Maior feira do agronegócio capixaba reuniu mais de 150 expositores em São Gabriel da Palha e confirmou o interesse dos produtores por inovação e tecnologia A Feira de Agronegócios Cooabriel 2026 encerrou mais uma edição com resultados expressivos para o agronegócio capixaba. Realizado entre os dias 23 e 25 de julho, em São Gabriel da Palha, principal polo produtor de café conilon do Brasil, o evento recebeu mais de 34 mil visitantes e movimentou mais de R$ 1,1 bilhão em negócios, mantendo o elevado volume de negociações registrado no ano passado. Ao longo dos três dias, mais de 150 estandes reuniram empresas, instituições e fornecedores de máquinas, equipamentos, insumos, tecnologias e serviços voltados ao setor agropecuário. A programação também contou com palestras técnicas, demonstrações de soluções inovadoras e oportunidades de networking entre produtores rurais e parceiros do setor. Para o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello, o desempenho da feira reforça a confiança do produtor rural e sua disposição em investir na modernização das propriedades. Segundo ele, o crescimento do público e o volume de negócios demonstram que os cafeicultores continuam apostando em tecnologias capazes de aumentar a produtividade, melhorar a eficiência e reduzir os desafios relacionados à mão de obra. “O produtor está investindo cada vez mais em inovação e esse sempre foi o principal objetivo da feira: aproximar o cooperado das melhores soluções disponíveis no mercado, oferecendo acesso a equipamentos, insumos e tecnologias que contribuem diretamente para o desenvolvimento das propriedades”, destaca Bastianello. O superintendente-geral da Cooabriel, Carlos Augusto Pandolfi, também avalia positivamente os resultados da edição. Segundo ele, a feira consolidou seu papel como um ambiente estratégico para geração de negócios, troca de conhecimento e apresentação de novidades ao setor, fortalecendo a relação entre produtores e empresas parceiras. Com o sucesso da edição de 2026, a organização já confirmou a próxima Feira de Agronegócios Cooabriel para os dias 29, 30 e 31 de julho de 2027, novamente em São Gabriel da Palha, dando continuidade ao trabalho de impulsionar a inovação e o desenvolvimento da cafeicultura e do agronegócio capixaba.
Zeca Pagodinho celebra 40 anos de carreira com show inédito no ES
Sambista será a principal atração do Festival Movimento Cidade, que acontece entre os dias 14 e 16 de agosto, no Parque da Prainha, em Vila Velha Quatro décadas depois de transformar o samba em patrimônio popular de diferentes gerações, Zeca Pagodinho desembarca pela primeira vez no Espírito Santo com a turnê que celebra seus 40 anos de carreira. O show acontece no dia 15 de agosto, no Parque da Prainha, em Vila Velha, como uma das atrações principais da 8ª edição do Festival Movimento Cidade, maior festival de artes integradas do Estado. A apresentação faz parte da turnê comemorativa iniciada neste ano, após a gravação do DVD especial realizado no Estádio Nilton Santos (Engenhão), no Rio de Janeiro, reunindo nomes como Alcione, Seu Jorge, Jorge Aragão, Xande de Pilares, Diogo Nogueira, Djonga e Marcelo D2. Desde então, o espetáculo percorre diversas capitais brasileiras e chega agora ao público capixaba. O repertório reúne alguns dos maiores clássicos da carreira do sambista, entre eles “Deixa a Vida Me Levar”, “Verdade”, “Faixa Amarela”, “Vai Vadiar”, “Judia de Mim”, “Maneiras”, “Coração em Desalinho”, “Seu Balancê”, “Mutirão do Amor”, “Ogum”, “Lama nas Ruas” e “Camarão que Dorme a Onda Leva”. Com cerca de duas horas de duração, o espetáculo ganha ainda uma produção visual assinada por Batman Zavarese e cenário criado por Zé Carratu. A trajetória de Zeca Pagodinho começou nas tradicionais rodas de samba do subúrbio carioca, especialmente no Cacique de Ramos, e ganhou projeção nacional a partir da década de 1980, impulsionada pela cantora Beth Carvalho. Desde então, o artista lançou 25 álbuns, vendeu mais de 12 milhões de discos, conquistou quatro prêmios Grammy Latino e consolidou seu nome como uma das maiores referências da música brasileira. Nos últimos anos, o cantor ampliou sua presença internacional com apresentações nos Estados Unidos, Europa e Ásia, incluindo participação no Dia Nacional do Brasil durante a Expo Osaka, no Japão. Em 2026, lançou o single inédito “Fé e Esperança”, gravado ao lado do neto Noah, simbolizando a continuidade de uma história que atravessa gerações. Primeira atração confirmada para a edição deste ano do Movimento Cidade, Zeca lidera uma programação com mais de 15 artistas distribuídos ao longo de três dias de festival e cerca de 20 horas de música. O evento reúne diferentes estilos musicais e reafirma sua proposta de promover encontros entre grandes nomes da cena nacional e novos talentos. A abertura acontece na sexta-feira (14), com entrada gratuita mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível. Sobem ao palco Gaby Amarantos, Ajulliacosta, vencedora do prêmio Best New International Act no BET Awards 2025, além de Ury Vieira e Roberta de Razão. No sábado (15), além de Zeca Pagodinho, o público acompanha apresentações de Emicida, com a turnê Racional MCMV Tour, Urias, Fabriccio, O Kannalha e o projeto especial Budah Convida, reunindo a cantora capixaba ao lado de Duquesa, MC Luanna e Lourena. O encerramento, no domingo (16), reúne Maré Tardia, o encontro entre Rachel Reis e Marina Sena, além dos shows de Marcelo D2 e João Gomes. Criado em 2018, o Movimento Cidade consolidou-se como um dos principais festivais culturais do Espírito Santo ao unir música, audiovisual, artes urbanas e ações formativas. Em 2025, recebeu cerca de 100 mil pessoas e contou com apresentações de artistas como Pabllo Vittar, Marina Sena e Caetano Veloso. Para 2026, o tema escolhido é “Cidade são pessoas”, reforçando a proposta de valorizar a diversidade cultural e os encontros promovidos pelo festival. Serviço Festival Movimento Cidade 2026 – 8ª edição Data: 14, 15 e 16 de agosto de 2026 Local: Parque da Prainha, Vila Velha (ES) Sexta-feira (14) – Entrada gratuita mediante doação de 1 kg de alimento não perecível Shows: Roberta de Razão, Ury Vieira, Ajulliacosta e Gaby Amarantos Sábado (15) Shows: Zeca Pagodinho, Emicida, Urias, Fabriccio, O Kannalha e Budah Convida (Duquesa, MC Luanna e Lourena) Domingo (16) Shows: Maré Tardia, Rachel Reis com participação especial de Marina Sena, Marcelo D2 e João Gomes Ingressos: disponíveis pela plataforma Sympla.
Festival de Inverno une memória, cultura e sustentabilidade no Caparaó
Evento será realizado nos dias 7 e 8 de agosto, em Patrimônio da Penha, com programação gratuita que inclui cortejos, exposições, música, oficinas e a inauguração da Sala de Memórias do Armazém Multiverso A vila de Patrimônio da Penha, em Divino de São Lourenço, na região do Caparaó capixaba, recebe nos dias 7 e 8 de agosto a sexta edição do Festival de Inverno do Armazém Multiverso. Com o tema “A Máquina do Tempo: Memórias do Futuro”, o evento propõe uma reflexão sobre os caminhos da vida no campo, reunindo arte, cultura, memória, sustentabilidade e inovação em uma programação gratuita aberta ao público. Mais do que um festival cultural, o encontro convida moradores e visitantes a imaginar como será o futuro das comunidades rurais, abordando temas como produção de alimentos, tecnologias, energia, cultura, educação e formas de convivência em equilíbrio com a natureza. Um dos principais destaques desta edição será a inauguração da Sala de Memórias, novo espaço permanente do Armazém Multiverso dedicado à preservação da história e da identidade da região. O ambiente reunirá visitas mediadas, rodas de conversa, oficinas, exibições audiovisuais, apresentações artísticas e experiências sensoriais que conectam passado, presente e futuro. O espaço abriga uma antiga máquina beneficiadora de café, fabricada em 1953, que durante décadas foi utilizada no processamento da produção cafeeira de municípios como Divino de São Lourenço e Ibitirama. Restaurada e transformada em uma instalação artística inspirada nos princípios da Museologia Social, a estrutura deixa de beneficiar grãos para se tornar um instrumento de valorização da memória coletiva da comunidade. A programação do festival começa na sexta-feira (7), às 19 horas, com a inauguração oficial da Sala de Memórias, seguida de visita guiada, jam sessions, projeções audiovisuais e apresentações dos DJs Tupicaína e Ian. O espaço contará ainda com bar e cozinha funcionando durante toda a noite. No sábado (8), as atividades começam às 10 horas com o tradicional cortejo cultural pelas ruas e pela feira de Patrimônio da Penha. À tarde, o público poderá visitar a exposição Processos da Residência Artística, participar de visitas guiadas, conferir a Feira Multiverso e vivências culturais. A programação segue durante a noite com música, projeções, apresentações de DJs e o Baile do Juá. Antes mesmo do festival, o Armazém Multiverso promove uma Residência Artística que reúne artistas, pesquisadores, educadores e agentes culturais em uma imersão voltada à construção coletiva de projetos ligados à memória, ao território, à natureza e às tecnologias sociais. As atividades incluem oficinas, laboratórios criativos, rodas de conversa, exibição de filmes, trilhas, vivências e encontros com a comunidade. Realizado pelo Armazém Multiverso e pela Associação Permacultural Jacutinga do Caparaó, o Festival de Inverno conta com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Política Nacional Aldir Blanc, da Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult-ES) e do Ministério da Cultura. A Residência Artística tem patrocínio da EDP, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba. Serviço Festival de Inverno de Patrimônio da Penha Quando: 7 e 8 de agosto (Residência Artística com programação de 30 de julho a 6 de agosto) Onde: Armazém Multiverso, Patrimônio da Penha, Divino de São Lourenço (ES) Entrada: Gratuita Mais informações: Instagram @armazemmultiversocaparao
Herança verde: novas gerações impulsionam cafeicultura sustentável no ES
Jovens produtores apostam em inovação, manejo responsável e sucessão familiar para fortalecer uma cafeicultura mais competitiva e ambientalmente equilibrada Enquanto o mundo acelera o desenvolvimento de novas tecnologias, uma transformação igualmente importante acontece no campo. Nas propriedades rurais, a sucessão entre gerações vem acompanhada de uma nova forma de produzir, que combina tradição, inovação e responsabilidade ambiental. Cada vez mais, jovens agricultores investem em práticas sustentáveis capazes de preservar os recursos naturais, aumentar a produtividade e garantir competitividade para a cafeicultura capixaba. Esse movimento pode ser visto no Sítio Água Viva, em Nova Venécia, no noroeste do Espírito Santo. Desde 2010, a família Meneghetti cultiva alimentos orgânicos e possui certificação do Organismo de Controle Social (OCS), que atesta a produção orgânica destinada à venda direta ao consumidor. Além de frutas e hortaliças, a propriedade passou a investir também na produção de café conilon dentro de um Sistema Agroflorestal (SAF). A experiência vivida ao lado dos pais despertou em Sandro Gonçalves Meneghetti, de apenas 20 anos, o desejo de permanecer no campo e construir seu próprio projeto de vida. A aposta foi no café orgânico cultivado em sistema agroflorestal, conciliando a lavoura com outras culturas durante os primeiros anos de desenvolvimento do cafezal. “Decidi plantar café em um sistema de agrofloresta. Como a primeira colheita leva cerca de dois anos, nesse período conseguimos plantar hortaliças entre as linhas, como cebola e couve, garantindo renda até a produção começar”, explica o jovem produtor. A realidade vivida por Sandro representa uma tendência cada vez mais presente na agricultura. Em diferentes regiões do Espírito Santo, produtores têm incorporado práticas regenerativas e modelos produtivos que valorizam não apenas o volume da produção, mas também a origem dos alimentos, a conservação ambiental e a eficiência econômica das propriedades. Em Sooretama, no norte do Estado, o produtor Tiago Camiletti também encontrou na sustentabilidade uma oportunidade para inovar. Em uma área experimental, ele desenvolveu um sistema que integra o cultivo de café e pimenta-do-reino, promovendo benefícios ambientais e produtivos. “É uma área pequena, mas os resultados foram muito positivos. Houve aumento da biodiversidade de insetos, redução na necessidade de defensivos agrícolas, menor impacto ambiental e ainda benefícios relacionados à pegada de carbono”, afirma. Os resultados chamam atenção. Após quatro anos de pesquisas, a área experimental alcançou produtividade muito superior à média estadual. Enquanto o Espírito Santo registra, em média, entre 35 e 37 sacas de café por hectare, o sistema implantado por Camiletti produziu 120 sacas na primeira safra, chegando a 160 sacas por hectare na quarta colheita. Segundo o produtor, os números são resultado da combinação entre planejamento, escolha do material genético, preparo adequado do solo e manejo eficiente da lavoura. Ele ressalta, no entanto, que o objetivo não é estabelecer um padrão para todas as propriedades, mas demonstrar que existem alternativas capazes de elevar a produtividade de forma sustentável e economicamente viável. Para Camiletti, a sustentabilidade só faz sentido quando reúne equilíbrio entre os aspectos ambiental, social e econômico. “A cafeicultura sustentável precisa ser ambientalmente correta, socialmente harmônica e financeiramente viável. Não adianta preservar o meio ambiente se a atividade não gera renda para quem produz”, destaca. Essa transformação também é observada pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag). De acordo com a gerente de Projetos de Cafeicultura da pasta, Aline dos Santos Silva, o Espírito Santo consolidou sua posição como referência nacional e internacional na produção de cafés de qualidade graças aos investimentos em assistência técnica, pesquisa, inovação e organização da cadeia produtiva. Segundo ela, a sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência de mercado e passou a representar uma oportunidade de agregar valor ao produto, ampliar mercados e aumentar a rentabilidade das propriedades rurais. Aline destaca ainda que o fortalecimento da sucessão familiar tem sido decisivo para esse novo cenário. Muitas famílias incentivam os filhos a buscar formação técnica e universitária, permitindo que retornem às propriedades com novos conhecimentos em gestão, tecnologia, inovação e comercialização. Na prática, esse processo fortalece os empreendimentos familiares e amplia a capacidade de adaptação da cafeicultura às novas demandas do mercado. Para Tiago Camiletti, preparar a próxima geração também faz parte da sustentabilidade. Depois de enfrentar dificuldades durante a infância por crescer no meio rural, ele afirma que procura construir uma realidade diferente para seus filhos, valorizando a educação e mostrando que é possível construir uma carreira de sucesso na agricultura. Sandro compartilha dessa visão. Para ele, a convivência com a família e a troca de experiências foram determinantes para a decisão de permanecer no campo. “A troca de experiências influenciou muito na escolha do caminho que eu queria seguir e no projeto de vida que estou construindo”, afirma. Histórias como as das famílias Meneghetti e Camiletti mostram que a sucessão rural vai além da continuidade da propriedade. Ela representa a construção de uma cafeicultura mais moderna, inovadora e sustentável, em que conhecimento, tecnologia e respeito ao meio ambiente caminham lado a lado para garantir o futuro do agronegócio capixaba.
João Gualberto – “Um defeito de cor”
Nos últimos dias, li, encantado, o romance histórico que tem o título que dei à coluna hoje: Um Defeito de Cor, escrito pela premiada escritora Ana Maria Gonçalves, que ingressou, recentemente, na Academia Brasileira de Letras. É daqueles livros que são uma travessia: chega-se ao outro lado da viagem vendo a vida de forma diferente, em especial nos temas que foram tratados. É considerada uma das obras mais importantes da literatura brasileira contemporânea. A autora consegue, com maestria, traçar um perfil da escravidão e da vida dos escravizados no Brasil do século XIX, a começar pelo título. Em nosso período colonial, havia uma norma que exigia que pessoas negras ou mulatas, como se dizia na época, que desejassem participar da administração pública, do clero ou do exército precisassem solicitar uma “dispensa do defeito de cor” à Coroa, em ato feito de propósito para humilhar e fortalecer a supremacia branca no Antigo Regime. A obra narra a longa trajetória de Kehinde, uma mulher africana escravizada no Brasil do século XIX, em busca da afirmação de sua liberdade, e foi baseada na história real de Luísa Mahin, mãe do grande poeta e abolicionista Luiz Gama. A história se passa desde a sua infância no Daomé, onde nasceu em 1810, passando pela conquista de sua alforria até o seu retorno para a África, onde passa muitos anos até o fim de sua longa vida. Um recurso narrativo genial é fazer com que Kehinde, ou Luísa, nome que recebeu no batismo cristão, passe por muitas situações diferentes. Chega ao cativeiro aos 6 anos e traz para sempre todos os elementos da religiosidade africana de sua região, acentuados pela adoração que tem pela figura de sua avó, que a acompanha na viagem feita nas imundícies que eram os navios negreiros. Na Bahia, vai morar na Ilha de Itaparica, inicialmente na Casa Grande, ou na senzala pequena, como diz, e depois na senzala grande, junto com os demais escravizados. Duas perspectivas. Depois de violentada pelo Sinhô e ter um filho dele, foi alugada para trabalhar com uma família de ingleses. Aprende a falar a língua deles e entende as diferenças de tratamento daqueles que queriam o fim da escravidão brasileira. Depois, vira escrava de ganho, como se dizia à época, quando consegue comprar a sua alforria. Esse percurso permite à autora descrever de forma muito clara o que se passava nesses ambientes tão diferentes entre si. Podemos dizer que eram escravidões, com nuances e detalhes de cada grupo: africanos, crioulos, mulatos, alforriados ou mesmo os que estavam pagando as prestações de sua alforria, os quase libertos. É, entretanto, um romance, aliás, um bom romance. Então, não faltam cenas de muita emoção, sobretudo durante a Revolta dos Malês, da qual ela participa. Depois, tem que fugir; foi quando o português, pai de seu filho, o vende como escravizado, e ele deixa a Província da Bahia. Daí se inicia uma longa busca pelo filho, que a leva a São Sebastião do Rio de Janeiro, São Paulo e tem uma passagem pelo Maranhão. Termina indo para a África, onde é uma retornada. Lá convive e torna-se amiga de Domingos José Martins, filho do herói capixaba, um homem riquíssimo com o comércio escravocrata. O livro cria as situações para a autora exercitar a descrição da enorme perversidade que foi a escravidão brasileira e tangenciar a vida de vários cidadãos ilustres, como Joaquim Manoel de Macedo, autor de A Moreninha, ou Bartolomeu de Gusmão, o padre voador. É aí que vemos com clareza a profundidade da pesquisa realizada ao longo de cinco anos. No fundo, trata-se de recontar a história brasileira através do olhar de uma mulher negra, inteligente, bonita, destemida. O livro nos dá um outro olhar sobre as bases apodrecidas sobre as quais foram assentados os pilares da nossa sociedade tão desigual, racista, machista e centrada no elemento branco. A intolerância religiosa com os cultos de matriz africana é brutal. Proibidos de acreditar em seus deuses, ficam sem ter uma âncora imaginária para o seu sofrimento, obrigados a crer nos deuses dos que os massacravam. É preciso contar e recontar essas histórias. É preciso trabalhar contra a tentativa sempre presente de desqualificar tudo que pertence ao mundo africano. O que vemos no livro é a força da cultura que veio daquele continente e que ganhou uma expressão muito especial no Brasil. Há no Brasil uma África que nem em África existe, como tantas vezes nos chamou a atenção o grande africanólogo Alberto Costa e Silva, porque aqui foram forçados a se misturarem e criarem cultos, línguas, celebrações com base nos saberes de seus antepassados, mas recriados nas trágicas condições brasileiras.
Escolas da Grande Vitória receberão programa de educação ambiental voltado ao saneamento
Iniciativa da Aegea levará ações para estudantes, comerciantes e comunidades de Serra, Vila Velha e Cariacica, incentivando o uso correto da rede de esgoto e a preservação dos recursos hídricos Escolas, bares, restaurantes e comunidades de Serra, Vila Velha e Cariacica passarão a receber, a partir deste mês, uma série de ações de educação ambiental voltadas ao uso correto da rede de esgoto e à preservação dos recursos hídricos. A iniciativa faz parte do Programa de Educação Ambiental em Saneamento (PEAS), desenvolvido pela Aegea para incentivar práticas que contribuam para a saúde pública e a proteção do meio ambiente. No Espírito Santo, onde a empresa atua por meio de parcerias público-privadas (PPPs) com a Cesan, o programa será lançado em três eventos. A primeira apresentação acontece no dia 5 de agosto, na sede administrativa da Ambiental Serra. No dia 6, o lançamento será realizado no mezanino da Ambiental Vila Velha e, no dia 7, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Bandeirantes, em Cariacica. O PEAS foi estruturado em quatro eixos de atuação. O primeiro, Mobilizar, contempla o lançamento do programa, a realização de um Workshop de Negócios Sustentáveis e a formação de multiplicadores. O eixo Educar reúne atividades em escolas, capacitações para bares e restaurantes e conteúdos educativos em ambiente digital. Já o eixo Transformar promove ações de mobilização comunitária, a Blitz do Saneamento e o programa De Olho no Óleo, que incentiva o descarte correto do óleo de cozinha. O quarto eixo, Consolidar, será voltado à realização de eventos socioambientais e à avaliação dos resultados alcançados pelas ações desenvolvidas. Segundo a coordenadora de Responsabilidade Social da Aegea no Espírito Santo, Anna Júlia Carvalho, o programa busca aproximar a população das boas práticas relacionadas ao saneamento básico. “A mudança na relação das pessoas com o saneamento começa pela informação. O PEAS aproxima a companhia da comunidade e mostra, no dia a dia, o impacto de gestos simples, como o descarte correto do óleo”, destaca. Além de conscientizar sobre o uso adequado da infraestrutura de esgotamento sanitário, o programa pretende estimular mudanças de comportamento que contribuam para a preservação dos recursos naturais, a melhoria da qualidade de vida e a construção de cidades mais sustentáveis.
Cooperativismo fortalece projetos sociais em quatro municípios do Sul do ES
Doze instituições foram selecionadas pela Unimed Sul Capixaba para receber apoio entre 2026 e 2028, com iniciativas voltadas às áreas social, ambiental, cultural, esportiva e de inclusão A Unimed Sul Capixaba anunciou as 12 instituições selecionadas no Edital de Apoio a Projetos Socioambientais para o ciclo 2026–2028. As organizações, sediadas nos municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Marataízes, Castelo e Afonso Cláudio, receberão apoio da cooperativa para desenvolver ações voltadas ao fortalecimento das comunidades da região. Os projetos contemplados atuam em diferentes frentes, como proteção à infância, inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), assistência social, atendimento à população idosa, cultura, esporte, preservação ambiental e fortalecimento comunitário. A proposta do edital é ampliar o alcance de iniciativas que já desempenham papel relevante junto à população. Entre as instituições selecionadas estão a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Marataízes, com o Projeto Criança Feliz Brinquedo Sim; o Instituto de Educação Infantil e Apoio na Inclusão de Crianças com Transtorno do Espectro Autista (Unitea); o Instituto Nossa Senhora da Penha; a Liga Urbana de Streetball (LUSB); a ONG Caminhadas e Trilhas Preserve; a Associação das Crianças de Castelo (ACRIC); o Projeto Nossa Criança; a Casa Verde; o Ponto de Cultura Grupo Ela de Teatro; o Asilo Lar João XXIII; e a Associação Pró-Casa do Menino. De acordo com a diretora vice-presidente da Unimed Sul Capixaba, Grazielle Grillo, a iniciativa reforça o compromisso da cooperativa com o desenvolvimento regional e com a valorização das instituições que atuam diretamente nas comunidades. “São organizações que conhecem de perto a realidade das pessoas e desenvolvem ações capazes de gerar acolhimento, oportunidades e transformação social. Ao apoiar esses projetos, fortalecemos uma rede que contribui para uma sociedade mais inclusiva e sustentável”, destaca. Realizado a cada dois anos, o edital integra a política de responsabilidade social da cooperativa e estabelece um processo estruturado de inscrição, análise e seleção das propostas. O objetivo é direcionar recursos para projetos alinhados às diretrizes institucionais e com potencial de gerar impactos positivos nas áreas social, ambiental e comunitária. O edital, a retificação e o resultado final do ciclo 2026–2028 estão disponíveis na página institucional da Unimed Sul Capixaba. Durante os próximos dois anos, as instituições contempladas colocarão em prática as iniciativas apresentadas no processo seletivo, ampliando ações voltadas a crianças, jovens, adultos e idosos. Com o novo ciclo de investimentos sociais, a Unimed Sul Capixaba reafirma o compromisso de conectar os princípios do cooperativismo às necessidades das comunidades, transformando parcerias em oportunidades de inclusão, desenvolvimento e qualidade de vida.