Curta inspirado nos quatro dias em que o criador da Macakids ficou à deriva estreia em 26 de setembro, no Cinemark do Shopping Vitória Exatamente um ano depois de ser resgatado após passar quase quatro dias à deriva em alto-mar, o empresário Maikel Santos, criador da Macakids, verá a experiência que viveu chegar às telas do cinema. No próximo sábado (26), estreia no Cinemark do Shopping Vitória o curta de animação “Uma Aventura no Mar Sem Fim”, inspirado no episódio ocorrido em setembro de 2025. Com 13 minutos de duração, o filme será apresentado inicialmente em uma sessão para convidados e funciona como episódio piloto de um projeto que prevê uma série de 26 capítulos. A produção leva a história de sobrevivência para o universo infantil da Turma Macakids, formada por personagens que vivem na fictícia Ilha Macakids. Em setembro do ano passado, Maikel pilotava uma lancha durante uma pescaria com um amigo quando os dois desapareceram. Eles permaneceram quase quatro dias no mar, enfrentando falta de água potável, fome e condições adversas, até serem encontrados com vida próximos ao litoral do Rio de Janeiro. O caso mobilizou familiares, amigos e equipes envolvidas nas buscas e teve repercussão no Espírito Santo. Na animação, a experiência é adaptada para abordar temas como coragem, esperança, fé e superação. O curta utiliza cenários em 3D, trilha sonora original e contou com consultoria pedagógica para adequar a narrativa ao público infantil. O elenco de vozes reúne nomes da dublagem brasileira. Arthur Salerno interpreta Caco; Mauro Ramos, Macacreia; Claudio Galvan, Tonico e Baleia Balu; Bianca Alencar, Estrelinha Maitê; Bia Vasconcellos, Zuri; Laura Castro, Drika; Fernando Mendonça, Picareta; Lucas Gama, Rudá; e Oberdan Júnior, Babu. O próprio Maikel Santos participa da produção dando voz ao personagem Pelota. Parte dos dubladores estará em Vitória para a estreia. A exibição também coincide com o lançamento do Macakids Club, plataforma digital voltada para crianças e famílias. Disponível para Android e iOS, o serviço reúne vídeos, músicas, histórias, jogos e conteúdos educativos. A proposta inclui atividades relacionadas a português, matemática, história, inglês e inteligência emocional. Segundo a Macakids, a plataforma não terá anúncios e contará com recursos que permitem o acompanhamento dos responsáveis. A iniciativa amplia a atuação da marca, criada em Vitória há mais de uma década e que desenvolve desenhos, músicas, produtos licenciados e projetos voltados ao público infantil. Para Maikel, a escolha da data liga diretamente o novo projeto ao episódio vivido em 2025. “Há um ano eu estava vivendo uma situação que jamais imaginei enfrentar. Voltar para casa foi uma segunda chance e tenho muita gratidão a Deus por estar aqui. Hoje, poder transformar essa experiência em uma história para as crianças tem um significado ainda maior”, afirma. “‘Uma Aventura no Mar Sem Fim’ fala de fé, coragem, esperança e de não desistir, mesmo nos momentos mais difíceis. Ver tudo isso ganhar vida através da Turma Macakids é emocionante e também uma forma de compartilhar os valores em que acreditamos”, completa Maikel. Serviço Estreia: “Uma Aventura no Mar Sem Fim” Data: 26 de setembro de 2026, sábado Local: Cinemark – Shopping Vitória Sessão: exclusiva para convidados Duração: 13 minutos Projeto: episódio piloto de uma série prevista para 26 episódios Macakids Club: disponível para Android e iOS
Produtores de Vila Velha ampliam criação de tilápia e camarão da Malásia
Propriedades na região de Xuri investem em novos tanques e projetam aumento da produção aquícola Produtores rurais de Vila Velha estão ampliando a criação de tilápias e camarão da Malásia na zona rural do município. O avanço da atividade foi acompanhado durante uma visita técnica realizada na última sexta-feira (18) em propriedades da região de Xuri. A produção vem sendo desenvolvida após cerca de um ano de experiências e capacitações com consultoria do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Nesse período, produtores implantaram e aperfeiçoaram sistemas de criação de peixes e camarões em tanques. Uma das propriedades visitadas foi a de Ely de Oliveira, que estima alcançar uma produção de 27 toneladas de tilápia por ciclo de seis meses. Até o fim deste ano, a previsão é de que três toneladas estejam prontas para comercialização. Atualmente, a propriedade conta com cinco tanques circulares, três com 8,20 metros de dimensão e dois com seis metros. Segundo Ely, a estrutura começou a ser desenvolvida a partir de experiências realizadas com caixas d’água após a capacitação. O produtor pretende chegar a dez tanques e avalia também iniciar a criação de camarão da Malásia. Outro produtor de Xuri, José Luiz Helmer, mantém cinco tanques suspensos. Três são destinados à criação de camarão da Malásia e dois à produção de tilápias. A intenção é aperfeiçoar o sistema e aumentar gradualmente a capacidade produtiva. A visita reuniu técnicos das secretarias municipal e estadual de Agricultura e Pesca e da Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura. Entre os temas discutidos esteve a organização dos produtores em associações, considerada uma alternativa para facilitar o acesso a linhas de financiamento, programas de incentivo e políticas públicas voltadas à aquicultura. Foto: PMVV
João Gualberto – “Histórias capixabas”
Escrevi, há algumas semanas, uma crônica sobre o Tenente Evaristo, um policial sanguinário que andou apavorando o Espírito Santo no início do século passado. Na verdade, comentei o livro escrito por Ângelo Guarniello e publicado em 1904, sobre a presença do oficial da Polícia Militar no Rio Pardo, município capixaba que hoje se chama Iúna. Nele, são contadas muitas histórias acerca da perversidade desse personagem. O escritor teve mesmo que abandonar a cidade, onde seus livros foram queimados, e foi embora para o Paraná, onde ajudou a fundar a Academia de Letras. Era comum, aliás, no tempo dos coronéis, que agregados e capangas fizessem com violência o serviço sujo da política. Alguns tinham até cargos públicos na estrutura policial de então. Não era raro que bandos de jagunços armados, a soldo dos chefes políticos locais, cometessem muitas atrocidades. As façanhas do Tenente Evaristo, contadas no livro, eram bastantes comuns na época. Iúna, onde se passa a ação, teve seu território marcado pela violência e pelas mortes de mando. Falo isso porque morei na infância naquela cidade, onde meu pai foi juiz de direito, e tenho bem viva na memória os casos que lá ocorriam, tantos anos depois dos fatos protagonizados pelo terrível tenente da polícia militar. Paulo Cezar Dutra, experimentado repórter policial e jornalista político, andou pesquisando o tema e lembrou,em um de seus textos, de uma citação feita por Danuza Leão, em seu livro Quase Tudo, que conta, como ela mesma diz no título, quase tudo da sua vida. Um texto maravilhoso, leve como ela costumava escrever, que começa por sua infância parcialmente vivida no Espírito Santo. Ela diz no texto que a mãe dela se chamava Altina e tinha o apelido de Tinoca, e que o seu avô era italiano, que veio cedo para o Brasil com a família para tentar a sorte justamente em Rio Pardo, no Espírito Santo. Esse avô se chamava Braz Lofego e era comerciante no Rio Pardo. Ele tinha uma irmã chamada Nóbila, que também era italiana. Ela estava casada e com dois filhos, quando apareceu por lá o tenente Evaristo. A tia de Danuza se apaixonou por ele. Um dia, como a autoraregistra no livro, Nóbila sumiu. O irmão Braz jádesconfiava de alguma coisa, pegaram a estrada a cavalo, e, muitas léguas depois, encontraram quem buscavam e o fuzilaram no ato. Nóbila havia fugido do marido e da família com uma empregada, e a combinação era que ela e o Tenente se encontrariam em Cachoeiro, no único hotel da cidade, o que, em si, já era um escândalo para a época. Quando soube da notícia da morte do homem que amava, vestiu-sede preto, e para sempre. Nunca mais voltou para o marido, que cuidou dos filhos, nunca mais pisou na casa de nenhum parente, mas nunca deixou, lembra Danuza, de usar sapatos de salto alto. Uma pequena tragédia pessoal, mas que mostra muito bem o papel feminino no mundo dos coronéis. Essa mulher jovem, que ousou viver a sua vida, ficou reclusa até o seu último dia. O registro é que morreu em idade avançada. Quando a vingança mais dura se impôs em nome da honra, os irmãos de Nóbila não pensaram na sua dor, nem na de seus filhos. Era imperativa a vingança, pois honra se lavava com sangue. No mundo violento dos coronéis, essa era a lei; aliás, eles faziam as leis. Os bandos quando invadiam uma casa dos adversários políticos de seus chefes, matavam impiedosamente os homens e violentavam as mulheres. Um capanga de um líder do interior não matava mulheres, servia-se delassexualmente dias a fio. Como fez o Tenente Evaristo em vários episódios de sua curta, mas violentíssima vida.Essas histórias capixabas aproximam-se das outras que se passaram nos mais variados territórios brasileiros, em toda parte. O lado sofisticado dos velhos caciques políticos, os artigos que escreviam nos jornais republicanos, os discursos parlamentares, as práticas positivistas eram uma face mais visível do progresso, do desenvolvimento econômico. A outra face era a da violência como arma eleitoral e política, a da intolerância contra os padrões morais que alicerçavam a ordem. Essas histórias vão surgindo de forma fragmentada e são peças de quebra-cabeças que compõem o nosso imaginário social