Uma carreta que se transforma em sala de cinema está levando alegria e diversão para crianças e famílias da Serra, com sessões gratuitas de filmes em diferentes bairros do município. A iniciativa, promovida pela ArcelorMittal Unidade Tubarão, com apoio da Prefeitura da Serra, por meio da Secretaria de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer (Setur), tem como objetivo democratizar o acesso ao audiovisual e promover inclusão cultural, oferecendo a experiência do cinema a quem nem sempre tem acesso às salas tradicionais. Dentro da carreta, tudo foi planejado para garantir conforto e acessibilidade: 77 assentos, isolamento acústico, ar-condicionado e elevador para cadeirantes, além de assentos reservados para pessoas com deficiência. O público também recebe pipoca e refrigerante, completando a experiência cinematográfica. As sessões durante a semana são voltadas para escolas da região, enquanto o público em geral pode retirar ingressos para as exibições noturnas e as de sábado, sempre a partir das 19h30. A programação inclui cinco sessões diárias — às 8h, 10h, 14h, 16h e 19h — com filmes como Encanto, Elementos, Mufasa: O Rei Leão, Viva – A Vida é uma Festa, Divertidamente 2 e Minha Mãe é uma Peça 3, entre outros. As produções brasileiras Mussum – O Filmis e Minha Mãe é uma Peça 3 contam com intérprete de Libras, reforçando o compromisso com a acessibilidade. Nos últimos dez anos, a Carreta do Cinema já percorreu mais de 400 cidades brasileiras, levando cultura e entretenimento a milhares de pessoas em todo o país. A passagem pela Serra começou pelos bairros São Diogo (18 a 20 de outubro) e Novo Horizonte (23 a 25 de outubro). Em seguida, o projeto chega ao bairro Cidade Continental, setor Ásia, de 27 a 29 de outubro, encerrando o circuito no município.
Missão do BID acompanha avanços do programa de modernização do sistema prisional capixaba
O Espírito Santo recebe nesta semana uma missão de supervisão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para acompanhar as etapas do Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional (Moderniza-ES), desenvolvido pelo Governo do Estado por meio da Secretaria da Justiça (Sejus). A agenda técnica, que começou nesta terça-feira (21) e segue até sexta-feira (24), inclui reuniões e visitas a unidades prisionais, com o objetivo de avaliar o andamento físico e financeiro do programa, que prevê investimento total de US$ 102,9 milhões, financiado pelo BID. O Moderniza-ES tem foco na ampliação da infraestrutura prisional e na modernização da gestão, tecnologia e programas de reinserção social, incluindo a construção de dois Centros Integrados de Ressocialização, além da instalação de Centrais de Alternativas Penais e Escritórios Sociais em diferentes municípios. Segundo o especialista sênior em Segurança Cidadã e Justiça do BID, Rodrigo Pantoja, o programa apresenta avanços expressivos: “Vemos de forma muito positiva o progresso no planejamento das aquisições e o avanço das licitações, o que deve dinamizar o fluxo financeiro e acelerar as contratações”, afirmou. De acordo com o coordenador-geral do programa, Vinícius Teixeira, a expectativa é de que até o fim do ano sejam contratados todos os serviços de ressocialização previstos. “Essas estruturas são pilares fundamentais do Moderniza-ES”, destacou. A missão, liderada pelo BID, também realiza visitas técnicas às unidades prisionais de Vila Velha e Cariacica, onde estão previstas intervenções dentro do programa. Foto: governo ES
Aprovada a urgência para projeto que proíbe cobrança por mala de mão em voos
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (21), o regime de urgência para o Projeto de Lei 5041/25, de autoria do deputado federal Da Vitória (PP-ES), que garante o transporte gratuito de bagagens de mão em voos nacionais e internacionais. Com a aprovação da urgência, a proposta seguirá diretamente para votação em plenário, sem necessidade de análise prévia pelas comissões temáticas. A medida acelera a tramitação e aumenta as chances de implementação rápida da proposta, que tem como objetivo proteger os consumidores e evitar novas tarifas sobre o transporte de bagagens. “O brasileiro já paga uma das passagens aéreas mais caras do mundo. Em 2017, as companhias aéreas começaram a cobrar pelo despacho de bagagem com a justificativa de que o valor da passagem iria reduzir, o que não aconteceu. Agora querem cobrar pela bagagem de mão com o mesmo argumento. Já vimos esse filme antes e não vamos permitir”, afirmou o parlamentar capixaba. O relator do projeto é o deputado Neto Carletto (Avante-BA), designado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta.
Vila Velha recebe a 2ª edição do Slab Bodyboarding nas bancadas da Praia da Costa
Evento reúne 25 atletas de três estados em um dos ambientes mais extremos do Brasil O município de Vila Velha volta a ser palco neste sábado (25) de um dos eventos mais desafiadores do bodyboarding nacional. O Slab Bodyboarding Contest 2025 chega à sua segunda edição com promessa de ondas poderosas e muita adrenalina nas bancadas de pedras localizadas a 1,2 km da Praia da Costa, em uma área conhecida como D2. Organizada pelo coletivo Slab BB, a competição acontece em um único dia dentro de uma janela de um mês, para garantir as melhores condições de mar e vento. O monitoramento é feito por um sistema moderno, capaz de acionar o evento no momento ideal, assegurando a performance máxima dos atletas e a segurança da equipe técnica. Competição de alto nível A disputa reunirá 25 bodyboarders vindos do Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo — todos com experiência em ondas sobre bancadas de pedra, conhecidas pela força e complexidade. Entre os nomes confirmados, destaque para o capixaba Lucas Nogueira, onze vezes campeão estadual e vencedor da primeira edição do Slab Bodyboarding Contest, que retorna para defender o título. Além de Nogueira, participam atletas como Adriano Silveira (PE), Henrique Andrade (ES), Alex Kundera (ES), José Otavio (RJ), Marcel Senna (SP), Peter Alves (ES) e Thomas Rovira (RJ), entre outros. No feminino, o público pode esperar um duelo histórico: a capixaba Bianca Simões, campeã da primeira edição, enfrentará a campeã mundial Maíra Viana em uma bateria de altíssimo nível técnico. 📎 As baterias sorteadas estão disponíveis em: l1nk.dev/Baterias Mais do que um campeonato Mais do que uma competição, o evento é também uma plataforma de conscientização ambiental, incentivando ações de preservação das praias e valorização do litoral capixaba — especialmente das ondas icônicas de Vila Velha, como Avalanche, cuja exploração pioneira teve participação direta de atletas locais envolvidos na organização do evento. Parcerias e turismo esportivo O Slab Bodyboarding Contest 2025 conta com o apoio de marcas locais e nacionais, fortalecendo o turismo esportivo e movimentando a economia do município. Patrocinadores Masters: Câmbio Lube, Fênix Bodyboard e JP Petiscaria. Co-Patrocinadores: Ari Fotos Esportivas, Cabana da Orla, Conexão Link, Drone Vini 027, Fruteria Brasil, Invert Style, Laranja’s Natural, Lojas Balãozinho, Meik Puf Cerveja Artesanal, Point Peças, Replant, Romeritto Filmmaker, Silmer Camisas, UniCesumar, Vida de Ilha e X Press Veicular. Serviço Slab Bodyboarding Contest 2025 📌 Local: D2 – Praia da Costa, Vila Velha (ES) 📅 Período de espera: 30/09 a 31/10 🏄♂️ Organização: Coletivo Slab BB & Thiago Abul 📞 Contatos para imprensa: Thiago Abul – (27) 99890-3373 Heriberto Simões – (27) 99222-2909 📸 Instagram: @slab.bb.contest
Especialista alerta: novo uso do Mounjaro para apneia do sono exige cautela médica
A Anvisa aprovou o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade, ampliando as indicações de uma das drogas mais comentadas da atualidade. O anúncio, feito nesta segunda-feira (20), representa um avanço importante no enfrentamento de um dos distúrbios do sono mais comuns e potencialmente graves, que afeta milhões de brasileiros. A tirzepatida, já utilizada no controle do diabetes tipo 2 e no emagrecimento, torna-se agora o primeiro medicamento aprovado no Brasil para tratar a apneia do sono associada à obesidade — seguindo decisão semelhante do FDA, nos Estados Unidos, em 2024. De acordo com a especialista em Medicina do Sono e vice-presidente da Academia Brasileira do Sono (ABS), Jessica Polese, estudo publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que o uso da tirzepatida reduz o número de interrupções respiratórias durante o sono, o que pode melhorar significativamente a qualidade de vida de quem sofre com o distúrbio. “A aprovação representa um avanço importante, especialmente porque a obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e agravamento da apneia do sono. A tirzepatida não atua diretamente nas vias respiratórias, mas ao promover perda de peso significativa, reduz a compressão sobre as vias aéreas e melhora a oxigenação noturna”, explica. Apesar do otimismo, a médica alerta para o uso responsável e acompanhado por especialistas. “É preciso cautela. O tratamento deve considerar o grau da apneia, a presença de outras doenças metabólicas e a tolerância ao CPAP. A tirzepatida é uma ferramenta complementar, e não uma solução isolada”, reforça Jessica Polese
Capital Inicial celebra 25 anos do lendário Acústico MTV em show histórico em Vitória
O Espírito Santo será palco de uma das turnês mais aguardadas do rock nacional. No dia 25 de outubro, a Área Verde do Álvares Cabral, em Vitória, recebe o show “Capital Inicial Acústico 25 Anos”, que celebra o sucesso do icônico projeto lançado em 1999. A noite também contará com shows completos das bandas capixabas Ubando e Dead Fish, reforçando a força e a diversidade da cena local. A turnê marca o reencontro do público com os grandes sucessos do Acústico MTV, que projetou o Capital Inicial a um novo patamar e se tornou um marco na música brasileira. O repertório inclui clássicos como Natasha, Tudo Que Vai, Primeiros Erros (com participação de Kiko Zambianchi), entre outros hits que marcaram gerações. A celebração passa por mais de 25 cidades brasileiras, com produção musical de Marcelo Sussekind e cenografia assinada por Zé Carratu, Studio Curva e MangoLab. A banda Ubando abre a noite com seu pop rock autoral, vibrante e cheio de identidade capixaba. Formada por Petrus Zambrotti, Nelson Faé, Gustavo Bride e Paulo Vítor Cirino, o grupo conquistou espaço em festivais e palcos de todo o Espírito Santo. Já o Dead Fish, ícone nacional do hardcore, retorna à terra natal com a energia e a autenticidade que o consagraram ao longo de mais de três décadas de carreira. O “Capital Inicial Acústico 25 Anos” revisita um dos discos mais vendidos da história do rock brasileiro — responsável por levar a banda de Dinho Ouro Preto, Fê e Flávio Lemos e Yves Passarell aos maiores palcos do país e inspirar gerações. Agora, o grupo comemora o legado com uma nova produção, que também marca o lançamento de um EP inédito. 📅 Serviço Show: Capital Inicial Acústico 25 Anos Data: 25 de outubro (sábado) Local: Área Verde do Álvares Cabral – Vitória (ES) Abertura dos portões: 18h Classificação: 18 anos (menores de 5 a 17 acompanhados pelos responsáveis) 🎟️ Ingressos: eventim.com.br 📍 Ponto físico: Loja Origens de Camburi – Av. Dante Michelini, 330, Jardim da Penha 💬 Informações: @booaproducoes (Lounges esgotados. Demais valores e lotes disponíveis no site.)
Estudantes do SESI ES conquistam destaque nacional na Olimpíada Brasileira de Robótica 2025
As equipes do SESI Espírito Santo brilharam na etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) 2025, realizada entre os dias 13 e 19 de outubro, em Vitória (ES). O evento, sediado na Cidade da Inovação, reuniu estudantes de todo o país em uma grande celebração da ciência, tecnologia e criatividade. Representando o Estado, os times capixabas alcançaram excelentes resultados nas modalidades práticas da competição, que também integrou a Mostra Nacional de Robótica e a Competição Brasileira de Robótica. As equipes premiadas foram: Atlas (SESI Araçás) – Melhor Programação do Resgate Nível 2 The Walking Lego (SESI Jardim da Penha) – 2º lugar geral na categoria Artística Nível 2 Vortex (SESI Cobilândia) – Melhor Apresentação na categoria Artística Nível 2 Belatrix (SESI Cobilândia) – Campeã Super Teams Nível 1 e Robô Destaque Nível 1 Para os participantes, a OBR representa muito mais do que prêmios. A estudante Isabella Fraga, da equipe Belatrix, destacou o aprendizado e a troca vivida durante a jornada: “Participar da OBR foi um dos momentos mais marcantes da minha vida. Foi uma jornada de muito aprendizado, dedicação e parceria. A robótica me ajudou a desenvolver raciocínio lógico, criatividade e trabalho em equipe, habilidades que levarei para toda a vida.” Já Julya Pacheco, da equipe Atlas, celebrou o reconhecimento nacional logo na estreia do grupo: “A OBR foi uma experiência inesquecível, principalmente por ter sido a primeira participação da Atlas no maior campeonato de robótica da América Latina. Enfrentamos muitos desafios, mas com garra e trabalho em equipe conseguimos superar cada um deles. Conquistar o prêmio de melhor programação foi a prova de que todo o nosso esforço valeu a pena.” O superintendente do SESI ES e diretor-regional do SENAI ES, Gerferson Santos, ressaltou que as conquistas reforçam o protagonismo dos alunos do SESI nas áreas de ciência, tecnologia e inovação: “Esses resultados mostram o quanto nossos estudantes estão preparados para resolver desafios reais por meio da robótica. O SESI investe em metodologias que estimulam o trabalho em equipe, o pensamento crítico e a criatividade, formando jovens capazes de transformar conhecimento em soluções para o futuro.” A Olimpíada Brasileira de Robótica é uma iniciativa pública e gratuita voltada a estudantes de 6 a 19 anos, de escolas públicas e privadas, com o objetivo de aproximar os jovens do universo da ciência e da tecnologia de forma lúdica, prática e inspiradora.
Gustavo Varella | “Contribuições para o debate – A atuação do Judiciário em crises políticas”
A atuação do Judiciário brasileiro, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF), tem sido frequentemente colocada em destaque durante crises políticas. Discutir de forma saudável o papel desse Poder é fundamental para o fortalecimento da democracia. No entanto, diversos obstáculos dificultam a construção de um debate verdadeiramente sadio e construtivo sobre o tema. A intensa polarização política no Brasil tem contaminado o debate público. Muitas vezes, análises sobre decisões judiciais são filtradas por preferências partidárias, levando à desqualificação automática de argumentos contrários e dificultando a busca por consensos mínimos ou pela compreensão plural das decisões judiciais. Soma-se a isso uma compreensão distorcida de diversas ideias e ideologias que permeiam essas discussões, quase sempre impregnada por discursos messiânicos. Esse cenário revela não apenas a imaturidade própria de sociedades em formação, mas também os efeitos das desigualdades brutais entre as camadas da população, que esgarçam ainda mais o tecido social, agravando problemas históricos e fomentando o dissenso. Nesse contexto, alternam-se aqueles que mascaram ações estritamente corporativas, partidárias ou vinculadas a outros interesses sob o disfarce de atuações parlamentares ou institucionais, divorciadas de seus reais propósitos, e os que se aproveitam das mazelas já graves não para minorá-las, mas para rotular “o outro lado” como exclusivo responsável por elas. Em ambos os casos, o real intento é a manutenção de privilégios próprios, apresentados como legítimos e necessários, enquanto os opostos são rotulados como vergonhosos, espúrios ou criminosos. Quando fatos ou questões de grande repercussão são levados ao exame do Poder Judiciário — o que tem ocorrido com frequência cada vez maior —, o que antes ficava restrito a determinados segmentos passou a ocupar o espaço público, sinalizando uma visível mudança de interesses e de temas. Não por acaso, se nas décadas de 1970, 1980 ou 1990 era quase impossível encontrar um brasileiro que não soubesse o nome de pelo menos cinco jogadores da Seleção Brasileira de Futebol, hoje é mais fácil encontrar quem saiba escalar cinco ministros do STF. Entretanto, grande parte da população — e mesmo dos formadores de opinião — não possui o conhecimento técnico necessário para interpretar adequadamente as decisões judiciais e o funcionamento institucional do Judiciário. Isso favorece distorções, interpretações equivocadas e a propagação de informações incorretas ou simplificadas sobre temas complexos. Some-se a isso os ataques frequentemente estimulados por atores políticos com interesses próprios em desacreditar decisões judiciais, uma estratégia que enfraquece o respeito às instituições democráticas e inibe críticas construtivas, pois o ambiente se torna hostil ao contraditório. Paradoxalmente, em tempos de crescimento exponencial dos meios de comunicação e disseminação de conteúdo, faltam espaços públicos e fóruns que promovam o diálogo qualificado entre especialistas, sociedade civil e cidadãos. O debate, muitas vezes, ocorre em ambientes superficiais, sem mediação ou espaço para aprofundamento, o que contribui para a reprodução de clichês e preconceitos. Além disso, a disseminação de notícias falsas e conteúdos desinformativos “sujam a água” e potencializam a circulação de boatos e narrativas enviesadas, tornando difícil separar fatos de opiniões ou críticas legítimas de ataques infundados. Por fim, a explosão da judicialização de conflitos após a Constituição de 1988 também atingiu o ambiente político, levando ao crivo do Poder Judiciário questões antes eminentemente circunscritas ao universo parlamentar. Muitas dessas demandas não se limitam ao viés técnico — como a análise de inconstitucionalidades ou irregularidades administrativas —, mas envolvem pertinência de políticas públicas, excessos de protagonismo, criminalização de atuações políticas ou, inversamente, a politização de condutas criminais. Isso robustecem tensões e controvérsias quanto aos limites entre os poderes, que antes se restringiam a manifestações protocolares ou disputas episódicas de protagonismo. Hoje, a tônica passou a ser a ameaça direta — sem subterfúgios — a integrantes do Poder Judiciário ou a seus familiares, feita ao vivo ou por escrito, por parlamentares e simpatizantes, com registros de datas e imagens. As manifestações mais extremadas configuram condutas criminosas que alguns tentam justificar por uma deturpada concepção de liberdade de expressão, enquanto outros as veem como parte do exercício de mandato, amparadas por prerrogativas que jamais tiveram esse alcance ou razão de ser. Não bastassem essas deturpações, que por si só degradam o ambiente interinstitucional, elas são amplificadas nas redes, por seus próprios autores ou seguidores, recebendo elogios e apoios de quem desconhece o conteúdo daquilo que propaga — e, pior, os limites entre a manifestação de inconformismo e atos delinquenciais tipificados no ordenamento jurídico. Se a mera sobreposição de papéis já dificulta o debate sadio, o que dizer da subversão do conceito de autoridade, estimulada para diminuir a legitimidade daqueles a quem compete aplicar a lei, solucionar conflitos de interesse e preservar as instituições nacionais, independentemente de opiniões contrárias, ainda que estas sejam aplaudidas por grande parte da população? Apesar dos avanços, ainda há limitações na comunicação do Poder Judiciário com a população. Decisões complexas — seja pelo conteúdo técnico, seja pela distância temporal em relação aos fatos que as originaram — são, muitas vezes, divulgadas sem explicações acessíveis à maioria, o que dificulta a compreensão e alimenta desconfianças, abrindo espaço para interpretações enviesadas. Soma-se a isso a percepção, enraizada culturalmente no país, de que levar questões ao “tapetão” — como se diz no futebol — pode reverter resultados, apagar penalidades ou transformar vilões em heróis, sem considerar a crise sistêmica que esse comportamento provoca. Superar esses desafios exige o fortalecimento da educação cívica e jurídica, o incentivo ao diálogo plural e respeitoso, o combate sistemático à desinformação e o aprimoramento da comunicação institucional do Judiciário. Só assim será possível construir um debate verdadeiramente sadio. Afinal, ao contrário do que ocorre nos campeonatos anuais, em que um time rebaixado pode retornar algum tempo depois e proporcionar alegria a seus torcedores, se qualquer dos Poderes — pilares centrais do Estado Democrático de Direito — decair à divisão subalterna, toda a estrutura fundamental se desmantela, cobrando da sociedade um preço quase sempre impagável. *Gustavo Varella é advogado, jornalista, professor e mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Luiz Carlos Ciciliotti é eleito presidente do TCES para o biênio 2026/2027
Eleição confirma transição pacífica e apoio unânime ao novo presidente da Corte O conselheiro Luiz Carlos Ciciliotti foi eleito, nesta terça-feira (21), presidente do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES) para o biênio 2026/2027. A eleição foi realizada durante sessão plenária, com votação unânime dos seis conselheiros presentes. O conselheiro Rodrigo Coelho não participou por estar ausente. Ciciliotti vai suceder o atual presidente, Domingos Taufner, que decidiu não concorrer à reeleição. A escolha confirma um acordo interno entre os conselheiros, assegurando transição pacífica e consenso no comando da instituição. Logo após o resultado, o presidente eleito agradeceu a confiança dos colegas: “Recebo com profunda gratidão e senso de responsabilidade a missão que hoje me é confiada. Agradeço meus pares pela confiança expressa no voto e palavras generosas que acompanham essa eleição. Vejo neste gesto não apenas o reconhecimento pessoal, mas o compromisso coletivo com o fortalecimento da nossa instituição. Sei que nenhum resultado é fruto de um esforço individual e, por isso, começo esse novo ciclo na certeza de que caminharemos juntos”, afirmou Ciciliotti. Indicado ao TCES em 2019 com apoio do governo Renato Casagrande (PSB) e da Assembleia Legislativa, Ciciliotti é o conselheiro mais velho da atual composição, com 71 anos, e o segundo mais antigo que ainda não havia presidido o órgão. Pela regra da aposentadoria compulsória, ele deixa o cargo em agosto de 2029. O novo presidente assume com a expectativa de manter a estabilidade institucional e a continuidade administrativa da Corte. Outros cargos da Mesa Diretora Os conselheiros também elegeram os demais integrantes da Mesa Diretora para o biênio 2026/2027. O cargo de vice-presidente será ocupado pelo conselheiro Davi Diniz, que estará ao lado de Ciciliotti na gestão do Tribunal. Diniz parabenizou o atual presidente e desejou sucesso ao novo dirigente: “Parabenizo o presidente Taufner pela condução deste biênio. Ainda teremos mais dois meses de gestão, mas desde já registro meu apreço. Desejo sucesso ao conselheiro Ciciliotti e que seja um biênio produtivo, de muito e intenso trabalho, e que a gente consiga manter o Tribunal nesse nível mais elevado de referência nacional. Obrigado a todos pelo carinho e prometo honrar cada voto e estar sempre leal e firme às convicções do nosso Tribunal”, destacou. A nova composição da Mesa Diretora é a seguinte: Presidente: Luiz Carlos Ciciliotti Vice-presidente: Davi Diniz Corregedor: Domingos Taufner Ouvidor: Carlos Ranna (reconduzido) Diretor da Escola de Contas Públicas: Rodrigo Chamoun (reeleito)
Empresário capixaba é o melhor pagador do Brasil, aponta estudo
Espírito Santo lidera ranking nacional com a menor inadimplência empresarial; estado reduziu número de empresas com dívidas em atraso e alcançou o índice mais baixo do país A saúde financeira das empresas capixabas é motivo de comemoração e coloca o Espírito Santo em posição de destaque no cenário nacional. O empresário capixaba é hoje o melhor pagador do Brasil, segundo o estudo “Retrato da Inadimplência”, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES com base em dados do Serasa Experian. O levantamento mostra que o Espírito Santo atingiu a menor taxa de inadimplência empresarial do país, com 24,73% dos CNPJs com contas em atraso — índice inferior à média nacional (31,75%) e à média da região Sudeste (31,27%). Os dados foram apresentados na manhã desta terça-feira, na sede da Fecomércio, em Vitória. Participaram da coletiva de imprensa Idalberto Moro (foto), presidente do Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac; Rodrigo Varejão, diretor-geral da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes); Pablo Lira, diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN); e Alexandre Theodoro, reitor da Faesa — reforçando o diálogo entre o setor produtivo, o meio acadêmico e as instituições públicas de fomento à inovação e ao desenvolvimento econômico. Em maio de 2025, 433 empresas capixabas saíram da inadimplência, reduzindo o total para 129.420. Em relação ao mesmo mês de 2024, quando o índice era de 25,55%, houve queda de 0,82 ponto percentual, reforçando a tendência de melhora contínua. O resultado reflete uma gestão financeira mais sólida e a capacidade dos empresários locais de honrar compromissos, mesmo diante dos altos custos de crédito. O número médio de dívidas por CNPJ permaneceu estável em 5,5, o mesmo de abril, e o valor médio das dívidas chegou a R$ 14.503,40. De acordo com André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, o desempenho positivo indica confiança e eficiência econômica. “O resultado mostra que o Espírito Santo mantém um ambiente de negócios mais equilibrado e sustentável. A redução da inadimplência reduz o risco sistêmico, atrai investimentos e fortalece a competitividade do setor produtivo local”, destacou. Dívidas empresariais em queda Outro ponto relevante é a redução do estoque de dívidas empresariais, que passou de R$ 2,34 bilhões em 2020 para R$ 1,88 bilhão em 2025. Mesmo com a taxa Selic em torno de 15%, as empresas capixabas conseguiram reorganizar seus compromissos financeiros, o que, segundo o estudo, contribui para um ambiente mais previsível e favorável ao planejamento de longo prazo. Para Spalenza, essa melhora estrutural reflete a maturidade dos empresários capixabas. “As empresas do Espírito Santo têm demonstrado capacidade de adaptação. Mesmo em um contexto de crédito caro, conseguiram reduzir o endividamento e aumentar a eficiência na gestão do capital de giro”, observou. Micro e pequenas empresas impulsionam o resultado As micro e pequenas empresas tiveram papel fundamental nesse avanço. O levantamento mostra queda de 0,7% no número de inadimplentes, totalizando 123,6 mil empresas com contas em dia. O resultado contrasta com o cenário do Sudeste e do Brasil, onde a inadimplência aumentou 0,3 e 0,27 ponto percentual, respectivamente, no mesmo período. A pesquisa ressalta que a baixa inadimplência empresarial proporciona maior liquidez e flexibilidade financeira, permitindo que as companhias ampliem prazos de pagamento, negociem melhor com fornecedores e adotem políticas de crédito mais favoráveis aos clientes. Essa solidez financeira se traduz em vantagem competitiva, especialmente em períodos estratégicos para o varejo, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal, quando o poder de negociação e a capacidade de planejamento são diferenciais. “Empresas financeiramente equilibradas conseguem planejar promoções, investir em inovação e reforçar estoques com mais segurança. Isso aumenta a competitividade e gera confiança no mercado”, acrescentou Spalenza. Inadimplência das famílias também recua O bom momento financeiro não se restringe às empresas. A inadimplência das famílias capixabas caiu para 33,3% em agosto de 2025, o menor patamar desde 2022. Em comparação com o mesmo mês de 2024 (35%), houve redução de 1,7 ponto percentual, o que representa 70,5 mil pessoas a menos com dívidas em atraso. A dívida média ficou em R$ 5.904,37. O recuo foi mais expressivo entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 15.180), cuja taxa de inadimplência caiu de 39,7% para 37,2%. O dado reflete melhor controle financeiro e renegociação de débitos, fatores que devem impulsionar o consumo nas principais datas do comércio até o fim do ano. Apesar da melhora, as dívidas com mais de 90 dias de atraso ainda representam um desafio: 55,3% entre as famílias de menor renda e 52,4% entre as de maior renda, elevando o custo do endividamento. Mesmo assim, há sinais de avanço na capacidade de pagamento: 45,3% das famílias de menor renda afirmam que conseguirão quitar total ou parcialmente as dívidas em atraso no próximo mês, contra 45% em julho. “A queda da inadimplência empresarial e familiar mostra que o Espírito Santo está consolidando uma base financeira mais saudável. Isso amplia a confiança de consumidores e empresários e cria um ciclo virtuoso de crescimento”, concluiu André Spalenza.