Onde está o futebol feminino capixaba? Abril está terminando e o futebol feminino capixaba enfrenta o silêncio. Até o momento, não há qualquer informação oficial sobre o Campeonato Estadual Feminino de 2025. A ausência de regulamento, calendário e visibilidade revela uma negligência institucional que precisa ser urgentemente enfrentada. Esse cenário não é apenas preocupante, ele está fora do que determina as normas jurídicas. A Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023) estabelece, em seu artigo 3º, parágrafo 3º, que é direito da mulher participar plenamente das atividades esportivas, em qualquer idade ou nível, inclusive no alto rendimento. Além disso, cabe às entidades esportivas fomentar, com equidade, o desenvolvimento do esporte em todas as suas manifestações. A omissão quanto ao futebol feminino constitui descumprimento direto dessa norma. O futebol feminino não pode continuar sendo negligenciado por quem deveria promovê-lo. Quando se ignora uma modalidade, ignora-se também um conjunto de direitos garantidos por lei. A Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023) é clara: fomentar o esporte em todos os seus gêneros e categorias é um dever. E mais, o §3º do artigo 3º assegura expressamente o direito das mulheres, em qualquer idade, à participação plena no esporte, inclusive em funções de liderança e decisão. No cenário capixaba, essa exigência legal exige medidas concretas. Não se trata de fazer o mínimo por obrigação institucional, mas de construir uma política esportiva inclusiva, sustentável e com planejamento de longo prazo. Ainda há invisibilidade, escassez de investimento e ausência de políticas públicas voltadas para as mulheres no futebol. Isso não pode mais ser a realidade. Além disso, a Lei Pelé (Lei 9.615/1998) e a própria Constituição Federal, no artigo 217, asseguram o direito igualitário ao desporto e proíbem qualquer forma de discriminação. A omissão, portanto, fere não apenas os princípios da equidade de gênero, mas também compromete a legitimidade da gestão esportiva estadual. Não basta discursos sobre diversidade e inclusão – é preciso prática, execução e compromisso. Vale lembrar: para participarem das competições organizadas pela CBF, os clubes de futebol profissional precisam manter equipes femininas ativas. Isso significa que fortalecer o futebol feminino é, além de justo, uma exigência legal e estratégica. O Espírito Santo tem potencial. Temos atletas talentosas, histórias de superação, profissionais competentes e uma juventude que sonha com oportunidades no esporte. Mas talento sem estrutura, sem competições regulares, sem centros de formação e sem apoio institucional corre o risco de ser desperdiçado. É urgente que o futebol feminino seja incluído no centro da pauta esportiva estadual. Isso significa: – Planejamento anual de competições e formação de base; – Criação e divulgação de um calendário oficial anual das competições femininas; – Apoio financeiro e logístico por meio de editais e fundo estadual de incentivo; – Formação de redes de apoio com escolas, universidades, clubes e setor privado; – Inserção de mulheres em cargos de gestão e decisão nas entidades esportivas; – Garantia de apoio logístico e financeiro para os campeonatos de base, universitários e profissionais; – Investimento na formação cidadã, esportiva e profissional das atletas, desde a iniciação até o alto rendimento. O futebol feminino precisa ser visto como investimento social, educacional e econômico. Com gestão profissional, o Espírito Santo pode se tornar um polo de formação e revelação de atletas, inserido no mercado nacional e internacional. Mas, para isso, é preciso deixar de lado a lógica do improviso e abraçar uma política de protagonismo feminino no esporte. Ignorar o futebol feminino é ignorar a lei, a justiça e o futuro. O momento é agora. Que este seja o ponto de virada para um novo capítulo do futebol feminino capixaba: planejado, respeitado e valorizado com a dignidade que ele merece. O esporte é um direito de todos. E de todas. Edinalva Gomes é advogada especialista em Direito Desportivo e defensora do Futebol Feminino *A opinião da articulista é de total responsabilidade dos autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Morre Nabila Furtado, miss Espírito Santo e ex-primeira-dama de Cariacica
Faleceu nesta terça-feira (22), aos 35 anos, a advogada, modelo e ex-miss Espírito Santo Nabila Furtado. Ela também foi primeira-dama de Cariacica, casada com o ex-prefeito Juninho, que anunciou a morte por meio das redes sociais. O velório começou às 6h30 desta quarta-feira (23), na Associação de Moradores de Vila Palestina. O sepultamento será realizado às 13h no Cemitério São Jorge, em Alto Lage. Nabila deu entrada no Hospital Meridional de Cariacica no início de fevereiro para tratar uma trombose no ombro e no braço. Segundo o marido, a trombose teria sido causada por um tratamento de saúde feito anos atrás, que afetou o músculo trapézio. Além da trajetória como modelo e figura pública, Nabila era advogada e atuou em diferentes frentes da advocacia capixaba. Trabalhou como estagiária no Sebrae-ES e também na Secretaria-Geral da OAB-ES, ao lado do advogado Ben-Hur Farina, que a homenageou. “Hoje perdi uma amiga muito querida. Nabila era luz, era sorriso, era generosidade em forma de gente. Uma profissional admirável, uma mulher de alma nobre. Me uno à dor de tantos que a amavam”, escreveu Ben-Hur. Nabila também trabalhou na Caixa de Assistência dos Advogados do Espírito Santo (CAAES), onde era muito querida pelos colegas. Nas redes sociais, diversas manifestações de carinho e pesar prestam homenagem a uma mulher que marcou gerações por sua beleza, simpatia e generosidade. O marido de Nabila, o ex-prefeito de Cariacica Juninho, em entrevista nesta quarta-feira (23), explicou que ela vinha fazendo tratamento contra um câncer metastático: “Ela nos pediu discrição sobre o tratamento e, desde o início, buscamos todas as alternativas possíveis, tanto aqui quanto em São Paulo. Era um câncer metastático, que começou na mama e nos ossos e que foi se espalhando por diferentes partes do corpo. Não foi possível fazer cirurgia. Com o apoio da radioterapia e da quimioterapia, conseguimos controlar por um bom tempo. Mas, infelizmente, a última intervenção não pôde ser realizada e surgiram complicações. Vieram a trombose, a embolia pulmonar e a progressão do próprio câncer, que afetou os órgãos respiratórios. Nos últimos dois dias, ela já estava sofrendo muito, e os médicos optaram por um procedimento para aliviar esse sofrimento. Nesse momento, confiamos tudo nas mãos de Deus.”
Comissão de Saúde aprova projeto que cria carteira para hemofílicos no ES
Foi aprovado na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (22), o projeto de lei de autoria do Dr. Bruno Resende que cria a carteira de identificação do paciente hemofílico no Espírito Santo. O PL 224/2023 prevê que, nessa carteira de identificação, constarão detalhes da patologia, medicações utilizadas e as recomendações para o tratamento de urgência e emergência. Presidente da Comissão, Dr. Bruno Resende comemorou a aprovação do projeto: “A pessoa com hemofilia tem uma predisposição maior ao sangramento. Às vezes a gente chega com esse paciente no pronto-socorro e ele não recebe a atenção devida, porque às vezes está com uma queixa menor. A carteirinha do hemofílico vai conferir velocidade a esse atendimento. Vai levar informação a quem está ali na ponta. Isso tanto dentro da unidade de saúde quanto fora”, disse Dr. Bruno. O deputado ressaltou que, se acontece um acidente na rua, por exemplo, a pessoa com hemofilia poderá apresentar para quem está do lado: “Olha, eu tenho hemofilia, esses são os cuidados prioritários em relação a mim, e isso vai potencializar o atendimento mais adequado e mais ágil para essa pessoa, principalmente na hora da urgência e emergência. Então esse é o objetivo. É estar mais próximo da pessoa com hemofilia e, claro, resguardar essas vidas”, explica o deputado. A hemofilia é uma doença hemorrágica hereditária causada por uma deficiência ou ausência de um dos fatores de coagulação do sangue, o chamado fator VIII (hemofilia A) ou o fator IX (hemofilia B). Essa deficiência impede que o sangue coagule corretamente, levando a sangramentos prolongados e, em alguns casos, espontâneos. Após a aprovação na Comissão de Saúde, o projeto de lei segue em tramitação em outras comissões até chegar ao plenário. Foto: Lucas S. Costa
Governo do ES planeja investir R$ 150 milhões em compra de ônibus elétricos
O Governo do Espírito Santo encaminhou à Assembleia Legislativa o Projeto de Lei (PL) 108/2025, que solicita autorização para contratar operação de crédito no valor de R$ 150 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com garantia da União. O recurso será destinado à aquisição de ônibus elétricos para o Transcol-E, o Programa de Descarbonização do Transporte Público Urbano. A proposta será lida na sessão ordinária desta terça-feira (22), às 15 horas, no Plenário Dirceu Cardoso. Na mensagem enviada ao Legislativo, o governador Renato Casagrande (PSB) explica que o Espírito Santo foi selecionado pelo governo federal no eixo “Cidades Sustentáveis e Resilientes”, subeixo “Mobilidade Urbana Sustentável”, dentro da modalidade Renovação de Frota (Refrota) do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De acordo com Casagrande, o Transcol-E visa modernizar e tornar mais sustentável o transporte coletivo na Região Metropolitana da Grande Vitória, substituindo parte dos ônibus a diesel por veículos elétricos. A primeira etapa prevê a aquisição de 50 ônibus elétricos e a instalação de 20 estações de recarga rápida nos terminais de integração, com subvenção aos consórcios que operam o Sistema Transcol. Entre os principais objetivos do programa estão a redução da poluição do ar, das emissões de gases de efeito estufa, do ruído e dos custos operacionais, além de melhorar a qualidade, o conforto e a segurança do transporte público para a população. A proposta também autoriza o Estado a oferecer como contragarantia à União receitas previstas na Constituição Federal, além de outras garantias permitidas por lei. Os recursos da operação de crédito deverão constar no orçamento estadual, com previsão de dotações para amortizações e encargos anuais do financiamento. O projeto ainda autoriza o chefe do Executivo a abrir créditos adicionais para cobrir eventuais despesas relacionadas à operação de crédito. Segundo estimativa do governo, o custo total da dívida será de R$ 8,8 milhões em 2025 e aproximadamente R$ 20,3 milhões em 2026. Se aprovado, o projeto entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial. Informações e foto: ALES
Romaria dos Homens em Vitória: saiba sobre interdições, banheiros e pontos de apoio
A Romaria dos Homens é um dos momentos mais aguardados pelos devotos de Nossa Senhora da Penha e, neste ano, será realizada no próximo sábado (26), a partir das 19 horas. A Prefeitura de Vitória trabalha em várias frentes para deixar tudo organizado para os romeiros, de forma a proporcionar um ambiente agradável, seguro e tranquilo para momentos de fé e reflexão. Hidratação Haverá dois pontos para hidratação dos romeiros: Parque Moscoso e rodoviária de Vitória. Central de Serviços A Central de Serviços vai instalar 150 banheiros e 50 contentores de lixo ao longo do trajeto. A pasta também fará a limpeza total do percurso na capital. Roteiro Tradicionalmente, o evento começa na Catedral Metropolitana, no Centro de Vitória, e termina em Vila Velha. A saída será às 19 horas e seguirá pelas seguintes vias: • Rua José Marcelino • Rua São Francisco • Viaduto Caramuru • Av. Cleto Nunes • Av. Marcos Azevedo • Av. Duarte Lemos • Av. Nair de Azevedo A melhor opção para os motoristas que pretendem ir para Cariacica ou Vila Velha é passar pela Terceira Ponte ou pela Rodovia do Contorno. Para os condutores que precisam ir para Santo Antônio, a orientação é ir pela Rodovia Serafim Derenzi, entrando por Maruípe (próximo ao Quartel da Polícia Militar). Escolta Pelo terceiro ano consecutivo, as equipes do Grupo Tático Operacional (GTO) da Guarda de Vitória serão responsáveis por escoltar a imagem da santa festejada. “É um trabalho que nossas equipes realizam com muito carinho por toda a importância do momento para os devotos e também pelas demonstrações de fé ao redor, mas sempre focadas no mais importante que é a garantia de uma procissão organizada. As demais equipes da Guarda de Vitória também estarão dando toda a assistência necessária em pontos estratégicos das vias para proporcionar fluidez e segurança”, destaca o gerente de Trânsito da Guarda de Vitória, Marcelo Paraguassu. A expectativa é que o trânsito volte a fluir normalmente na região a partir das 22 horas. Interdições A primeira intervenção será um dia antes, às 18 horas da sexta-feira (25). Haverá interdição total da rua José Marcelino, que fica ao redor da Catedral Metropolitana, ponto turístico da Capital e ponto de partida da romaria após a missa. Já no sábado (26), às 14 horas, serão fechados os acessos às ruas Professor Baltazar e Doutor José Benjamim Costa. Assim, não será permitido o acesso de veículos nas vias ao redor da Catedral. O fluxo será direcionado à Rua Dionísio Rosendo (Rua da Associação dos Funcionários Públicos). Também a partir das 18h, haverá interdição da Avenida Jerônimo Monteiro, que tem mão única no sentido Centro-Cariacica, na altura da Praça Costa Pereira. Será proibido, inclusive, estacionar a partir deste ponto, pois uma faixa será disponibilizada somente para a parada de ônibus para desembarque de romeiros. Os veículos terão que retornar na lateral do Teatro Glória, na Rua Marcelino Duarte. A interdição será temporária e, a medida que a romaria for iniciada, as ruas serão liberadas para o trânsito de veículos. Texto e foto: PMV
Editorial | A despedida de Francisco e o chamado à esperança na Festa da Penha
O mundo amanheceu mais silencioso nesta segunda-feira. Faleceu o Papa Francisco, um dos líderes mais carismáticos e transformadores da história recente da Igreja Católica. Um homem que, com gestos simples e palavras fortes, conquistou corações muito além das fronteiras do Vaticano. Sua partida deixa um vazio imenso — mas também um legado poderoso. Francisco foi o Papa da humildade, do diálogo e da ação. Preferiu os injustiçados aos palácios, os excluídos aos poderosos, a esperança à retórica vazia. Rejeitou pompas, denunciou injustiças e mostrou que a fé precisa ter cheiro de povo, de rua, de humanidade. Foi a voz dos pobres, dos marginalizados, o consolo dos que sofrem e a consciência que não temia desafiar os confortos do mundo. E é com esse sentimento de perda, mas também de gratidão, que milhares de capixabas entram agora em um tempo especial: a semana da Festa da Penha. Um dos maiores símbolos de fé do Espírito Santo, a Festa nos convida a refletir, à espiritualidade e à renovação da esperança. Neste ano, a celebração carrega um peso ainda mais profundo. O mesmo Francisco que tantas vezes pediu que todos olhassem com mais amor ao próximo, que fizessem da fé um instrumento de justiça, parte no momento em que milhares de capixabas voltam os olhos para Nossa Senhora da Penha. É como se a mensagem dele ecoasse com ainda mais força: amai-vos uns aos outros; cuidai dos mais fracos. Que a memória de Francisco inspire a todos a serem mais solidários, mais empáticos, mais humanos. E que a Festa da Penha deste ano seja também um tributo à vida e à obra de um Papa que escolheu caminhar com o povo. Francisco se foi, mas sua luz continua a iluminar os caminhos de quem acredita num mundo mais justo, mais fraterno e mais cheio de amor.
Apesar de evitáveis, mortes maternas por hipertensão persistem no país
As mortes maternas por hipertensão persistem no Brasil, apesar de serem totalmente preveníveis. É o que mostra estudo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que analisou dados de 2012 a 2023 e reforçou que o problema tem grande relação com a desigualdade. No período investigado, a taxa média de óbitos entre mulheres indígenas superou em mais de duas vezes a de mulheres brancas. Já a das mulheres pretas foi quase três vezes maior que a das brancas. “Não há predisposição biológica para uma maior mortalidade por distúrbios hipertensivos da gestação nesses grupos. Essas mulheres têm maior probabilidade de viver em situação de pobreza, ter menos acesso à educação e enfrentar barreiras no acesso a cuidados de saúde de qualidade”. O estudo acrescenta que “o viés racial sistêmico no sistema de saúde pode levar a um tratamento preconceituoso e a cuidados desiguais. Além disso, mulheres negras, pardas e indígenas podem vivenciar interações negativas com profissionais de saúde, o que contribui para a desconfiança nos serviços de saúde e resulta em piores desfechos maternos e perinatais” . Durante o período de 11 anos, quase 21 mil mulheres morreram durante a gravidez, parto ou puerpério. Em cerca de 18% dos casos ─ 3.721 mortes ─ as causas foram complicações da hipertensão. Isso significa que a taxa de mortes maternas geral do Brasil foi de 61,8 a cada 100 mil nascimentos, abaixo do limite de 70 preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas bastante acima dos índices de países desenvolvidos, que costumam variar de 2 a 5 mortes para cada 100 mil nascimentos. Efeito pandemia Considerando apenas as mortes comprovadamente decorrentes de hipertensão, a taxa média foi 11,01 a cada 100 mil nascimentos, e manteve um padrão de estabilidade ao longo dos anos, à exceção de 2023, quando baixou para 8.73. Apesar da redução, por enquanto, o dado é tratado com cautela e considerado um ponto estatisticamente fora da curva. Além disso, em 2022, foi registrado o maior número de casos proporcionais: 11,94 mortes a cada 100 mil nascimentos. Os pesquisadores acreditam que esse pico tenha sido uma consequência indireta da pandemia, que desorganizou os serviços de saúde em 2020 e 2021, impactando a assistência obstétrica neste período e nos meses seguintes. De acordo com o professor do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas, José Paulo Guida, um dos autores do estudo, isso já demonstra a importância do pré-natal de qualidade: “Uma mulher não morre de uma hora para outra. Houve diversos momentos em que ela poderia ter sido tratada para não morrer. Então, logo que a mulher descobre que está gestante, ela deve iniciar o pré-natal. Talvez isso não seja a realidade para mulheres que moram em regiões mais distantes dos centros urbanos, o que já é uma barreira de acesso. Aqui no Brasil, a média de início do pré-natal é na 16ª semana, ou seja, por volta do quarto mês”, ele complementa. Prevenção Esse é um marco crucial no manejo da hipertensão já que dois medicamentos bastante acessíveis e baratos podem reduzir em 40% a possibilidade de complicações, desde que comecem a ser administrados antes que a gestação complete 16 semanas: o carbonato de cálcio e o ácido acetilsalicílico (AAS). Em fevereiro, o Ministério da Saúde determinou a prescrição do cálcio para todas as gestantes e o AAS deve ser utilizado como medida complementar por aquelas que tem maior risco. Mas José Paulo Guida reforça que os medicamentos não podem faltar nas unidades de saúde, e os profissionais de todo o Brasil devem ser capacitados para identificar corretamente os fatores de risco e prescrever adequadamente as medicações. “É fundamental que na primeira consulta, o profissional obtenha as informações sobre os antecedentes dela: como foi a gravidez anterior? Ela é muito nova? Já tem uma idade avançada? Tem obesidade ou alguma doença? Tudo isso são fatores de risco para ela desenvolver a hipertensão durante a gravidez”. As gestantes também devem ser orientadas a buscar um serviço de emergência imediatamente caso apresentam sintomas como: Dor de cabeça constante; Inchaço significativo, principalmente no rosto e nos braços; Dor de estômago e náuseas, com a gestação mais avançada; Surgimento de pontinhos brilhantes na vista. “Aí, entra uma outra intervenção, que é a principal para evitar a morte: o sulfato de magnésio. Ele reduz muito a chance de uma convulsão por causa pressão alta. E quando a mulher tem a convulsão, ela tem quase 50% risco de morrer”, alerta o professor da Unicamp. O estudo também identificou que a proporção de mortes aumenta significativamente após os 40 anos, e a taxa média se aproximou de 31 mortes a cada cem mil nascimentos. De acordo com Guida, mulheres nessa faixa etária têm mais chance de engravidarem já com problemas de saúde, como a própria hipertensão, ou o diabetes, o que aumenta o risco de apresentar alguma gravidade. Além disso, há a possibilidade de que as mortes por hipertensão sejam ainda mais numerosas, já que 2,4 mil mulheres morreram no período analisado por hemorragia e, conforme o professor da Unicamp explica, a hipertensão provoca a destruição das plaquetas, dificultando a coagulação sanguínea, o que também pode levar a esse desfecho. Texto e foto: ABr
João Gualberto: “Nosso braços não são fracos”
A reconstrução identitária revela a força de um passado que molda o orgulho capixaba e inspira o futuro. A sociedade capixaba tem uma espécie de dívida histórica com ela mesma: não estuda o seu passado, não consegue elucidar bem a sua trajetória e nem a sua própria construção social. As lutas e conquistas dos nossos antepassados, os sacrifícios de muitas gerações são desprezados por simples falta de conhecimento. Pior que tudo isso é repetirmos velhos mitos como consequência do desinteresse coletivo por nossa trajetória. Gaúchos, pernambucanos, mineiros e que os nasceram ou habitam outras regiões brasileiras constroem mitos positivos sobre si mesmos, enaltecem os feitos do passado e dão origem a um sentimento de pertencimento, de regionalismo que impulsiona a sociedade, ajuda na construção de um bom patamar de turismo, por exemplo. Nós, ao contrário, alimentamos mitos negativos para explicar uma falsa falta de identidade. Entre esses mitos está, por exemplo, que nossas matas serviram como uma espécie de barreira verde para o ouro das Minas Gerais, impedindo a entrada de visitantes indesejados e a saída clandestina do rico mineral. Isso é meia verdade, já que o período do ouro não durou toda a fase colonial, que teve seu auge circunscrito ao século XVIII. Outro desses mitos é que teria havido uma espécie de marasmo colonial, que transformou a Capitania do Espírito Santo em retardatária em relação às demais. Trata-se de ideias pouco estudadas, pouco esclarecidas e que precisam ser revistas com mais seriedade e aprofundamento. Para nos contrapormos a essas teorias basta lembrar que, já a partir do século XVI, fomos sede de potentes empreendimentos agrícolas jesuíticos que deixaram como saldo arquitetônico as igrejas de Nossa Senhora das Neves, em Presidente Kennedy, a Basílica de São José de Anchieta, a dos Reis Magos, em Nova Almeida e a que agora se encontra em obras de restauração, em Araçatiba, além da sede do Colégio São Tiago, onde hoje está o Palácio Anchieta. Só atividades econômicas muito intensas poderiam ter proporcionado recursos para essas obras. De fato, tínhamos as maiores fazendas do litoral brasileiro, como a Muribeca, na fronteira com o Rio de Janeiro ou a de Araçatiba, em Viana. Isso sem falar em outro ciclo histórico, nas riquezas que o café trouxe, cultura que se consolidou na metade do século XIX e foi muito potente na primeira metade do século XX. Esse ciclo nos transformou no terceiro estado maior produtor do Brasil, enriqueceu os fazendeiros escravocratas no Sul do estado e deixou um rico patrimônio histórico na região Sul, onde se destacam os importantes sítios históricos de São Pedro de Itabapoana e Muqui. Esse patrimônio histórico também é subaproveitado no nosso turismo. Por falta de conhecimento elementar sobre a história do rico empreendedorismo que tivemos, pouco valorizamos esses e outros patrimônios materiais que temos como ativos turísticos importantes. Chamo a atenção desses elementos para afirmar que os nossos braços não são fracos, como costumamos cantar no hino do Espírito Santo. Não estou propondo modificações em sua letra, pois ela faz parte da história, tem as suas razões no tempo. Nossa missão é outra, é explicar para todos os capixabas que temos um passado do qual devemos nos orgulhar. Fincados nesse passado construiremos um futuro de muito desenvolvimento, distribuído com mais igualdade. Esses mitos, construídos em grande parte no alvorecer da república – no fim do século XIX e início do século XX – tiveram sua razão de ser. Os republicanos tinham afã de progresso. A extraordinária gestão de Muniz Freire à frente de nosso estado entre 1892-1896 e 1900-1904 mostra bem isso. Eles pretendiam crescer nos moldes positivistas, tinham pressa e ainda possuíam restos de uma luta ideológica com o passado imperial, portanto precisavam mostrar-se mais fortes politicamente. Mas isso acabou, são elementos que estão em nosso passado, são questões vencidas. A narrativa agora tem que ser outra. Precisamos virar esse jogo, esquecer esses mitos negativos que foram construídos no passado e usados por muitos dos que pretendiam fazer inflexões para o futuro. Isso é uma guerra que já foi vencida. Agora, para irmos mais longe, precisamos da narrativa do estado empreendedor e da construção de um imaginário social que transmita esse orgulho do passado, o orgulho de ser capixaba. Não se faz economia criativa, turismo e enraizamento da cultura no cotidiano da sociedade repetindo-se que não temos identidade, até porque esse é um falso sentimento. Afinal nossos braços são fortes, e é isso que importa. João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade dos autor e não reflete a posição do portal News Espírito Santo
MPES lança websérie com histórias reais para celebrar o Dia Estadual do Ministério Público
Neste 21 de abril, data em que se comemorou o Dia Estadual do Ministério Público, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) lançou a websérie “Sempre Mais Perto”, uma produção especial que apresenta relatos reais de pessoas que contaram com o apoio da instituição em momentos marcantes de suas vidas. Dividida em três episódios, a série convida o público a conhecer histórias emocionantes que evidenciam o impacto da atuação do MPES na promoção da justiça, da cidadania e da dignidade. Os protagonistas são cidadãos capixabas que vivenciaram de perto a presença transformadora do Ministério Público. O episódio de estreia traz o depoimento de Matheus de Morais, que, ainda na adolescência, cumpriu medida socioeducativa e, com apoio e acolhimento, encontrou novos caminhos. Hoje universitário, ele relata como a escuta ativa e a atuação humanizada do MPES foram fundamentais para sua mudança de trajetória. Nos próximos dias, novos episódios darão voz a outras experiências inspiradoras, como a da liderança comunitária Josilene Lima e a de Teófilo Roberto, pessoa com deficiência que atua em defesa da população em situação de rua. Com a websérie “Sempre Mais Perto”, o MPES reforça seu compromisso com a sociedade capixaba e reafirma o papel do Ministério Público como agente de transformação social por meio da Justiça. Informações e Foto: MPES
Paratletas do ES disputam torneio internacional de tênis em cadeira de rodas
Sete paratletas capixabas do Clube Aest, da Serra, embarcam nesta semana para disputar o Uberlândia Wheelchair Tennis Open 2025, um dos principais torneios internacionais da modalidade no país. A competição acontece de quinta-feira (17) a domingo (20), na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais. Os atletas Adalberto Rodrigues, Anderson Gonçalves, Felipe Ramos, Geisiane Maia, Gustavo Gonçalves, Lais Lima e Roberio Vicente representarão o Espírito Santo na disputa, sob o comando do técnico Carlos Wiederspahn. Eles vão competir em três categorias: open feminino, open masculino e quad (misto). Entre os representantes, Adalberto Rodrigues, Felipe Ramos e Geisiane Maia são contemplados pelo programa Bolsa Atleta, da Secretaria de Esportes e Lazer (Sesport), que oferece apoio financeiro a atletas de alto rendimento. Felipe Ramos destacou a preparação da equipe para o torneio: “Essa será a nossa primeira competição do ano, mas treinamos bastante e estamos indo bem preparados, com a equipe focada. Como é a estreia da temporada, só lá vamos saber o nível dos adversários. Mas, independentemente disso, nossa meta é voltar com bons resultados”, afirmou. Apoio ao paradesporto O programa Bolsa Atleta tem como objetivo apoiar financeiramente atletas e paratletas de alto rendimento, contribuindo para a manutenção dos resultados e do desenvolvimento da carreira esportiva. Com investimento total de R$ 3,9 milhões, o edital de 2024 bateu recorde de selecionados: 234 esportistas, sendo 43 a mais que no ano anterior. Os valores pagos variam conforme a categoria: R$ 500 (estudantil), R$ 1.500 (nacional), R$ 2.000 (internacional) e R$ 4.000 (olímpico), divididos em 12 parcelas mensais informações e foto: Sesport ES