Nos últimos anos, o Espírito Santo vem se consolidando como um dos principais corredores logísticos do Brasil, especialmente no escoamento de commodities. Nesse contexto, Vila Velha assume papel estratégico ao concentrar um complexo portuário multipropósito que ganha protagonismo à medida que o mapa da logística nacional redesenha suas rotas.
O Complexo Portuário de Vila Velha tornou-se uma peça-chave na movimentação de cargas pesadas, reunindo operações com grãos, contêineres, combustíveis, aço e outras mercadorias em um ambiente que combina eficiência operacional, tecnologia e infraestrutura preparada para receber navios de grande porte. Administrado pela Vports, primeira e única autoridade portuária privada do país, o porto canela-verde passou por um processo contínuo de modernização, com impactos diretos na competitividade logística da região.
Entre as principais intervenções realizadas estão a dragagem, a ampliação dos acessos marítimos, a modernização de armazéns, a expansão de retroáreas, a melhoria das conexões ferroviárias e a revisão de normas operacionais. Essas ações viabilizaram a operação de navios da classe Panamax, com até 245 metros de comprimento e 32,5 metros de largura, ampliando significativamente a capacidade do terminal.
Como resultado desse conjunto de investimentos, o número de embarcações aptas a operar no complexo mais que dobrou, passando de 504 para 1.089 navios. O aumento da capacidade operacional contribui para a redução de custos logísticos e fortalece a posição de Vila Velha no cenário portuário nacional.
Novo ciclo econômico
Para o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, o Terminal Portuário de Vila Velha (TVV) ultrapassa a função de infraestrutura pesada e se consolida como um ativo estratégico para o futuro do município. Segundo ele, o investimento em logística está diretamente associado à geração de competitividade, empregos e desenvolvimento sustentável.
“Vila Velha está preparada para o novo ciclo da economia brasileira. Investir em logística é garantir competitividade, empregos e desenvolvimento sustentável. O terminal portuário é um ativo decisivo para posicionar a cidade no centro das grandes rotas do comércio exterior”, afirma.
Diante desse cenário, o desafio do porto de Vila Velha passa a ser não apenas a ampliação da integração com a malha ferroviária, mas também o aumento da capacidade para receber navios de maior porte, que operam no transporte de longo curso, sem necessidade de transbordo, diferentemente da navegação de cabotagem.
Os investimentos em logística também ganham relevância no contexto da implantação da Reforma Tributária, que altera o modelo de arrecadação ao priorizar o consumo em detrimento da produção. Nesse novo ambiente, a ampliação da capacidade do TVV ao longo dos últimos anos foi determinante para preparar o porto para atender às demandas atuais e futuras do mercado.
Capacidade de armazenagem
Sob gestão da Vports, o Complexo Portuário de Vila Velha registrou um crescimento expressivo em sua capacidade estática de armazenagem de granéis sólidos. Desde o início da concessão, o volume aumentou 270%, alcançando 191 mil toneladas.
De acordo com a empresa, a dragagem e a melhoria dos acessos marítimos estão entre as principais prioridades. Recentemente, a Vports investiu mais de R$ 30 milhões em melhorias nos Portos de Vila Velha e Barra do Riacho, com foco na ampliação da capacidade operacional e na oferta de serviços com padrão elevado de qualidade.
O porto de Vila Velha opera de forma multipropósito, movimentando contêineres, combustíveis, soda cáustica, gás liquefeito de petróleo (GLP), granéis sólidos minerais e vegetais, veículos, cargas gerais e atendendo também ao setor offshore. A diversidade de cargas reforça a relevância estratégica do terminal nos âmbitos estadual e nacional.
Avanços em tecnologia
A modernização do TVV também é sustentada por investimentos robustos em tecnologia. Um dos principais marcos desse avanço é a implantação do VTMIS (Vessel Traffic Management Information System), sistema pioneiro no Brasil que funciona como uma torre de controle marítimo, operando 24 horas por dia no monitoramento das manobras, entradas e saídas de embarcações.
Outras melhorias incluem a balança ferroviária de Capuaba, o uso de balanças rodoviárias automatizadas, novos softwares de modelagem matemática e a incorporação de equipamentos de grande porte. Também foi ampliada a retroárea do porto, com mais de 70 mil metros quadrados, além da previsão de investimentos de R$ 35 milhões destinados à movimentação de contêineres, granito, fertilizantes e produtos siderúrgicos.
Infraestrutura e visão estratégica
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha (em exercício), Luiz Eduardo Dalfior, o momento atual reflete um alinhamento entre infraestrutura e visão estratégica de desenvolvimento.
“A reforma tributária muda a lógica do desenvolvimento, que passa a ser orientado pelo consumo. Ter um porto moderno, conectado por ferrovia e rodovias, coloca Vila Velha em vantagem competitiva real para atrair investimentos e consolidar novas rotas logísticas”, avalia.
A retomada das operações ferroviárias, integrando Vila Velha à Estrada de Ferro Vitória a Minas e à Ferrovia Centro-Atlântica, completa esse arranjo logístico. A combinação entre trilhos, cais e tecnologia reforça a posição do município dentro do sistema logístico nacional, ampliando sua capacidade de atendimento às demandas do comércio exterior e da economia brasileira.
