Mais de 3 mil policiais e bombeiros do Espírito Santo foram afastados de suas funções por transtornos mentais entre 2017 e 2023. No mesmo período, o Observatório de Suicídios da Associação de Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo (ASPRA-ES) registrou 25 casos de suicídio entre militares, com predominância entre praças e utilização de arma de fogo como meio. Os números reforçam o diagnóstico de que a atividade policial está entre as profissões mais estressantes e de maior risco, com impactos diretos sobre a saúde emocional dos agentes. A rotina marcada por exposição constante à violência, pressão hierárquica, assédio institucional, cobrança social e falta de reconhecimento profissional tem reflexos profundos na saúde mental da tropa. Diante desse cenário, o deputado estadual Wellington Callegari (DC) apresentou o Projeto de Lei nº 225/2023, que institui a Política Estadual de Saúde Mental para os integrantes das polícias Civil, Militar, Penal e Científica, além do Corpo de Bombeiros Militar. A proposta estabelece diretrizes voltadas à prevenção do adoecimento mental, à assistência integral aos servidores e ao monitoramento epidemiológico dos transtornos relacionados ao trabalho. O texto prevê ações de promoção da saúde, acolhimento psicológico, acompanhamento contínuo e proteção dos direitos individuais dos profissionais, com participação das entidades representativas na gestão da política pública. O projeto também determina que internações psiquiátricas involuntárias sejam adotadas apenas como último recurso terapêutico, sempre com foco na recuperação rápida e na reintegração do servidor às atividades, respeitando critérios técnicos e legais. “O desgaste físico e emocional dos policiais não pode ser tratado como algo normal da profissão. É preciso construir políticas públicas permanentes que promovam cuidado real, prevenção e acolhimento, reduzindo o sofrimento e salvando vidas”, afirma Callegari. Segundo o parlamentar, fatores como pressão social e midiática, assédio, rigidez hierárquica e ausência de valorização profissional ampliam significativamente o risco de adoecimento mental e de suicídio entre os agentes de segurança. De acordo com o 2º sargento da Polícia Militar Ted Candeias Silva, vice-presidente da ASPRA-ES, episódios históricos evidenciam a relação direta entre o ambiente institucional e a saúde emocional da tropa. Ele cita o movimento paredista de fevereiro de 2017 como um marco nesse debate. “Naquele período, 49 policiais tentaram suicídio e oito morreram. Foi um alerta muito duro sobre o impacto da pressão psicológica, da insegurança institucional e das condições de trabalho sobre a saúde mental dos militares”, recorda. Desde 2020, a ASPRA-ES vem desenvolvendo ações estruturadas de prevenção por meio do Núcleo de Apoio Psicossocial (NAP). O núcleo oferece atendimento psicológico gratuito a militares da ativa, da reserva e a seus dependentes, com acompanhamento realizado por psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. Entre 2020 e o primeiro semestre de 2024, foram contabilizados mais de 3 mil atendimentos, com maior incidência de transtornos de ansiedade, depressão, síndrome de burnout, comportamento suicida, conflitos familiares e abuso de álcool e outras drogas. Além do atendimento clínico, a entidade promove atividades voltadas ao bem-estar físico e à integração social, como a Copa de Futebol da ASPRA-ES e a Corrida do Soldado, que reúnem centenas de militares. A prática regular de exercícios físicos é apontada por estudos como fator relevante na redução do estresse, na melhora da saúde mental e na prevenção de transtornos psicológicos. O Projeto de Lei nº 225/2023 também prevê a criação de um sistema de dados com base epidemiológica, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), para subsidiar o planejamento, o controle e a avaliação das ações da política estadual. O acompanhamento contínuo dos indicadores permitiria a identificação precoce de fatores de risco e a adoção de intervenções mais rápidas e eficazes. Para Ted Candeias Silva, a institucionalização de uma política pública específica é um passo fundamental. “Cuidar de quem cuida da sociedade é essencial para preservar vidas, evitar tragédias e garantir que a segurança pública seja exercida de forma eficiente e humana”, afirma.
Flotilha “Sumud” Capixaba promove ato simbólico de solidariedade à Palestina em Vitória
Grupo em apoio à Palestina Livre realiza, neste sábado (31), a segunda edição da Flotilha “Sumud” Capixaba, uma ação simbólica no mar que reúne canoagem, contemplação da natureza e reflexão política sobre a luta do povo palestino. A atividade contará com a participação de apoiadores e está aberta ao acompanhamento da imprensa. A iniciativa será realizada a partir das 7 horas, com saída da Base das Canoas, na Praia da Guarderia. O percurso, com duração aproximada de 1h30, segue em direção à Praia do Ermitão ou à Praia das Conchas, áreas conhecidas pela beleza cênica, com vegetação preservada, formações rochosas e grande concentração de conchas. De acordo com os organizadores, a flotilha tem caráter simbólico e não violento. O nome da ação faz referência ao termo árabe “Sumud”, que significa firmeza, perseverança ou resiliência, conceito central da resistência palestina. Mais do que a capacidade de suportar adversidades, o sumud representa uma postura política e cultural associada à dignidade, à permanência e à defesa dos direitos do povo palestino. Ao conectar o mar de Vitória à causa internacional, o grupo propõe um momento de reflexão coletiva sobre a situação humanitária enfrentada pela população da Palestina, especialmente na Faixa de Gaza, além de reforçar ações de solidariedade em âmbito global. Durante o trajeto, está prevista uma parada para mergulho e diálogo entre os participantes. Ao final, o grupo retorna à Base da Guarderia, onde será realizado um lanche compartilhado entre apoiadores e convidados. Todo o percurso será registrado com cobertura audiovisual, incluindo imagens aéreas captadas por drone, ampliando as possibilidades de uso para televisão, fotografia e plataformas digitais. Programação – Saída: 7h – Base das Canoas, Praia da Guarderia – Rota: Praia do Ermitão ou Praia das Conchas – Duração: aproximadamente 1h30 – Parada para mergulho e reflexão coletiva – Retorno com lanche compartilhado entre participantes e apoiadores – Cobertura audiovisual ao longo de todo o trajeto
PIX movimentou R$ 560,5 bilhões no ES em 2025, com 1,36 bilhão de transações
O PIX consolidou-se como um dos principais instrumentos de circulação de renda no Espírito Santo em 2025. Ao longo do ano, o sistema movimentou R$ 560,5 bilhões no estado, distribuídos em 1,36 bilhão de transações, segundo levantamento do Connect Fecomércio-ES, com base em dados do Banco Central do Brasil. A adesão ao meio de pagamento chegou a 74% da população da Grande Vitória, com gasto médio de R$ 179 por pessoa física e de R$ 2.547 por pessoa jurídica. Os números refletem mudanças significativas no comportamento financeiro da população e na dinâmica do comércio capixaba. Do total movimentado no ano, cerca de 57% dos valores pagos e recebidos via PIX tiveram origem em pessoas jurídicas, indicando o uso intenso do sistema em transações de maior porte, como operações entre empresas, pagamentos a fornecedores e liquidações de compromissos corporativos. As pessoas físicas responderam por aproximadamente 42% do montante, movimentando mais de R$ 235 bilhões em 2025. “Quando olhamos para os valores, fica claro que o PIX virou uma ferramenta estratégica para as empresas, sobretudo pela agilidade, baixo custo e impacto positivo na gestão do fluxo de caixa”, avaliou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES. Apesar da maior participação das empresas no volume financeiro, o cenário se inverte quando o critério é o número de operações. As pessoas físicas realizaram mais de 90% dos pagamentos e cerca de 63% dos recebimentos via PIX no estado, reforçando o papel do sistema como principal meio de pagamento do dia a dia, em substituição ao dinheiro em espécie. “O PIX passou a ocupar o espaço da cédula nas pequenas compras cotidianas. É rápido e está sempre à mão, o que explica esse volume expressivo de operações realizadas por pessoas físicas”, destacou Spalenza. Ao longo de 2025, o uso do PIX apresentou crescimento consistente. Entre as pessoas físicas, o volume mensal de transferências avançou de R$ 16,3 bilhões em janeiro para R$ 24,6 bilhões em dezembro, uma alta de 50,9%. Entre as pessoas jurídicas, o crescimento foi de 37,7% no mesmo período, passando de R$ 22,8 bilhões para R$ 31,4 bilhões, com picos registrados nos meses de agosto e dezembro. O aumento do volume financeiro foi acompanhado pela expansão no número de transações. Entre janeiro e dezembro, o total mensal cresceu 38,1%, saindo de 96,3 milhões para 133 milhões de operações. O avanço foi puxado principalmente pelas pessoas físicas, que ampliaram em 38,6% o número de transações ao longo do ano. “O valor médio das transações ajuda a explicar o perfil de uso do sistema. Embora o número de operações das pessoas físicas seja muito maior, o valor movimentado pelas empresas é substancialmente superior, refletindo a natureza dessas operações”, explicou Spalenza. PIX nos municípios capixabas A Região Metropolitana da Grande Vitória concentrou a maior parte da movimentação via PIX no Espírito Santo. Em 2025, Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Guarapari, Viana e Fundão responderam por R$ 363,4 bilhões em pagamentos, o equivalente a 64,8% de todo o valor transacionado no estado. Em quantidade de operações, a região concentrou 58% dos pagamentos e 62% dos recebimentos. Na Grande Vitória, a adesão ao PIX alcançou 74% da população, considerando os dados do sistema e a população estimada pelo Censo de 2022. Vitória liderou o ranking, com 81,8% da população utilizando o PIX ao menos uma vez no ano, enquanto Viana apresentou a menor taxa, com 65,6%. “Essas diferenças mostram como fatores socioeconômicos, infraestrutura financeira e maturidade digital influenciam a adoção do PIX nos municípios”, observou Spalenza. Os dados municipais também apontam contrastes no valor médio das transações. Entre as pessoas físicas, Vitória registrou o maior tíquete médio pago, de R$ 255, seguida por Vila Velha (R$ 216) e Guarapari (R$ 180). Entre as pessoas jurídicas, Viana apresentou o maior tíquete médio pago, de R$ 4.754, indicando a presença de operações empresariais de maior valor, apesar da menor representatividade econômica do município no conjunto da região. Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, os dados confirmam o papel do PIX como mecanismo central de eficiência econômica no estado. “A ferramenta fortalece a competitividade das empresas e amplia a circulação da renda, com impactos diretos sobre o comércio e o consumo”, afirmou. A pesquisa completa, com os dados detalhados, está disponível no site portaldocomercio-es.com.br.
Marcelo Santos: “Debate eleitoral não vai comprometer as votações na Assembleia”
No início do último ano à frente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo na atual legislatura, o presidente Marcelo Santos recebeu o News ES em seu gabinete, na sede do Poder Legislativo, para uma entrevista especial. Nesta segunda parte da conversa, o deputado fez um balanço da gestão e projetou os desafios de 2026. Em um ano marcado pelo calendário eleitoral, o deputado afirmou que o funcionamento da Casa, as votações e as entregas à sociedade capixaba não serão comprometidos pelo acirramento natural do debate político. Ao longo da entrevista, Marcelo Santos destacou que o respeito institucional tem sido o eixo central de sua condução à frente da Assembleia, orientando tanto as relações internas entre os parlamentares quanto o diálogo com os demais Poderes e órgãos de controle. Segundo ele, esse ambiente de equilíbrio, autonomia e harmonia permitiu à Casa retomar protagonismo, cumprir prazos constitucionais e atuar de forma decisiva em pautas estratégicas para o Espírito Santo. O presidente também apontou os principais desafios que devem ganhar centralidade em 2026, como os impactos da reforma tributária no Estado, a preservação da segurança jurídica e a responsabilidade do Legislativo em um ano decisivo para o país. Para Marcelo Santos, manter a estabilidade política e o diálogo institucional será fundamental para que a Assembleia continue funcionando plenamente e atendendo às expectativas da população capixaba. NEWS ES: A Assembleia está entrando no último ano da sua gestão à frente da Casa. Gostaríamos de começar perguntando: qual entrega o senhor considera mais importante para a sociedade capixaba nesta legislatura? MARCELO SANTOS: Primeiro, quero agradecer pela presença do News Espírito Santo. A imprensa tem um papel muito importante, porque leva informação, ainda mais quando faz isso de forma clara e com imparcialidade, seja para o leitor, seja para o seguidor nas redes sociais. O principal legado que vou deixar aqui na Assembleia se resume a uma única palavra: respeito. Esse respeito norteou as nossas relações internas — entre eu, enquanto presidente, e meus colegas deputados e deputadas — e também as relações institucionais entre o Executivo, o Judiciário, a Assembleia Legislativa e o Ministério Público. Mas a principal relação respeitosa que precisamos ter, e que é o verdadeiro resultado do nosso trabalho, é com a população do Espírito Santo. Esse respeito fez com que, por exemplo, conseguíssemos entregar o orçamento estadual dentro do prazo estabelecido pela Constituição e pelo Regimento Interno da Casa, garantindo que o Governo do Estado pudesse iniciar o ano de 2026 já devolvendo à sociedade ações importantes. Porque ter uma relação respeitosa não significa submissão, nem que um poder tenha protagonismo maior do que o outro. Significa respeitar o cidadão e cumprir o nosso papel. Acho que o principal legado é termos uma Casa formada por representantes de diversas regiões, colorações partidárias e ideologias diferentes, mas que se respeitam e, acima de tudo, respeitam a população. O respeito resume tudo isso. Esse é o grande legado que deixo na Assembleia Legislativa. A Assembleia Legislativa passou por grandes mudanças nas últimas décadas. Uma Casa que já esteve envolvida, no passado, em situações polêmicas, inclusive com deputados presos, hoje vive um período de maior estabilidade, sem aquelas notícias do passado. A que o senhor atribui essa mudança no perfil e nos trabalhos da Casa? Eu atribuo, novamente, a essa palavra curta, simples e extremamente importante: respeito. Mas, além disso, também houve um amadurecimento das instituições e dos poderes constituídos. Num passado não tão distante, a desorganização e a falta de respeito entre os pares dentro da Assembleia e da Assembleia com outros poderes e instituições geraram uma crise institucional enorme. Quando o Poder Legislativo não mantém uma relação adequada com os demais poderes, isso gera um problema muito grande. O Espírito Santo, inclusive, teve seu crescimento impedido por conta dessa desorganização. Hoje, temos uma Casa organizada, com diferenças — e isso é natural —, mas que se respeita. Ao mesmo tempo, mantemos a régua da independência e da autonomia, porque somos um poder autônomo. Assim como o Executivo tem sua autonomia, o Judiciário tem a dele, e os órgãos de controle, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública, também têm a sua. Mas, ao lado da independência, existe a harmonia, e essa harmonia é o diferencial do Estado brasileiro. Mesmo quando não concordamos com matérias do Executivo, do Judiciário ou de qualquer outra instituição, nós respeitamos, dialogamos e conseguimos atravessar e superar várias questões. A Assembleia que antes produzia pouco ou quase nada e que, em determinado momento, impediu o desenvolvimento do Espírito Santo, não é a Assembleia de hoje. A Assembleia de hoje está antenada, fortaleceu o trabalho parlamentar, fortaleceu as comissões e retomou um protagonismo que jamais deveria ter perdido. Não é um protagonismo maior nem menor que qualquer outro poder, mas o protagonismo próprio da Assembleia Legislativa. Essa retomada fez com que o Estado pudesse crescer, se desenvolver e gerar muitas ações positivas para a população capixaba. Deputado, o que os capixabas podem esperar da Assembleia em 2026, um ano eleitoral em que o segundo semestre deve ser bastante influenciado pela pauta das eleições? O capixaba pode esperar tudo aquilo que sonhou ver se tornar realidade, no que depender da Assembleia Legislativa. Seja no calçamento rural, no recapeamento de trechos da malha rodoviária estadual – que é competência do Estado –, ou na transferência de recursos para os municípios, para que, somados aos recursos próprios das prefeituras, possam melhorar a vida dos cidadãos. Tudo aquilo que depender da Assembleia para ajudar o Espírito Santo a crescer, se desenvolver e gerar oportunidades, podem contar com total dedicação. Enquanto presidente da Assembleia Legislativa, não vai faltar esforço para ajudar o Estado e o Executivo. Não existe uma obra financiada com dinheiro público estadual que não tenha passado, primeiramente, pela Assembleia Legislativa, que eu lidero ao lado dos meus colegas deputados, autorizando o governador a realizar esse conjunto de obras que vem sendo executado nas 78 cidades capixabas. Mas 2026 é um ano importantíssimo para o Espírito
Estado lança Fundo de Descarbonização que pode superar R$ 1 bi em investimentos
O Espírito Santo deu início a uma nova etapa de sua política ambiental e energética com o lançamento do Fundo de Descarbonização do Espírito Santo, iniciativa voltada ao financiamento da transição para uma economia de baixo carbono. O fundo foi apresentado nesta terça-feira (27), em cerimônia realizada no Palácio Anchieta, em Vitória, e será supervisionado pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), com gestão da BTG Pactual Asset Management. A estrutura do fundo prevê um modelo de blended finance, que combina recursos públicos e privados. O aporte inicial é de R$ 500 milhões, oriundos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses), formado com receitas de royalties de petróleo e gás. A expectativa é que, com a atração de novos investidores, o volume total de recursos ultrapasse R$ 1 bilhão nos próximos anos. Alinhado ao Plano Estadual de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa, o fundo tem como metas reduzir em 27% as emissões até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Os investimentos serão direcionados a projetos que contribuam para a mitigação, compensação, remoção e captura de gases de efeito estufa. Durante o lançamento, o governador Renato Casagrande destacou que o Estado vem adotando, há mais de uma década, políticas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, como o Programa Reflorestar e o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas. Segundo ele, o fundo representa um avanço ao transformar receitas provenientes de combustíveis fósseis em investimentos para financiar a transição energética. O vice-governador Ricardo Ferraço avaliou que a iniciativa coloca o Espírito Santo na vanguarda nacional ao estruturar um dos maiores fundos subnacionais de descarbonização do país, utilizando royalties do petróleo para impulsionar investimentos verdes em larga escala. De acordo com o diretor-presidente do Bandes, Marcelo Saintive, o fundo consolida a atuação do banco em agendas estratégicas e estabelece uma política de investimentos com critérios técnicos e governança voltados à redução de emissões e à geração de impacto socioeconômico positivo. O fundo foi estruturado como um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e poderá financiar projetos nos setores de energia renovável, eficiência energética, indústria limpa, transportes de baixa emissão, reflorestamento, agricultura sustentável, biocombustíveis e gestão de resíduos, entre outros. Os recursos serão destinados a empresas e projetos com sede ou atuação no Espírito Santo, sem concentração em um único setor. A estruturação contou com apoio técnico do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que colaborou no desenho do instrumento financeiro e na identificação de demandas de investimento em descarbonização no Estado. Segundo a gestão do fundo, os critérios de enquadramento e os procedimentos para acesso aos recursos serão divulgados em breve. Empresas interessadas e investidores podem obter mais informações junto à BTG Pactual Asset Management
O ano da virada fiscal: como 2026 muda as regras e exige planejamento
Mudanças começam a ser implementadas a partir deste ano e seguem até 2033; entender a reforma é essencial para evitar prejuízos Anunciada em dezembro, a reforma tributária já começou a redefinir como impostos serão cobrados e administrados. Novas regras de crédito e critérios de local de tributação afetarão contratos, políticas, investimentos, estruturas societárias e, principalmente, decisões. Para empresas, famílias e consumidores finais, as medidas significam mudanças e adaptações imediatas. Ainda que a reforma sinalize um sistema prestes a atualizar, muitos brasileiros têm dificuldades em entender o que muda, quando muda e para quem. A advogada Maria Luiza Fontenelle, especialista em Direito Empresarial e Sucessório, explica que o novo modelo fiscal prevê um longo período de transição até 2033 para evitar rupturas bruscas – mas quem a ignora agora corre o risco de ficar para trás. “O sistema antigo e o novo coexistirão, com alíquotas sendo gradualmente ajustadas e mecanismos de compensação sendo aplicados. Estados e Municípios terão um período para adaptação à nova forma de arrecadação e distribuição das receitas. Mesmo com todos esses anos de preparação, o período de transição será complexo e exigirá acompanhamento técnico constante para evitar erros e perdas financeiras. Em outras palavras, a reforma tributária exige mudança de postura e planejamento.” O que muda A principal alteração prevista é a substituição de diversos impostos sobre o consumo. Fontenelle explica que cobranças como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI serão unificadas em dois tributos centrais: a CBS, de competência federal, e o IBS, compartilhado entre Estados e Municípios. “O novo sistema adota crédito financeiro amplo, reduzindo a cumulatividade, e passa a tributar no destino, onde ocorre o consumo, e não mais onde está o produtor ou prestador”, esclarece. Para quem muda Os novos tributos impactarão diretamente empresas — especialmente aquelas com cadeias longas de produção ou atuação nacional —, profissionais liberais, prestadores de serviços e consumidores finais, que poderão perceber mudanças nos preços e na transparência dos impostos embutidos. Famílias também devem se atentar ao consumo, ao patrimônio e ao planejamento sucessório. A advogada destaca que o redesenho tributário pode afetar preços de bens e serviços, contratos de longo prazo, imóveis e estruturas patrimoniais. O cidadão comum também será afetado, ainda que indiretamente, já que ajustes na arrecadação podem refletir em aumentos ou reduções de preços, alterações na composição de custos de serviços essenciais e até adaptações em contratos de consumo, como planos, mensalidades e serviços continuados. O que fazer Diante do novo cenário, a mudança exige postura ativa e organização por parte de todos. Para empresários, a orientação é iniciar imediatamente a revisão de preços, contratos e modelos de crédito tributário, já que a lógica de custo e margem passa a operar sob novas bases. “Também será necessário reavaliar cadeias de fornecimento, localização das operações e formatos de prestação de serviços, considerando que a tributação migrará para o destino do consumo”, completou Fontenelle. Famílias devem voltar a atenção ao planejamento financeiro e patrimonial, revisando bens, contratos e eventuais estratégias sucessórias para minimizar incertezas ao longo da transição. O consumidor, por sua vez, deve acompanhar as mudanças. Organizar informações e planejar com antecedência é a melhor forma de atravessar a transição sem prejuízos. Maria Luiza aconselha: “Dê atenção extra ao orçamento doméstico e aos contratos em vigor. Visto que a mudança ocorrerá de forma gradual, precauções são recomendadas.” Por que parece tão complicado? Apesar de o novo sistema já estar em vigor, grande parte da população ainda não conseguiu acompanhar o que efetivamente muda no dia a dia. Para a advogada, o tema segue distante porque “a reforma tem sido comunicada predominantemente em linguagem técnica, voltada a especialistas”, o que impede que cidadãos visualizem seus efeitos práticos. Nesse contexto, iniciativas que simplificam a informação e aproximam as pessoas das decisões ganham força — como o +Jus, idealizado por Maria Luiza, sistema digital que atua como tradutor de informações relacionadas a processos judiciais, simplificando o “juridiquês” em linguagem clara e acessível. “Em um contexto de mudanças normativas complexas, que podem gerar litígios justamente pela falta de clareza na informação, a proposta é aproximar as partes do que está acontecendo no processo, reduzindo ruídos e facilitando a compreensão das etapas e decisões judiciais”, ressaltou. Em um cenário em transformação, compreender o que vem pela frente deixa de ser vantagem e torna-se necessidade para empresas, famílias e consumidores que querem atravessar essa nova era com segurança e planejamento. Foto: Débora Ulich
Guias do IPTU 2026 de Vila Velha já podem ser retiradas de forma online
Os contribuintes de Vila Velha já podem acessar as guias de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e da Taxa de Coleta de Lixo referentes ao exercício de 2026. Os documentos estão disponíveis no site oficial da Prefeitura, nos totens de autoatendimento e no atendimento presencial da Secretaria de Finanças, que funciona na Sede da PMVV, na Avenida Santa Leopoldina, nº 840, em Coqueiral de Itaparica, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. As guias já estão liberadas para retirada de forma digital e presencial. Os boletos físicos começarão a ser entregues diretamente nos imóveis a partir da segunda quinzena de fevereiro, com previsão de conclusão antes do vencimento da primeira parcela e da cota única, marcados para o dia 10 de abril de 2026. As guias estão disponíveis no seguinte endereço: https://tributacao.vilavelha.es.gov.br/tbw/loginWeb.jsp?execobj=ServicosWebSite&tab=tabCarneReemissao ou Clicando Aqui. Segundo a secretária municipal de Finanças, Adinalva Prates, a liberação antecipada facilita a vida do contribuinte e evita filas. “O pagamento online permite que o cidadão quite seus tributos sem sair de casa, com segurança, praticidade e rapidez”, destacou. Formas de pagamento O pagamento pode ser realizado via PIX ou nos bancos conveniados: Banestes, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Santander e Itaú. A chave PIX está disponível nas próprias guias, boletos e carnês. Quem optar pelo pagamento em cota única até o dia 10 de abril de 2026 terá desconto de 8% sobre o valor do imposto. Já o parcelamento pode ser feito em até seis vezes, sem desconto. Vencimento 1ª parcela/cota única – Vencimento em 10/04/2026 2ª parcela – Vencimento em 11/05/2026 3ª parcela – Vencimento em 10/06/2026 4ª parcela – Vencimento em 10/07/2026 5ª parcela – Vencimento em 10/08/2026 6ª parcela – Vencimento em 10/09/2026 De acordo com a Secretaria de Finanças, manter o IPTU e a Taxa de Coleta de Lixo em dia contribui diretamente para a execução de serviços públicos essenciais, como limpeza urbana, pavimentação, drenagem, obras de infraestrutura, além de investimentos em saúde, educação e melhorias nos bairros de Vila Velha. Texto e foto: PMVV
TJES agradece empenho de 300 colaboradores com deficiência na digitalização de processos
Mais de um milhão de processos já foram digitalizados no Tribunal de Justiça com o trabalho de equipes formadas majoritariamente por pessoas com deficiência auditiva Uma visita especial movimentou o Setor de Digitalização do Tribunal de Justiça do ES (TJES) nesta quinta-feira, 22/1. A presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, foi ao encontro dos 300 colaboradores que possuem diversos tipos de deficiência, sendo, em sua maioria, 187 deficientes auditivos. A presidente estava acompanhada do desembargador Jorge Henrique Valle dos Santos, presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do TJES, e do secretário-geral do TJES, juiz Anselmo Laranja. O coordenador de Gestão da Informação Documental, Fábio Buaiz de Lima, apresentou a presidente aos colaboradores, e a conversa foi iniciada com uma fala de agradecimento. “Estamos aqui para agradecer a todos pela dedicação neste trabalho minucioso que é a digitalização dos processos. Mais de um milhão de processos já foram digitalizados. Vocês estão fazendo a diferença na vida de muitas pessoas. Sem vocês, esse resultado não seria possível. Muito obrigada”, afirmou a presidente, desembargadora Janete Vargas Simões. “Fico feliz em ver o quanto essa oportunidade faz com que vocês se sintam felizes, mais capazes e importantes. Nossa missão é garantir que essa experiência de inclusão seja transformadora. É gratificante observar o crescimento de vocês não apenas nas competências técnicas, mas na autoconfiança e na construção de laços com o trabalho em equipe”, afirmou o desembargador Jorge Henrique Valle dos Santos. “Investir na inclusão social e na inovação dos serviços prestados faz parte dos objetivos do Tribunal de Justiça do ES. Por isso, fortalecemos a parceria com a Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe) para contratar pessoas com deficiência para a digitalização de processos”, comentou o coordenador de Gestão da Informação Documental, Fábio Buaiz de Lima.
Festival Batidas do Mundo leva grandes nomes da percussão ao Cais das Artes, em Vitória
Marcos Suzano Trio, Barbatuques e Negadeza estão entre as atrações do festival, que acontece nos dias 30 e 31 de janeiro, com entrada gratuita Vitória recebe, nos dias 30 e 31 de janeiro, a primeira edição do Festival Batidas do Mundo, que reunirá grandes nomes da percussão brasileira no palco do Cais das Artes. A programação conta com apresentações de Marcos Suzano Trio, Barbatuques e Negadeza, além de uma homenagem especial ao mestre Naná Vasconcelos (1944–2016) e shows de percussionistas capixabas de destaque, como Edu Szajnbrum, Luccas Martins e Léo de Paula. A curadoria do festival é assinada pelo músico e percussionista Marcos Suzano, diretor artístico do Percpan – Festival Panorama Percussivo Mundial, um dos principais eventos de percussão do país, realizado anualmente na Bahia. Com entrada gratuita, os ingressos podem ser retirados pelo site www.batidasdomundo.com.br. O Festival Batidas do Mundo é uma realização da Caju Produções, viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), do Governo do Estado do Espírito Santo, via Secretaria de Estado da Cultura (Secult-ES). O evento conta com patrocínio do Grupo Águia Branca e da Decolores, além do apoio cultural da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e da VAM Instrumentos Musicais. Além dos shows no Cais das Artes, o festival promove um ciclo de oficinas gratuitas de percussão, iniciado no dia 14 de janeiro, com atividades em Cachoeiro de Itapemirim, Serra e Vitória. As oficinas são coordenadas por Edu Szajnbrum, Mestre Léo, da Banda de Congo Carapebus, Wander Sagrilo e Gabriel Policarpo, ampliando o alcance formativo e educativo da iniciativa. Segundo a diretora da Caju Produções, Tânia Caju, a concepção do festival nasceu durante uma visita a Trinidad e Tobago, onde ela teve contato com a diversidade rítmica da percussão de diferentes continentes. “A partir dessa experiência, surgiu a ideia de criar um festival em Vitória que promovesse o diálogo entre percussionistas capixabas e músicos de outras regiões do país, numa verdadeira celebração de ritmos e culturas”, afirma. Primeira noite: homenagem e tradição A abertura do festival acontece na sexta-feira (30), às 19h30, com uma homenagem a Naná Vasconcelos, considerado um dos maiores percussionistas da história. O músico pernambucano foi eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista Down Beat e conquistou oito prêmios Grammy, revolucionando a percussão ao transformar o berimbau em instrumento solista em contextos que vão do jazz à música erudita. A celebração será conduzida por percussionistas capixabas em uma apresentação coletiva especial. Na sequência, Luccas Martins apresenta um espetáculo que une a sonoridade do handpan às cordas do Quarteto Zuri, em uma experiência que dialoga com as raízes afro-brasileiras por meio da música de câmara contemporânea. Um dos músicos mais requisitados do país, Marcos Suzano sobe ao palco com seu trio, apresentando um estilo que combina pesquisa eletrônica e profundo conhecimento da música afro-brasileira. Reconhecido por colaborações com artistas como Lenine, Naná Vasconcelos e Vitor Ramil, Suzano é referência internacional na renovação da percussão brasileira. Encerrando a primeira noite, Negadeza e o grupo Rala Coco celebram a tradição do coco de roda, ritmo de origem nordestina marcado pela influência africana e indígena. Negadeza é neta de Selma do Coco e filha de Aurinha do Coco, referências da cultura popular pernambucana, e divide o palco com um grupo familiar que preserva e renova essa herança musical. Segunda noite: percussão corporal e identidade capixaba A programação de sábado (31) começa às 18h30 com o concerto Camerata Jovem Rochativa convida Edu Szajnbrum. Multi-instrumentista e referência no ensino do pandeiro brasileiro, Szajnbrum já colaborou com nomes como Marisa Monte, Gilberto Gil e Ney Matogrosso. Em seguida, o percussionista e compositor capixaba Léo de Paula apresenta seu trabalho voltado à música contemporânea de concerto para percussão, acompanhado por seu septeto. Professor do Projeto Vale Música e integrante da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo, o músico acumula prêmios e apresentações internacionais. Fundado em São Paulo, em 1997, o grupo Barbatuques leva ao festival sua consagrada percussão corporal, utilizando o próprio corpo como instrumento musical. Com reconhecimento internacional, o grupo já se apresentou em mais de 20 países, explorando ritmos que vão do samba ao rap. O encerramento do festival fica por conta do Bloco Balança Penha, criado em 2021, na Prainha, em Vila Velha. Com repertório que transita por grooves de Tim Maia, axé e congo capixaba, o grupo imprime identidade local e celebra a diversidade rítmica do Espírito Santo.
Vitória Sports anuncia sociedade com o CTRC e recebe Renato Cariani e Júlio Balestrin em Vitória
A manhã da última quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, marcou um novo capítulo para o mercado fitness capixaba. O empresário Otaviano Duarte, proprietário da Vitória Sports e da Academia Ponto 1, anunciou oficialmente a formação de uma sociedade com Renato Cariani e Júlio Balestrin, fundadores do CTRC – Centro de Treinamento Renato Cariani. Com a parceria, a Vitória Sports passa a operar sob a bandeira CTRC, tornando-se a primeira academia premium do Espírito Santo a integrar o ecossistema criado por Cariani e Balestrin, referência nacional no segmento de alta performance e treinamento de excelência. Durante a coletiva de anúncio, Renato Cariani destacou um investimento superior a R$ 6 milhões em tecnologia e equipamentos de última geração, importados da Europa. Segundo ele, a proposta é oferecer aos alunos uma estrutura comparável às academias ultra premium internacionais. “O aluno vai treinar em máquinas entre as melhores do mundo, com mais conforto, melhores resultados e uma experiência diferenciada”, afirmou. Além da modernização da estrutura física, a parceria prevê a capacitação contínua dos professores, que passarão por treinamentos conduzidos por Júlio Balestrin. A iniciativa busca elevar o padrão de atendimento e fortalecer a interação entre profissionais e alunos. “Nosso objetivo é proporcionar a melhor experiência possível em cada treino”, reforçou Cariani. Otaviano Duarte ressaltou que a iniciativa não se trata de uma aquisição, mas de uma sociedade estratégica, com gestão compartilhada e foco em resultados, inovação e transformação na vida dos alunos. Redes sociais: @renato_cariani | @ctrc_oficial | @vitoriasports | @ponto1vix