A região norte do Espírito Santo poderá ganhar uma nova rota turística oficial: a Rota da Carne de Sol da Doce Terra Morena, que abrange os municípios de Montanha, Mucurici, Pedro Canário, Pinheiros e Ponto Belo. A proposta está no Projeto de Lei (PL) 348/2025, protocolado na Assembleia Legislativa pelo deputado Toninho da Emater (PSB). O texto será analisado em regime de urgência e deve receber parecer oral das comissões de Justiça, Cultura, Turismo e Finanças durante sessão plenária, antes de seguir para votação em plenário. A proposta altera a Lei 12.017/2023, que consolida as rotas turísticas oficiais do Espírito Santo, incluindo o novo trajeto e declarando-o de relevante interesse turístico e cultural. Na justificativa, o parlamentar ressalta o valor histórico e cultural da carne de sol produzida na região da Doce Terra Morena, destacando suas características únicas. “É um produto com tradição e qualidade reconhecidas, símbolo da identidade dessa linda região”, afirma Toninho. Segundo o deputado, a oficialização da rota pode impulsionar o turismo e o desenvolvimento local. “A medida fortalece a cultura regional, incentiva o turismo gastronômico, gera emprego e renda e promove o crescimento das cidades envolvidas”, destaca. Se aprovado, o projeto entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial. Foto: Ales
Dia dos Namorados deve movimentar R$ 70,43 milhões no comércio capixaba
Estimativa do Connect Fecomércio-ES aponta crescimento de 4,6% nas vendas em relação ao ano passado, impulsionado pela confiança do consumidor e estabilidade econômica no Estado. O comércio do Espírito Santo deve registrar uma movimentação de R$ 70,43 milhões em vendas no Dia dos Namorados deste ano. A projeção, elaborada pelo Connect Fecomércio-ES com base em dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), indica um crescimento de 4,6% em relação ao mesmo período de 2024. Segundo o estudo, fatores como o aumento da renda média, maior estabilidade no mercado de trabalho, tendência de queda na inadimplência e maior confiança do consumidor explicam o desempenho esperado para a data. O valor estimado supera as movimentações registradas em anos anteriores: R$ 67,25 milhões (2022), R$ 67,64 milhões (2023) e R$ 67,36 milhões (2024). De acordo com o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, roupas e calçados devem liderar as vendas, com estimativa de R$ 28 milhões, o equivalente a 39,8% do total. “A expectativa é que os casais busquem presentes com preços mais atrativos, como vestuário e calçados, que vêm apresentando variação menor nos preços”, destacou. Na sequência, aparecem os segmentos de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (29,2% das vendas, ou R$ 20,6 milhões), farmácias e perfumarias (R$ 9,3 milhões), hipermercados (R$ 7,82 milhões) e livrarias e papelarias (R$ 4,6 milhões). “O crescimento de 4,6% na movimentação do comércio reflete não apenas o cenário macroeconômico mais estável, mas também um comportamento de consumo mais racional, com foco em produtos com menor variação de preços. A queda na inflação das roupas femininas e a estabilidade nos preços do vestuário criam um ambiente favorável ao consumo”, explicou Spalenza. Inflação local abaixo da média nacional A pesquisa também indica que a inflação no Espírito Santo tem sido inferior à média nacional em itens tradicionais da data. Roupas femininas, por exemplo, registraram queda de 0,94% no estado, enquanto no Brasil houve alta de 1,12%. A média do grupo “roupas” variou apenas 0,15%. Calçados e acessórios subiram 1,24% e eletroeletrônicos 1,52%, ambos abaixo do índice estadual acumulado (2,75%). Entre os produtos mais simbólicos do Dia dos Namorados, os chocolates também apresentaram variação moderada no Espírito Santo, com alta de 1,73% — consideravelmente inferior à média nacional de 6,53%. Por outro lado, joias e bijuterias (7,07%) e perfumes (5,37%) ficaram acima da média da inflação no estado, o que pode representar um impacto maior no orçamento para quem optar por presentes mais tradicionais. Experiências também entram na conta Os serviços relacionados à celebração da data também apresentaram variações significativas. Os pacotes turísticos registraram queda de 8,51%, o que pode favorecer casais interessados em viagens rápidas dentro do estado. Também apresentaram redução os preços de cinema, teatro e shows (-1,55%) e transporte por aplicativo (-2,69%). Já a alimentação fora do domicílio teve alta de 5,31%, enquanto os preços de hospedagem subiram 6,32%. A maior variação ficou com o transporte intermunicipal, que acumulou alta de 13,45%. Em contraste, a gasolina teve aumento de apenas 1,49% no Espírito Santo, bem abaixo da média nacional (3,57%). “Mesmo com a alta em alguns setores, há alternativas econômicas para celebrar a data. Um passeio por cidades como Domingos Martins, Guarapari ou Itaúnas, aliado a um presente simbólico, pode ser uma forma de equilibrar o afeto com o orçamento”, concluiu Spalenza. *Com informações da Fecomércio-ES
Vila Velha lidera potencial de consumo no Espírito Santo pelo segundo ano
Mesmo diante do cenário econômico nacional desafiador, com juros elevados e inflação pressionando o poder de compra, Vila Velha manteve a liderança no ranking estadual de potencial de consumo. É o que aponta o estudo IPC Maps 2025, referência nacional na medição da capacidade de consumo dos municípios brasileiros. Com base em dados atualizados do IBGE e outras fontes oficiais, o levantamento mostra que a cidade movimenta mais de R$ 24,7 bilhões em consumo neste ano. A marca garante a Vila Velha, pela segunda vez durante a gestão atual, o primeiro lugar entre os municípios capixabas, à frente de Serra e Vitória, respectivamente. Em 2022, o município já havia alcançado a liderança estadual com um potencial de consumo de R$ 18,6 bilhões. O novo resultado reafirma a força econômica da cidade, que tem se destacado como polo de atração para investimentos e novos empreendimentos. “A liderança de Vila Velha no ranking de potencial de consumo do Espírito Santo é um reflexo direto do trabalho sério que temos realizado para fortalecer nossa economia, gerar novos empregos e atrair mais investimentos. Mesmo diante dos desafios econômicos que enfrentamos, a cidade cresce, consome e se consolida como referência de desenvolvimento sustentável no Estado”, afirmou o prefeito Arnaldinho Borgo. Segundo ele, o desempenho da cidade reflete um ambiente cada vez mais favorável ao empreendedorismo, com políticas públicas voltadas para inovação e geração de oportunidades. “Vila Velha hoje é uma cidade com oportunidades reais, que acolhe os sonhos de quem quer crescer com segurança e qualidade de vida. Esse resultado é de todos aqueles que acreditam em nosso município, empreendem, trabalham e fomentam nossa economia”, acrescentou o prefeito. O avanço do consumo está diretamente ligado ao crescimento do emprego formal na cidade. Para Arnaldinho, a renda gerada por contratações com carteira assinada tem efeito direto sobre os gastos das famílias, impulsionando ainda mais a economia local. “Seguir na liderança do potencial de consumo do Espírito Santo mostra que Vila Velha está no caminho certo. Temos uma economia pulsante, setores em expansão e um ambiente favorável para quem quer investir ou empreender. Nosso compromisso é continuar avançando com responsabilidade e inovação”, completou. Setores em destaque O estudo do IPC Maps aponta que os principais setores que movimentam o consumo em Vila Velha são habitação, saúde, alimentação fora de casa, educação, vestuário e materiais de construção. Também se destacam segmentos como farmácias, clínicas médicas, academias especializadas para idosos, turismo voltado à terceira idade, delivery, transporte personalizado e serviços de manutenção automotiva. O comércio varejista de roupas e bebidas, lanchonetes, salões de beleza, estética e serviços de reparo residencial e automotivo também têm registrado crescimento expressivo. O envelhecimento da população, por sua vez, tem ampliado a demanda por serviços relacionados à saúde e ao bem-estar. “Nosso papel, na gestão pública, é criar condições ideais para quem quer empreender. É isso que temos feito, com planejamento, desburocratização, diálogo com o setor produtivo e investimentos em infraestrutura e capacitação”, destacou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Everaldo Colodetti. Para Colodetti, o resultado reflete uma política econômica local centrada na valorização do empreendedor e no fortalecimento de um ambiente de negócios sólido e confiável. “Com esses resultados, estamos comprovando que é possível crescer com equilíbrio, mesmo em um cenário nacional adverso. A liderança no potencial de consumo de Vila Velha é fruto do trabalho conjunto entre poder público, iniciativa privada e a força do nosso povo. Depois de décadas de estagnação, hoje, enfim, temos uma cidade viva, com empreendedores confiantes e uma população que consome, investe e acredita no futuro”, concluiu. Fonte: IPC Maps 2025 Foto: PMVV
Vitória é referência nacional em formação de professores e alfabetização, aponta estudo
A rede municipal de ensino de Vitória foi destaque em um estudo de caso conduzido pelo Movimento Profissão Docente, coalizão formada por organizações do terceiro setor que atuam na área educacional. A capital capixaba foi apontada como referência nacional por suas políticas de formação de professores e pelos avanços na alfabetização de crianças. O levantamento analisou as estratégias adotadas pelo município e classificou Vitória como um exemplo de política educacional bem estruturada, baseada em evidências e focada no desenvolvimento profissional dos educadores. A análise faz parte de uma série de publicações do Movimento Profissão Docente que busca identificar boas práticas capazes de inspirar outras redes de ensino no país. A escolha por Vitória foi motivada pelos resultados expressivos da cidade no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, divulgado em junho de 2024. A capital capixaba apareceu entre as cinco melhores do Brasil em alfabetização ao final do 2º ano do Ensino Fundamental — a primeira colocada da região Sudeste e a quarta no ranking nacional. Entre os fatores que explicam esse desempenho está a reestruturação da política de formação continuada da rede. A capacitação dos professores passou a ocorrer no horário de trabalho, de forma articulada com o currículo, as avaliações, os materiais didáticos e o acompanhamento pedagógico. “Formação é coisa séria. Não é apenas uma estratégia administrativa, mas um processo genuíno de valorização profissional. Garantir a formação no horário de trabalho é essencial para oferecer uma educação de qualidade”, destacou a secretária municipal de Educação, Juliana Rohsner. O estudo ressalta como diferencial o modelo de formação continuada adotado pela rede, com encontros mensais por componente curricular e etapa de ensino, sempre com pautas construídas a partir de dados de aprendizagem e das necessidades reais das escolas. Outro ponto de destaque é o acompanhamento pedagógico sistemático: assessores visitam quinzenalmente as unidades escolares, atuando lado a lado com gestores e professores para garantir alinhamento entre avaliação, planejamento e prática pedagógica. Também foram elogiadas a adoção de um currículo unificado, com metas trimestrais claras, e a implantação do projeto Educar para Vitória, que integra avaliação diagnóstica, reforço escolar, formação docente e ampliação da carga horária dos estudantes. Com foco em planejamento estratégico, definição de metas e monitoramento contínuo, a rede municipal passou a fortalecer a cultura pedagógica nas escolas, ampliando as oportunidades de aprendizado para mais de 40 mil alunos. Resultados concretos Os avanços já podem ser observados nos principais indicadores educacionais. Após um período de estagnação, Vitória elevou seu desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb): passou de 5,6 para 6,1 nos anos iniciais e de 4,6 para 5,0 nos anos finais do Ensino Fundamental. O município também recebeu o Selo Ouro em Alfabetização, concedido pelo Ministério da Educação, em reconhecimento aos resultados alcançados em toda a rede. “O reconhecimento é importante, mas o que mais nos motiva é saber que nossas crianças estão tendo acesso a uma educação pública de qualidade, humanizada e transformadora. Seguiremos comprometidos com a valorização de nossos profissionais e com o direito à aprendizagem de cada estudante de Vitória”, afirmou a secretária Juliana Rohsner. Foto: PMV
Procon-ES notifica apps de transporte por aumentarem preços durante paralisação de ônibus
O Instituto Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-ES) notificou nesta terça-feira (10) os aplicativos de transporte que operam na Grande Vitória por possíveis abusos na cobrança de tarifas durante a paralisação dos motoristas de ônibus ocorrida no início da manhã. Segundo o órgão, os preços das corridas teriam subido de forma significativa em um curto período, o que motivou a abertura de um processo para apurar se houve prática abusiva com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC). A notificação exige que as empresas prestem esclarecimentos sobre o uso do chamado “preço dinâmico” — sistema que ajusta automaticamente o valor das corridas conforme a demanda de passageiros. O Procon-ES quer entender se os aumentos foram justificados por dados concretos e se seguem os critérios previstos pela legislação. As plataformas terão 20 dias, contados a partir do recebimento da notificação, para informar o aumento da demanda registrado na região metropolitana no dia 10 de junho, detalhar os reajustes aplicados e apresentar documentos que comprovem essas variações. Também deverão explicar os critérios utilizados para acionar o preço dinâmico, incluindo a metodologia de cálculo e as ferramentas envolvidas no processo. A diretora-geral do Procon-ES, Letícia Coelho Nogueira, reforçou que o CDC veda aumentos sem justificativa plausível. “O artigo 39 proíbe reajustes sem que haja um acréscimo real nos custos operacionais. Essa justificativa precisa ser documentalmente comprovada. Elevar os preços em um momento de vulnerabilidade da população, como durante uma paralisação, pode ser considerado abuso e até mesmo ato ilícito”, alertou.
Empresas da construção civil terão rodada de negócios no ES Construção Brasil
Empresas capixabas da construção civil terão uma oportunidade de ampliar parcerias e fechar novos negócios durante a Rodada de Negócios promovida pelo Sebrae/ES. O evento será realizado nos dias 17 e 18 de julho, das 15h às 18h, no Pavilhão de Carapina, na Serra. As inscrições já estão abertas e devem ser feitas até o dia 21 de junho, com vagas limitadas. Para participar, é necessário preencher o formulário no link: clique aqui. A ação faz parte da programação da ES Construção Brasil, maior vitrine de inovação da construção civil no Espírito Santo. A iniciativa tem o apoio da Findes, do programa + Negócios e do Sinduscon-ES, com foco em conectar pequenos fornecedores a grandes empresas compradoras, estimulando o fortalecimento da cadeia produtiva local. “Nosso objetivo é criar um ambiente favorável para que os pequenos negócios tenham acesso a oportunidades reais de venda e networking com grandes empresas”, destaca Ana Karla Macabu, gerente de Competitividade e Produtividade do Sebrae/ES. “Esse tipo de ação fortalece a economia local e aumenta a competitividade das micro e pequenas empresas capixabas”, completa. Após a inscrição, os participantes serão contatados pela empresa Dinamus, responsável pela intermediação da rodada. Também haverá um workshop preparatório, obrigatório para os fornecedores, que terão a chance de apresentar seus produtos ou serviços diretamente a compradores durante os encontros de negócios. Ana Karla reforça que o preparo é essencial. “A capacitação prévia garante que os empresários estejam prontos para aproveitar ao máximo esse momento estratégico. O encontro deve ser produtivo e, preferencialmente, gerar resultados concretos para todos os envolvidos.”
GUSTAVO VARELLA CABRAL – “Foco na Lei 14.197/2021!”
Qualquer obra que se consulte (escrita em qualquer idioma e dotada de mínimo conteúdo jurídico) no intuito saber-se “o que é e para o que serve uma lei?” dirá algo como: Elas, as leis, “foram criadas para organizar a convivência social, garantir a ordem, a justiça e os direitos dos indivíduos e instituições, e são fundamentais para a manutenção da paz e da segurança, definindo o que é permitido e proibido, e estabelecendo as regras para as relações entre as pessoas e com o Estado”. Partindo dessa, digamos, premissa universal, não há sociedade humana, pública ou privada, qualquer que seja seu modelo de governança, que prescinda de regramentos para sua existência e seu desenvolvimento. Vivemos no Brasil, hoje, o que talvez seja o processo (penal) mais importante de sua história. Refiro-me ao julgamento (em curso) do que apelidamos de “Tentativa de Golpe” e de outros atos criminosos que teriam sido praticados – direta ou indiretamente, e com maior ou menor participação dos denunciados – por milhares de pessoas, dentre as quais as denominadas “as velhinhas com bíblias debaixo dos braços” e um ex-presidente da República. Numa cena que contemple dois rapazes (digamos, ambos, maiores de idade) conversando na beira da praia, cada um com seu radinho comunicador, sobre coisas do cotidiano, nada mais representaria senão um comportamento absolutamente normal em nosso cotidiano. Porém se esses mesmos rapazes, em outro cenário, estivesses conversando entre si no propósito de alertar outros companheiros dedicados à embalagem e venda de entorpecentes, da chegada da polícia, eles estariam cometendo um crime tipificado no Artigo 35 da Lei 11.343/2006 como “associação para o tráfico”, mesmo que desconhecessem o chefe da quadrilha, ou que jamais lhes fosse possível desfrutar de todas as benesses financeiras da atividade. Usando da mesma linha comparativa, uma mulher que, revoltada com alguma pessoa, usasse seu batom para escrever, no muro da residência de seu desafeto, qualquer tipo de xingamento a ele, responderia “apenas” por vandalismo ou um “prosaico” crime contra a honra (injúria, difamação ou calúnia, conforme o que se apurasse). Todavia outra, em meio a uma multidão que invade prédios públicos e os depreda na perspectiva, própria ou induzida, de que seu ato se impõe na defesa da democracia e outros valores, que use desse mesmo expediente (pichação com batom) numa estátua postada diante de um dos locais “alvo” dessa mesma multidão, responderá, guardada sua participação no evento, pelos atos que praticou, como ocorre com um singelo motorista, ao volante de seu singelo veículo, estacionado diante de uma agência bancária, que dá fuga aos seus companheiros que terminaram de assalta-la, inclusive com destruição de objetos e violência contra as pessoas presentes no interior daquele prédio: ainda que sensivelmente menor do que a de outros integrantes da hipotética quadrilha, sua participação foi essencial em uma das etapas do crime. Esse tipo de situação, atos, efeitos e seus desdobramentos, reproduzem-se diariamente no Brasil e recebem idêntico tratamento processual no Poder Judiciário. Quando, durante o período da Presidência de Jair Messias Bolsonaro, o Congresso Nacional aprovou e ele, Presidente, sancionou a mencionada LEI 14.197/2021, um de seus efeitos imediatos (prescrição contida em seu texto) foi a revogação da chamada Lei de Segurança Nacional (Lei 7.173/83), criada durante o Regime Militar, que trazia em seu bojo um sem-número de dispositivos voltados à tipificação de crimes contra nossa Pátria. Como não se admite hiato jurídico na defesa de tamanhos valores e interesses a nova lei, no propósito de preservar o chamado “Estado Democrático de Direito”, cunhou (criou, trouxe, apresentou) novos dispositivos tipificando condutas infracionais como a “tentativa de abolição desse mesmo Estado de Direito” e a “tentativa de impedir ou dificultar o exercício do poder legitimamente constituído, ou alterar a ordem constitucional estabelecida”, que chamamos “Golpe de Estado”. Existem diversos crimes (e isso não é opinião pessoal, mas conceitos juridicamente construídos e legalmente sedimentados) cuja mera “tentativa” (de praticá-los) não é punida, e outros que se aperfeiçoam e configuram já na própria “tentativa”, como vários previstos na lei em comento. Muito embora muita gente (uns por natural ignorância e outros por desonestidade intelectual) estranhe esses argumentos e consequências ou vitupere contra eles, é assim que as coisas são: as alternativas são aceitá-las, construir sólido argumento acadêmico e político para modificar paradigmas e regramentos ou, então, armar-se para derrubar o sistema e implementar outro, colhendo os louros pelo êxito ou pagando o preço pelo fracasso. Nesse passo e tornando ao cerne do texto, elementos como a apelidada “minuta do golpe”, texto localizado e apreendido em diversos celulares dos envolvidos e, mais, também localizada em computadores e impressoras pelos mesmos utilizadas, estabelecendo diversos atos e desdobramentos que seriam perpetrados após o sucesso da intentada ação, é peça fundamental na chamada configuração de diversos desses crimes tipificados. Dizê-la um “mero estudo casuístico e despretensioso”, afirmar que jamais seriam implementados os atos nela previstos, ou, mesmo, invocarcomo defesa pretensas paixão e defesa da democracia para fugir das consequências penais de seus atos, é, mais ou menos, como um assaltante de bancos, flagrado junto à dinheirama roubada, jurar que pretendia usar o produto do roubo para construir um hospital infantil. Na história brasileira inúmeros golpes, tentados ou consumados, sangrentos ou não, a maioria deles protagonizada por militares, ocorreram, como o de 1823 (chamado “Noite da agonia”), o de 1840 (alcunhado “Maioridade de Pedro II”), o de 1889 (conhecido como “Proclamação da República”), o de 1891 (alcunhado “Estado de Sítio”),o de 1930 ( que iniciou a “Era Vargas”), também os de 1937 (Estado Novo), 1950 (para impedir a posse de Getúlio novamente eleito), 1955(esse para impedir a posse de Jucelino), 1961 (agora para impedir a posse de do vice-Presidente João Goulart após a renúncia do titular Jânio Quadros), 1964 (que derrubou João Goulart e institui a Ditadura Militar), ainda em 1968 ( que nos presenteou o famigerado AI-5) e, em penúltimo lugar, o de 1977 (planejado também por militares, liderados pelo General Sylvio Frota, para impedir a “abertura democrática” prometida pelo General-Presidente Ernesto Geisel). Desse “penúltimo” extrai-se uma interessante informação: exercia a função de “Ajudante de Ordens” (!) do líder dos golpistas um então desconhecido Capitão do Exército Brasileiro, hoje conhecido pela patente e nome de General Augusto Heleno… Em todos esses episódios, exitosos ou não, um grupo de pessoas, todas absolutamente convictas de seu patriotismo e de seus valores morais, também firmes no propósito de salvar o país de ideias e ameaças graves às liberdades individuais e coletivas, reuniu-se para planejar e derrubar o “estado de coisas” no qual via-se transformado (ou em vias de sê-lo) o sistema político e social brasileiro. É compreensível a dificuldade que muita gente tem de conviver com pessoas que pensam diferente delas, ou que praticam atos que julgam absurdos diante de suas perspectivas de vida. Muitas delas agem como aquele vizinho, transtornado com a algazarra feita por crianças jogando futebol diante de seu portão, que aproveita a
LUANA ROMERO – “COP30: um chamado à ação em terras capixabas”
A realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que vai acontecer no mês de novembro, em Belém do Pará, já é um marco para o Brasil e um momento histórico para a agenda ambiental global. Com 2024 marcado como o ano mais quente da história, a agenda climática deixou de ser uma discussão sobre o futuro. É uma realidade urgente que exige ação hoje. Por isso mesmo, antes da COP30 começar, ela já nos convoca à responsabilidade, especialmente com a realização de etapas preparatórias em diversos estados. Nessa semana, Vitória será palco de uma das etapas oficiais preparatórias da Conferência, colocando o Espírito Santo no mapa das decisões mais importantes sobre o futuro do planeta. A presença dessa agenda em Vitória, coloca o nosso território no centro do debate climático global. E não é por acaso. O Espírito Santo é um estado estratégico, com uma base industrial forte e uma sociedade civil cada vez mais mobilizada. Participar desse processo é mais do que necessário, é urgente. A crise climática está batendo à nossa porta com enchentes, ondas de calor extremo, insegurança alimentar, desastres ambientais. Na COP30, o Brasil terá a oportunidade de se posicionar como líder na transição climática. Mas essa liderança só será legítima se for construída com coerência, compromisso e inclusão. É isso que precisamos defender. Para enfrentar os desafios da crise climática, é fundamental que sociedade, lideranças, organizações e governos atuem juntos, desenvolvendo soluções socioambientais, promovendo o diálogo entre diferentes setores e impulsionando ações com impacto real e duradouro. A etapa preparatória da COP30 em Vitória é uma oportunidade única para ampliarmos a escuta, valorizarmos o conhecimento local e tornarmos essa transição mais justa. Que esse movimento não fique restrito a auditórios, que chegue às ruas, às escolas, às empresas e, principalmente, às comunidades que mais precisam ser ouvidas. Luana Romero é diretora executiva do Ideias e especialista em sustentabilidade e práticas ESG *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Sertrading inaugura centro automotivo no ES com investimento de R$ 48 milhões
A Sertrading, empresa do BTG Pactual e uma das líderes em comércio exterior no Brasil, inaugurou nesta quarta-feira (11) um novo centro automotivo no Espírito Santo, com investimento de R$ 48 milhões. A iniciativa marca um passo importante na verticalização das operações da companhia e amplia sua capacidade logística para atender o setor automotivo nacional. A cerimônia de inauguração contou com a presença do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e do chairman e sócio sênior do BTG Pactual, André Esteves. Instalado a poucos quilômetros dos portos de Vitória e Capuaba, o centro ocupa uma área de 1,5 milhão de metros quadrados e tem capacidade para movimentar mais de 30 mil veículos por mês. “O Espírito Santo sempre se demonstrou um estado com grande vocação para o mercado internacional, com uma localização estratégica que facilita a distribuição tanto para o Sudeste quanto para o Sul e Nordeste do Brasil”, destaca Thiago Pontes, Vice-Presidente Comercial e de Operações da Sertrading. “Com a inauguração deste centro, reforçamos nossa posição como um hub logístico de importância estratégica para o Brasil e para o mercado internacional de automóveis”. O novo centro automotivo está preparado para realizar todas as etapas do processo de recepção de veículos importados, oferecendo serviços especializados como expedição, vistoria, parqueamento e inspeções de qualidade. Entre os serviços estão gravação de chassi nos vidros, aplicação de etiquetas de segurança e demais procedimentos conforme as exigências das montadoras. Atualmente, a Sertrading atende marcas como Ford, Omoda & Jaecco e GAC. Com atuação no Espírito Santo desde o ano 2000, a Sertrading foi adquirida em 2023 pelo BTG Pactual e se consolidou como uma das principais importadoras de veículos do país. No ano passado, mais de 45 mil automóveis importados pela empresa passaram pelos portos capixabas. A expectativa para 2025 é dobrar esse volume, superando os 90 mil veículos. A projeção de faturamento da Sertrading para o próximo ano é de R$ 35 bilhões, frente aos R$ 25 bilhões registrados em 2024. Além do setor automotivo, a empresa atua em outras 16 áreas da economia, incluindo os segmentos farmacêutico, de energia, químico, máquinas e aviação executiva.
Arnaldinho reforça articulação para 2026 e anuncia “jornada” pelo ES nos fins de semana
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, deu mais um passo na construção de sua pré-candidatura ao governo do Estado nas eleições de 2026. Em artigo publicado nesta terça-feira (11) em A Gazeta, o gestor anunciou que vai intensificar sua agenda de visitas pelo interior capixaba aos fins de semana, mantendo o foco total na administração de Vila Velha durante a semana. “A partir de agora, iniciarei uma jornada por todos os municípios do Estado, nos finais de semana, sem comprometer nossa agenda administrativa em Vila Velha”, escreveu Arnaldinho. Segundo ele, o objetivo é ouvir lideranças do agronegócio, da indústria, do comércio, da juventude, das comunidades cristãs e dos trabalhadores. A movimentação do prefeito se dá após ser citado, no fim de 2024, pelo governador Renato Casagrande como um dos nomes do grupo político com potencial para disputar a sucessão estadual. Desde então, Arnaldinho afirma ter intensificado o diálogo com representantes da sociedade civil — de empresários a lideranças comunitárias — e buscado basear suas decisões em dados concretos. “Para entender melhor os anseios da população e garantir uma candidatura alinhada com as necessidades reais dos capixabas, utilizamos um método científico: a pesquisa qualitativa”, relatou. Segundo ele, o levantamento confirmou o desejo da população por uma nova geração de políticos “comprometidos com a gestão pública, com capacidade de diálogo, de liderar e de montar equipes, que sejam transparentes e que cultivem princípios conservadores”. No texto, o prefeito também reforça que não pretende construir sua possível candidatura de forma isolada, mas em sintonia com o legado da atual gestão estadual. “Dessa forma, estamos trabalhando com humildade e com determinação para oferecer ao eleitor capixaba uma opção segura de mudança geracional que ele deseja para 2026. Um nome jovem, com experiência, capaz de unir forças, enfrentar desafios e defender o legado do nosso governador Casagrande”, afirmou. Arnaldinho aproveitou o artigo para citar as transformações que, segundo ele, tornaram Vila Velha uma referência estadual em áreas como modernização da gestão, geração de empregos e atração de investimentos. E defendeu a ampliação desses avanços para outras regiões capixabas. “Já superamos diversos obstáculos no passado para transformar Vila Velha em uma referência no Espírito Santo e no Brasil em modernidade, atração de investimentos e geração de emprego e renda. Agora, o nosso compromisso é expandir essa transformação, garantindo que todas as regiões do Estado avancem ainda mais”, declarou. Além das andanças pelo interior, Arnaldinho revelou que também está em busca de uma nova legenda para viabilizar sua candidatura ao Palácio Anchieta. Ele afirmou que deixou o antigo partido por não encontrar espaço para desenvolver um projeto coletivo. “Mantenho um diálogo construtivo com lideranças partidárias buscando uma legenda que possibilite apresentar meu nome aos eleitores capixabas”, disse.