Os cursos de Medicina do Espírito Santo avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada em 2025, apresentaram desempenho satisfatório e ficaram fora da lista de instituições que sofrerão sanções por parte do Ministério da Educação (MEC). Nenhuma faculdade capixaba obteve conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios pelo exame. Entre as instituições do Estado, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) alcançou o conceito máximo, nota 5, figurando entre os cursos com melhor desempenho do país. Com conceito 4, classificação considerada boa pelo MEC, aparecem a Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam), a Universidade Vila Velha (UVV) e o Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc), de Colatina. Outras duas instituições capixabas avaliadas ficaram com conceito 3, dentro do patamar considerado regular: a Multivix e a Faculdade Brasileira de Cachoeiro. Apesar de não atingirem as faixas mais altas da avaliação, os cursos seguem aptos a manter suas atividades sem restrições, diferentemente das instituições com conceitos inferiores. O Enamed avaliou, ao todo, 351 cursos de Medicina em todo o Brasil. Desse total, 243 cursos foram bem avaliados, com desempenho que garantiu proficiência a, pelo menos, 60% dos estudantes concluintes. Outros 107 cursos ficaram nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias, e um curso não foi avaliado devido ao baixo número de concluintes inscritos. De acordo com o Ministério da Educação, participaram do exame 89.024 estudantes e profissionais de Medicina. Entre eles, 39.258 eram concluintes da graduação. A maior parte dos avaliados — mais de 28 mil — é oriunda de instituições privadas, com e sem fins lucrativos, enquanto pouco mais de 9 mil estudantes pertencem a instituições públicas federais, estaduais e municipais. Os melhores desempenhos médios foram registrados entre estudantes de instituições públicas. Os concluintes de universidades federais alcançaram média de 83,1% de proficiência, enquanto os estudantes de instituições estaduais obtiveram média de 86,6%. Já os piores resultados foram observados na rede municipal, com média de 49,7%, e entre instituições privadas com fins lucrativos, que atingiram média de 57,2%, ambas consideradas insuficientes pelo exame. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, os dados reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da qualidade dos cursos. Ele destacou que instituições públicas federais, estaduais e privadas sem fins lucrativos apresentaram desempenho positivo, enquanto o foco das ações corretivas estará voltado às redes municipal e privada com fins lucrativos. A partir da divulgação dos resultados, o MEC dará início a processos administrativos de supervisão para os cursos vinculados ao Sistema Federal de Ensino que apresentaram desempenho médio inferior a 60%. Das 304 instituições sob regulação federal, 99 ficaram nas faixas 1 e 2. As medidas cautelares previstas incluem desde a proibição de ampliação de vagas, redução da oferta, suspensão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) até a suspensão do ingresso de novos estudantes. Criado em abril de 2025, o Enamed é uma adaptação do Enade voltada exclusivamente para estudantes concluintes de Medicina. O exame é obrigatório e seus resultados também podem ser utilizados como critério de acesso aos programas de residência médica unificados pelo Ministério da Educação, organizados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), por meio do Exame Nacional de Residência (Enare).
João Gualberto – “Doutrina do engrossamento”
O título do artigo é o mesmo de um livro muito importante na crítica política brasileira. Publicado originalmente em 1901, a edição que me chegou às mãos – cedida gentilmente pelo escritor Pedro J. Nunes – é de 2016, daEditora do Ifes, organizada por Raoni Huapaya. O autor da obra é Graciano Neves, importante político capixaba do período do início da republica, tendo sido presidente do Espírito Santo eleito em1896, em sucessão à Muniz Freire. Graciano Neves era médico e jornalista, um intelectual de olhar crítico, com raízes no positivismo e leitor atento do marxismo, dizem os seus estudiosos. Foi redator-chefe deO Norte do Espírito Santo, jornal editado, em São Mateus. Pertencia aos quadros do Partido Construtor, que era comandado por Muniz Freire, um grande líder capixaba na primeira república, e foi nosso grande oligarca no seu período inicial. Como editor do Norte do Espírito Santo, foi crítico voraz do despotismo estabelecido pelo Marechal Deodoro da Fonseca – a quem chamava “tirano vulgar” – e o atacou duramente quando dissolveu o Congresso. Na presidência de Floriano Peixoto, contando ainda 23 anos, obteve rápida ascensão política quando foi indicado como parte da Junta Governativa do Estado, do fim de 1891 a 1892. Mais tarde, foi eleito presidente do Estado, tendo sidoempossado em 23 de maio de 1896. Assumindo em meio a grave crise econômica e política, realizou vários cortes orçamentários e interrompeu investimentos iniciados por Muniz Freire, seu antecessor e correligionário, criando sérios problemas no seu grupo político. A instabilidade gerada, levou-o à renúncia em setembro de 1897. Em 1906, foi eleito deputado federal. Foi, portanto, um ator político de primeira linha na política brasileira, conheceu, certamente os bastidores daqueles primeiros tempos. O elitismo da república dos coronéis não permitia forte controle social da governança pública. As grandes ações eram combinadas com antecedência entre os poderosos e os ritos democráticos tinham grande dose teatral. Foi esse o ambiente que ele criticou de forma brilhante em Doutrina do Engrossamento, expressão que ele usa como sinônimo de puxa-saquismo, de uma bajulação subserviente que toma conta do poder no Brasil. Até hoje. São palavras dele no texto: O que há de curioso e digno de sérios estudos nessa transição da rebeldia para a obediência, da guerra para a paz, é o processo infinitamente judicioso dos políticos profissionais para consolidar a Ordem sem prejuízos dos interesses particulares: – partilhar as comodidades oficiais, extorquindo-as com ternuras sábias, já que não é possível alcançá-las por meio da violência, nem tampouco pelos pronunciamentos eleitorais. A essa descoberta feliz e admiravelmente oportuna a voz pública afixou o nome de Engrossamento. Continuo a transcrever: Engrossamento quer dizer na significacão moderna uma delicada e inteligente espécie de adulação, uma fina combinação de servilismo, hipocrisia e egoísmo, alguma coisa enfim de eminentemente salutar para os interesses do indivíduo e da sociedade. Na acepção antiga Engrossamento é aumentação de volume, alargamento de dimensões, o que se pode traduzir em robustecimento … Assim, que os indivíduos perturbadores, os políticos profissionais, compenetraram-se da ineficácia da oposição para ganhar o poder – passaram logo a aderir ao governo, dando-se aliás perfeitamente com essa simpática palinódia, o que decidiu a maioria dos ambiciosos a adotá-la comoprocesso mais fácil de sucessão governamental. O tratado bem-humorado de Graciano Neves não para aí, traça um perfil de como deve-se comportar um jovem que deseja vencer entre a elites brasileiras, tem muita ironia misturada com verdades. A genialidade do texto do nosso ex-presidente Graciano Neves está na sua visão de um estilo de ação que se transformou em elemento da nossa cultura política, que se reproduz até hoje. Quando os militares chegaram ao poder em 1964, vimos esse engrossamento. Também o vemos vastamente quando um novo governador chega ao poder, mesmo aqui no Espírito Santo, seus partidos engordam muito. Para darmos um último exemplo da doutrina do engrossamento, vamos nos lembrar como brotaram no nada direitistas fanáticos quando Jair Bolsonaro chegou ao poder, ou seja, mesmo em processos ditos disruptivos lá está a nossa cultura da acomodação, conciliação e puxa-saquismo. A adesão oportunista ao poder faz parte dos traços políticos da nossa sociedade, o mesmo traço que impede que os partidos ganhem densidade programático, porque quando um deles chega ao poder, esvazia outros discursos e faz da bajulação e das imensas tentativas de agradar os poderosos, elementos marcantes do nosso dia a dia. Acredito que só a maturidade política da nossa sociedade vai nos livrar desses elementos. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. • A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
De 33°C a alerta de temporal: Grande Vitória terá semana de mudanças bruscas no tempo
A semana na Grande Vitória será marcada por um verdadeiro “choque térmico” e instabilidade atmosférica. Segundo dados cruzados do Inmet e Climatempo, os moradores da região devem se preparar para uma transição rápida entre o calor intenso e o risco de chuvas volumosas em um curto espaço de tempo. A segunda-feira (19) começa sob o domínio de uma massa de ar quente, que elevará as temperaturas aos 33°C nas cidades de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. O sol aparece com força durante todo o dia, mas o aumento da nebulosidade ao entardecer já sinaliza a mudança: pancadas de chuva isoladas com trovoadas são esperadas para o início da noite, trazendo um alívio momentâneo ao calor. A partir de terça-feira (20), o cenário muda drasticamente com o avanço de áreas de instabilidade. A temperatura máxima sofre uma queda de cerca de cinco graus, fixando-se em 28°C. O céu permanecerá predominantemente nublado, com chuvas que podem ocorrer a qualquer hora, ganhando intensidade durante o período da noite. O ponto crítico da semana, no entanto, está previsto para quarta-feira (21). Meteorologistas alertam para a formação de um sistema que pode trazer chuvas severas e acumulados significativos para a região metropolitana. Com os termômetros não passando dos 24°C, a quarta será o dia mais frio e chuvoso, exigindo atenção redobrada da população para possíveis pontos de alagamento e rajadas de vento que podem atingir os 60 km/h. Já na quinta e sexta-feira, o sistema de baixa pressão começa a perder força, mas não se afasta totalmente. O sol volta a aparecer entre muitas nuvens, com temperaturas em gradativa elevação, chegando aos 29°C até o final da semana. Apesar da abertura de sol, a umidade ainda elevada favorece chuvas rápidas e passageiras, principalmente nos períodos da manhã e final da tarde. As autoridades de Defesa Civil recomendam que os moradores evitem transitar em ruas alagadas e não busquem abrigo debaixo de árvores em caso de tempestades com descargas elétricas.
IA se consolida como aliada da estética personalizada e preventiva
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa do futuro e já faz parte da rotina dos consultórios, transformando a forma como diagnósticos são realizados e tratamentos estéticos são planejados. A tecnologia tem se consolidado como uma importante aliada na oferta de avaliações mais precisas da pele, definição de protocolos personalizados e obtenção de resultados cada vez mais naturais e seguros. Com mais de 24 anos de atuação na área, a médica Renata Melo destaca que a IA representa um avanço relevante ao potencializar o olhar clínico do especialista. “A inteligência artificial não substitui o médico, mas amplia nossa capacidade de análise. Ela consegue identificar detalhes que muitas vezes não são perceptíveis a olho nu, como alterações na textura da pele, manchas iniciais e sinais precoces de envelhecimento, além de fios opacos e quebradiços, no caso dos cabelos”, explica. Por meio de sistemas inteligentes de análise de imagem, é possível mapear características como poros, rugas, linhas finas, nível de oleosidade e uniformidade da pele, além de acompanhar com maior precisão a evolução dos tratamentos. “A tecnologia nos permite sair do achismo e trabalhar com dados concretos, o que traz mais segurança tanto para o médico quanto para o paciente”, ressalta a especialista. Entre os recursos utilizados, Renata cita tecnologias como lasers, o Ultraformer, o Mesoject Gun e a videotricoscopia digital — ferramenta de análise avançada de imagens que auxilia na avaliação capilar e cutânea e na definição das melhores estratégias terapêuticas. Segundo a médica, todo esse suporte tecnológico contribui para a construção de protocolos sob medida, respeitando a individualidade de cada paciente. “Hoje, não faz mais sentido falar em tratamentos padronizados. Cada pessoa tem uma rotina e um processo de envelhecimento diferentes. A IA contribui para que o plano de tratamento seja verdadeiramente personalizado”, afirma. A tecnologia também desempenha papel fundamental na prevenção do envelhecimento precoce. “Conseguimos intervir antes que o dano se torne evidente. Isso muda completamente a lógica da estética, que passa a ser cada vez mais preventiva e menos corretiva”, destaca. Para Renata Melo, o uso responsável da inovação é essencial. “A tecnologia deve estar a serviço da saúde e do bem-estar. Quando utilizada com critério, ajuda a indicar apenas o que realmente é necessário, respeitando os limites e a naturalidade de cada paciente”, conclui.
Reforma tributária entra em fase de testes e novas regras de isenção do IR passam a valer
Mudanças começam a impactar empresas e a renda das famílias capixabas O sistema tributário brasileiro inicia uma nova etapa com efeitos concretos já perceptíveis no Espírito Santo. Entram em vigor a fase de testes da reforma tributária sobre o consumo e as novas regras de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física, medidas que afetam diretamente empresas, trabalhadores, famílias e a arrecadação de estados e municípios. A fase experimental marca o início prático da transição para o novo modelo de tributação, que substituirá gradualmente tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins. Nesse período, empresas passam a operar sistemas paralelos, simulando a apuração dos novos impostos, sem recolhimento efetivo, mas com exigências de reporte, adaptação tecnológica e conformidade fiscal. O momento exige atenção e planejamento. A fase de testes é considerada estratégica para evitar distorções futuras, permitindo que empresas e o poder público identifiquem falhas operacionais, ajustem sistemas e compreendam, na prática, o funcionamento do novo modelo. O período de transição está previsto para ocorrer entre 2026 e 2032, quando o sistema atual conviverá com o novo regime tributário. Para o advogado tributarista e empresarial Samir Nemer, a entrada em vigor dessa etapa inaugura um novo ciclo fiscal no país e no Espírito Santo, ainda marcado por ajustes e pela necessidade de regulamentações complementares. “Estamos diante de uma mudança estrutural que será construída na prática. A reforma não é um evento isolado, mas um processo contínuo”, avalia. Segundo ele, empresas, profissionais e cidadãos precisam acompanhar de perto esse movimento. “Quem se preparar desde já estará mais bem posicionado para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades desse novo cenário”, alerta Nemer, que é mestre em Direito Tributário. No Espírito Santo, os impactos tendem a ser relevantes, sobretudo em setores estratégicos da economia capixaba, como indústria, comércio exterior, logística, portos e serviços. Estados com forte perfil exportador historicamente acumulam créditos de ICMS, o que afeta o fluxo de caixa das empresas e gera disputas administrativas e judiciais. “O Espírito Santo é um estado exportador por natureza, com cadeias produtivas ligadas à siderurgia, mineração, petróleo e gás, agronegócio e comércio exterior. A promessa da reforma é reduzir o acúmulo de créditos e tornar a tributação mais neutra, mas o período de transição precisa ser acompanhado de perto para que não haja perda de competitividade”, explica Nemer, sócio do escritório FurtadoNemer Advogados. Empresas instaladas em polos industriais e logísticos da Região Metropolitana da Grande Vitória e do litoral norte e sul do Estado já iniciaram a revisão de seus sistemas de gestão fiscal e contábil para atender às novas exigências, mesmo durante a fase experimental. Embora o debate frequentemente se concentre nas grandes corporações, pequenas e médias empresas capixabas também serão impactadas. Comércio, prestadores de serviços, empresas de transporte, tecnologia e construção civil terão de se adaptar à nova lógica de tributação e às mudanças nas obrigações acessórias. De acordo com Nemer, a preparação antecipada pode evitar custos elevados no futuro. “Mesmo para empresas menores, a reforma exigirá ajustes em sistemas, contratos e precificação. Quem deixar para se adaptar apenas na fase definitiva corre o risco de enfrentar custos mais altos e dificuldades operacionais”, afirma. Isenção do Imposto de Renda Além da reforma sobre o consumo, entram em vigor as novas regras de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física. Contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil passam a ser totalmente isentos, enquanto quem recebe até R$ 7.350 terá descontos progressivos. A medida amplia o número de beneficiados e impacta diretamente o orçamento das famílias capixabas. A avaliação de especialistas é que o efeito imediato tende a ser mais perceptível nos centros urbanos do Estado, onde há maior concentração de trabalhadores assalariados e servidores públicos. O aumento da renda disponível pode estimular a economia regional, com reflexos positivos no varejo, alimentação, transporte e serviços. Por outro lado, a nova sistemática também altera a tributação das altas rendas. Quem recebe mais de R$ 50 mil mensais em dividendos passará a ser tributado à alíquota de 10%, o que exige revisão do planejamento financeiro e societário de empresários e investidores. “Esse público precisará reavaliar estruturas societárias, políticas de distribuição de lucros e estratégias de planejamento tributário, sempre dentro da legalidade, para evitar aumento inesperado da carga fiscal”, observa o advogado. Para Nemer, o principal desafio dos próximos anos será equilibrar justiça social e sustentabilidade fiscal. “Medidas de desoneração precisam caminhar junto com reformas estruturais. Caso contrário, há o risco de gerar benefícios de curto prazo sem enfrentar os problemas históricos do sistema tributário brasileiro”, conclui.
Infectologistas alertam para riscos de intoxicação alimentar no verão
Os casos de intoxicação alimentar tendem a aumentar durante o verão, período marcado por férias, viagens e realização de grandes eventos. Nessa época, cresce o consumo de refeições fora de casa e nem sempre são respeitadas as condições adequadas de preparo e armazenamento dos alimentos. Embora muitos quadros sejam autolimitados, a intoxicação pode evoluir para formas mais graves, sobretudo entre grupos vulneráveis. As altas temperaturas favorecem a multiplicação de microrganismos, enquanto o preparo antecipado das refeições e a manipulação por várias pessoas ampliam as chances de contaminação. “Essas condições criam um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e a produção de toxinas, muitas vezes sem que o alimento apresente alterações de cheiro ou aparência”, explica a infectologista Carolina Salume (foto acima), do Hospital Santa Rita. Alguns alimentos estão entre os principais responsáveis pelos registros de intoxicação alimentar nesse período. Carnes, aves, pratos à base de maionese, como salpicão, além de arroz, ovos e sobremesas com creme figuram entre os mais associados aos casos. “São alimentos ricos em proteínas e água, que funcionam como excelente meio para o crescimento de bactérias quando permanecem fora da refrigeração adequada”, destaca a especialista. O risco aumenta quando esses pratos ficam expostos por longos períodos em mesas de festas ou buffets improvisados. A recomendação geral é que alimentos prontos não permaneçam fora da geladeira por mais de duas horas, sendo necessário reduzir ainda mais esse tempo em dias muito quentes. Carolina Salume ressalta que reaquecer a comida nem sempre elimina o risco. “O calor pode destruir algumas bactérias, mas não elimina toxinas já formadas. Por isso, alimentos mal armazenados continuam oferecendo perigo, mesmo após aquecimento”, alerta. De acordo com a infectologista Marina Malacarne (foto), do Hospital São José, em Colatina, os sintomas mais frequentes incluem náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, febre e mal-estar geral. “A intensidade varia de acordo com o agente envolvido e as condições clínicas da pessoa”, explica. O início dos sintomas costuma ser relativamente rápido, surgindo, na maioria dos casos, entre uma e 48 horas após o consumo do alimento contaminado, embora esse intervalo possa variar conforme o microrganismo ou toxina responsável. Apesar de muitos quadros evoluírem bem com medidas simples, alguns sinais indicam gravidade e exigem atendimento médico imediato. “É preocupante quando há desidratação, febre alta persistente, sangue nas fezes, vômitos incessantes ou alterações neurológicas, como confusão mental ou sonolência excessiva”, afirma Marina Malacarne. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas também devem ser avaliados precocemente, devido ao maior risco de complicações. A prevenção segue como a principal estratégia. “Medidas simples reduzem significativamente o risco, como higienizar bem as mãos e os alimentos, manter a refrigeração adequada, evitar carnes, ovos e pescados crus ou mal cozidos e respeitar o tempo máximo que os alimentos podem ficar fora da geladeira”, orienta a infectologista do Hospital São José. A atenção deve ser redobrada em buffets, festas e refeições preparadas com antecedência. Em caso de suspeita de intoxicação alimentar, a orientação inicial é suspender o consumo do alimento suspeito e reforçar a hidratação. “A ingestão adequada de líquidos é fundamental para prevenir a desidratação. O atendimento médico deve ser procurado se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de sinais de gravidade”, recomenda. O tratamento, na maioria das situações, é baseado em suporte clínico. “A abordagem principal envolve hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos. O uso de antibióticos não é rotineiro e só é indicado em casos específicos, quando há identificação ou forte suspeita de determinados agentes”, conclui Marina Malacarne, reforçando que informação e cuidados simples são decisivos para evitar complicações.
Sandrera lança EP FolKongo, que une o Folk ao Congo capixaba
Entre cordas, casacas e tambores, o cantor e compositor Sandrera apresenta o EP FolKongo, um trabalho que propõe uma fusão inédita entre o Folk e o Congo, manifestação tradicional da cultura musical do Espírito Santo. O projeto nasce do encontro entre dois universos distintos, mas conectados por afinidades como a simplicidade melódica e o compromisso de cantar a vida, a memória e o cotidiano dos povos. Composto por quatro faixas — sendo três congos tradicionais e uma canção autoral — o EP constrói uma nova paisagem sonora ao reunir elementos característicos do Folk, como violino, banjo e steel guitar, com instrumentos típicos do Congo, a exemplo da casaca e do tambor. O resultado é um diálogo musical que respeita a ancestralidade e, ao mesmo tempo, amplia suas possibilidades estéticas. Idealizado a partir da relação de Sandrera com a cultura popular capixaba, especialmente com o Congo, o FolKongo valoriza a tradição como uma força viva e pulsante. O trabalho reafirma a identidade cultural do Espírito Santo em uma abordagem contemporânea, acessível a diferentes públicos. “O FolKongo nasce da vontade de expandir minha linguagem, sem perder a essência. É um projeto onde o Folk dialoga diretamente com a cultura tradicional do Espírito Santo, o Congo”, destaca Sandrera. O EP FolKongo foi lançado nas principais plataformas digitais no dia 9 de janeiro. O projeto foi contemplado em edital da Prefeitura Municipal de Vila Velha (PMVV), com recursos federais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Instagram: @sandrera_oficial
Reserva de emergência o primeiro passo para 2026 com estabilidade financeira
Especialista ensina o primeiro passo para autonomia e tranquilidade em 2026 Com o início de 2026, muitos brasileiros colocam as finanças pessoais no centro das metas de ano novo. Mesmo com todos os motivos e determinação real, se questionam por onde começar. A criação de uma reserva de emergência surge como o ponto de partida essencial para quem busca segurança e equilíbrio nas contas. Esse recurso auxilia na criação de uma rotina de reservas especificamente para emergências, como uma possível perda de renda, despesas médicas inesperadas ou reparos urgentes em casa ou carro. Sem essa proteção, é comum recorrer a empréstimos caros ou ao cartão de crédito, agravando o endividamento em tempos de incerteza econômica. Cecília Perini, sócia e líder da XP no ES, recomenda acumular o equivalente de três a seis meses de despesas essenciais, priorizando aplicações conservadoras de baixo risco e liquidez diária. O mercado financeiro, hoje mais democratizado, oferece opções que incluem CDBs pós-fixados, Tesouro Selic ou fundos de renda fixa simples, que acompanham a taxa básica de juros e protegem o poder de compra contra a inflação. “A autonomia financeira é uma jornada que requer disciplina e planejamento. O primeiro passo, eu diria que é definir quanto você pretende acumular para atingir esse objetivo. Em seguida, analisar o seu fluxo de caixa atual e como chegar lá, considerando todos os rendimentos e despesas”, destaca Cecília. Mais do que um hábito isolado, manter uma reserva de emergência é um exercício de disciplina e planejamento de longo prazo. Para quem não sabe a quantia exata de quanto começar, comece com valores pequenos, como aportes mensais de 10% da renda, ajustando o orçamento para cortar supérfluos, é o que orienta a líder da XP. Em um cenário de volatilidade econômica, como o atual no Brasil, essa reserva garante tranquilidade e liberdade para decisões financeiras assertivas ao longo do ano. O gerenciamento eficiente de recursos pessoais é crucial para superar barreiras como falta de educação financeira, endividamentos e dependência excessiva. Cecília ainda destaca que investir a reserva de emergência em produtos financeiros de maior rentabilidade pode ser mais benéfico do que na poupança. “Para que a reserva não só proteja, mas também cresça ao longo do tempo, opte por investimentos conservadores que rendem acima da inflação e ofereçam liquidez imediata. CDBs pós-fixados atrelados ao CDI, Tesouro Selic e fundos de renda fixa simples são ideais, pois acompanham a taxa básica de juros garantindo rentabilidade real positiva”, orienta. Nesse aspecto, o assessor de investimentos desempenha um papel fundamental na construção de um planejamento financeiro completo, entendendo a jornada financeira e as particularidades, oferecendo orientação técnica, acompanhamento contínuo e auxiliando na definição de objetivos de curto, médio e longo prazo. Com uma estratégia bem definida, é possível reduzir riscos e maximizar os retornos, garantindo um futuro financeiramente seguro. Investir em planos com orientação especializada reduz a carga tributária, protege bens contra riscos e assegura transições tranquilas para herdeiros. Definir objetivos claros, diversificar investimentos e gerir dívidas são pilares para estabilidade. Assim, a reserva de emergência não só cobre o presente, mas valoriza o patrimônio ao longo do tempo, promovendo uma vida econômica saudável e sustentável em 2026.
Produção industrial do ES lidera crescimento no país e avança 36,8%
O Espírito Santo manteve a liderança nacional no crescimento da produção industrial e registrou alta de 36,8% em novembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024. O resultado marca o sétimo mês consecutivo de expansão interanual com crescimento de dois dígitos. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (14) e compilada pelo Observatório Findes. Com esse desempenho, o Estado lidera o ranking nacional pelo quarto mês consecutivo no acumulado do ano, com crescimento de 10,8% entre janeiro e novembro de 2025, frente ao mesmo período de 2024. O avanço da indústria capixaba ocorre mesmo em um cenário macroeconômico nacional e internacional mais adverso e é sustentado, principalmente, pela expansão da produção de petróleo, gás natural e minério de ferro pelotizado, que seguem como os principais vetores da atividade industrial no Estado. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona (foto acima), os números refletem um processo consistente de fortalecimento do setor ao longo de 2025. “Os dados mostram que não se trata de um movimento pontual, mas de um processo contínuo de fortalecimento da indústria do Espírito Santo. Mesmo em um ambiente econômico mais adverso, com juros elevados e desafios externos, o setor industrial capixaba vem apresentando resultados sólidos, ampliando produção, gerando empregos e reafirmando sua relevância para a economia do Estado e do país”, afirma. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o Espírito Santo manteve a liderança nacional, com crescimento de 10,8%, desempenho superior à média brasileira no período, que ficou em 0,6%. O resultado também supera o de estados como Rio de Janeiro (4,6%), Santa Catarina (3,4%), Goiás (2,7%) e Rio Grande do Sul (2,2%). Indústria extrativa cresce 59,8% em novembro O principal destaque do desempenho industrial capixaba foi a indústria extrativa, que registrou crescimento de 59,8% em novembro de 2025, na comparação com novembro de 2024. No acumulado de janeiro a novembro, o segmento avançou 17,4%, resultados superiores às médias nacionais, que foram de -1,2% e 0,6%, respectivamente. De acordo com a economista-chefe da Findes e gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, o resultado reflete a combinação entre aumento da capacidade produtiva e retomada operacional de ativos estratégicos do setor. “O desempenho da indústria extrativa capixaba está diretamente associado à forte expansão da produção de petróleo e gás natural no ambiente offshore, com destaque para a entrada em operação do navio-plataforma Maria Quitéria e a retomada do campo de Baleia Anã. Soma-se a isso a recuperação da produção de minério de ferro pelotizado, que também contribuiu de forma relevante para o resultado industrial do Estado”, explica. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, em novembro, a produção de petróleo no Espírito Santo alcançou 225,3 mil barris por dia, crescimento de 132,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção de gás natural chegou a 6,2 milhões de metros cúbicos por dia, com avanço de 313,3% na comparação interanual. A indústria de transformação também apresentou crescimento em novembro de 2025, com alta de 1,2% frente a novembro de 2024. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento da produção metalúrgica (7%), de produtos alimentícios (2,8%) e de minerais não metálicos (1,1%). O segmento de papel e celulose, por outro lado, registrou retração de 14,1%. Perspectivas para 2026 Apesar do forte desempenho observado ao longo de 2025, o início de 2026 traz um cenário de maior cautela. A expectativa é de crescimento da atividade industrial, porém em ritmo mais moderado, acompanhando o cenário econômico nacional. Ainda assim, a indústria extrativa deve seguir como principal âncora do setor no Estado. Entre os fatores que devem sustentar o desempenho industrial em 2026 estão a ampliação da produção do navio-plataforma Maria Quitéria até atingir sua capacidade máxima, o início da extração de petróleo no campo de Wahoo, a continuidade da retomada da Samarco — que em 2025 alcançou 60% da produção — e a possível abertura de um ciclo de redução da taxa Selic, atualmente em 15%. Para o presidente da Findes, o desafio será ampliar os efeitos positivos do setor extrativo sobre os demais segmentos industriais. “A indústria extrativa tem sido o grande motor do crescimento do Espírito Santo. Nosso desafio agora é fazer com que esses bons resultados se espalhem para a indústria de transformação. Isso passa, necessariamente, pela redução do Custo Brasil, com menos burocracia, melhoria da infraestrutura e crédito mais acessível para viabilizar investimentos e garantir um crescimento mais equilibrado e sustentável nos próximos anos”, avalia.
Roupa Nova se apresenta em Vitória com o show “Simplesmente Roupa Nova”
A banda se apresenta, no dia 22 de janeiro, às 21 horas, no Espaço Patrick Ribeiro. Uma das bandas mais emblemáticas da música brasileira, Roupa Nova inicia um novo capítulo em sua trajetória com a turnê “Simplesmente Roupa Nova”. Após rodar o Brasil com o show “Roupa Nova – 40 anos”, a banda agora está emocionando o público revisitando sucessos que marcaram gerações, além de apresentar novidades e releituras especiais em um show intimista, moderno e repleto de emoção, com direito à interação da plateia com os músicos. A banda se apresenta, no dia 22 de janeiro, às 21 horas, no Espaço Patrick Ribeiro. A turnê passará por Vitória e diversas outras cidades brasileiras e traz ao palco os músicos Cleberson Horsth, Kiko, Nando, Ricardo Feghali, Serginho Herval e Fábio Nestares, mantendo viva a essência da banda que atravessa décadas com talento, carisma e arranjos vocais inconfundíveis. “Queremos conectar o público às memórias que construímos juntos ao longo desses 45 anos, celebrando o presente e olhando para o futuro com muita música e emoção”, destaca Nando, baixista do grupo. No repertório, não faltarão clássicos como “Dona”, “Whisky a Go Go”, “Volta pra Mim”, “A Viagem”, entre muitos outros. A apresentação também conta com momentos interativos, novas versões de faixas consagradas e surpresas preparadas especialmente para os fãs. Mais do que uma turnê, “Simplesmente Roupa Nova” é uma verdadeira celebração da história da única banda brasileira em atividade contínua há mais de quatro décadas, com a mesma formação original (Paulinho em memória). Prepare-se para reviver grandes emoções, celebrar momentos inesquecíveis e se encantar mais uma vez com o som único de Roupa Nova. SERVIÇO: Simplesmente Roupa Nova Data: 22 de janeiro (quinta-feira) Abertura: 20 horas Início: 21 horas Classificação: 18 anos. Menores devem estar acompanhados dos responsáveis. Local: Espaço Patrick Ribeiro – Av. Roza Helena Schorling Albuquerque, S/N – Goiabeiras, Vitória – ES, 29109-350 Ingressos: https://www.blueticket.com.br/evento/38629/simplesmente-roupa-nova-turne-2026