realizou mais de 50 ações em comunidades do Brasil e do exterior, promovendo experiências formativas, intervenções artísticas e atividades culturais em espaços urbanos. Para o coordenador, oficineiro e artista do projeto, Handerson Chic, o principal legado está nos processos de aprendizagem construídos ao longo das atividades. “Mais do que resultado visual, o projeto se constrói a partir de processos de aprendizagem coletiva que ficam com as pessoas. A ideia é que a experiência com a arte urbana não termine na execução do mural, mas siga reverberando nas práticas, no olhar e nas possibilidades que cada participante passa a enxergar dentro do próprio cotidiano”, destaca. Além das intervenções urbanas, o projeto amplia sua atuação para o audiovisual com a realização de uma mostra de cinema inédita. A chamada está aberta para cineastas independentes de todo o país que tenham produzido curtas-metragens a partir de 2021, com duração de até 25 minutos. A mostra reunirá produções ligadas a temas como cidade, música, território e arte contemporânea, ampliando o diálogo entre o audiovisual e as diversas expressões da cultura urbana. A data e o local das exibições serão divulgados posteriormente pela organização. As inscrições para a Mostra de Cinema MC.Arte também seguem abertas até 12 de junho pelo link bit.ly/mostradecinema-mcarte. O edital completo está disponível em bit.ly/editalmostra-mcarte. Patrocinado pela Budweiser, o MC.Arte é realizado pelo Movimento Cidade Projetos Criativos, por meio do Governo do Espírito Santo, via Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC).