O tema do momento é a reforma tributária — e prepare-se, porque vamos falar muito disso por aqui. Mas, nos bastidores, a pergunta que realmente não quer calar é outra: ainda vale a pena ficar no Brasil? Com a inflação em 4,05%, segundo o Boletim Focus, a taxa Selic na casa dos 15% e a discussão sobre a tributação de dividendos, o imaginário de quem tem patrimônio começa a voar mais longe. Afinal, sair do Brasil para pagar menos imposto é uma decisão estratégica ou uma armadilha bem disfarçada? Além de tratar das regras de saída fiscal da pessoa física, vou apresentar uma alternativa frequentemente debatida entre empresários: a estruturação fiscal da pessoa jurídica no Paraguai. É com essa provocação que inauguro nossos artigos semanais da Estratégia Tributária. Vamos direto ao ponto. Onde você mora e paga imposto (para o Leão) No Brasil, a residência fiscal não é definida apenas pela presença física, mas por um marco jurídico rigoroso. Compreender essa distinção é fundamental para evitar que um brasileiro, mesmo morando no exterior, continue sob o radar do fisco nacional. O residente fiscal brasileiro é tributado sobre a renda mundial, ou seja, tanto sobre os rendimentos auferidos no Brasil quanto no exterior. A legislação prevê dois cenários distintos de saída do país: 1. Saída em caráter permanente A condição de não residente nasce na data da saída física, desde que formalizada por meio da Comunicação de Saída Definitiva do País (CSDP). O efeito é imediato: encerra-se a tributação sobre a renda mundial, e o Brasil passa a tributar apenas os rendimentos produzidos em território nacional. Nessa hipótese, os valores recebidos no Brasil sofrem retenção do Imposto de Renda na Fonte (IRRF) antes do envio ao exterior. Trata-se de uma tributação definitiva, sem possibilidade de restituição. 2. Saída em caráter temporário Quando não há declaração inicial de intenção definitiva, a lei presume a manutenção da residência fiscal no Brasil por até 12 meses consecutivos fora do país. A condição de não residente somente se consolida a partir do 13º mês. O ponto de atenção é claro: estar fisicamente fora do Brasil não significa estar fora do sistema tributário. Sem a formalização adequada, o vínculo jurídico permanece, e o custo dessa omissão pode ser a tributação da renda brasileira e estrangeira à alíquota de até 27,5%. Prazos e obrigações relacionados à saída fiscal Independentemente da forma de saída, a legislação exige dois atos formais essenciais para garantir regularidade e segurança jurídica: 1. Comunicação de Saída Definitiva (CSDP): deve ser entregue até o último dia de fevereiro do ano seguinte ao da saída. É o aviso oficial ao fisco sobre a mudança de status fiscal. 2. Declaração de Saída Definitiva (DSDP): deve ser apresentada até o último dia de abril. Trata-se do balanço final como residente fiscal, consolidando rendimentos e patrimônio até a data da partida. O cumprimento desses marcos gera efeitos objetivos: cessação da tributação sobre rendimentos auferidos no exterior, tributação exclusiva na fonte dos rendimentos de origem brasileira e extinção da obrigação de entrega da declaração anual de ajuste como residente. O risco de “fingir” que saiu A ausência da CSDP e da DSDP mantém o contribuinte na condição de residente presumido. A Receita Federal atua com base na realidade econômica, e não apenas em documentos formais. A manutenção de imóveis disponíveis, contas bancárias ativas, gestão de empresas ou vínculos familiares relevantes no Brasil pode levar à desconsideração da suposta saída. O resultado prático é a exigência de imposto sobre a renda mundial, aplicação de multas elevadas — que podem chegar a 20% por não entrega da declaração e até 150% por não pagamento do imposto — além de uma insegurança patrimonial prolongada. O risco não está na legislação estrangeira, mas na forma como a desvinculação fiscal foi conduzida ou negligenciada no Brasil. Por que todo mundo fala do Paraguai? É fundamental destacar que somente após o correto encerramento da residência fiscal brasileira faz sentido analisar alternativas em outras jurisdições. Nesse contexto, o Paraguai se destaca por razões objetivas. A Lei nº 6.380/2019 consolidou no país o regime de tributação territorial da renda. Diferentemente do Brasil, o Paraguai tributa apenas rendimentos de fonte local. Ganhos produzidos fora do território paraguaio não integram automaticamente a base tributável, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. O sistema é direto, previsível e com baixa margem para interpretações expansivas por parte do fisco. A tributação da renda é simples e eficiente. O Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) incide sobre rendas locais à alíquota única de 10%, sem tabelas progressivas complexas. Para as pessoas jurídicas, a lógica é a mesma: tributação geral também de 10%. Esse desenho privilegia a previsibilidade e reduz significativamente o custo de conformidade. Para usufruir desses benefícios, é essencial compreender o processo de obtenção da residência paraguaia, regido pela Lei nº 6.984/2022. Inicialmente, é emitido o carnet de residente temporário, cujo processo leva entre 90 e 120 dias úteis. Somente após 21 meses de vigência dessa residência temporária é possível solicitar a residência permanente. No campo empresarial, além da alíquota reduzida, o Paraguai oferece um ambiente corporativo atrativo: menor burocracia para abertura e manutenção de empresas e encargos trabalhistas significativamente inferiores aos brasileiros. Isso cria um ecossistema de alta competitividade e baixo custo operacional. Para o empresário que busca uma base para atuação no mercado global, o Paraguai pode funcionar como um hub logístico e financeiro eficiente, permitindo maior acumulação de capital para reinvestimento no próprio negócio. Contudo, a estratégia precisa ser bem avaliada. Se a empresa paraguaia vender produtos ou serviços para o Brasil, a operação será caracterizada como exportação, sujeita à tributação na importação brasileira e, possivelmente, às regras de preços de transferência. Assim, a economia obtida na origem deve ser confrontada com os custos tributários e burocráticos na entrada no mercado brasileiro. Essa dinâmica reforça que a internacionalização exige cálculo técnico e análise de viabilidade. O benefício real surge quando a operação é desenhada para aproveitar a territorialidade paraguaia sem ignorar as barreiras fiscais brasileiras. Avaliar o
Comércio e serviços puxam retomada de crescimento do emprego formal no Espírito Santo
Setores criaram mais de 2,3 mil vagas com carteira assinada em novembro, impulsionados pela Black Friday. Número reflete o saldo entre admissões e demissões no mês O ritmo intenso das promoções e o aumento do consumo típicos da Black Friday voltaram a aquecer o mercado de trabalho capixaba no penúltimo mês do ano. Em novembro, o Espírito Santo registrou a criação de 1.009 empregos formais com carteira assinada, indicador do saldo entre admissões e demissões. O resultado reverteu o dado negativo observado em outubro (-183) e indica a retomada do crescimento do emprego no estado, puxada principalmente pelos setores de comércio e serviços. O comércio gerou 1.579 empregos formais em novembro, enquanto os serviços contribuíram com a criação de 732 novas vagas. Juntos, responderam por 2.311 postos de trabalho no mês, o que mostra o papel central dos setores na sustentação do dinamismo do mercado de trabalho capixaba. Apesar disso, três grandes setores da economia apresentaram mais desligamentos do que contratações. A indústria teve o pior resultado, com o encerramento de 800 postos de trabalho, seguida pela construção civil, que fechou 489 vagas, e pela agropecuária, com saldo negativo de 13 empregos. As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). “A Black Friday funciona como um gatilho importante para a retomada das contratações no fim do ano. O aumento do fluxo de consumidores exige reforço nos quadros das empresas, especialmente no comércio e nos serviços ligados à logística e ao atendimento”, avaliou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES. Na comparação interanual, o resultado capixaba também foi expressivo. Em novembro de 2024, o Espírito Santo havia criado apenas 155 vagas formais. Em 2025, o saldo do mês foi 854 empregos a mais. No acumulado de janeiro a novembro, o estado contabilizou a criação de 23.683 empregos formais, mantendo trajetória positiva ao longo do ano. Com o desempenho, o Espírito Santo passou a contabilizar 933.062 vínculos formais de trabalho, o que representa um crescimento de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2024. No período, os maiores avanços proporcionais foram registrados no comércio, com expansão de 2,5%, e nos serviços, com crescimento de 2,2%. Em termos absolutos, o setor de serviços liderou a criação de vagas entre novembro de 2024 e o mesmo mês de 2025, com 9.397 novos postos de trabalho. O comércio aparece na sequência, com 5.874 empregos criados no mesmo intervalo. Em novembro, das 1.579 vagas geradas pelo comércio, 1.444 foram concentradas no segmento varejista, o que representa mais de 90% do total. “O comportamento do comércio em novembro reflete uma sazonalidade típica do último trimestre do ano, quando as empresas ampliam suas equipes para atender ao aumento das vendas provocado pelas promoções e pelas festas de fim de ano”, explicou Spalenza. O setor de serviços também apresentou desempenho consistente em novembro, com a criação de 732 empregos formais. O principal destaque foi o segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, responsável por 391 novas vagas. Outro fator relevante foi o avanço das atividades ligadas à logística e ao transporte. O segmento de transporte, armazenagem e correio registrou a criação de 318 postos de trabalho. Regionalmente, a geração de empregos em novembro concentrou-se na Região Metropolitana da Grande Vitória. Vila Velha liderou o saldo positivo, com 402 postos de trabalho, seguida por Guarapari, com 365 vagas, Vitória, com 193, Viana, com 135, e Cariacica, com 113 empregos. Juntos, os municípios da Grande Vitória responderam pela criação de 1.252 postos no mês. No interior do estado, os principais destaques foram Cachoeiro de Itapemirim, com 177 empregos gerados, Anchieta, com 85, Venda Nova do Imigrante, com 64, e Pinheiros, com 60 vagas. A pesquisa completa pode ser acessada no site www.portaldocomercio-es.com.br. Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixabas – seja de forma física ou on-line –, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).
Comissões da Assembleia apresentam balanço de 2025. Confira como foi o trabalho
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) encerrou 2025 com uma atuação intensa e diversificada de seus colegiados, que somaram centenas de reuniões, audiências públicas, visitas técnicas e ações institucionais ao longo do ano. O trabalho envolveu as 18 comissões permanentes, quatro comissões especiais em funcionamento, duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e 40 frentes parlamentares ativas, das quais nove foram instaladas no ano passado. Dados consolidados pela Secretaria-Geral da Mesa (SGM) e pela Coordenação Especial das Comissões Temporárias e Órgãos Especiais apontam que, somente as comissões permanentes, realizaram 205 reuniões em 2025 — sendo 142 ordinárias e 63 extraordinárias. Como resultado dos trabalhos, foram emitidos 1.012 pareceres sobre matérias em tramitação na Casa. A Comissão de Justiça concentrou o maior volume de atividades, com 33 reuniões e 753 pareceres emitidos. Além da análise técnica das proposições legislativas, os colegiados também se destacaram pelo debate de temas de interesse da sociedade capixaba. Ao longo do ano, foram promovidas 25 audiências públicas, realizadas tanto na sede da Ales quanto em municípios do interior do Estado, abordando pautas como saúde, segurança pública, educação e acesso a direitos. A Comissão de Direitos Humanos liderou esse quesito, com a realização de 13 audiências. Os números divulgados no site da Ales. A atuação fiscalizatória também foi reforçada em 2025. As comissões permanentes realizaram 28 visitas técnicas para acompanhar obras e o funcionamento de serviços públicos, especialmente nas áreas de saúde e educação. A Comissão de Infraestrutura foi responsável por quase metade dessas agendas, com 13 visitas técnicas ao longo do ano. Os colegiados ainda promoveram 17 campanhas institucionais e sete sessões solenes. No campo dos colegiados temporários, as comissões especiais e frentes parlamentares registraram 15 reuniões deliberativas, além de 250 reuniões administrativas e 125 movimentações e outros atos oficiais. A Frente Parlamentar do Desenvolvimento Econômico e Inovação foi a que mais realizou reuniões deliberativas, com quatro encontros. Entre as frentes parlamentares, destacaram-se pelo volume de reuniões administrativas aquelas voltadas à defesa da liberdade econômica, do agronegócio, da valorização de categorias profissionais e de políticas públicas setoriais. Cada uma das frentes mais ativas somou dez reuniões administrativas em 2025. Já no quesito movimentações e atos oficiais, lideraram as Frentes da Micro e Pequena Empresa e do Empreendedorismo Capixaba e do Agronegócio e Desenvolvimento Ambiental, com oito registros cada. No âmbito das CPIs e comissões especiais, foram realizadas 33 reuniões extraordinárias ao longo do ano, além de duas ordinárias. A CPI dos Maus-tratos contra os Animais concentrou a maior parte dessas atividades, com 13 reuniões extraordinárias, reforçando o papel investigativo do Legislativo estadual em temas sensíveis à sociedade.
Arena de Verão 2026: Espaço Sabores Capixabas passa a ter atrações também às quartas
O Espaço Sabores Capixabas, integrado à Arena de Verão 2026, na praia de Camburi, amplia a programação e passa a contar com atrações musicais também às quartas-feiras a partir desta semana. A estreia da nova data acontece no dia 14 e marca o início da etapa temática dedicada aos frutos do mar, reforçando a proposta de valorizar a gastronomia e a cultura capixaba durante a temporada de verão. Com funcionamento a partir das 17 horas, o espaço reúne restaurantes e empreendedores locais que apresentam pratos típicos e releituras da culinária do Espírito Santo, sempre com foco em ingredientes regionais. A programação musical segue gratuita e aberta ao público, ampliando as opções de lazer para moradores e turistas que frequentam a orla de Vitória. Ao longo do mês de janeiro, o Espaço Sabores Capixabas recebe etapas temáticas gastronômicas. Nos dois primeiros fins de semana, o destaque ficou por conta dos botecos de Vitória, reunindo estabelecimentos tradicionais da capital. Agora, o protagonismo passa a ser dos frutos do mar, com receitas que celebram peixes, camarões e outros sabores característicos do litoral capixaba. Entre os dias 22 e 25 de janeiro, o espaço entra na etapa Cultura Capixaba, com pratos que refletem as diversas influências culturais do Estado. A programação contará com participantes de Vitória, da Grande Vitória e de municípios do litoral, reforçando a diversidade gastronômica e cultural do Espírito Santo. Para o secretário municipal de Turismo de Vitória, Luciano Forrechi, a ampliação da programação atende a uma demanda do público e fortalece ainda mais a Arena de Verão como um espaço ativo ao longo de toda a semana. Segundo ele, o Sabores Capixabas funciona como uma vitrine da gastronomia, da música e da hospitalidade capixaba, além de contribuir para o fortalecimento do turismo e da economia local. A Arena de Verão 2026 segue até o fim de janeiro com uma agenda diversificada, que inclui atividades esportivas, ações de lazer, eventos culturais e grandes shows nacionais no palco principal. Dentro desse contexto, o Espaço Sabores Capixabas se consolida como um ambiente de convivência, valorização cultural e estímulo ao empreendedorismo local. Programação musical – Espaço Sabores Capixabas Quarta-feira (14) • 19h – Banda 522 Quinta-feira (15) • 18h – Aulão de forró com o professor Wagner Lima • 19h – Mafuá Palco Arena 16/01 – Gabriel Sabadin e Thiago Aquino 17/01 – O Giro e Psirico 18/01 – Herança Negra e Lenine 23/01 – Picnic Dogs e Paralamas do Sucesso 24/01 – Ubando e Latino 25/01 – Banda Agitu’s (Conceição da Barra) e Banda Eva Serviço Espaço Sabores Capixabas – Arena de Verão 2026 Local: Praia de Camburi, Vitória Período: até 25 de janeiro Abertura dos restaurantes: 17h Atrações musicais gratuitas