Alta joalheria como estratégia de marca: quando o luxo constrói valor no longo prazo

Em um mercado de luxo cada vez mais atento à longevidade, à origem dos materiais e ao valor simbólico dos objetos, a alta joalheria mantém um lugar especial. Diferente de tendências efêmeras, as joias seguem associadas à ideia de permanência, com peças pensadas para passar por gerações, carregar histórias e preservar valor, mesmo em cenários econômicos instáveis. O destaque é maior ainda nas joalherias autorais, que criam peças únicas, com forte carga estética e simbólica, quase como obras de arte.

Esse movimento, observado em mercados tradicionais como Europa e Estados Unidos, também se reflete no fortalecimento de marcas autorais que unem design, narrativa e responsabilidade. É nesse contexto que a joalheria brasileira tem ampliado sua presença internacional, levando uma estética própria e gemas nacionais para vitrines de prestígio.

Com o comportamento do consumidor de luxo, que passou a valorizar menos a repetição e mais a autoria, o design deixa de ser apenas forma e passa a ser narrativa, identidade e expressão. Cada joia carrega um conceito e um olhar criativo próprio, o que ajuda a explicar o interesse crescente por marcas autorais, capazes de imprimir personalidade e sentido às suas criações.

É nesse contexto que se insere a trajetória da designer de joias capixaba Carolina Neves, que há mais de 12 anos constrói uma marca voltada à alta joalheria contemporânea. Com nove anos de atuação no mercado internacional, a marca soma atualmente 11 pontos de venda físicos e 7 online distribuídos entre Brasil, Estados Unidos e França, integrando boutiques reconhecidas pela curadoria voltada ao design independente.

“A joia precisa ter sentido. Não é apenas sobre estética ou valor financeiro, mas sobre o que aquela peça comunica e representa ao longo do tempo”, afirma a designer. Segundo ela, o interesse crescente por joias com identidade própria acompanha um consumidor mais consciente, que busca entender a procedência dos materiais, o processo de criação e a história por trás de cada peça.

Esse processo criativo recente pode ser observado na coleção Linea, lançada pela marca como resultado de um mergulho da designer nos movimentos Art Déco e Art Nouveau. A linha traduz o encontro entre curvas orgânicas e estruturas geométricas, reforçando a proposta de criar peças atemporais, com identidade própria e forte carga artística. “Estudei muito sobre os movimentos artísticos para criar essa coleção e quis transmitir a atemporalidade, equilibrando romantismo e modernidade”, comenta.

Esse olhar se reflete também nos critérios exigidos para a entrada em mercados internacionais. Para integrar vitrines de luxo nos Estados Unidos e na Europa, marcas precisam atender a padrões rigorosos de transparência, qualidade e rastreabilidade. No caso da Carolina Neves, todas as peças são produzidas em ouro 18k e utilizam gemas certificadas. A joalheria conta com gemólogo próprio e mantém parcerias com mineradoras que asseguram a extração ética, como a Mina do Cruzeiro, em Minas Gerais, conhecida pelas turmalinas coloridas que se tornaram assinatura das criações da designer.

“O mercado internacional é exigente, mas muito receptivo quando percebe autenticidade. O Brasil tem uma riqueza de gemas, liberdade criativa e uma ‘bossa’ que despertam interesse lá fora”, destaca Carolina. Essa combinação de design autoral, cores intensas e influência brasileira tem sido um diferencial competitivo em feiras e premiações internacionais, como a Couture, em Las Vegas, onde a designer figurou entre finalistas de importantes prêmios do setor.

No Brasil, o segmento também passa por um reposicionamento. As joias voltam a ser entendidas como bens duráveis, itens de valor cultural e afetivo, além de peças que atravessam gerações. “Criar joias é criar algo que resiste ao tempo. Quando a peça tem alma, ela nunca sai de moda”, resume Carolina.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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