Iniciativa do Sebrae/ES, em parceria com Senac, Incaper e outras instituições, aposta na produção de uvas de inverno Transformar o cenário vitivinícola e turístico do Espírito Santo. Esse é o objetivo do Projeto Vines, uma proposta ousada e inovadora do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado (Sebrae/ES), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e instituições estratégicas como o Incaper. A iniciativa vai estimular o cultivo de uvas de inverno para a produção de vinhos finos, com identidade e técnica, capazes de colocar o Espírito Santo entre os principais polos produtores do país. O projeto foi lançado na noite do último dia 30, no Hotel Senac, em Vitória, e marca um movimento estratégico para fortalecer a produção capixaba de uvas e vinhos, impulsionar o turismo enogastronômico e fomentar o desenvolvimento sustentável das regiões produtoras. Uvas de inverno e identidade capixaba A proposta apoia o cultivo de uvas das variedades Syrah, Cabernet Franc e Sauvignon Blanc, que exigem manejo diferenciado e têm alto potencial para vinhos de qualidade superior. A colheita fora de época, aliada ao clima peculiar das montanhas capixabas, cria condições ideais para o cultivo de variedades nobres e autorais. Para o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, o lançamento representa um marco para o agronegócio e o turismo do Estado. “Estamos resgatando uma história de mais de 30 anos, quando o Espírito Santo iniciou o cultivo de uvas com o sonho de produzir vinhos. Na época, as variedades escolhidas não eram adequadas para vinhos finos. Hoje, com base em estudos da Embrapa e da Epamig, sabemos que é possível produzir uvas de inverno em regiões já zoneadas pelo Incaper, com manejo e colheita diferenciados, ideais para vinhos de alta qualidade”, destacou. Pedro Rigo explicou ainda que o Sebrae atuará com assistência técnica, modelagem de negócios e apoio aos produtores que desejem montar suas próprias cantinas. “Acreditamos que essa iniciativa transforma territórios e conecta profundamente com o turismo, especialmente pelo vínculo cultural com as colônias italianas presentes no Estado. O vinho passa a ser não apenas um produto, mas uma experiência capixaba autêntica”, ressaltou. Pesquisa, capacitação e integração de instituições O diretor técnico do Incaper, Antônio Elias da Silva, destacou que a instituição participará com ações de pesquisa e assistência técnica rural, mobilizando pesquisadores e equipes especializadas para apoiar os produtores. Já a superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Letícia Toniato Simões, reforçou a importância da parceria. “A nossa vitivinicultura com a produção de vinhos de qualidade, os quais fomos apresentados nesse evento de lançamento do Projeto Vines, vem se estruturando, e o Senar entra nessa parceria para ofertar assistência técnica gerencial, diversas capacitações e apoio total aos nossos produtores rurais”, afirmou. Vinhos capixabas ganham protagonismo Durante o evento, os convidados puderam apreciar rótulos produzidos em solo capixaba, em uma degustação harmonizada com pratos criados especialmente para a ocasião. Entre os destaques, estava o produtor Gustavo Gomes Vervloet, da vinícola Cave Rara, em Venda Nova do Imigrante, que ressaltou o papel da dupla poda na conquista de vinhos de excelência. “Com a dupla poda, a gente conduziu a colheita da planta para um momento ideal, que é o inverno, onde temos noites frias, dias secos e menos chuva, similar ao clima europeu, que junto à altitude resultou na produção de um vinho de excelência”, explicou. Com empreendedores comprometidos, vocações territoriais definidas e uma visão estratégica clara, o Espírito Santo inicia um novo ciclo na vitivinicultura nacional — e o primeiro brinde dessa nova fase já foi feito. Fotos: Sebrae-ES
Gustavo Varella | “Contribuições para o debate – Para que serve a anistia”
A palavra é uma unidade básica da linguagem e pode ser classificada em diferentes categorias gramaticais, como substantivos, verbos, adjetivos, entre outras. Elas são usadas para formar frases e expressar ideias, sentimentos, ações e objetos. Sem considerar critérios distintivos que levam em conta os dialetos, existem hoje aproximadamente sete mil línguas conhecidas no mundo, cada uma delas contendo entre duzentas mil e um milhão de palavras, incluindo termos técnicos e científicos. Como o propósito de uma palavra é servir como unidade de linguagem que transmite significado, alguém que não possua conhecimento ou capacidade de expressar, pronunciar ou escrevê-las corretamente é geralmente chamado de “obscuro” ou “ininteligível”, já que os sons que produz — ou os sinais que desenha — não permitem ao interlocutor ou leitor compreender o que foi comunicado. Em alguns casos, todavia, quando a intenção é confundir e não esclarecer, certas palavras são empregadas de maneira propositalmente errada, misturadas a outras como se fossem sinônimos, conjugadas em tempos incorretos, mutiladas ou invertidas em seus sentidos. O resultado é aquilo que Caetano Veloso sugeriu na letra de Sampa para descrever as contradições de São Paulo: “o avesso, do avesso, do avesso”. É o que se vem observando, nos últimos tempos, com relação à palavra “anistia”. A Constituição Federal de 1988 prevê três tipos de “perdão” para pessoas acusadas, julgadas ou condenadas por crimes no Brasil. O mais comum é o perdão judicial, cujas hipóteses são estabelecidas em lei — não ficam, portanto, à mercê da vontade do juiz. É individual e possível em situações em que as consequências do crime atingem o próprio agente de forma tão grave que a pena se torna desnecessária, como em um homicídio culposo cometido por uma mãe contra seu filho. O indulto, segunda forma de perdão, é atribuição exclusiva do Presidente da República, concedido por meio de decreto. É coletivo, não se aplica a uma pessoa específica, extingue a pena, mas não apaga o crime, e os beneficiados não retornam à condição de primários. Por fim, a anistia é a mais abrangente das hipóteses de indulgência. Cabe ao Congresso Nacional e possui características relevantes: é coletiva, ampla e extingue a punibilidade, apagando completamente o crime e seus efeitos — de modo que o ato, para fins legais, é considerado inexistente. A anistia é um instrumento excepcional, aplicável em contextos de transição política conturbada ou de grande tensão social. No Brasil, porém, não abrange crimes contra a ordem democrática, que são imprescritíveis e não podem ser perdoados. Como previsto na Constituição, cabe ao Supremo Tribunal Federal a guarda e interpretação final da Carta Magna. Assim, não se pode sequer cogitar que o Congresso aprove uma emenda constitucional alterando o texto original ou afrontando cláusulas pétreas para conceder anistia a condenados por crimes contra a democracia. Isso configuraria uma afronta direta ao princípio da separação dos poderes, previsto no artigo 2º da Constituição. Além disso, salvo por insanidade, cretinice ou ignorância, não se pode conceber a ideia de conceder anistia a quem tenha atentado contra a própria democracia, contra as instituições que formam o Estado Democrático de Direito e contra a Constituição. Embora seja legítimo o debate público sobre o tema — e respeitadas as opiniões contrárias, desde que técnica e logicamente fundamentadas —, defender anistia para envolvidos em atos criminosos voltados à destruição das instituições nacionais ou à negação de resultados eleitorais legítimos é uma violência intolerável contra a ordem democrática. A democracia é um direito fundamental e deve ser protegida de toda agressão movida por interesses pessoais em detrimento do interesse coletivo. É fácil compreender que o direito à vida deve prevalecer sobre o desejo de vingança de quem queira eliminar um desafeto. Mas, para muitos, é mais difícil perceber que direitos fundamentais como o sigilo do voto, a autodeterminação e a estabilidade democrática também podem ser destruídos — não por armas, mas por palavras deturpadas e discursos manipulados. Esses discursos, travestidos de “liberdade de expressão”, são usados por pessoas ou grupos que exacerbam temores, distorcem conceitos e manipulam valores para se apresentarem como mensageiros de uma “verdade maior”, protetores de uma liberdade que, na prática, buscam restringir. Se já é difícil convencer alguém desinformado de que suas impressões não condizem com a realidade, mais desafiador é quando tais concepções são defendidas por pessoas instruídas, formadas, experientes. Essas, paradoxalmente, tornam-se as maiores vítimas da deturpação de palavras e sentidos, pois a vaidade as impede de reconhecer que foram enganadas — e acabam servindo de eco a discursos hábeis e perigosos. São como torcedores fanáticos que, mesmo diante de imagens mostrando a irregularidade do gol de seu time, preferem atribuir a derrota à corrupção do juiz ou à manipulação do sistema. Interpretar incorretamente palavras é algo humano — nenhum indivíduo domina mais de dez por cento de seu próprio idioma. No entanto, insistir no erro diante de informações claras e corretas é fruto de teimosia e de estupidez alimentada pelo orgulho. Anistia não é, não tem e nem significa o que se anda espalhando por aí ultimamente. Quando examinada sob os prismas científicos do Direito, da Filosofia e da Etimologia, a palavra carrega um sentido técnico e histórico que não pode ser distorcido para justificar a impunidade ou o perdão de quem atenta contra a democracia. *Gustavo Varella é advogado, jornalista, professor e mestre em Direitos e Garantias Fundamentais pela FDV *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Famílias e empresas aceleram planejamentos antes da nova tributação sobre heranças
Aprovado no Senado, o PLP 108/2024 muda as regras do ITCMD e pode elevar em até 30 vezes o valor do imposto sobre heranças e doações a partir de 2026. O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2024, que altera a forma de tributação de heranças e doações no Brasil. A proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados e, em seguida, para sanção presidencial, mas já acendeu o alerta entre famílias e empresários que buscam antecipar seus planejamentos sucessórios. O texto prevê mudanças profundas no Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), buscando uniformizar sua aplicação em todo o país. A medida complementa a Emenda Constitucional nº 132/2023, que passou a exigir alíquotas progressivas — ou seja, quanto maior o valor herdado ou doado, maior será o imposto a pagar. Outra mudança significativa é o critério de cálculo, que deixará de considerar o valor de compra do bem e passará a adotar o valor de mercado atual, modelo semelhante ao do Imposto de Renda. “A base será o valor real do patrimônio”, explica especialista De acordo com o advogado e especialista em planejamento patrimonial Lucas Júdice, a mudança obriga todos os estados a atualizarem o valor dos bens de pessoas físicas e jurídicas para o preço de mercado no momento da doação. “A Emenda Constitucional nº 132 de 2023 já obriga os estados a adotarem alíquotas progressivas de ITCMD. Isso abre espaço para que as unidades federativas aumentem a tributação. O Espírito Santo, por exemplo, estuda elevar suas alíquotas para até 8%”, explica. A partir de 2026, o impacto será expressivo: o ITCMD passará a incidir sobre o valor de mercado do patrimônio líquido, incluindo imóveis e fundo de comércio (goodwill), e não mais sobre o valor contábil. O resultado pode ser um aumento de 20 a 30 vezes no valor do imposto. “Essa mudança elimina os benefícios tributários hoje existentes em holdings, já que qualquer doação — dentro ou fora delas — será calculada sobre a maior base possível”, reforça Júdice. No Espírito Santo, onde a alíquota atual é de 4%, uma das mais baixas do país, o percentual poderá subir para até 8%, acompanhando o teto nacional permitido. Planejamento sucessório entra na reta final Para o especialista, o momento é decisivo: “Estamos literalmente aos 45 do segundo tempo. Quem criar holdings familiares ou fizer doações até 31 de dezembro de 2025 ainda poderá economizar de forma significativa. Depois disso, com a nova base de cálculo e alíquotas mais altas, a economia será muito menor. Quem antecipar o planejamento sairá na frente”, alerta Júdice. Padronização e aumento de arrecadação A proposta atende a uma demanda antiga dos estados, que buscam uniformidade e maior arrecadação com o ITCMD. Atualmente, cada unidade federativa adota critérios e alíquotas diferentes. Com o novo modelo, as alíquotas serão progressivas, variando conforme o valor da herança ou doação. Além disso, bens e cotas empresariais deverão ser avaliados pelo valor real de mercado, o que amplia significativamente a base de cálculo. Embora o foco seja nos grandes patrimônios, a medida afeta todas as faixas de valor. “Atinge a todos, independentemente do patrimônio. Algumas faixas podem ter alíquotas menores pela progressividade, mas o cálculo sobre o valor atualizado torna essa aparente ‘redução’ uma falsa percepção de equidade fiscal”, explica o advogado. O projeto deve ser votado novamente pela Câmara dos Deputados e, se aprovado, pode ser sancionado ainda em outubro, entrando em vigor três meses após a publicação. Enquanto isso, famílias e empresas correm contra o tempo para concluir seus planejamentos antes da virada do ano — numa corrida em busca de segurança jurídica e economia tributária diante do novo cenário fiscal brasileiro.
Circuito de Corridas CAIXA chega a Vitória em novembro com percursos de 5km e 10km
A capital capixaba recebe, no dia 9 de novembro, a oitava etapa da mais tradicional série de corridas de rua do país. Inscrições já estão abertas. O Circuito de Corridas CAIXA/Brazil Run Series vai desembarcar em Vitória no próximo dia 9 de novembro, trazendo toda a energia da mais tradicional série de corridas de rua do Brasil. Os atletas poderão escolher entre os percursos de 5km e 10km, além da caminhada de 5km, voltada para quem prefere uma participação mais leve. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo site oficial do evento: circuitocaixa.com/2025-vitoria. Na página, os interessados encontram o regulamento completo, detalhes do percurso e outras informações importantes. O prazo final para inscrição é 4 de novembro. Kits e valores A organização oferece duas modalidades de kit: o Kit CAIXA, que inclui camiseta e sacola, e o Kit Popular. Ambos contam com número de peito, chip de cronometragem e medalha de participação. Kit CAIXA: R$ 89,00 + taxa de R$ 8,90 Kit Popular: R$ 59,00 + taxa de R$ 5,90 Há ainda descontos especiais: quem pagar com o cartão de crédito CAIXA garante 20% de abatimento. Corredores com mais de 60 anos têm 50% de desconto no valor da inscrição — benefício não cumulativo e com vagas limitadas. Temporada 2025 A edição 2025 do Circuito CAIXA conta com 14 etapas, três a mais que no ano passado. Após passar por cidades como Cuiabá, Maceió, João Pessoa, Aracaju, São Luís, Natal e Fortaleza, o evento chega à capital capixaba antes de seguir para São Paulo e Uberlândia (onde ocorrerá uma prova noturna). Calendário da temporada 2025: 24/08 – Cuiabá (MT) – realizada 07/09 – Maceió (AL) – realizada 21/09 – João Pessoa (PB) – realizada 05/10 – Aracaju (SE) – realizada 12/10 – São Luís (MA) 19/10 – Natal (RN) 02/11 – Fortaleza (CE) 09/11 – Vitória (ES) 16/11 – São Paulo (SP) 29/11 – Uberlândia (MG) – noturna As demais etapas serão divulgadas em breve. Ação social “Pegada do Bem” Uma das marcas do circuito é a iniciativa Pegada do Bem, criada há 11 anos pela HT Sports para arrecadar tênis de corrida em bom estado, que são doados a projetos sociais. Na temporada 2025, quem doar um par de tênis durante a entrega de kits ou na arena do evento ganhará uma pochete de corrida exclusiva da CAIXA — o brinde será entregue aos 150 primeiros doadores. Tradição e inclusão Criado em 2004, o Circuito CAIXA já reuniu mais de 336 mil participantes em 154 provas pelo Brasil. Após uma pausa entre 2019 e 2023 devido à pandemia, o evento voltou em 2024 com 11 etapas e cresce quase 30% nesta nova edição. “O circuito reafirma sua força como ferramenta de inclusão por meio da atividade física. É uma honra ver como a CAIXA apoia o esporte brasileiro, da base ao topo”, destaca Hélio Takai, diretor da HT Sports.
Assembleia aprova reajuste de 15% no plano de carreira de delegados de polícia do ES
Atualizado em 08/10 A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES) aprovou, nesta terça-feira (7), o Projeto de Lei nº 679/2025, que altera a tabela de remuneração por subsídio do cargo de delegado de polícia da Polícia Civil do Estado (PCES). A proposta, de autoria do governo estadual, estabelece a aplicação de um índice de 15% quando um profissional avança de uma categoria inferior para outra superior no plano de carreira. O projeto tramitou em regime de urgência, aprovado previamente no mesmo dia, com base no Requerimento do deputado Vandinho Leite (PSDB). A urgência permitiu que a matéria fosse votada diretamente em Plenário, sem passar por todas as etapas ordinárias. Impacto financeiro e vigência Conforme a proposta, a nova tabela de subsídios entra em vigor a partir de 1º de outubro de 2025, com previsão de reajustes também para dezembro de 2025 e dezembro de 2026. A repercussão financeira será de R$ 1.478.944,35 para este ano. Já para 2026 e 2027, o impacto estimado é de R$ 6.540.399,88 por ano. Apoio unânime nas comissões e no Plenário O projeto recebeu parecer favorável do deputado Danilo Bahiense (PL), relator nas comissões de Justiça, Segurança e Finanças, que destacou a constitucionalidade e a relevância da proposta. O apoio foi reiterado por diversos parlamentares durante a sessão plenária. O deputado Mazinho (sem partido definido no texto) lembrou a greve da Polícia Militar em 2017 e destacou que os delegados mantiveram os serviços de segurança. “Esse reconhecimento depois de mais de cinco anos de luta é muito merecido”, afirmou. Já o Coronel Weliton (PRD) defendeu mais investimentos em todos os servidores estaduais, citando que o Estado aplica atualmente 36,8% do Orçamento em pessoal – percentual que, segundo ele, poderia chegar a 49%. Sergio Meneguelli (Republicanos) elogiou a atuação da PCES em parceria com a PMES no noroeste do Estado, mas cobrou a resolução da questão salarial da Polícia Científica, que estaria entre as mais baixas do país. Melhoria na remuneração e novas reivindicações Camila Valadão (Psol) ressaltou que a proposta deve ajudar o Estado a sair da 5ª pior posição no ranking nacional de remuneração de delegados. Ela também enalteceu as recentes nomeações de delegados e o anúncio de concurso para investigadores, mas cobrou a abertura de mais delegacias especializadas, como a de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e uma voltada ao combate a crimes de discriminação. Também se manifestaram a favor da matéria os deputados João Coser (PT), Alexandre Xambinho (Podemos), Alcântaro Filho (Republicanos) e Vandinho Leite (PSDB). Próximos passos O projeto segue agora para sanção ou veto do governador Renato Casagrande (PSB). Caso sancionado, os novos valores de subsídio começarão a vigorar ainda neste mês, conforme previsto no anexo I da proposta. *Com informações da Assessoria de Comunicação da ALES
Vila Velha, Vitória e mais 4 cidades lideram ranking de transparência no ES
Levantamento aponta avanço geral: estado zera municípios com avaliação “ruim” e eleva média para 80,41 pontos. Vila Velha, Vitória, Afonso Cláudio, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e Dores do Rio Preto alcançaram nota 100 e dividem a liderança do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) no Espírito Santo. O ranking, divulgado nesta terça-feira (7) pela Transparência Capixaba, em parceria com o ES em Ação, mostra ainda que a maioria das prefeituras subiu de desempenho em relação ao ano passado e que o estado zerou o número de municípios classificados como “ruim” ou “péssimo” na avaliação geral. Aplicado pelo segundo ano consecutivo com a mesma metodologia da Transparência Internacional – Brasil, o estudo avaliou 78 prefeituras capixabas em políticas de integridade, plataformas e dados abertos, participação social e combate à corrupção. A média geral chegou a 80,41 pontos (ótimo). No topo, além das seis notas máximas, aparecem Iúna e Serra (99,80), João Neiva (99,30) e Anchieta e Vargem Alta (99,20). Na outra ponta, Pedro Canário, Sooretama, Rio Novo do Sul e Brejetuba ficaram na faixa “regular”, mas não houve notas “ruim” ou “péssimo” na classificação geral de 2025. O ranking foi apresentado nesta terça-feira A dimensão Plataformas registrou o maior salto (média 93,88), com melhorias em portais da transparência, diários oficiais e dados abertos. O principal desafio segue em Comunicação, Engajamento e Participação Popular (média 66,03). Na saúde, o recorte setorial — divulgado pela primeira vez — traz Afonso Cláudio, Vila Velha e Vitória com 100 pontos, mas expõe disparidades regionais: a média ficou em 65,09 (bom) e alguns municípios ainda figuram nas faixas “regular” e “ruim”. Para Adila Damiani, diretora-executiva da Transparência Capixaba, o avanço comprova o efeito do monitoramento social: “As prefeituras que implementaram recomendações do ITGP conseguiram subir no ranking, tornando-se referência em transparência e governança pública.” Já André Brito, diretor de Gestão Pública do ES em Ação, destaca que, na saúde, “a melhoria é positiva, mas ainda há um caminho importante para que a informação seja acessível e útil ao cidadão em todos os municípios.” Destaques — Topo do ranking (Geral): 100 pts: Afonso Cláudio, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Dores do Rio Preto, Vila Velha, Vitória 99,8: Serra, Iúna 99,3: João Neiva 99,2: Anchieta, Vargem Alta Confira abaixo o ranking completo da avaliação geral (2025) com a nota de cada cidade: Ranking Geral – ITGP 2025 (Nota de 0 a 100) Afonso Cláudio – 100,00 Cachoeiro de Itapemirim – 100,00 Colatina – 100,00 Dores do Rio Preto – 100,00 Vila Velha – 100,00 Vitória – 100,00 Iúna – 99,80 Serra – 99,80 João Neiva – 99,30 Anchieta – 99,20 Vargem Alta – 99,20 Itarana – 98,70 Viana – 98,60 Santa Leopoldina – 98,10 Alegre – 97,90 Domingos Martins – 97,20 Cariacica – 97,00 Linhares – 97,00 Iconha – 96,70 Irupi – 96,50 Piúma – 96,30 Ibiraçu – 96,20 São Roque do Canaã – 95,50 Santa Maria de Jetibá – 95,40 Aracruz – 95,00 Itapemirim – 94,70 Marilândia – 94,60 São Mateus – 93,30 Santa Teresa – 92,50 Boa Esperança – 90,70 Laranja da Terra – 90,30 Marataízes – 90,20 Venda Nova do Imigrante – 88,50 Jerônimo Monteiro – 88,30 Guarapari – 88,20 Pancas – 87,80 Ecoporanga – 87,00 Ponto Belo – 86,50 Castelo – 84,90 São Domingos do Norte – 84,20 Conceição do Castelo – 84,10 Rio Bananal – 81,30 Montanha – 81,00 Nova Venécia – 80,50 Guaçuí – 77,20 Muniz Freire – 76,80 Alto Rio Novo – 76,80 Fundão – 76,60 Alfredo Chaves – 76,00 Divino de São Lourenço – 75,20 Barra de São Francisco – 74,30 Ibatiba – 73,90 Águia Branca – 72,50 Baixo Guandu – 70,10 Itaguaçu – 69,60 Ibitirama – 68,50 São José do Calçado – 67,90 Presidente Kennedy – 67,70 Atílio Vivácqua – 66,20 Jaguaré – 64,10 Pinheiros – 64,10 Vila Pavão – 63,00 Mantenópolis – 63,00 Água Doce do Norte – 62,40 Muqui – 62,40 Vila Valério – 61,50 Bom Jesus do Norte – 59,80 Apiacá – 56,70 Mucurici – 56,40 Mimoso do Sul – 56,40 Conceição da Barra – 56,00 Marechal Floriano – 54,00 São Gabriel da Palha – 51,30 Governador Lindenberg – 50,40 Pedro Canário – 48,10 Sooretama – 44,60 Rio Novo do Sul – 43,70 Brejetuba – 42,90 Classificação por faixa de pontuação (referência ITGP) De 0 a 49,9 pontos – Ruim De 50 a 59,9 pontos – Regular De 60 a 79,9 pontos – Bom De 80 a 100 pontos – Ótimo
Vitória reforça fiscalização contra bebidas adulteradas com metanol
Equipes da Vigilância Sanitária vistoriaram 36 estabelecimentos neste fim de semana em regiões de grande circulação. Até o momento, não há casos suspeitos na capital. A Vigilância Sanitária de Vitória intensificou as ações de orientação e fiscalização em bares, restaurantes, distribuidoras e outros estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas na capital. O objetivo é prevenir casos de contaminação por metanol, substância altamente tóxica utilizada irregularmente na adulteração de bebidas. As equipes inspecionam rótulos, lacres, embalagens e notas fiscais, além de conferir a procedência dos produtos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semus), não há registros, até o momento, de casos em investigação relacionados ao consumo de bebidas contaminadas com metanol em Vitória. A ação, portanto, tem caráter preventivo. Foco nas regiões mais movimentadas da cidade Durante o fim de semana, a Vigilância Sanitária vistoriou 36 estabelecimentos localizados em áreas de grande movimentação, como a Curva da Jurema, a Rua da Lama, em Jardim da Penha, e a região do Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto. De acordo com a gerente da Vigilância Sanitária de Vitória, Viviani Barreto, os produtos estavam dentro dos padrões exigidos: “As garrafas, rótulos, lacres e notas fiscais estavam dentro das normas. Os proprietários foram receptivos e já estão cientes da situação. Essas ações têm o objetivo de garantir a segurança do consumidor, uma vez que o consumo de produtos adulterados representa um grave risco à saúde”, afirmou. População deve ficar atenta A orientação da Vigilância Sanitária é clara: somente adquira bebidas alcoólicas em locais regularizados. É fundamental observar a integridade da embalagem e do lacre, e desconfiar de qualquer sinal de adulteração. Casos suspeitos ou irregularidades podem ser denunciados de forma anônima pelo serviço 156. “Estamos reforçando tanto a fiscalização quanto a orientação junto aos estabelecimentos, além de alertar a população sobre os cuidados necessários”, reforçou Viviani. Foto: PMV
Como o metanol destrói nervo ótico e pode causar cegueira irreversível em poucas horas
Oftalmologista do HOV explica como o metanol age no organismo. Imagine começar o dia enxergando normalmente e, poucas horas depois, mergulhar em uma névoa que apaga completamente a visão. Essa é uma das consequências mais graves da ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica usada de forma irregular na fabricação clandestina de destilados. Casos recentes de intoxicação no Brasil acenderam o alerta sobre os perigos do metanol, que pode levar à cegueira irreversível e até à morte. Segundo o oftalmologista Pedro Trés Vieira Gomes, do Hospital de Olhos Vitória (HOV), o composto atinge diretamente o nervo óptico, responsável por transmitir ao cérebro as imagens captadas pelos olhos. “Quando ocorre a lesão, a perda visual pode ser irreversível”, explica o especialista. Como o metanol age no organismo Após ser ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado e convertido em formaldeído e ácido fórmico, dois compostos extremamente tóxicos. Eles atacam as mitocôndrias — estruturas celulares responsáveis pela produção de energia — e provocam colapso nas fibras do nervo óptico. “O nervo óptico não se regenera. Mesmo pequenas quantidades da substância podem causar danos severos e permanentes”, destaca o médico. Estudos indicam que a ingestão de apenas 10 ml de metanol já pode causar sequelas visuais graves. Doses maiores podem levar à falência do sistema nervoso e à morte. Sinais de alerta Os primeiros sintomas surgem entre 6 e 24 horas após o consumo da bebida contaminada. Inicialmente, a intoxicação pode ser confundida com uma ressaca comum, provocando tontura, dor de cabeça, fraqueza e náusea. Em seguida, aparecem os sinais oculares: Visão borrada Manchas escuras no campo visual Sensibilidade à luz Visão dupla Formação de névoa visual até a cegueira total O diagnóstico é feito por meio de exames oftalmológicos, como teste de acuidade visual, campo visual e resposta pupilar. Mas o tempo é fator decisivo. Quanto mais rápida a busca por atendimento médico, maiores são as chances de evitar sequelas irreversíveis. Tratamento exige urgência Além da cegueira, o ácido fórmico gerado pela metabolização do metanol pode causar acidose metabólica, afetando outras áreas do sistema nervoso, provocando perda de consciência, coma e até morte. O tratamento inclui internação imediata, suporte clínico intensivo e, nos casos mais graves, hemodiálise para remover o metanol do organismo. “O atendimento de emergência é fundamental. Se a intervenção ocorre logo após a ingestão, ainda é possível minimizar os danos. Mas se o nervo óptico já foi afetado, as sequelas costumam ser permanentes”, alerta o dr. Pedro Trés. Prevenção é a única garantia A recomendação final dos especialistas é direta: não consuma bebidas de procedência duvidosa. A venda de destilados adulterados é crime e representa risco real à saúde pública. “Prevenção é a única garantia de proteção contra a cegueira causada pelo metanol”, reforça o oftalmologista.
Taynah Repsold – “O perigo invisível do mar: o que você precisa saber sobre infecções marinhas”
O Brasil possui uma extensa faixa litorânea e milhões de pessoas ligadas a atividades como pesca, turismo e esportes aquáticos. Esse contato, embora fonte de lazer e sustento, também expõe a população a microrganismos pouco conhecidos, capazes de causar infecções graves e de difícil diagnóstico: as chamadas infecções marinhas. Para entender como isso acontece, é importante lembrar que a pele é o maior órgão do corpo humano, sendo também a principal porta de entrada para esses agentes. Pequenos cortes, arranhões ou picadas funcionam como via de acesso para bactérias presentes na água salgada. O simples ato de manipular peixes, redes ou aquários pode gerar traumas nas mãos, transformando-se em porta de acesso para infecções. O quadro pode começar como uma ferida simples, mas evoluir para necrose, abscessos ou até sepse. Estudos mostram que antibióticos usados rotineiramente em infecções de pele podem ser ineficazes contra muitos patógenos marinhos. Isso reforça a importância de uma entrevista clínica cuidadosa, em que se investigue o histórico de exposição ao mar, para que o tratamento correto seja instituído precocemente. Entre os microrganismos mais comuns estão o Mycobacterium marinum, o Vibrio vulnificus e espécies de Aeromonas. É importante destacar que os membros superiores costumam ser os mais atingidos, já que estão diretamente envolvidos na manipulação de redes, peixes e aquários. No entanto, o diagnóstico, muitas vezes, é tardio pela falta de familiaridade dos profissionais com esse tipo de infecção, o que faz com que muitos casos permaneçam apenas como suspeita clínica, sem confirmação laboratorial. As manifestações podem variar desde lesões superficiais leves até quadros graves, que comprometem articulações, tendões e ossos, exigindo tratamentos prolongados. Em situações mais severas, podem surgir necrose extensa e sepse, com risco de morte. Alguns grupos de risco merecem atenção especial: pessoas com ferimentos expostos, diabéticos, imunossuprimidos, portadores de doenças hepáticas ou renais, alcoólatras e pacientes com câncer ou AIDS. Nesses casos, a chance de evolução para formas graves da infecção é significativamente maior. Em síntese, para a população em geral, a mensagem é clara: toda ferida em contato com a água do mar deve ser observada com cuidado. Se não houver melhora, procure assistência médica e informe sobre a exposição ao ambiente marinho. Para os profissionais de saúde, é fundamental incluir as infecções marinhas no diagnóstico diferencial de feridas persistentes, sobretudo em membros superiores, questionar sobre a exposição ao ambiente marinho e reconhecer a necessidade de antibióticos adequados. Por fim, é importante alertar trabalhadores, empresas e autoridades sobre essa patologia, incentivando o uso de equipamentos de proteção individual para quem lida diretamente com o ambiente marinho. Prevenção, diagnóstico precoce e tratamento correto são os pilares para reduzir a morbimortalidade dessas infecções. *Taynah Repsold é médica mestre e doutoranda em Doenças Infecciosas – Ufes
Serra pode se tornar elo estratégico entre Brasil e China em inovação
A cidade da Serra, uma das principais potências industriais do Espírito Santo, pode ganhar um novo papel no cenário internacional da inovação. Na manhã desta segunda-feira (6), o auditório do Senac Jacaraípe recebeu um evento histórico promovido pela Associação dos Empresários da Serra (ASES): uma palestra conduzida por Ping He, pró-reitor da Escola de Economia e Gestão da renomada Universidade de Tsinghua, da China. Reconhecida como uma das mais influentes instituições de ensino superior do mundo, a Universidade de Tsinghua é referência em inovação, ciência e desenvolvimento econômico, com um ecossistema que articula pesquisa de ponta e incubação de startups bilionárias. Parceria com potencial transformador O encontro marca o início de uma aproximação inédita entre a universidade chinesa e o município da Serra. De acordo com a ASES, o interesse da Tsinghua pela cidade capixaba está ligado à força do seu parque industrial, à diversidade econômica e à crescente maturidade do ambiente de negócios local. “Essa parceria pode transformar a Serra em uma plataforma internacional de inovação e desenvolvimento, com acesso a redes globais de investimento, transferência de tecnologia e apoio direto à instalação de empresas de base tecnológica”, destacou Jardel Ferreira, diretor de Inovação da ASES. Um dos focos do diálogo é a futura instalação de empresas chinesas no Parque Tecnológico Alvo, em fase de construção no município. A expectativa é que o espaço se torne um polo de inovação com incubação de startups e laboratórios integrados ao setor produtivo. Intercâmbio acadêmico e científico Além das possibilidades econômicas, a parceria também prevê a criação de programas de intercâmbio acadêmico e científico entre Brasil e China. Alunos e pesquisadores capixabas poderão ter acesso a laboratórios e centros de pesquisa em território chinês, enquanto estudantes chineses poderão conhecer de perto a realidade industrial e social da Serra. “O que mais nos impressionou foi o potencial industrial da Serra e a receptividade do povo capixaba. Acreditamos que essa relação pode ser muito promissora”, afirmou o professor Ping He durante o encontro. Articulação multissetorial A ação é fruto de uma articulação entre a ASES, o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) – Campus Serra, a Prefeitura da Serra e a Secretaria Municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia. O diretor-geral do Ifes, Gilmar Vassoler, destacou que a visita da universidade chinesa abre portas reais para colaborações científicas e tecnológicas. “É uma oportunidade concreta de unirmos academia, setor produtivo e poder público em um projeto de desenvolvimento com escala internacional”, afirmou. ASES na linha de frente da inovação Com quase 47 anos de atuação, a ASES reafirma seu papel como protagonista na construção de um ambiente de negócios competitivo e inovador. “Conectar empresários à academia e ao poder público faz parte da nossa missão. A aproximação com uma universidade como a Tsinghua é um passo ousado, que pode gerar impactos positivos duradouros para a economia e para a sociedade serrana”, concluiu Jardel Ferreira. A expectativa é que o encontro represente o primeiro passo de uma agenda contínua de cooperação entre Brasil e China, com a Serra ocupando um papel de destaque nessa ponte estratégica de inovação e desenvolvimento.