Analistas vinham trabalhando com a ideia do surgimento de uma centro-direita com um discurso mais comedido. Quando, em 2018, a força avassaladora da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro tomou conta do processo eleitoral, o carisma do candidato tornou-se uma forte marca. É comum que fenômenos de uma grande força política, de uma liderança potente, dominem determinado processo eleitoral e se transformem numa espécie de febre que toma grande parte dos os eleitores, conduzindo todos os desdobramentos da situação. No Espírito Santo isso ocorreu em 1982, quando Gerson Camata venceu o pleito e alavancou um grande número de prefeitos, vereadores e deputados. Foi a estrela Camatista que presidiu aquele momento tão rico em nosso estado. Toda uma geração política de líderes como Paulo Hartung, Luiz Moulin, Rose de Freitas e Renato Casagrande nasceu ali. A lógica dos governos militares que findavam sua jornada política foi francamente derrotada e o Espírito Santo começou uma nova jornada. Entretanto, voltando aos fatos nacionais contemporâneos posteriores à vitória disruptiva da nova direita, por diversas e complexas razões que os leitores muito bem conhecem, a gestão de Jair Bolsonaro frente ao governo nacional não ampliou e nem manteve acesa toda essa força, tanto que ele não se reelegeu em 2022. Mesmo assim, o bolsonarismo permaneceu suficientemente forte para seguir importante na cena política brasileira, e de forma decisiva em muitas situações. Mas uma coisa também é certa: a liderança de Jair Bolsonaro continua, mas é uma força em evidente declínio. Um exemplo muito claro disso é o esvaziamento das manifestações de rua organizadas pela direita e por seus grandes líderes evangélicos, como o Pastor Silas Malafaia. O eleitor que foi às manifestações apinhadas de gente nas versões anteriores, mas que não compareceu a essas últimas, nem por isso deixou de ser conservador. Talvez esteja mais contido nos discursos ou mesmo cansado da chamada guerra cultural, mas continua conservador. É preciso acompanhar com atenção o que vem se passando nessa bolha de insatisfeitos devido à radicalização, à verbalização excessiva. Existem sinais de cansaço, afinal são quase oito anos de discussões, palavrões, bate-bocas, quando não agressões físicas. Todas as evidências indicam que há uma massa expressiva de eleitores que deseja certa pacificação, buscando um líder com propostas nacionais fora da disputa que atualmente está colocada. Assim, em um país que continua conservador, porém cansado do extremismo, pareceria natural que as lideranças de direita fizessem uma inflexão para o centro. Os analistas vinham trabalhando com a ideia do surgimento de uma centro-direita com um discurso mais comedido, capaz de absorver esse contingente de moderados. Tudo vinha apontando na direção de uma candidatura de centro-direita mais viável eleitoralmente. Tanto é assim que o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, havia despontado como liderança capaz de ocupar esse espaço de maior moderação. Ministro do governo de Jair Bolsonaro, oriundo de um quadro mais técnico e de pouca experiência política, venceu a eleição graças à força do ex-presidente no interior de São Paulo, mas vem conduzindo o governo sem os extremismos do líder a quem serviu. Desta forma, saiu das entranhas do bolsonarismo um quadro que parecia capaz de fazer a transição para uma centro-direita mais técnica, menos explosiva e mais focada em políticas públicas. No entanto, desde a eleição e posse do presidente Donald Trump, as coisas começaram a mudar, a desandar. Do alto de sua inexperiência, Tarcísio se precipitou em tudo: na adesão ao novo presidente estadunidense, na defesa de sua lógica imperialista e, sobretudo, no apoio ao tarifaço. O resultado de tantos desacertos tem sido a inevitável desidratação de sua candidatura. Para piorar a situação da direita, eis que o deputado federal do PL de São Paulo, Eduardo Bolsonaro, começou uma campanha de radicalização nacional contra o STF, na tentativa de salvar seu pai da condenação pelos atos golpistas do final de seu governo. Eduardo não está gostando das posições de liderança mais moderada no processo de Tarcísio. Começou a atirar também nele, enfraquecendo ainda mais sua possível candidatura presidencial. Convenhamos que é muita confusão para uma candidatura só. A direita, assim, vai perdendo o lugar de destaque que vinha ocupando no quadro nacional. Como ainda estamos a um ano das eleições, muita coisa vai mudar, mas a direita recuou duas casinhas no jogo nacional de poder, cedendo espaço ao experiente Lula. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Rafael Lima: de office boy a diretor da maior incubadora tecnológica do ES
Criado no Território do Bem, ele relembra sua trajetória de superação até chegar à direção da TecVitória, que hoje vive nova fase de expansão De office boy a diretor executivo de uma das primeiras incubadoras de empresas de base tecnológica do Brasil. Aos 34 anos, o capixaba Rafael Lima celebra uma trajetória marcada por aprendizado, resistência e insistência. Criado no bairro Bonfim, no coração do Território do Bem, em Vitória, ele aprendeu desde cedo que sonhar alto exigiria esforço redobrado. “Crescer em uma comunidade cheia de desafios me fez entender cedo que eu precisava trilhar um caminho diferente. Foram anos de muito trabalho, dedicação e aprendizados. Hoje tenho o imenso orgulho de ser diretor da TecVitória, uma instituição com 30 anos de história que impulsiona a inovação e o empreendedorismo no Espírito Santo”, conta. Os primeiros passos O primeiro emprego veio aos 17 anos, como office boy em uma copiadora. “Corria para fazer as entregas e voltava rápido para observar e entender como tudo funcionava. Assim aprendi a tirar cópias, consertar máquinas e desempenhar várias funções. Eu era um verdadeiro faz-tudo”, lembra. Logo depois, Rafael foi contratado pela TecVitória para o mesmo cargo. A curiosidade e a vontade de aprender fizeram toda a diferença. “Entre uma entrega e outra, observava o trabalho das equipes e fui absorvendo conhecimentos de manutenção, redes, gestão financeira, incubação e administração de projetos. Com o tempo, cresci dentro da instituição, de office boy a coordenador operacional. Mais tarde, precisei sair por causa de dificuldades financeiras enfrentadas pela TecVitória e fui trabalhar no setor de condomínios.” O retorno e a reconstrução O reencontro com a TecVitória aconteceu em um momento crítico.“Quando voltei, encontramos a instituição literalmente no escuro: prédio fechado, estrutura sucateada, sem energia elétrica, sem internet e com dívidas de cerca de R$ 2 milhões. Foi o momento mais difícil da história da incubadora”, relembra. Mesmo diante do caos, Rafael liderou a retomada. “A calçada da instituição havia se transformado em moradia de pessoas em situação de rua. Em vez de expulsá-las, conversei com elas, expliquei a importância da TecVitória e as convidei a participar da reconstrução. Paguei para que ajudassem na limpeza e organização. Depois, elas passaram a cuidar do espaço, sentindo-se parte desse recomeço. Essa união foi essencial para que a TecVitória renascesse.” A virada O ponto de virada veio em 2022, com a formação de um novo conselho administrativo, liderado pelo presidente Luiz Henrique Toniato, e o apoio de instituições que reconheciam a importância da incubadora para o ecossistema de inovação capixaba. “Captamos mais de R$ 4 milhões, atendemos 130 projetos inovadores e impactamos diretamente mais de mil pessoas. A TecVitória voltou a ocupar um espaço de protagonismo no cenário nacional e, mais do que nunca, voltou-se para o próprio Território do Bem, fomentando o surgimento de empreendedores dentro da comunidade.” Inovação e inclusão Para Rafael, democratizar o acesso à inovação é missão essencial. “Criamos pontes com as periferias por meio de programas inclusivos. Em 2023, fundamos o Instituto Engrena, dedicado à disseminação do empreendedorismo com uma linguagem acessível. Nosso intuito é que os jovens das periferias saibam que há espaço para eles no mundo da inovação.” Hoje, a TecVitória vive um ciclo de expansão, com reforma completa da sede, busca por certificações nacionais e novas fontes de receita e parcerias estratégicas. “Nosso DNA é ser o solo fértil onde ideias viram negócios e transformam realidades”, resume Rafael. Resultados e impacto Ao longo de três décadas, mais de mil projetos foram incubados e 80 empresas graduadas, entre elas o PicPay. As startups atendidas captaram mais de R$ 25 milhões em investimentos, e mais de 4 mil talentos foram formados dentro do ecossistema de inovação capixaba. Entre as novas iniciativas, destaca-se o Projeto Decolagem do Bem, que leva oportunidades e conhecimento em tecnologia a jovens do Território do Bem. “Acredito que o futuro nasce quando damos acesso à tecnologia e oportunidades reais de transformação. Meu sonho é ver jovens CEOs e líderes mostrando ao mundo o potencial que existe nas comunidades. A periferia também é lugar de grandes ideias e grandes realizações.” Sobre a TecVitória Fundada em 1995, a TecVitória é referência na incubação de empresas de base tecnológica no Espírito Santo. Com sede no bairro Itararé, em Vitória, atua para transformar ideias inovadoras em negócios sustentáveis, fortalecendo o ecossistema de inovação e a economia local. Ao longo dos anos, aperfeiçoou sua metodologia de incubação e hoje oferece suporte estratégico e conexões essenciais para empreendedores em diferentes estágios de desenvolvimento.
Secretário de Fazenda presta contas à Assembleia na segunda-feira (20)
O secretário de Estado da Fazenda, Benicio Suzana Costa, apresentará na próxima segunda-feira (20), a partir das 13h30, os dados fiscais referentes ao segundo quadrimestre de 2025 (maio a agosto), em audiência pública da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). A reunião ocorrerá de forma híbrida no Plenário Dirceu Cardoso. Durante a prestação de contas anterior, realizada em maio, Benicio destacou um aumento de 4,8% na arrecadação estadual no primeiro quadrimestre, o que correspondeu a cerca de R$ 12,3 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2024. O secretário ponderou, entretanto, que o resultado ficou abaixo do projetado, em razão da queda na arrecadação dos royalties do petróleo. A presença do titular da Secretaria da Fazenda (Sefaz) na Ales está prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000). Conforme o parágrafo 4º do artigo 9º, os secretários estaduais e o ministro da Fazenda devem prestar contas periodicamente sobre o cumprimento das metas fiscais — até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro. A audiência pública é uma das principais etapas de transparência e controle das finanças públicas do Estado, permitindo que os parlamentares e a sociedade acompanhem o desempenho fiscal e o cumprimento das metas estabelecidas para o exercício. Foto:Ales
Corrida Santa Rita deixa Vitória rosa neste domingo
Neste domingo (19), as ruas de Vitória serão tomadas por um mar de rosa com a realização da Corrida Santa Rita, evento que celebra o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama. Em sua primeira edição, a corrida une esporte, saúde, conscientização e solidariedade, com o lema inspirador: “O melhor pace é a prevenção.” A prova terá início às 6h30, com 7 km de percurso pela Avenida Beira-Mar, saindo e chegando à Praça do Papa, um dos cartões-postais da capital. A iniciativa nasceu dentro do Hospital Santa Rita, a partir do projeto “Bora Correr” — um treinão solidário entre colaboradores que agora ganha as ruas com um propósito ainda mais grandioso. Toda a renda líquida arrecadada com as inscrições será revertida para os projetos sociais da Afecc, que oferece assistência gratuita a mais de 750 pacientes oncológicos atendidos diariamente pelo SUS, levando acolhimento, tratamento e dignidade a quem mais precisa. Mais do que uma corrida, o evento se consolida como um movimento de força, união e amor à vida. A Corrida Santa Rita é uma oportunidade de reforçar o laço com a comunidade e ampliar o alcance da campanha Outubro Rosa no Espírito Santo — fortalecendo as ações de prevenção e combate ao câncer de mama promovidas pela instituição. “Esse evento é um símbolo de movimento e autocuidado. Assim como na corrida, a vida exige ritmo, constância e coragem para seguir em frente. Vista-se de rosa e participe, porque correr pela prevenção é o melhor passo que você pode dar”, destaca Marilucia Dalla, presidente da Afecc. Serviço Evento: Corrida Santa Rita – Outubro Rosa Data: Domingo, 19 de outubro Percurso: 7 km – Beira-Mar de Vitória Largada: Praça do Papa, às 6h30 Organização: Afecc – Hospital Santa Rita & Iron Locações e Eventos
Vitória celebra o Dia da Inovação com o Base27 à frente do ecossistema capixaba
Reconhecimento nacional da capital como a cidade mais inteligente do Brasil reforça a força do ecossistema capixaba e o papel do hub de inovação corporativa Base27 nesse movimento coletivo. No Dia da Inovação, celebrado neste domingo, 19 de outubro, o Espírito Santo tem ainda mais motivos para comemorar. A capital capixaba foi recentemente reconhecida como a cidade mais inteligente do Brasil, segundo o ranking Connected Smart Cities, e esse resultado está diretamente ligado ao fortalecimento do ecossistema de inovação construído nos últimos anos. Um dos pilares desse movimento é o Base27, hub de inovação corporativa que reúne empresas, startups e universidades em um ambiente colaborativo para desenvolver soluções de impacto para o mercado e para a sociedade. “Essa conquista de Vitória não é por acaso. É fruto de uma jornada construída a muitas mãos, com o setor produtivo, o governo e a academia trabalhando juntos para gerar valor de forma colaborativa. O que iniciamos lá atrás agora começa a dar frutos — e isso mostra a força desse movimento coletivo”, afirma Michele Janovik, CEO do Base27. Desde sua criação, em 2020, o Base27 se consolidou como um dos principais hubs de inovação corporativa do país, conectando grandes empresas e empreendedores de diferentes segmentos para impulsionar novas soluções e negócios. Com atuação nos setores de engenharia e construção, indústria e logística, o hub tem se destacado como um ponto de encontro entre inovação, colaboração e desenvolvimento empresarial. De acordo com Michele, a trajetória do Espírito Santo mostra que a inovação é um processo contínuo de construção e aprendizado: “Mudar a mentalidade exige constância. Criar uma cultura de inovação requer intenção. Gerar valor demanda propósito. E o Espírito Santo está no caminho certo, porque tem mantido a consistência e a colaboração necessárias para sustentar esse movimento, trazendo resultados expressivos.” Além de Vitória, outros municípios capixabas — como Vila Velha, Cariacica, Serra e Cachoeiro de Itapemirim — também figuram entre as cidades mais inteligentes do país. Para Michele, esse desempenho reforça a força coletiva da região: “O desafio agora é comunicar melhor nossos feitos, fortalecer a confiança no potencial capixaba e inspirar o Brasil. Precisamos continuar investindo com colaboração e ousadia, mostrando ao país e ao mundo do que somos capazes.” No Dia da Inovação, a mensagem do Base27 é clara: inovar é construir juntos, com visão de futuro, propósito e coragem para transformar.
Empresa de saneamento que atua na Grande Vitória é eleita referência em diversidade e inclusão
A Aegea Saneamento foi reconhecida como referência nacional em diversidade e inclusão ao conquistar o título de Top of Mind no Prêmio Diversidade em Prática 2025, alcançando mais de 60% dos votos em uma escolha popular. Presente em mais de 800 municípios brasileiros, a companhia é considerada uma das maiores do setor de saneamento do país e, no Espírito Santo, é responsável pela operação do sistema de esgotamento sanitário nos municípios de Serra, Vila Velha e Cariacica. O reconhecimento reafirma o protagonismo da Aegea na promoção de uma cultura organizacional plural e inclusiva, impulsionada pelo programa “Respeito Dá o Tom”, criado para valorizar a equidade racial e fortalecer o respeito às diferenças em todas as suas formas. “Com presença em mais de 800 municípios brasileiros, a Aegea tem demonstrado que investir em diversidade é não apenas um compromisso ético e social, mas também um diferencial competitivo, capaz de gerar valor real para a sociedade e para o mercado”, assinala a diretora-presidente da companhia no Estado, Lucilaine Medeiros. O prêmio nacional consolida o “Respeito Dá o Tom” como uma das iniciativas mais robustas do setor de saneamento no campo da inclusão, reforçando a importância de políticas corporativas sustentáveis e integradas às estratégias de negócio.
Leonardo Miranda Maioli – “A Reforma Tributária e a instabilidade do passado: vale tudo”
É uma brincadeira muito comum dizer que, no Brasil, até o passado é incerto. O país sempre revisita temas que pareciam resolvidos há muito tempo. Vez ou outra, nos pegamos discutindo se Getúlio Vargas foi ou não um ditador, se Juscelino Kubitschek fez o Brasil crescer ou se endividar em “50 anos em 5”, quem matou Odete Roitman. Na Reforma Tributária, vem acontecendo a mesma coisa. As mudanças legislativas, que deveriam apontar para o futuro, parecem ter voltado seus holofotes para rever um tema que já poderia ser considerado superado. Isso passou despercebido pelo contribuinte, mas chamou a atenção dos profissionais do direito tributário. Trata-se da chamada “tese do século”, julgada no Recurso Extraordinário nº RE 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Resumidamente, a tese impede que os tributos PIS e Cofins incidam sobre o valor do ICMS embutido no faturamento de quem fornece mercadorias e serviços. O STF modulou sua decisão para que os efeitos ocorressem a partir de 15 de março de 2017 e determinou que o desconto fosse do ICMS destacado na nota fiscal. Pelo entendimento, o Supremo afirmou que um tributo não poderia incidir sobre o valor de outro tributo nesse caso. Ocorre que, recentemente, em uma declaração do considerado “pai da reforma”, o secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, foi informado aos contribuintes que os novos tributos introduzidos pela Reforma — o CBS e o IBS — irão incidir sobre os valores de ICMS e ISSQN, que oneram o valor de mercadorias e serviços. Isso ocorrerá porque, apesar de os primeiros substituírem os últimos, por algum tempo o sistema tributário irá conviver com todos eles, até que a transição esteja completa em 2033. A notícia pegou o mercado de surpresa, pois não foi algo tratado ao longo da tramitação da Reforma Tributária, mas apenas após o vigor da emenda constitucional e da lei complementar que a introduziram. Também é uma medida vinda de forma direta e unilateral do Poder Executivo, que quebra a fundada expectativa dos contribuintes quanto à continuidade da decisão do STF na chamada tese do século. Afinal, se o CBS substitui o PIS e a Cofins, e o IBS substitui o ICMS e o ISSQN, a decisão do Supremo poderia ser facilmente aplicada, por analogia, às novas figuras tributárias. Essa é uma medida que também faz refletir sobre o conflito entre os poderes. Se o atrito entre Congresso e STF, e entre Congresso e Governo, domina as manchetes atualmente, é necessário observar o avanço da Fazenda Pública na incidência de impostos sobre impostos como algo que provoca choque entre o STF e o Poder Executivo. Não faz sentido retornar a pontos já superados, abalando a harmonia entre poderes que deveriam ser harmônicos. Seguindo dessa maneira, a judicialização é certa. A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins já havia gerado uma infinidade de teses “filhas”, que buscaram retirar outros tributos de outras bases de cálculo. Há medidas para fazer o mesmo com o ISSQN. Há precedentes que afastaram o ICMS da base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB) e da contribuição previdenciária. Outros retiraram o ICMS da substituição tributária da base de PIS e Cofins, assim como o ICMS do diferencial de alíquotas entre estados. Por outro lado, há decisões que mantiveram o PIS e a Cofins na base de cálculo do ICMS, por falta de previsão legal para a exclusão, e que autorizaram a incidência da CPRB sobre a própria base de cálculo, bem como o ISS na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pelo lucro presumido. A todas essas lides será adicionada a discussão judicial sobre a composição do IBS e do CBS, levando em conta os valores de ICMS e ISSQN. No final das contas, será mais uma fronteira a ser desbravada por contribuintes, juristas e contadores, judicializando o passado. E judicializar o passado confirma que, no Brasil, sempre há espaço para um remake. Afinal, vale tudo! *Leonardo Miranda Maioli é advogado tributarista, bacharel em Direito e Ciências Contábeis pela UFES, pós-graduado em Direito Tributário e mestre em Direito pela UFES.
Exposição com trabalho de Sebastião Salgado abrirá programação do Cais das Artes
Governador Renato Casagrande confirma inauguração do espaço para dezembro; museu terá gestão da Fundação Roberto Marinho e da OEI O governador Renato Casagrande anunciou nesta sexta-feira (17) que a primeira grande exposição do Cais das Artes será “Amazônia”, do fotógrafo Sebastião Salgado, com abertura prevista para o primeiro trimestre de 2026. A informação foi dada durante coletiva de imprensa realizada no espaço, em Vitória. Atualmente, a exposição “Amazônia”, de Sebastião Salgado, está em exibição na COP30, em Belém (PA). Após o encerramento do evento, a mostra será desmobilizada na capital paraense e remontada em Vitória, no Cais das Artes, marcando a estreia do museu no circuito nacional de grandes exposições. Casagrande destacou que o governo já iniciou o planejamento da programação cultural e o envolvimento da comunidade capixaba com o novo equipamento. “Nós já estamos fazendo aqui o planejamento, todo o debate, toda a programação e todo o envolvimento da comunidade capixaba com relação ao Cais. O Cais é de todos. A gente quer que esse equipamento seja apropriado pela sociedade capixaba.” A obra do museu segue em ritmo acelerado O governador explicou que, a partir do seminário realizado nesta sexta-feira, o Estado passa a definir as diretrizes de ocupação e uso do museu, com visitas monitoradas e atividades abertas ao público. “A partir deste seminário fazemos o planejamento e o envolvimento. A gente vai ter aqui já a programação da primeira grande exposição, e vamos publicar um edital nos próximos dias para que também capixabas possam apresentar propostas e expor seus trabalhos no museu.” Para Casagrande, o Cais das Artes coloca o Espírito Santo em posição de destaque no cenário cultural nacional e internacional, abrindo espaço para mostras, peças teatrais e apresentações musicais e de dança. “É um equipamento que coloca o Estado numa posição de destaque da cultura nacional e internacional. Podemos entrar no roteiro de diversos eventos e temos que aproveitar ao máximo isso para valorizar a cultura e gerar oportunidades econômicas para os capixabas.” A gestão do museu será compartilhada entre a Fundação Roberto Marinho e a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), em parceria com o Governo do Estado. “Um equipamento do tamanho deste exige um passo assertivo. A OEI, em parceria com a Fundação Roberto Marinho e o Governo do Estado, vai fazer deste espaço um grande equipamento para atender a população capixaba e quem vem nos visitar”, afirmou Casagrande. A ocupação do museu será feita de forma gradativa, com a programação sendo ampliada ao longo de 2025. “À medida que a gente inaugura, vai ocupando gradativamente com essa programação que passa a ser discutida a partir de hoje”, disse o governador. Além das exposições artísticas, o Cais das Artes poderá receber outras atrações culturais, apresentações musicais e eventos ligados à economia do mar e à inovação, aproveitando sua localização privilegiada na Enseada do Suá, em Vitória. Secretário destaca “construção coletiva” O secretário de Estado da Cultura, Fabrício Noronha, destacou que o momento marca o início de um processo de escuta e construção coletiva com a comunidade cultural e a sociedade capixaba em torno do novo equipamento. “Há uma grande expectativa em torno desse espaço, esse monumento arquitetônico do Paulo Mendes da Rocha. Com a parceria da Fundação Roberto Marinho e o acordo internacional com a OEI, temos a possibilidade de ativar muitas ações e frentes, potencializando esse espaço para o Brasil e para o mundo”, afirmou. Segundo Noronha, o seminário que deu início à programação do Cais das Artes representa uma oportunidade para troca de ideias e definição de diretrizes para os próximos anos. “Esse é um momento de escuta, de troca. Vamos sair daqui com mais ideias, mais informações, mais possibilidades e frentes de trabalho para esse potente espaço do Espírito Santo”, disse. Ele ressaltou ainda que a experiência da OEI na gestão de espaços culturais, como o Museu de Arte do Rio, será fundamental para o êxito do projeto capixaba. “A experiência da OEI sem dúvida nenhuma vai contribuir muito para o planejamento e a execução dos próximos anos. Precisamos responder à altura da monumentalidade desse espaço, expressão do grande arquiteto Paulo Mendes da Rocha, um espaço plural e pulsante”, concluiu o secretário. O legado de Sebastião Salgado Sebastião Ribeiro Salgado Júnior nasceu em 8 de fevereiro de 1944, na cidade de Aimorés (MG), e foi um dos fotógrafos mais importantes do Brasil e do mundo. Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo e com pós-graduação em São Paulo e Paris, ele trabalhava como economista antes de dedicar-se à fotografia nos anos 1970. A partir de então, viajou por mais de 120 países, produzindo séries documentais marcantes sobre migrações, trabalho, meio ambiente e populações vulneráveis. Em 1998, ele e sua esposa Lélia fundaram o Instituto Terra, dedicado à restauração ambiental em sua terra natal, evidenciando também seu compromisso com causas ambientais. Sebastião Salgado faleceu em 23 de maio de 2025, em Paris, deixando um legado visual e humanitário reconhecido internacionalmente.
Fim de semana de clássicos no Espaço Patrick Ribeiro: Liga Joe e Sidney Magal agitam Vitória
Com hits dos anos 70, 80 e 90, apresentações prometem duas noites de nostalgia e muita animação no Novo Aeroporto de Vitória O Espaço Patrick Ribeiro, em Vitória, será palco de duas noites especiais neste fim de semana, com shows que prometem agradar públicos de diferentes gerações. Na sexta-feira (17), a casa recebe a banda Liga Joe, referência no pop rock e flashback nacional. Já no sábado (18), é a vez do inconfundível Sidney Magal comandar o “Baile do Magal”, relembrando os grandes sucessos de sua carreira. Na sexta, o grupo Liga Joe sobe ao palco às 21h30, após abertura da casa às 20h30. Criada em 2006, a banda se consolidou como uma das principais referências no pop rock retrô, com um repertório que revisita os maiores sucessos das décadas de 70, 80 e 90. Ao longo da carreira, já realizou mais de mil apresentações e dividiu o palco com nomes como Biquíni Cavadão, Capital Inicial e Paulo Ricardo, levando sua energia contagiante a diversas cidades do país. No sábado, o palco será tomado pelo carisma e pela voz marcante de Sidney Magal, em uma viagem musical por mais de cinco décadas de carreira. O cantor, conhecido por hits como “Sandra Rosa Madalena” e “Me Chama Que Eu Vou”, promete transformar a noite em uma grande festa, reunindo clássicos que marcaram gerações e sucessos da música internacional. SERVIÇO Liga Joe 📅 Data: 17 de outubro (sexta-feira) ⏰ Abertura: 20h30 | Início: 21h30 📍 Local: Espaço Patrick Ribeiro – Novo Aeroporto de Vitória (Avenida Roza Helena Schorling Albuquerque, s/n – Goiabeiras, Vitória – ES) 🔞 Classificação: 18 anos (menores acompanhados dos pais ou responsável) 🎟️ Ingressos: Blueticket – Liga Joe Flashback Anos 70, 80 e 90 Baile do Magal – Sidney Magal 📅 Data: 18 de outubro (sábado) ⏰ Abertura: 20h | Início: 21h 📍 Local: Espaço Patrick Ribeiro – Novo Aeroporto de Vitória (Avenida Roza Helena Schorling Albuquerque, s/n – Goiabeiras, Vitória – ES) 🔞 Classificação: 18 anos (menores acompanhados dos pais ou responsável) 🎟️ Ingressos: Blueticket – Sidney Magal em Vitória
Meia Maratona de Vila Velha reúne 3 mil atletas neste fim de semana
Prova contará com percursos de 5 km, 10 km e 21 km, além da Corrida Kids; percurso passa por mais de 10 praias do município. Vila Velha se prepara para receber um dos maiores eventos esportivos do Espírito Santo. A Meia Maratona de Vila Velha, que acontece neste sábado (18) e domingo (19), reunirá cerca de 3 mil atletas de diferentes níveis — do iniciante ao avançado — em percursos de 5 km, 10 km e 21 km, além da tradicional Corrida Kids. No sábado, a Corrida Kids abre a programação com largada e chegada no Parque da Prainha, a partir das 16 horas. Crianças e adolescentes de até 13 anos participarão de provas com distâncias entre 50 e 800 metros, divididas por faixa etária, em um evento voltado à inclusão e à diversão. As provas principais acontecem no domingo (19), com largada às 6h30 e chegada também no Parque da Prainha. 5 km: saída da Avenida Antônio Gil Veloso, 240, na Praia da Costa (próximo à Rede Farmes); 10 km: saída da Avenida Estudante José Júlio de Souza, 2150, na Praia de Itaparica (em frente ao Edifício Alcy Ferreira Coutinho); 21 km: saída da Rua Marambaia, 21, na Praia dos Recifes (em frente ao Society Joga 7). Nesta edição, o percurso promete um visual ainda mais atrativo, passando por mais de 10 praias de Vila Velha, incluindo Praia da Costa, Itaparica e Praia da Sereia. A grande novidade é a inclusão da Ponte da Madalena, que substitui trechos menos visuais e proporciona uma experiência mais cenográfica aos corredores. Para garantir a segurança dos participantes, diversas vias da cidade terão interdições parciais durante a manhã de domingo, especialmente nas regiões da Praia dos Recifes, Itaparica, Praia da Costa e Centro. A terceira edição da Meia Maratona de Vila Velha é organizada pela WVM Eventos, com apoio da Secretaria de Esporte e Lazer da Prefeitura de Vila Velha. Foto: PMVV