Andropausa ou síndrome MOSH? Erro no diagnóstico leva jovens à reposição precoce de testosterona

O médico Paulo Mansur explica sobre os distúrbios, que apresentam sintomas semelhantes, mas exigem abordagens distintas. Erro na avaliação pode gerar dependência hormonal desnecessária

Cansaço persistente, perda de massa muscular, queda da libido, aumento de gordura abdominal e alterações de humor são sintomas frequentemente associados à chamada “andropausa”, termo popular para a Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM). No entanto, esses mesmos sinais podem indicar outra condição endocrinológica cada vez mais comum entre homens jovens: a síndrome MOSH (Hipogonadismo Masculino Secundário Associado à Obesidade). Diferenciar os dois quadros é fundamental para evitar tratamentos inadequados, especialmente a reposição precoce de testosterona.

Hoje especialista em longevidade, qualidade de vida e bem-estar, além de uma das maiores autoridades do país quando o assunto é Síndrome Mosh, o médico Paulo Mansur, conhece essa confusão não apenas na prática clínica, mas na própria história pessoal. Aos 41 anos, época em que ainda não atuava na área da nutrologia, ele recebeu o diagnóstico de deficiência androgênica do envelhecimento masculino. “Eu apresentava sintomas clássicos: fadiga, queda de rendimento, alterações na composição corporal. O diagnóstico foi fechado como DAEM e iniciei reposição de testosterona”, relata.

Com o tempo, porém, ficou claro que o quadro era outro: Mansur tinha síndrome MOSH. “O que precisava ser feito, antes de qualquer reposição, era mudança de hábitos, redução de gordura corporal, melhora do sono e do estilo de vida. O sobrepeso estava convertendo testosterona em estradiol e gerando o desequilíbrio hormonal”, explica.

*DAEM x Síndrome Mosh*

A Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM) é uma condição relacionada ao declínio progressivo da testosterona com o avanço da idade, geralmente a partir dos 45, 55 ou 60 anos, variando conforme fatores genéticos e metabólicos. Estudos indicam que cerca de 20% a 30% dos homens acima dos 60 anos apresentam níveis de testosterona abaixo do considerado ideal, mas apenas parte deles manifesta sintomas clínicos relevantes.

Já a síndrome MOSH pode surgir muito antes, já a partir dos 25 anos, e está diretamente associada ao excesso de gordura corporal. Em suma, o tecido adiposo converte testosterona em estradiol. O resultado é um ciclo de piora metabólica: mais gordura, menos testosterona, mais sintomas. Pesquisas apontam que a prevalência de hipogonadismo secundário em homens com obesidade moderada a grave gira em torno de 45%. Outras análises indicam que o hipogonadismo atinge 56% dos homens com obesidade classe II (IMC entre 35 e 39.9) e 61% na classe III (IMC maior que 40).

“A DAEM é uma condição primariamente ligada ao envelhecimento fisiológico dos testículos. Já a MOSH é um distúrbio funcional e potencialmente reversível, ligado ao estilo de vida e ao excesso de gordura corporal”, explica Paulo Mansur.

*Tratamentos: reposição ou reversão?*

A diferença diagnóstica impacta diretamente o tratamento. Na Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, por exemplo, quando há confirmação laboratorial e sintomas persistentes, a reposicão de testosterona pode ser indicada, sempre com acompanhamento médico e monitoramento periódico. O objetivo é restaurar níveis fisiológicos e melhorar qualidade de vida.

Na síndrome MOSH, por sua vez, a abordagem prioritária é outra. “O primeiro tratamento é emagrecimento, atividade física estratégica, melhora do sono e da atividade intestinal, além de ajuste metabólico. Em muitos casos, ao reduzir gordura corporal, o próprio organismo volta a produzir testosterona adequadamente”, explica o médico.

No caso de Mansur, a reposição iniciada precocemente teve consequências. “Ao começar a repor testosterona antes de tentar reverter a causa metabólica, meu corpo reduziu a produção natural. Hoje, preciso manter a reposição porque houve supressão do eixo hormonal”, afirma. Segundo ele, esse é um risco real quando a terapia é iniciada sem critério e sem um olhar individualizado.

*Um alerta para homens jovens*

Enquanto a deficiência androgênica relacionada ao envelhecimento tende a aumentar com a idade, a síndrome MOSH cresce paralelamente à epidemia global de obesidade. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a obesidade masculina aumentou significativamente nas últimas décadas, ampliando o número de homens jovens com alterações hormonais secundárias ao excesso de gordura.

Para Mansur, a principal mensagem é clara: “Testosterona não é vilã nem solução mágica. É preciso entender a causa da queda hormonal. O tratamento correto depende do diagnóstico correto. Mas, acima de tudo, é fundamental criar para si uma rotina que priorize hábitos saudáveis de vida, mantendo o equilíbrio corporal, mental e espiritual diariamente”, destaca.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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