Dados de 2025 pautaram debate na Serra sobre riscos psicossociais, produtividade e gestão no ambiente de trabalho
Mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais foram concedidos no Brasil em 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O número, cerca de 15,6% superior ao registrado no ano anterior, foi um dos destaques do 236º Café de Negócios da Associação dos Empresários da Serra (Ases), realizado no Steffen Centro de Eventos, na Serra.
Durante o encontro, a psicóloga Sátina Pimenta, mestre em Gestão de Pessoas e especialista em Saúde Mental Organizacional, alertou para os impactos dos riscos psicossociais sobre produtividade, custos e sustentabilidade das empresas. “Quando falamos de riscos psicossociais, não estamos falando apenas de saúde e bem-estar. Estamos falando de produtividade, lucratividade e sustentabilidade do negócio”, afirmou. Segundo ela, cabe às organizações identificar, avaliar, intervir e acompanhar fatores do ambiente profissional que possam contribuir para o adoecimento.
Os dados apresentados reforçam a dimensão do problema. Somente ansiedade e depressão foram responsáveis por mais de 293 mil afastamentos no país em 2025, sendo 166.489 relacionados a transtornos de ansiedade e 126.608 a episódios depressivos. Além do impacto sobre os trabalhadores, os afastamentos geram reflexos para as empresas, como perda de produtividade e aumento dos custos com recrutamento, seleção, integração de novos profissionais e desligamentos.
A diretora Comercial e de Marketing da Up Health, Karol Cavêdo, apresentou medidas adotadas para incorporar a gestão dos riscos psicossociais à rotina empresarial, entre elas mapeamento de riscos, criação de comitês e acompanhamento das ações. Para ela, o tema não pode ficar restrito ao setor de Recursos Humanos. “É uma responsabilidade de toda a empresa, que envolve líderes, gestores e diferentes áreas”, destacou, ressaltando também a importância de registrar e comprovar as medidas implementadas.
O presidente da Ases, Leonelle Lamas, chamou atenção para o ritmo da rotina profissional e a necessidade de conciliar resultados com qualidade de vida. “Cuidar da saúde mental também é cuidar da sustentabilidade das empresas”, afirmou. Já o CEO da Le Card, Erly Vieira, destacou a importância da escuta e da compreensão dos colaboradores para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.
O debate ocorre em meio às discussões sobre a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a ampliar a atenção aos riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança do trabalho. O tema reforça uma mudança na forma como as empresas lidam com a saúde mental, que deixa de ser tratada apenas como questão de bem-estar e passa a integrar também as estratégias de gestão de riscos, produtividade e sustentabilidade dos negócios.
