A automedicação, o uso inadequado de remédios e as dúvidas sobre a forma correta de tomar medicamentos ainda fazem parte da rotina de muitos brasileiros. Questões aparentemente simples, como ingerir comprimidos com café, reaproveitar medicamentos vencidos ou dobrar uma dose esquecida, podem comprometer a eficácia do tratamento e até representar riscos à saúde. Segundo o geriatra e superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, Roni Mukamal, muitas informações equivocadas sobre medicamentos continuam circulando no dia a dia e reforçam hábitos perigosos. “Mesmo medicamentos de uso comum exigem cuidados específicos. A forma de administração, a associação com outras substâncias e o respeito às doses prescritas fazem diferença tanto na eficácia quanto na segurança do tratamento”, explica. Para esclarecer algumas das principais dúvidas sobre o tema, o especialista lista mitos e verdades relacionados ao uso de medicamentos: 1 – Remédio deve ser tomado com água? Verdade. A água é a forma mais segura para ingerir medicamentos. Leite, café, bebidas alcoólicas e alguns sucos podem interferir na absorção e na eficácia de determinadas substâncias. 2 – Medicamentos com poucos dias após o vencimento ainda fazem efeito? Mito. Após o vencimento, não há garantia de eficácia e segurança. O medicamento pode sofrer alterações químicas e causar riscos à saúde. 3 – Bebidas alcoólicas podem interferir no tratamento? Verdade. O álcool pode potencializar efeitos adversos, reduzir a eficácia de medicamentos e provocar reações perigosas, especialmente em combinação com antibióticos e calmantes. 4 – Suplementos e chás podem ser usados normalmente junto com medicações, por serem considerados “saudáveis” ou “naturais”? Mito. Chás, suplementos e produtos naturais também podem interagir com medicamentos e provocar efeitos adversos. 5 – Dobrar a dose aumenta o efeito da medicação e acelera a recuperação? Mito. O uso acima da dose prescrita aumenta o risco de intoxicação e não garante melhora mais rápida dos sintomas. 6 – Medicamentos não utilizados ou vencidos não devem ser descartados no lixo comum? Verdade. O descarte incorreto pode contaminar o meio ambiente e causar acidentes domésticos. O ideal é procurar pontos de coleta em farmácias e drogarias. 7 – Esquecer de tomar o medicamento no horário prescrito permite dobrar a dose na próxima administração? Mito. Dobrar a dose pode causar intoxicações e alterar o tratamento. Em caso de dúvida, o ideal é procurar orientação profissional. 8 – Medicamentos líquidos agem de forma mais rápida que comprimidos Verdade. Os medicamentos líquidos ou em solução não passam pelo processo de dissolução dentro do organismo como os comprimidos e, por isso, costumam ter absorção mais rápida.
Capixabas brilham com primeiro e segundo lugares no Sul-americano de Kart no RS
Os capixabas Joaquim Emerick e Joaquim Medeiros foram os grandes destaques da categoria Cadete no 2º Campeonato Sul-americano de Kart 4 Tempos, realizado neste domingo (24), no Circuito Internacional Techspeed, em Nova Santa Rita (RS). Em uma chegada emocionante decidida por apenas quatro milésimos de segundo, Joaquim Emerick conquistou o título, seguido de perto por Joaquim Medeiros, garantindo a dobradinha capixaba na competição. Outro destaque do Espírito Santo foi Miguel Emerick, irmão de Joaquim, que terminou na quarta colocação da categoria Mirim. Joaquim Emerick comemorando o título O kartismo sul-americano viveu mais um dia especial com a realização da competição organizada pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), com apoio da Federação Internacional de Automobilismo. A edição deste ano reuniu mais de 140 inscrições e pilotos de seis países na pista gaúcha. Correndo em casa, os brasileiros confirmaram o favoritismo e dominaram todos os pódios da competição. As provas foram acompanhadas pelo presidente da CBA, Giovanni Guerra, além de representantes das federações do Uruguai e da Argentina. Joaquim Medeiros comemorando a 2ª colocação A programação de domingo começou com a categoria Mirim, marcada por intensa disputa e troca de posições. Na última volta, Felipe Saddi, de apenas oito anos, conseguiu uma ultrapassagem dupla para garantir o título. Miguel Faccio terminou em segundo e José Arthur completou o pódio. Miguel Emerick fechou a corrida na quarta colocação, muito próximo dos líderes. Na F4 200, a vitória ficou com Alain Sisdeli, seguido por Cesar Ramos, piloto da Stock Car Pro Series, e João Cunha. Os pilotos da Cadete protagonizaram uma das corridas mais emocionantes do fim de semana. Joaquim Emerick, de 10 anos, venceu após cruzar a linha de chegada apenas quatro milésimos de segundo à frente de Joaquim Medeiros. Murilo Dominguez completou o pódio. Na F4 Master, Bruno Grigatti chegou ao bicampeonato da competição. Campeão da edição de 2025, no Uruguai, ele largou em quarto, assumiu rapidamente a liderança e venceu com vantagem sobre André Nicastro e Giulliano Forcolin. Com 25 karts no grid, a F4 Júnior teve vitória de Arthur Machado, de 13 anos, seguido por Arthur da Rocha e Antonio Claro. A F4 Sênior, que contou com o maior grid do evento, com 36 karts, também teve uma chegada eletrizante. Olin Galli venceu com apenas sete milésimos de vantagem para Enzo Prando. Murilo Fiore terminou em terceiro. Fechando a programação, André Nicastro conquistou o título da F4 Grand Master após liderar a prova desde a largada e abrir mais de cinco segundos de vantagem sobre Alessandro Marchini. Flaviano Ramos completou o pódio. O Sul-americano de Kart 4 Tempos integra um movimento continental que reúne entidades de 11 países da América do Sul, com o objetivo de fortalecer o kartismo na região. Comemoracão Família Emerick (KMCom / DarkSide Karts) “Muito feliz de ganhar meu primeiro título internacional e representar o Brasil. Isso é muito especial pra mim e pra minha família. Foi uma corrida muito difícil, mas consegui passar todo mundo na última volta”, comemorou o Campeão Sul-americano de Kart 4T, Joaquim Emerick, logo após subir ao lugar mais alto do pódio no Circuito Internacional Techspeed. Miguel Emerick na pista (KMCom / DarkSide Karts) Depois da cerimônia de premiação, os irmãos Emerick celebraram um fim de semana histórico para o kartismo capixaba. Agora, Miguel e Joaquim fazem as malas com os troféus na bagagem e retornam ao Espírito Santo para comemorar ao lado dos amigos e familiares essa conquista continental histórica.
Inclusão à beira-mar: Praia Sem Barreiras supera 200 atendimentos na Serra em 2026
Mais de 200 experiências de inclusão e lazer já foram proporcionadas pelo projeto Praia Sem Barreiras, na Serra, somente nos primeiros meses de 2026. O balanço da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (Setur), referente ao período entre janeiro e abril, mostra o alcance social da iniciativa voltada para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Mais do que garantir o banho de mar assistido, o projeto oferece acolhimento, convivência e acessibilidade, permitindo que os participantes aproveitem a praia com mais autonomia, segurança e qualidade de vida. A proposta também inclui atividades de integração, jogos e rodas de conversa, promovendo momentos de lazer e socialização à beira-mar. O Praia Sem Barreiras acontece aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 15h, na orla de Jacaraípe. A estrutura disponibiliza tenda de apoio, cadeiras anfíbias, espaço de convivência, pontos de hidratação, chuveiro e banheiros acessíveis para atender os participantes e seus acompanhantes. Todo o atendimento é realizado por uma equipe formada por professores de Educação Física e guarda-vidas, responsáveis pelo suporte e segurança durante as atividades no mar. O projeto é desenvolvido de forma intersetorial pela Prefeitura da Serra, com participação das secretarias de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (Setur), Saúde (Sesa), Defesa Social (Sedes), Assistência Social (Semas), Direitos Humanos e Cidadania (Sedir) e Serviços (Sese). A secretária de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer da Serra, Wanessa Bruno, destacou a importância da iniciativa para o município. “O Praia Sem Barreiras é um projeto que transforma vidas e promove inclusão de verdade. Cada banho de mar representa liberdade, felicidade e pertencimento para os participantes e suas famílias. Nosso compromisso é garantir que todos possam aproveitar os espaços públicos com dignidade, segurança e acolhimento”, afirmou.
João Gualberto – “Lacy Ribeiro”
Foi publicado, nos primeiros meses deste ano de 2026, portanto recentemente, o livro Lacy Ribeiro: obras completas, tendo como coordenador da edição o professor Francisco Aurelio Ribeiro e, como editor, o escritor e jornalista José Barreto Mendonça. Um trabalho primoroso sob todos os aspectos, que mostra a dedicação de dois estudiosos e amigos da grande escritora, que foi brutalmente assassinada, há 13 anos, aos 64 anos, em sua casa, num bairro da Serra. O delegado aposentado José Barreto escreveu um outro livro, em 2023, chamado Quem Matou Lacy Ribeiro? A policial civil e escritora capixaba assassinada em 03/01/2013, que contém, na capa, outra pergunta: crime de latrocínio ou de amor bandido? Na narrativa policial investigativa, o autor faz um levantamento minucioso da morte de Lacy, que merece ser lido pelos que se interessam pela vida e pelas obras dela. Um bom trabalho. É um relato vigoroso das inúmeras contradições que cercam o processo e da demora de 10 anos em descobrir os assassinos. Há lapsos demais para serem apenas questões burocráticas que retardaram a descoberta da autoria do crime bárbaro; afinal foram 13 facadas, uma delas no pescoço, onde a lâmina quebrou e ficou enterrada. Muito bem fez o ex-delegado ao levantar muitas questões que tiveram como resultado a elucidação do crime. A coletânea, que inclui toda a produção de Lacy Ribeiro em um livro de 499 páginas, foi conduzida pelo professor Francisco Aurelio, que também é o autor de um prefácio muito esclarecedor, no qual situa, no tempo e na vida literária do Espírito Santo, a importância da obra que ele reuniu e organizou. Nele, ficamos sabendo que ela nasceu em Barra de São Francisco, em 1948, tendo vindo para Vitória para trabalhar e estudar aos 16 anos, chegando aqui no fatídico 31 de março de 1964, data de péssima memória, pois foi o dia em que os militares deram o seu golpe, que nos privou de liberdade, instituiu a censura, prendeu e matou em pavorosas sessões de tortura. Lacy tornou-se adulta no mesmo momento em que o Brasil mergulhava em trevas, e isso marcou enormemente a sua obra. Além disso, nos anos 1960 e 1970, Vitória foi palco de uma mudança muito grande em seu tecido social. Antes, concebida ao longo da Primeira República pelas elites capixabas para ser a sua “cidade presépio”, foi invadida, em seus mangues e morros, por uma massa miserável e faminta. Todo esse universo em transformação foi captado de forma extraordinária pela autora. O Avenida República: Diário da Madrugada é uma obra maior dentro da coletânea. Publicada em 1987, mostra uma cidade já transformada pela presença dessa nova legião de moradores. Fernando Tatagiba, outro grande escritor dessa fase, amigo de Lacy, registra, na orelha da primeira edição do livro, que ela mergulha fundo no dia a dia da cidade, mostrando uma outra avenida que não é vista pelos olhos da nossa burguesia. É a passarela dos marginais, homossexuais, prostitutas, pedintes, meninos perdidos. Para ele, trata-se de um livro que mostra paixão pela cidade de Vitória, um pulo profundo na ferida exposta que ninguém quer ver ou aceitar. Entretanto, acredito que o ponto alto dessa incrível coletânea de romances, poesias e contos de Lacy Ribeiro seja o seu último trabalho: Paixão de Cárcere, no qual mostra as entranhas de sua paixão por um detento, um depoimento autobiográfico corajoso, que revela as intimidades de seu amor com um homem encantador e, ao mesmo tempo, muito perverso. Ela o chama, no romance, de “enxugador de lágrimas”. Isso porque ele primeiro provoca um clima de violência e agressão, verbal ou não, e depois se desculpa e enxuga as lágrimas que provocou. Todos nós conhecemos esses tipos. Ela foi ao céu e ao inferno várias vezes com essa sua paixão. A leitura do livro nos prende e encanta, mas, ao mesmo tempo, nos mostra como é difícil vencer uma quase loucura. O prisioneiro, pintor sensível e homem cortejador e cortês, tem muitas faces, contraditórias. Foi condenado por ter matado, de uma empreitada, 29 pessoas ligadas ao tráfico em Belo Horizonte, a mando de um grupo rival. Foi assim que veio para o Espírito Santo, onde continuou a cometer crimes de várias ordens: roubos, tráfico e assassinatos. Esse amor bandido, intenso e mortal, faz do romance de Lacy uma obra viva, pujante e cheia de realidades. Um grande livro, mas não o único brilhante de toda a coleção, que merece ser lida pelos que gostam de entender a profundidade da alma humana.