O Brasil registrou um crescimento econômico pujante no primeiro trimestre deste ano. Depois do desapontamento com a taxa de expansão do PIB ter recuado para 0,3% no último trimestre de 2025, a economia voltou a recuperar-se com maior força neste início do ano, colhendo uma taxa de 1,1% em relação ao trimestre anterior e de 1,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, situando-o entre os países que mais cresceram neste período. Não sem motivo, vozes otimistas do governo voltaram a apostar numa expansão superior a 2% em 2026, embora o mercado continue se mostrando mais cauteloso apontando para uma expansão de 1,9%, de acordo com o Boletim Focus de 01 de junho. O desempenho de seus componentes indica que isso foi possível pela maior força da demanda interna. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 1% na comparação trimestral, impulsionado pela expansão da renda, do crédito e pela manutenção de um mercado de trabalho aquecido, com uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos. Já a formação bruta de capital fixo (FBKF), que mede os níveis de investimentos, conheceu uma alta de 3,5%, embora a taxa de investimentos continue baixa, no patamar de 16,5% do PIB, quando se considera a sustentabilidade deste crescimento. Já a contribuição externa foi negativa, com as exportações contraindo-se 1% e as importações crescendo 4,4%. Pelo lado da oferta, as maiores contribuições vieram da agropecuária, com uma expansão de 2%, da indústria, com 1%, com destaque para a indústria extrativa, que cresceu 3,5%, e a indústria de construção civil, 2,9%. A indústria de transformação registrou, por sua vez, estabilidade, mas uma contração de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado, muito devido à permanência de taxas de juros extremamente elevadas. Já o setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB, expandiu-se 0,5% nessa mesma comparação. Considerando as turbulências do cenário internacional e as dificuldades que o Brasil enfrenta internamente na atualidade, estes números são apreciáveis, revelando a resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho a esses problemas, ainda que nuvens da desaceleração já sejam visíveis. Mas o otimismo, comum em membros do governo, principalmente em ano de eleições, os tem levado a apostar numa rápida aceleração no segundo semestre propulsionada pela flexibilização monetária e a recuperação gradual da indústria de transformação. Existem, no entanto, não poucas forças que apontam em direção contrária. Ainda que a expectativa que estava se formando de que a taxa de juros no Brasil deve continuar em queda, injetando ânimo no consumo e no investimento, o cenário atual é de incerteza sobre esse fato. Não somente a guerra Estados Unidos/Israel contra o Irã não dá mostras de chegar ao fim, continuando a gerar impactos sobre a inflação no mundo, como essa, no Brasil, retornou à trajetória de alta, com as expectativas do mercado voltando a projetá-la em 5,09% para 2026, superior, portanto, ao teto da meta de 4,5% para o ano. Não se pode esperar, diante disso, que o Banco Central, dado o seu conservadorismo em termos de política monetária, continue mantendo a taxa de juros numa trajetória de queda. Para agravar este quadro, a nova investida de Trump contra o Brasil, com a elevação das tarifas impostas sobre as exportações para os Estados Unidos, muito provavelmente influenciado pela família Bolsonaro, deve colocar ainda mais lenha na fogueira inflacionária, ao atiçar negativamente as expectativas dos agentes econômicos sobre o futuro da economia. Mas não é só. É crescente, também, a desconfiança do mercado sobre as contas públicas. Até o mês de abril, o governo geral cruzou a temida barreira da relação dívida bruta/PIB dos 80%, com a dívida líquida (DLSP), ou seja, descontados os ativos do governo, atingindo 67,4%. Na metodologia do FMI, que inclui nessa contabilidade a carteira livre do Banco Central, essa relação pulou para 93,1%, com projeção de que atingirá 100% no final do ano. Como não há perspectiva de sua redução, já que praticamente não se tem gerado superávits primários, vai se tornando cada vez mais difícil tanto sua administração como convencer os agentes econômicos de que o país terá condições de pagá-la. Além disso, o número de pessoas endividadas no Brasil, que chegou à impressionante casa de 82,8 milhões até março, o maior da série histórica da Serasa, aparece como mais um dado que revela a perda de força do consumo das famílias para continuar garantindo o crescimento econômico. Mesmo com o governo criando o Novo Desenrola (chamado de Desenrola 2.0) para “tirar a corda do pescoço dessa gente”, nas palavras de Lula, visando dar-lhe condições de novamente ir às compras, são evidentes os limites colocados para este componente do PIB, que responde por algo em torno de 65% de seu total, de continuar mantendo a economia mais aquecida. É mais provável que a desaceleração do segundo trimestre continue firme. *Fabrício Augusto de Oliveira é Doutor em Economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “A revolução marginalista neoclássica: o agente racional na história do pensamento econômico”, publicado, em 2026, pela Editora Contracorrente.
Governo envia PEC para adequar Constituição capixaba às novas regras da Reforma Tributária
O Governo do Espírito Santo encaminhou à Assembleia Legislativa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 1/2026, que promove uma série de alterações na Constituição Estadual para adequar a legislação capixaba às mudanças previstas pela Reforma Tributária nacional. O texto será lido na sessão ordinária desta segunda-feira (8) e inicia sua tramitação no Legislativo. A proposta tem como principal objetivo alinhar as normas estaduais às diretrizes estabelecidas pela Emenda Constitucional 132/2023, responsável por reformular o sistema de tributação sobre o consumo no Brasil. Entre as principais mudanças está a substituição gradual do ICMS, de competência estadual, e do ISS, arrecadado pelos municípios, pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que terá gestão compartilhada entre estados e municípios. Segundo o Executivo estadual, a medida busca modernizar o sistema tributário, tornando-o mais simples, transparente e eficiente. A reforma também pretende reduzir distorções históricas, ampliar a base de arrecadação e diminuir práticas relacionadas à chamada guerra fiscal entre os estados. Outro ponto importante do novo modelo é a adoção da tributação no destino, fazendo com que a arrecadação ocorra no local onde o produto ou serviço é consumido. A proposta também reforça o princípio da não cumulatividade, evitando a cobrança em cascata ao longo da cadeia produtiva. A PEC prevê diversas alterações na Constituição Estadual. Entre elas estão a inclusão dos princípios da simplicidade, transparência, justiça tributária e defesa do meio ambiente, além da criação de regras mais rigorosas para concessão de benefícios fiscais e a atualização dos critérios de repartição de receitas entre Estado e municípios. O texto também contempla mudanças em tributos já existentes, como a revisão das regras de progressividade do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e a ampliação da incidência do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para embarcações e aeronaves, observadas as exceções previstas na legislação. Além disso, a proposta cria dispositivos específicos para regulamentar o funcionamento do IBS no âmbito estadual, incluindo aspectos relacionados à incidência, estrutura e distribuição da arrecadação. O período de transição entre o sistema atual e o novo modelo está previsto para ocorrer até 2032. A proposta também incorpora medidas de caráter social e ambiental. Entre elas estão mecanismos que permitem a devolução de tributos para famílias de baixa renda e incentivos voltados à produção e utilização de biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão de carbono. Outro destaque é a previsão de alíquota zero para produtos da cesta básica nacional, conforme regras já estabelecidas na legislação federal e com vigência prevista a partir de 2027. Na justificativa encaminhada à Assembleia, o Governo do Estado afirma que a proposta não gera impacto direto nas contas públicas, nem aumento de despesas ou renúncia de receitas, conforme declaração apresentada nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Para ser aprovada, a PEC precisará passar por votação em dois turnos no plenário da Assembleia Legislativa, com apoio mínimo de 18 deputados em cada etapa. Caso obtenha o quórum necessário, a proposta será promulgada e passará a integrar a Constituição do Espírito Santo.
Ferraço intensifica agendas no interior com entregas e anúncios de investimentos
O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, cumpriu nesta sexta-feira (5) uma extensa agenda no interior do Estado, com inaugurações, entregas e anúncios de investimentos que somam mais de R$ 150 milhões nas áreas de infraestrutura, segurança pública, educação, habitação, assistência social e agronegócio. As ações ocorreram nos municípios de Santa Maria de Jetibá (foto acima), na Região Serrana, e Irupi, no Caparaó. Durante as agendas, o governador destacou a parceria entre Estado e municípios para impulsionar o desenvolvimento regional e melhorar os serviços oferecidos à população. Em Santa Maria de Jetibá, uma das principais entregas foi a instalação da 21ª Companhia Independente da Polícia Militar, que passa a atender os municípios de Santa Maria de Jetibá, Itarana e Itaguaçu. A medida integra a reorganização da estrutura da corporação e busca ampliar a capacidade operacional da PM, aproximando o comando das demandas locais. Na área de infraestrutura, Ferraço assinou a ordem de serviço para revitalização da Rodovia ES-264, no trecho entre Alto Lajinha e o Centro de Santa Maria de Jetibá. Com extensão de 56,58 quilômetros, a obra contará com investimento superior a R$ 57 milhões e beneficiará também os municípios de Afonso Cláudio e Domingos Martins. O Governo do Estado também entregou 123 títulos de propriedade a famílias dos bairros Vila Nova e Vila Jetibá, dentro do programa Morar Legal. A iniciativa garante segurança jurídica às famílias e integra um projeto que já regularizou 428 lotes no município. Outra frente de investimentos anunciada em Santa Maria de Jetibá foi voltada ao agronegócio. O governador autorizou a doação de uma área pública de 200 mil metros quadrados para a implantação de uma unidade industrial de abate e processamento de galinhas de postura comercial. O empreendimento privado prevê investimento de R$ 25 milhões e capacidade para processar até 50 mil aves por dia. Ferraço também assinou um projeto de lei que autoriza a utilização e a transferência de créditos acumulados de ICMS por avicultores e suinocultores capixabas. A medida busca estimular investimentos, modernização das atividades produtivas e fortalecimento das cadeias da avicultura e da suinocultura. Comitiva do Governo em Irupi, com a presença do lideranças e do ex-governador Renato Casagrande Já em Irupi, no Caparaó, o governador inaugurou as obras de pavimentação da Rodovia ES-379, que liga o município ao entroncamento da ES-185, em Iúna. A obra, executada pelo DER-ES, recebeu investimento de R$ 87 milhões e contempla 25,5 quilômetros de extensão, além da pavimentação da variante de Santa Cruz. A agenda em Irupi incluiu ainda a entrega da reforma da Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral Professora Nelci Gomes da Costa, realizada por meio do Programa Capixaba de Fomento à Implementação de Escolas Municipais de Ensino Fundamental em Tempo Integral (Proeti), com aporte de aproximadamente R$ 1,5 milhão. Na educação, também foram autorizadas as licitações para construção de uma Escola Polo e de um novo Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), com investimentos superiores a R$ 8 milhões por meio do Funpaes. O município recebeu ainda anúncios de aproximadamente R$ 3 milhões destinados à assistência social. Entre as ações estão a entrega do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), a construção de um novo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, a reforma do Cras, instalação de uma Brinquedopraça e repasses para entidades assistenciais locais. Segundo o governador, os investimentos reforçam a estratégia de interiorização das ações do Governo do Estado, promovendo melhorias na infraestrutura, fortalecimento da economia regional e ampliação dos serviços públicos para a população capixaba.
Obras do Binário da Rodovia do Sol avançam com mudança da rede elétrica em Vila Velha
As obras do Binário da Rodovia do Sol, em Vila Velha, entraram em uma nova etapa nesta semana com o início do remanejamento da rede elétrica em um dos trechos que passam por intervenções viárias. A concessionária EDP começou a instalar 30 novos postes na altura da faculdade Multivix e do Boulevard Shopping, na Rodovia do Sol. Os serviços tiveram início na terça-feira (2) e são realizados diariamente entre 10h e 17h. Após a instalação das novas estruturas, a concessionária fará a transferência da rede elétrica existente para os novos postes e, posteriormente, a retirada dos equipamentos que atualmente se encontram na área onde será ampliada a pista. A intervenção integra o conjunto de obras do chamado Binário Sul, projeto que busca melhorar a mobilidade urbana na região e ampliar a capacidade de tráfego em um dos principais corredores viários do município. De acordo com a EDP, o trabalho está sendo executado em alinhamento com a Prefeitura de Vila Velha e segue os procedimentos estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), com foco na segurança operacional durante toda a execução dos serviços. Durante as atividades, o trânsito sofrerá apenas impactos pontuais, com interdições parciais e bloqueios momentâneos de uma faixa. A retirada dos postes permitirá a implantação de quatro faixas de rolamento no trecho da Rodovia do Sol, no sentido Centro-Barra do Jucu, nas proximidades da Multivix e do Boulevard Shopping.
João Gualberto – “Os empresários e as eleições de 2026”
Durante muito tempo, os empresários foram retratados pela sociedade de forma caricata, como personagens movidos exclusivamente pela busca do lucro e pela exploração do trabalho. Essa imagem, presente em obras literárias e cinematográficas de diferentes épocas, refletia uma realidade em que os limites para a exploração das pessoas e dos recursos naturais eram, de fato, muito mais tênues do que são hoje. A sociedade, no entanto, passou por profundas transformações. O avanço da participação feminina em diferentes espaços, a ampliação do respeito às diversidades étnicas, culturais e de gênero, além do fortalecimento de pautas ligadas aos direitos humanos e à sustentabilidade, demonstram que o desenvolvimento contemporâneo está baseado em novos valores. O mundo mudou e, em muitos aspectos, evoluiu para uma convivência mais equilibrada e inclusiva. É verdade que alguns países enfrentam movimentos de resistência a essas mudanças. Em determinados setores da sociedade, surgem reações que tentam resgatar visões ultrapassadas sobre relações sociais, direitos e comportamentos. No entanto, esses movimentos representam, em grande medida, uma tentativa de interromper transformações que já se consolidaram e que tendem a avançar ao longo do tempo. Uma das manifestações mais preocupantes dessa resistência é a violência contra a mulher. O feminicídio, por exemplo, revela a dificuldade de alguns indivíduos em aceitar relações mais equilibradas e respeitosas. Trata-se de um problema grave, que desafia a sociedade e reforça a necessidade de seguir promovendo valores que fortaleçam a igualdade e o respeito entre as pessoas. Nesse contexto de mudanças, empresas e organizações também vêm se adaptando. O ambiente empresarial moderno busca conciliar competitividade com responsabilidade social, criando espaços mais saudáveis para o trabalho, a inovação e o desenvolvimento coletivo. As entidades representativas do setor produtivo acompanham esse processo e vêm atualizando suas formas de atuação para responder aos desafios contemporâneos. No Espírito Santo, diversas instituições empresariais têm desempenhado papel relevante nesse movimento. Ao longo das últimas décadas, essas organizações se mobilizaram em torno de pautas voltadas à melhoria do ambiente econômico, da gestão pública e da qualidade de vida da população. Em momentos decisivos da história recente do Estado, atuaram na defesa da transparência, da responsabilidade fiscal e do fortalecimento das instituições. Essa participação foi fundamental para a construção de uma cultura de planejamento de longo prazo. Desde o início do ciclo de desenvolvimento liderado por Paulo Hartung, passando pelas gestões seguintes, o Espírito Santo consolidou uma tradição de elaboração de estratégias construídas em conjunto com a sociedade. Iniciativas como o ES 2025 e, mais recentemente, o Espírito Santo 500 Anos representam exemplos dessa visão compartilhada de futuro. Esses planos reúnem contribuições de diversos segmentos sociais e contam com o apoio técnico de instituições especializadas, financiadas por entidades empresariais e outros parceiros. O resultado tem sido a definição de metas e diretrizes que ajudam a orientar políticas públicas e investimentos em áreas fundamentais, como educação, saúde, segurança e infraestrutura. Os avanços conquistados pelo Espírito Santo nos últimos anos não são fruto do acaso. Eles decorrem da capacidade de diferentes setores da sociedade trabalharem de forma colaborativa em torno de objetivos comuns. O Estado construiu um caminho próprio de desenvolvimento, baseado em planejamento, responsabilidade e participação social. Com a aproximação das eleições de 2026, as entidades empresariais terão novamente a oportunidade de contribuir para o debate público. Seu papel será defender princípios que consideram essenciais para a continuidade do desenvolvimento capixaba, como a responsabilidade na gestão dos recursos públicos, o combate à corrupção, o equilíbrio fiscal e a manutenção de políticas de longo prazo. O Espírito Santo conta hoje com uma rede de lideranças empresariais articulada e comprometida com o futuro do Estado. A expectativa é que essas lideranças continuem exercendo sua função de acompanhamento e participação na vida pública, colaborando para que o Espírito Santo mantenha sua trajetória de crescimento, estabilidade e prosperidade.