Indústria extrativa puxou resultado, com avanço na produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro O Espírito Santo registrou o maior crescimento da produção industrial do Brasil em julho. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a indústria capixaba avançou 12,8%, enquanto a produção nacional recuou 0,5%. Dos 18 locais pesquisados pelo IBGE, 11 apresentaram queda no período. Os números são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo IBGE e compilada pelo Observatório Findes. O desempenho capixaba foi impulsionado pelas indústrias extrativa e de transformação, com destaque para petróleo, gás natural, pelotas de minério de ferro e metalurgia. O resultado também manteve uma sequência expressiva: julho marcou o 15º mês consecutivo em que a produção industrial do Espírito Santo apresentou crescimento de dois dígitos na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A indústria extrativa foi o principal motor desse desempenho, com expansão de 17,1% em relação a julho de 2025. Segundo o IBGE, o resultado está relacionado principalmente ao aumento da produção de petróleo, gás natural e pelotas de minério de ferro. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção capixaba de petróleo chegou a 275,9 mil barris por dia em julho, crescimento de 30,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Desde fevereiro, o Espírito Santo mantém produção superior a 200 mil barris diários. O campo de Jubarte, no Litoral Sul do Estado, respondeu por uma média de 189,2 mil barris por dia, alta de 14,4%. O desempenho teve contribuição do FPSO Maria Quitéria, que produziu, em média, 66,3 mil barris diários, equivalente a 66,3% de sua capacidade de 100 mil barris por dia. Já o campo de Wahoo alcançou média de 38,4 mil barris diários, aproximando-se da meta de 40 mil barris por dia estabelecida após a abertura dos quatro poços do campo. Em Golfinho, a produção cresceu 6,4% no período. Na comparação entre junho e julho deste ano, a indústria extrativa capixaba avançou 0,7%, enquanto a indústria de transformação cresceu 2,7%. Entre os quatro segmentos da transformação pesquisados, produtos de minerais não metálicos tiveram alta de 6,5% e a metalurgia avançou 2,6%. A produção de alimentos caiu 4,4% e a de celulose, papel e produtos de papel recuou 0,9%. Metalurgia avança e amplia exportações Na comparação com julho de 2025, a indústria de transformação cresceu 2,8%. A metalurgia apresentou o melhor resultado entre os segmentos pesquisados, com avanço de 7,8%, puxado pelo aumento da produção de bobinas de aço a quente. A fabricação de produtos de minerais não metálicos cresceu 6,1%, favorecida pela maior produção de granito talhado ou serrado. O bom momento da metalurgia também aparece no comércio exterior. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações do setor no Espírito Santo cresceram 23,8% ao longo de 2026, com aumento das vendas para países europeus como França, Alemanha, Polônia, Espanha, Holanda e Itália. Os Estados Unidos, porém, continuam como o principal mercado dos produtos metalúrgicos capixabas, respondendo por 48,1% do valor exportado. Entre janeiro e julho, as vendas de metais básicos do Espírito Santo para o mercado norte-americano somaram US$ 466,9 milhões, queda de 15,4% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, a retração das vendas aos Estados Unidos está relacionada, em parte, ao aumento das barreiras tarifárias sobre o aço e outros produtos siderúrgicos brasileiros, movimento que estimulou a busca por mercados alternativos. Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, o crescimento industrial também pode gerar efeitos em outros setores da economia. “Quando a indústria se instala ou cresce, ela movimenta logística, serviços, tecnologia, manutenção, engenharia, educação, comércio exterior e fornecedores”, afirma.
João Gualberto – O peso do corpo”
“Viveu a vida toda sem barulho, sem alarde, mas com a sutil alegria nos olhos e a certeza de que o justo é o certo e é o que deve ser feito. Morreu como viveu. Como um pé de fruta-pão cujas raízes fraquejam, seus galhos definharam, a seiva vital raleou, suas folhas caíram, secas, opacas. Ela tombou. Fechando bem os olhos e abrindo uma fresta do coração, ainda dá para ouvir o barulho da água correndo na bica, o girar úmido das pás de moinho e as pancadas ritmadas do pilão ecoando na memória do tempo, esse fio invisível que liga e desliga tudo e todos”. Esses são os dois parágrafos finais do texto O Peso do Tempo, dedicado, sem maiores explicações, porque prescinde delas, a Josefina. Ele faz parte de uma coletânea de vinte contos escritos pelo sensível Carlos Fonseca, jovem autor, membro da Academia Espírito-Santense de Letras e, para pagar os pesados encargos das nossas vidas, juiz do trabalho. Nas orelhas do livro, Pedro J. Nunes — escritor que tem a mesma origem geográfica que Carlos Fonseca, ambos nascidos em São José do Calçado, terra que nos deu escritores de grande porte como Geir Campos ou José Carlos da Fonseca — registra que são vinte contos, nos quais vinte vezes se repete a palavra “peso” nos títulos, mas que, em nenhum deles, se encontra a justa medida. E completa: “E vinte vezes, não menos, se fala de mulheres, da desconhecida do primeiro conto passando por Ayana, Marina, Josefina, e se delas não se fala, falam elas próprias, mulheres que num conto ou outro emprestam a voz do narrador falando de si pela voz do poeta”. Como disse o Pedro, é um livro que desassossega, coloca o dedo na ferida. O texto é forte em muitos lugares, mas é de uma suavidade encantadora. Os contos não são datados, mas se passam todos em um lugar encantado, quase todos naquilo que poderíamos chamar de sertão, longe da vida atribulada dos grandes centros, perto do encantamento das flores, dos jardins, do pôr do sol, dos ventos e despenhadeiros. Nesses lugares mágicos, a magia está à solta em personagens femininos. São mulheres fortes, mesmo que incorram em fraquezas, e terminam por mostrar a sua força. Carlos Fonseca faz uma verdadeira ode ao universo feminino, cheia de luz, de mistério, mas também de dor e desamparo. Um livro que lembra as raízes da nossa existência, sem data e sem lugar definido, sem histórias obvias com fins românticos ou felizes, como gosta a literatura fácil e de grande consumo. Seguramente, não é um livro destinado a um leitor de obras comuns; exige sintonia com uma esfera cósmica que o Carlos frequentou em seus textos. No mundo imaginário que a sociedade brasileira criou, o papel da mulher é muito inferiorizado. As personagens sentem esse peso; não é gratuita a menção tão forte a ele. A resposta a esse imaginário, que coloca as mulheres em posição muito fragilizada, é mostrada ao longo dos vinte contos, dos vinte pesos, de forma muito sutil. Em algumas delas, são simplesmente envolvidas pela loucura e se voltam contra os agressores ou contra si mesmas. Em outras passagens, a personagem embarca numa magia inesperada e mergulha nela. Interessante é que o único personagem central masculino também entra no mundo das mulheres e se transforma em uma pessoa melhor e mais feliz. Inesperadamente. A ideia do narrador é trazer essa magia das respostas pouco esperadas. O inesperado nos assalta a todo momento, ao longo dos vinte curtos contos, todos de sublime leitura, todos escritos de uma forma tão bela, tão doce e envolvente que nem mesmo as tragédias nos deixam tristes. Elas são a resposta natural nesse universo de forças que saem da natureza e retornam a ela de forma excepcional. A sociedade brasileira tem uma reparação a fazer com as mulheres, que sofreram agressões, humilhações e inferiorização ao longo dos séculos. O machismo é, para mim, o principal traço da sociedade brasileira, patriarcal e hierarquizada. Temos não apenas que reelaborar um novo lugar para o feminino em nossas vidas, como também resgatar o papel de nossas heroínas. Por tudo o que representam esses lindos textos de Carlos Fonseca, ele é um marco na exploração do universo feminino, com um olhar profundo e sensível. Aconselho fortemente a leitura.
Setembro Amarelo: plataforma reúne serviços de saúde física e emocional para trabalhadores
Novo canal concentra orientações e benefícios relacionados à saúde mental, prevenção, atividade física, alimentação, assistência médica e outros cuidados Em meio às ações do Setembro Amarelo, uma nova plataforma pretende facilitar o acesso de trabalhadores a serviços de saúde física e emocional e estimular a prevenção. Batizado de Espaço Bem-estar, o canal lançado pela Aegea reúne, em um único ambiente online, informações, programas e benefícios oferecidos aos colaboradores. A plataforma concentra recursos relacionados à saúde mental, atividade física, alimentação, assistência médica e odontológica, telemedicina, exames periódicos e acompanhamento de internações, além de outros programas preventivos. Dependendo dos critérios de elegibilidade de cada serviço, alguns benefícios também podem ser utilizados pelos dependentes dos funcionários. A proposta é tornar mais simples a busca por orientação e incentivar os colaboradores a cuidarem da saúde antes do surgimento de situações mais graves. O canal foi estruturado para funcionar de forma permanente, indo além das ações realizadas durante o Setembro Amarelo. Entre os serviços reunidos está o AE Orienta, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. O atendimento oferece assistência profissional especializada para questões psicológicas, sociais e familiares, além de orientações financeiras e jurídicas. Segundo Bruna Buldrini, diretora-presidente das unidades da Aegea no Espírito Santo, a intenção é aproximar os trabalhadores dos recursos já disponíveis. Cuidar da saúde também está nas escolhas do dia a dia, na prevenção, no equilíbrio e em saber que existe uma rede de apoio disponível quando necessário”, afirma. A escolha do Setembro Amarelo para o lançamento reforça a atenção à saúde mental e à valorização da vida, mas a iniciativa pretende estabelecer uma rede de cuidado ao longo de todo o ano. A plataforma também reúne informações sobre nutrição, exercícios físicos, assistência odontológica e programas de prevenção, ampliando o foco para diferentes aspectos relacionados à qualidade de vida dos colaboradores e de suas famílias.
Bikes elétricas: prefeitura de Vila Velha promove ação sobre segurança no trânsito
Projeto terá aulas teóricas e práticas no dia 19 de setembro, em Coqueiral de Itaparica, com participação da Guarda Municipal e da LAF Brasil As bicicletas elétricas estão cada vez mais presentes nas ruas e ciclovias, mas o avanço dessa nova forma de mobilidade também exige atenção às regras de circulação e à segurança. Em Vila Velha, uma ação vai reunir usuários desses veículos para orientar sobre prevenção de acidentes, direção defensiva e convivência com pedestres e motoristas. O projeto Mobilidade Segura será realizado no próximo sábado (19), das 8h às 10h, em Coqueiral de Itaparica. A iniciativa da Prefeitura de Vila Velha e da Guarda Municipal terá parceria da LAF Brasil e será destinada a cerca de 30 participantes com mais de 15 anos, mediante inscrição pelo site da prefeitura. Durante a programação, os participantes terão orientações teóricas e atividades práticas sobre circulação e uso responsável de veículos elétricos. A LAF Brasil disponibilizará bicicletas elétricas e capacetes para as aulas e manterá um profissional de manutenção no local para orientar sobre cuidados e ajustes básicos nos equipamentos. Segundo a subinspetora de Educação para o Trânsito da Guarda Municipal de Vila Velha, Clarisse Senatore, conhecer as regras e saber identificar situações de risco são pontos fundamentais para reduzir acidentes. Ela chama a atenção especialmente para práticas como circular de bicicleta na contramão ou sobre calçadas, além da necessidade de observar pontos cegos de veículos maiores e controlar a velocidade em curvas. “É preciso prever o risco e praticar a direção defensiva. Muitas pessoas ainda usam a bicicleta na contramão ou na calçada e acham que não há problema. Também é importante entender os pontos cegos dos veículos maiores e ter atenção à velocidade, principalmente nas curvas”, afirma Clarisse. O diretor de Marketing da LAF Brasil, Daniel Fitaroni, destaca que a expansão da mobilidade elétrica precisa ser acompanhada de informação. “Quanto mais as pessoas conhecem as regras, os equipamentos de segurança e os riscos do trânsito, maior a possibilidade de uma convivência segura entre ciclistas, condutores, pedestres e motoristas”, afirma. Regras diferentes para cada veículo A ação também vai abordar as diferenças previstas na legislação entre bicicletas elétricas, equipamentos autopropelidos e ciclomotores. As categorias possuem características e exigências próprias, inclusive em relação aos locais permitidos para circulação, velocidade, emplacamento e habilitação. Clarisse explica que alterações nas características do veículo podem mudar seu enquadramento. “Um autopropelido desbloqueado, por exemplo, que passa de 32 km/h, vira um ciclomotor e a habilitação é obrigatória. Onde não houver estrutura cicloviária, a orientação é circular pelo lado direito da via, junto ao fluxo dos demais veículos”, explica. Em áreas compartilhadas com pedestres, os usuários devem respeitar os limites de velocidade estabelecidos para esses espaços. O treinamento também vai tratar do uso de equipamentos de segurança e da manutenção das bicicletas, incluindo a regulagem correta do farol e outros itens importantes para aumentar a visibilidade no trânsito. A participação da LAF Brasil no projeto busca ampliar a orientação aos usuários em um momento de crescimento do mercado de mobilidade elétrica. A empresa, especializada na importação e comercialização de bicicletas elétricas, scooters, ciclomotores e outros veículos elétricos, atua com parceiros e revendedores em diferentes regiões do país. Serviço Projeto Mobilidade Segura Data: 19 de setembro de 2026 Horário: das 8h às 10h Local: Coqueiral de Itaparica, Vila Velha Público: maiores de 15 anos Inscrições: pelo site da Prefeitura de Vila Velha