O aumento de brasileiros em universidades fora do país expõe um problema ainda marcado por desinformação, burocracia e insegurança jurídica Nos últimos anos, acompanhei de perto o crescimento do número de brasileiros que decidiram buscar formação acadêmica no exterior. São estudantes movidos por sonhos legítimos, seja pelo acesso a universidades renomadas, mensalidades mais acessíveis em alguns países, experiências internacionais ou pela expectativa de ampliar oportunidades profissionais no Brasil. Mas, junto com esse movimento, também aumentou uma percepção equivocada que tem causado frustração em muitos profissionais. Existe uma falsa ideia de que concluir um curso fora do país garante automaticamente o direito de exercer a profissão no Brasil. E é importante esclarecer isso com responsabilidade, pois não podemos afirmar essa garantia. Muitas pessoas chegam ao meu escritório acreditando que basta traduzir documentos, apresentar certificados ou realizar apostilamentos para que o diploma passe a ter validade plena em território nacional — e não funciona assim. O diploma estrangeiro possui legitimidade acadêmica no país onde foi emitido, mas isso não significa que ele produzirá efeitos legais imediatos no Brasil. Tenho insistido nesse tema porque a desinformação ainda é enorme. A ausência de registro em plataformas ligadas ao Ministério da Educação não anula o diploma. Apesar de o documento continuar existindo, o problema está na eficácia jurídica e profissional dessa formação perante a legislação brasileira. Sem a devida revalidação, o profissional pode enfrentar impedimentos para assumir cargos públicos, participar de concursos, ingressar em determinadas áreas do mercado formal ou exercer profissões regulamentadas. E essa exigência não existe por mero excesso de burocracia. A legislação brasileira estabelece critérios específicos para garantir que a formação obtida no exterior tenha compatibilidade curricular, carga horária adequada e condições técnicas equivalentes às exigidas no país. Em áreas como medicina, enfermagem, odontologia, engenharia e direito, essa análise se torna ainda mais rigorosa porque envolve responsabilidades que impactam diretamente a sociedade. Falta de informação ainda gera prejuízos e insegurança O grande problema é que muitos estudantes só descobrem essa realidade depois de anos de investimento financeiro, dedicação pessoal e expectativa profissional. Já acompanhei casos de profissionais extremamente qualificados que retornaram ao Brasil acreditando estar aptos para atuar imediatamente e encontraram um processo lento, desgastante e, muitas vezes, desorganizado. A revalidação ainda enfrenta problemas estruturais importantes. Há demora excessiva nas análises, número reduzido de vagas nas universidades responsáveis pelo processo e exigências complementares que variam conforme cada instituição. Isso gera insegurança, ansiedade e, em alguns casos, prejuízos profissionais significativos. Também percebo uma confusão recorrente entre reconhecimento, registro e revalidação. São procedimentos distintos, com finalidades específicas, mas frequentemente tratados como se fossem a mesma coisa. Essa falta de clareza acaba alimentando falsas expectativas e aumentando o número de profissionais frustrados. Em profissões regulamentadas, atuar sem a devida regularização pode trazer consequências sérias. Não estamos falando apenas de uma questão administrativa. Existem implicações civis, éticas e até criminais dependendo da situação. Defendo, inclusive, que o debate sobre revalidação avance no país. O sistema precisa ser mais transparente, mais eficiente e menos desigual. Não é razoável que profissionais aguardem anos por uma resposta ou enfrentem critérios tão diferentes entre instituições públicas. Por isso, sempre oriento que o planejamento comece antes mesmo da matrícula em uma instituição estrangeira. É fundamental pesquisar se a universidade possui reconhecimento oficial no país de origem e quais são as reais possibilidades de revalidação no Brasil. Essa análise prévia pode evitar prejuízos financeiros e emocionais no futuro. Estudar fora pode ser uma experiência extraordinária e transformadora. Mas nenhuma decisão acadêmica deve ser construída apenas pela emoção ou pela promessa de facilidade. Quando o assunto é diploma estrangeiro, informação não é detalhe. É proteção jurídica, profissional e financeira. *Amarildo Santos é especialista em Direito do Magistério
Mais de 20 milhões de contribuintes ainda não entregaram declaração do IR
Prazo final termina no dia 29 de maio, às 23h59; veja quem é obrigado a declarar em 2026 Faltando poucos dias para o fim do prazo de entrega da Declaração do Imposto de Renda 2026, cerca de 20 milhões de contribuintes ainda não enviaram as informações à Receita Federal. Neste ano, a expectativa é de que sejam recebidas aproximadamente 44 milhões de declarações. O prazo termina no dia 29 de maio, às 23h59. A declaração de 2026 é referente aos rendimentos recebidos ao longo de 2025. Segundo a contadora e consultora tributária e de benefícios fiscais Emanueli Cristini, uma das dúvidas mais comuns envolve a nova faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês. “Muitas pessoas acreditam que não precisam declarar agora por causa da isenção implementada em 2026. No entanto, essa isenção somente será válida para a declaração de 2027, referente aos valores recebidos em 2026. A declaração de 2026 é referente aos valores de 2025. Portanto, quem recebeu mais de R$ 2.900,00 por mês no ano de 2025 precisa entregar a declaração agora em 2026”, explica. Os investidores também devem ficar atentos. De acordo com Emanueli, quem obteve ganho de capital com venda de ativos ou realizou operações no mercado financeiro pode estar obrigado a declarar, mesmo sem lucro. No caso da Bolsa de Valores, a obrigatoriedade vale para quem realizou operações cuja soma ultrapassou R$ 40 mil ou teve ganhos sujeitos à tributação. Quem possui investimentos no exterior também deve informar os valores à Receita. Com a Lei 14.754/2023, rendimentos de aplicações financeiras e lucros no exterior passaram a ser tributados à alíquota de 15% uma vez por ano, diretamente na Declaração de Ajuste Anual, sem necessidade de Carnê-Leão mensal. Investidores com mais de US$ 1 milhão no exterior também devem entregar a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior ao Banco Central. Veja três dicas para quem ainda não entregou a declaração: Caso utilize a declaração pré-preenchida, confira atentamente todas as informações com os informes de rendimentos, pois erros podem levar o contribuinte à malha fina. Não deixe para enviar na última semana. Instabilidades no gov.br podem dificultar a entrega dentro do prazo. Em caso de dúvida, procure um profissional da área contábil. Isso reduz o risco de erro e aumenta a segurança no preenchimento. A entrega fora do prazo gera multa mínima de R$ 165,74. A falta de envio também pode causar pendências no CPF, dificultando movimentações bancárias, inscrições em concursos, admissão em novo emprego e outras situações que exigem regularidade cadastral. Quem deve declarar o Imposto de Renda em 2026: Quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 em 2025; Quem obteve rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil; Quem teve ganho de capital sujeito à incidência do imposto; Quem realizou operações em Bolsa acima de R$ 40 mil ou teve ganhos sujeitos ao imposto; Quem obteve receita bruta acima de R$ 177.920,00 com atividade rural ou pretende compensar prejuízos; Quem tinha posse ou propriedade de bens e direitos em valor superior a R$ 800 mil; Quem passou à condição de residente no Brasil em 2025; Quem optou pela isenção do ganho de capital na venda de imóvel residencial para compra de outro imóvel no prazo de 180 dias; Quem optou por declarar bens de entidade controlada no exterior; Quem tinha, em 31 de dezembro de 2025, titularidade de trust regido por lei estrangeira; Quem teve rendimentos ou compensou perdas em aplicações financeiras no exterior; Quem recebeu lucros ou dividendos no exterior.
Parceria entre Shopping Vila Velha e ONG já garantiu novo lar para mais de 750 animais
A parceria entre o Shopping Vila Velha e a Associação Albergue Espaço Esperança segue transformando a vida de centenas de cães e gatos no Espírito Santo. Próximo de completar dois anos e meio no empreendimento, o tradicional evento de adoção de pets já garantiu um novo lar para 754 animais. Somente na última edição, realizada no dia 2 de maio, foram adotados 13 cães e 16 gatos. Diante do crescimento da procura e do engajamento do público, maio contará com uma edição extra da ação. O próximo evento acontece neste sábado (16), das 10h às 16h, no espaço Nossa Vila, localizado no Piso L1 do shopping. Segundo a gerente de marketing do Shopping Vila Velha, Kamilla Carvalho, a iniciativa vai além da adoção de animais e fortalece a conscientização sobre a causa animal. “Receber um projeto como esse no Shopping Vila Velha é motivo de muito orgulho para nós. Mais do que oferecer visibilidade para a causa animal, buscamos criar conexões reais entre os pets e famílias dispostas a oferecer um novo lar. Ver que mais de 750 animais já foram adotados ao longo dessa parceria reforça o impacto positivo que iniciativas como essa podem gerar para toda a comunidade”, destacou. De acordo com a Associação Albergue Espaço Esperança, os resultados positivos refletem o envolvimento do público e a visibilidade conquistada dentro do shopping, especialmente durante eventos de grande circulação, como o “Degusta Beer”, realizado há 10 anos no estacionamento do empreendimento. Os números mostram o avanço da iniciativa ao longo dos últimos anos. Em 2024, foram 170 animais adotados em sete eventos. Já em 2025, o total mais que dobrou, chegando a 365 adoções em 13 edições. Em 2026, a ação já contabiliza 248 animais adotados apenas nos cinco primeiros meses do ano, consolidando a iniciativa como uma das principais ações de incentivo à adoção responsável na Grande Vitória. Histórias que emocionam Entre as histórias marcantes está a da estudante Maria Olivia Hastenreiter Santos, de 24 anos. Ela descobriu, por meio de uma amiga, que um dos gatos disponíveis para adoção poderia ser Frederico, seu gatinho desaparecido desde fevereiro deste ano. O animal, preto e branco, havia sido resgatado ainda filhote dentro do motor de um carro. Mesmo com a residência protegida por telas, ele acabou fugindo enquanto Maria Olivia viajava e estava sob os cuidados dos pais, junto com outros quatro gatos. “Fiquei animada pela semelhança na aparência dos dois e logo mandei mensagem para o número, mas, infelizmente, não era ele. Só que, como eu já tinha feito o contato e gostamos muito dele, optamos por adotar praticamente na hora”, contou. Ela também destacou o cuidado adotado durante o processo de adoção. “Fico muito feliz por ser assim, porque animais são para pessoas realmente comprometidas e que vão cuidar deles. Não são brinquedos. Eles vão viver por anos com o adotante e merecem uma boa vida, ainda mais esses, que são resgatados de situações muito sofridas”, afirmou. Serviço Data: 16 de maio Horário: das 10h às 16h Local: Nossa Vila – Piso L1, Shopping Vila Velha