O Governo do Espírito Santo lançou, nesta quarta-feira (8), um plano estratégico para preparar o Estado para os impactos do fenômeno El Niño. A iniciativa reúne ações de monitoramento, segurança hídrica, apoio ao agronegócio, prevenção de incêndios e obras de infraestrutura, com o objetivo de reduzir os efeitos de possíveis estiagens prolongadas e episódios de chuvas intensas. Durante a apresentação do plano, o governador Ricardo Ferraço assinou o decreto que cria o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) El Niño, estrutura que reunirá diferentes órgãos estaduais para coordenar as ações de prevenção e resposta. Segundo o governador, a estratégia busca fortalecer a atuação integrada do Estado e reduzir a necessidade de medidas emergenciais. Na área de monitoramento, a Defesa Civil Estadual manterá acompanhamento das condições climáticas 24 horas por dia, utilizando imagens de satélite, estações meteorológicas e a Plataforma V-Fogo para monitorar focos de calor. A Agerh seguirá monitorando os níveis dos rios, enquanto a Cesan acompanhará os mananciais de abastecimento, podendo adotar medidas como perfuração de poços e contratação de carros-pipa, caso necessário. Para minimizar os impactos sobre o setor agropecuário, a Secretaria da Agricultura (Seag) antecipará a entrega de carros-pipa, escavadeiras, caçambas, pás carregadeiras e outros equipamentos aos municípios, além da formação de estoques de silagem para alimentação dos rebanhos. O plano também prevê uma linha de financiamento de até R$ 150 mil para construção de pequenas barragens, com juros reduzidos e prazos ampliados. O Incaper intensificará a assistência técnica aos produtores, com orientações sobre manejo do solo, acesso ao crédito e contratação do Seguro Rural. Na área de infraestrutura, o Estado mantém investimentos em 33 barragens de uso coletivo, entre concluídas e em execução, com capacidade para armazenar cerca de 17,7 milhões de metros cúbicos de água. Também seguem em andamento obras de macrodrenagem e contenção de encostas. Segundo o governo, o Fundo Cidades já destinou R$ 721 milhões para 217 obras de prevenção de desastres, enquanto o Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil investiu outros R$ 52 milhões em 35 intervenções. O plano contempla ainda o reforço das ações de combate aos incêndios florestais, com a Operação Fogo Zero, conduzida pelo Corpo de Bombeiros, além da contratação de brigadistas e aquisição de equipamentos pelo Iema. O NOTAer também ampliou sua estrutura com novas aeronaves, caminhão de abastecimento e equipamentos específicos para operações de combate ao fogo. O Centro Integrado de Comando e Controle fará o acompanhamento diário das condições climáticas e coordenará a atuação dos órgãos estaduais durante o período de influência do El Niño.
Ponte da Avenida Champagnat será demolida e trânsito muda a partir da próxima terça (14)
A ponte da Avenida Champagnat, na Praia da Costa, em Vila Velha, será demolida como parte das obras do Parque Linear do Canal da Costa. Em razão da intervenção, a partir da próxima terça-feira (14), a avenida ficará totalmente interditada no trecho entre as ruas Inácio Higino e São Paulo. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos em cerca de três semanas. Com a interdição, os motoristas que seguem pela Avenida Carlos Lindenberg em direção à Terceira Ponte e ao bairro Itapuã deverão utilizar a Rua Sete de Setembro e, em seguida, acessar a Avenida Luciano das Neves. Outra opção é seguir pela própria Avenida Champagnat e entrar na Rua Telmo Torres antes do bloqueio. Já quem tem como destino a Praia da Costa deverá utilizar a Rua Quinze de Novembro, com acesso pelos desvios implantados nas ruas Cabo Aylson Simões, Antônio Ataíde ou Inácio Higino. Segundo a Prefeitura de Vila Velha, a atual ponte apresenta características típicas de uma estrutura antiga, mas permanece segura. A demolição será necessária porque o novo sistema de galerias de macrodrenagem do Canal da Costa será implantado exatamente no local da travessia. A nova ponte seguirá o mesmo padrão das estruturas já reconstruídas nas avenidas Castelo Branco e Dom Jorge de Menezes, adequadas ao novo sistema de drenagem. As intervenções integram o projeto do Parque Linear da Praia da Costa, que prevê o tamponamento do Canal da Costa para ampliar a capacidade de escoamento das águas pluviais. Após a instalação das galerias, serão executadas a cobertura da estrutura e a implantação de um parque linear com áreas de convivência, paisagismo, iluminação, calçadas e ciclovia. De acordo com o cronograma da Prefeitura, tanto o tamponamento do canal quanto a implantação do Parque Linear têm conclusão prevista até o fim deste ano.
TCE-ES alerta Estado e municípios para riscos de um possível super El Niño
O Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) aprovou o envio de uma nota recomendatória ao Governo do Estado e às prefeituras capixabas com orientações para reduzir os impactos de um possível El Niño de forte intensidade nos próximos meses. O documento reúne mais de 50 recomendações voltadas à prevenção de estiagens, ondas de calor, alagamentos e outros eventos climáticos extremos. A nota foi elaborada pela equipe técnica da Corte com base em estudos de instituições como o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e o serviço meteorológico australiano. As projeções indicam que o fenômeno de 2026/2027 poderá atingir intensidade semelhante à de um “super El Niño”, com aquecimento superior a 2°C no Oceano Pacífico. Segundo o relatório, o fenômeno aumenta a probabilidade de eventos extremos, especialmente em regiões mais vulneráveis. Para o Sudeste, incluindo o Espírito Santo, a expectativa é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e maior estresse hídrico, além da possibilidade de pancadas intensas de chuva associadas à combinação entre calor, alta umidade e frentes frias. O TCE-ES destaca que esse cenário pode comprometer a recuperação de reservatórios, reduzir a disponibilidade de água, favorecer incêndios florestais e ampliar os riscos de enchentes, deslizamentos e alagamentos, sobretudo em áreas já consideradas vulneráveis, como parte da região sul capixaba. A nota também chama atenção para impactos indiretos nas áreas de saúde, educação e assistência social. Entre os riscos apontados estão o aumento dos casos de dengue devido à proliferação do mosquito Aedes aegypti, sobrecarga dos serviços de saúde, prejuízos ao aprendizado por causa das altas temperaturas, crescimento da demanda por benefícios sociais e agravamento da insegurança alimentar. Entre as principais recomendações estão a atualização dos planos municipais de contingência, fortalecimento das Coordenadorias Municipais de Defesa Civil, planejamento antecipado para aquisição de insumos e equipamentos, reserva de recursos orçamentários e reforço das ações de vigilância em saúde. O documento também orienta os municípios a mapear escolas localizadas em áreas de risco, ampliar programas de climatização das unidades de ensino, identificar previamente famílias vulneráveis a eventos climáticos e promover campanhas de conscientização sobre uso racional da água, prevenção da dengue, riscos de incêndios e descarte correto de resíduos. Para o Tribunal de Contas, ainda há tempo para que Estado e municípios adotem medidas preventivas antes do período de maior risco climático, previsto para a primavera e o verão de 2026/2027. A Corte alerta que a falta de planejamento poderá transformar riscos conhecidos em situações de emergência com elevados custos sociais e financeiros, além de eventual responsabilização dos gestores públicos.