Morreu nesta segunda-feira (27), aos 79 anos, o advogado Sérgio Bermudes, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim e reconhecido como um dos maiores nomes do Direito Processual brasileiro. Ele estava internado no Rio de Janeiro e enfrentava complicações de saúde agravadas desde a Covid-19. Nascido em 1946, Bermudes se mudou ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde formou-se em Direito em 1969. No mesmo ano, fundou o escritório que leva seu nome, hoje um dos mais prestigiados do país, com sedes em Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Sua atuação ultrapassou fronteiras, com estrutura de mais de 130 advogados e consultores, além de centenas de colaboradores e estagiários. Jurista de grande produção intelectual, Bermudes foi autor de ao menos 15 obras jurídicas e professor universitário por cinco décadas, com passagem por instituições como PUC-Rio, Universidade do Estado da Guanabara e Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas. Também integrou importantes entidades nacionais e internacionais de Direito Processual. Sua trajetória foi marcada por causas emblemáticas. Nos anos 1970, Bermudes atuou na defesa de Clarice Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog, e obteve o reconhecimento judicial de que ele foi assassinado pelo Estado durante a ditadura militar — um marco histórico para os direitos humanos no Brasil. Mesmo com carreira consolidada no cenário nacional, Sérgio Bermudes nunca se afastou de suas origens. Em janeiro de 2020, após as fortes enchentes que atingiram sua cidade natal, ele destinou R$ 1 milhão para auxiliar famílias e comerciantes de Cachoeiro de Itapemirim. Luto oficial Nas redes sociais, o governador do Estado, Renato Casagrande, lamentou a morte e anunciou luto oficial no Estado:”Lamento profundamente o falecimento do advogado e jurista capixaba, cachoeirense Sérgio Bermudes, referência nacional no Direito e orgulho para o nosso Estado.Em homenagem à sua trajetória, decretarei luto oficial de três dias em todo o Espírito Santo. Minha solidariedade à família, aos amigos e à comunidade jurídica.”
André Luis conquista o Slab Bodyboarding Contest no D2, em Vila Velha
Competição desafiou atletas em condições extremas nas bancadas de pedra da Praia da Costa Nem o vento forte, nem a chuva insistente, nem o mar revolto impediram o espetáculo no Slab Bodyboarding Contest 2025, realizado neste sábado (25), no famoso D2, na Praia da Costa, em Vila Velha. Em meio a condições consideradas entre as mais difíceis do Brasil, o capixaba Lucas Nogueira defendia o título, mas quem brilhou foi André Luis, de São João da Barra (RJ), que surpreendeu os favoritos e garantiu uma vitória histórica. A disputa reuniu 21 atletas de alto nível e foi ativada após monitoramento em tempo real das previsões de vento e ondulação. Mesmo com a expectativa de uma janela perfeita, o mar apareceu com potência extra: ondas pesadas quebrando diretamente sobre as pedras rasas, exigindo precisão técnica, coragem e controle emocional. Nas fases iniciais, nomes como Peter Alves e Fillipe Mathias abriram o campeonato com boas notas. Lucas Nogueira também avançou sólido. Mas já ali André Luis mostrava que vinha para brigar pelo título, acertando uma onda avaliada em 7,17 ao arriscar tudo na bancada. O destaque do round foi Renato Ribeiro (Arraial do Cabo/RJ), que cravou 8,33, a maior média da primeira fase. Com o mar ganhando força, os atletas foram direto para as semifinais. Na primeira, Henrique Andrade superou Lucas Nogueira e garantiu a vaga na final. Na segunda, Peter Alves venceu sua bateria e André Luis avançou em segundo — o suficiente para colocá-lo na grande decisão. A final foi um teste de bravura. Visibilidade reduzida, vento cruzado e séries pesadas tornaram cada tentativa arriscada. Lucas Nogueira chegou a assumir a liderança com uma excelente onda da série. Mas André Luis resolveu apostar nas ondas mais rasas e perigosas. A estratégia funcionou: em sua última manobra completa, conquistou a virada e o título. “Vencer aqui em Vila Velha é inesquecível. Condições bem difíceis, mas um campeonato incrível. Quero voltar na próxima edição”, comemorou André Luis (foto). Resultado Final – Slab Bodyboarding Contest 2025 (D2 – Vila Velha, ES) 1º André Luis — São João da Barra (RJ) 2º Lucas Nogueira — Vila Velha (ES) 3º Henrique Andrade — Vitória (ES) 4º Peter Alves — Vila Velha (ES) 🏅 Melhor Onda: Thiago Abul Muito além do esporte Além de reforçar Vila Velha como palco das ondas mais extremas do país, o evento também promove conscientização ambiental, com ações voltadas à preservação do litoral capixaba e valorização das formações rochosas que ajudam a moldar picos como o próprio D2 — parte do mesmo conjunto geológico que faz do Espírito Santo o líder nacional em exportação de rochas ornamentais. O Slab Bodyboarding Contest 2025 é organizado pelo Coletivo Slab BB e pelo atleta Thiago Abul, com apoio de parceiros e patrocinadores locais. Fotos: Andréa Faria, Romeritto Filmmaker, Eric Alvarenga, DroneVini_027 e News ES
Semana do Lixo Zero mobiliza estudantes e famílias em Vitória
A Semana do Lixo Zero ganhou reforço nesta sexta-feira (24) com a participação do Centro de Educação Ambiental (CEA) Pedra da Cebola na Mostra Cultural “O meu lugar, cuidar e preservar”, realizada na Emef Lenir Borlot, em Vitória. A ação integra o projeto Vitória Cidade Limpa, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que trabalha o tema resíduos sólidos durante todo o ano com escolas e comunidades da capital. Durante o evento, estudantes e familiares participaram de palestras e atividades lúdicas sobre consumo consciente, separação correta de resíduos e os impactos do descarte irregular. Entre os destaques esteve o “Jogo da Vida Sustentável”, que apresentou, de forma divertida, noções sobre tempo de decomposição dos materiais, compostagem e atitudes mais responsáveis no dia a dia. Ao envolver a comunidade escolar, o projeto busca ampliar a conscientização e incentivar mudanças de hábitos, contribuindo para uma cidade mais limpa e sustentável. Foto: PMV
João Gualberto – “Marapé”
Com a liberdade da ficção e os conhecimentos da história, grandes autores formam o tecido dessa teia que nos mostra as significações imaginárias sociais que nos enredam. Tenho tentado reunir, na boa literatura que se faz no Espírito Santo, elementos que nos mostrem como foi construído o nosso imaginário social e venho escrevendo sobre isso. Com a liberdade da ficção e os conhecimentos da história, grandes autores formam o tecido dessa teia que nos mostra as significações imaginárias sociais que nos enredam. Dentro dessa perspectiva, li recentemente um romance bastante interessante, do qual gostei muito. Trata-se de Marapé, de Levy Rocha, editado em 1978 por meio do então Ministério da Educação e Cultura. A leitura foi feita por indicação de meu amigo Francisco Aurélio Ribeiro, cujos conhecimentos em termos de literatura são excepcionais, um dos maiores conhecedores do que se produz nessa área em nosso estado, sendo ele próprio um autor muito respeitado. Levy Rocha, capixaba nascido em 1916 na região cenário do romance, São João do Muqui, foi casado com a importante educadora Anna Bernardes da Silveira. Ele passou a infância no arraial de São Felipe, sendo o relato produto de suas recordações e vivências. Eu gosto muito de analisar esse tipo de literatura, na qual o que se passa mistura ficção e realidade, permitindo ao leitor vislumbrar com clareza a alma e o imaginário do nosso povo. São dele também as obras Viagem de Dom Pedro II ao Espírito Santo, Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo, Crônicas de Cachoeiro, De Vasco Fernandes Coutinho aos Contemporâneos, além de outras contribuições à vida intelectual capixaba e brasileira com a publicação de artigos em jornais e revistas. Produziu, portanto, uma obra importante em termos da historiografia capixaba. O romance articula o bom texto, a vivência pessoal e os conhecimentos de história. A cidade que dá nome ao livro, Marapé, chama-se atualmente Atilio Vivacqua e fica ao Sul do Espírito Santo, não muito longe de Cachoeiro de Itapemirim. No romance, entretanto, chamava-se ainda São Felipe, pois a ação se passa nos tempos da primeira república, no mundo dos coronéis e do coronelismo. Essa é, aliás, a sua graça, a exploração bem estruturada daquele mundo antigo e cheio de hierarquias, violências e desigualdade. Nada de romantizar o passado. A pobreza em que estavam mergulhados os personagens chama a nossa atenção. Narrando o dia a dia de um camponês que trabalha na roça de seu patrão, diz o autor: “Andava sempre sem dinheiro. Só havia fartura de miséria e de serviço. A lavoura era trabalho para quatro homens. Tocava com a única ajuda da mulher.” Havia também os ambientes frequentados pelos coronéis, os proprietários de terra, suas famílias e agregados. Esses lugares eram descritos com os requintes da época em termos de mobiliário, decoração e outros detalhes. Já os ambientes da imensa maioria dos moradores do lugarejo eram despidos de tudo, onde havia somente trecos improvisados e desconfortáveis. Comiam muita abóbora, batata-doce, inhaminho, mandioca, taioba; era tudo comida de engordar porco, mais satisfazia os muitos filhos que cada casal pobre possuía. Havia ainda os peixes: acarás, piabas, lambaris, bagres e traíras. Era o mundo dos pobres trabalhadores do campo do interior do Espírito Santo, que a maioria dos leitores muito bem conhece. Em Levy Rocha, tanto quanto em outros autores aos quais tenho me referido, neste espaço, para ilustrar a construção do imaginário capixaba (Renato Pacheco, Getúlio Neves, Adilson Vilaça, Pedro Nunes e outros), também temos a presença sempre marcante da violência, encarnada pela presença policial. Nesses tempos que antecederam a chamada Revolução de 1930, era nas pequenas delegacias que o pau quebrava no lombo dos pobres. Coronel Odorico representava e exercia essa violência do poder contra o povo desfavorecido, organizava as eleições fraudadas e controlava os postos públicos, sobretudo os da polícia. Em São Felipe, mandava em todo mundo. Foi vencido pelos que implantaram um novo governo, que, como todos sabemos, não mudou tanto assim esse quadro de penúria e violência contra os mais pobres. No final do romance, como em um desabafo, diz o narrador: “Bastava de tantas mortes. Morriam os bons, assassinados; os covardes, suicidados; os maus, tocaiados, morriam crianças pobres, de fome. Afinal de contas, morrer por que, se viver era tão bom? Morar na lavoura, numa casa de estuque e chão batido, com uma companheira sacudida, trabalhadeira, de mãos grossas de calos do cacumbu, com mãos de macho, rodeados da filharada.” Era assim o Espírito Santo das primeiras décadas da república, no início do século XX, para os que não foram premiados com a sorte de pertencer às famílias poderosas; um estado muito bem retratado pela escrita saborosa de Levy Rocha. *João Gualberto Vasconcellos é mestre e professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Doutor em Sociologia pela Escola de Altos Estudos em Ciência Política de Paris, na França, Pós-doutorado em Gestão e Cultura. Foi secretário de Cultura no Espírito Santo entre 2015 e 2018. *A opinião do articulista é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a posição do portal News Espírito Santo
Aeroporto das Montanhas: governo autoriza início das desapropriações e projeto avança no ES
Reunião com prefeitos, federações e Sebrae/ES marca nova etapa da obra que promete impulsionar o turismo no interior Prefeitos, vereadores e representantes de federações e associações se reuniram na última quinta-feira (23), no Palácio Anchieta, com o governador Renato Casagrande para discutir a implementação do Aeroporto das Montanhas Capixabas. O Sebrae/ES, que tem atuado em projetos de fortalecimento do turismo regional, foi um dos articuladores do encontro. O superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, destacou a relevância do equipamento para o desenvolvimento econômico: “A instituição apoia a implantação do aeroporto das Montanhas Capixabas, um equipamento importante para a infraestrutura, que, certamente, irá intensificar a movimentação turística no interior do estado, dará impulso à economia local, além de oferecer benefícios até mesmo para atendimentos relacionados à saúde. Esse é um esforço coletivo pelo desenvolvimento. As melhorias na infraestrutura contribuem para que o ambiente de negócios, como um todo, se torne cada vez mais favorável ao empreendedorismo e aos pequenos negócios.” Etapas seguem para licitação e obra Durante a reunião, foram entregues ao governador manifestos de apoio assinados por lideranças municipais e representantes de setores produtivos. Casagrande reforçou que a autorização para seguir com o processo dará início às desapropriações necessárias. “Vamos autorizar a seguir em frente e dar o primeiro passo. Resolvidas as desapropriações, a gente poder avançar com a contratação da obra. O passo seguinte é a publicação do edital para licitar a empresa, que vai fazer o projeto executivo e tirar a licença ambiental. Tivemos algumas reuniões lá na região, e nessas reuniões foi discutida a viabilidade do aeroporto e também os desafios a serem vencidos, para a gente poder, de fato, consolidar e concretizar esse investimento. Não poderíamos começar o investimento sem que a comunidade desejasse isso.” Turismo como prioridade no Estado O secretário de Estado do Turismo, Victor Coelho, destacou que os indicadores comprovam o avanço do setor: “Desde que entrei no cargo até o presente, contabilizando ordens já concluídas, ordens em anúncios, ordens publicadas, tudo isso, temos mais de R$ 1 milhão investidos. Isso mostra a força do Governo do Estado, que está empenhado. A gente fala que o turismo é prioridade e é mesmo! Essa obra vai ser fundamental para desenvolver ainda mais essa região turística já consolidada, que é a região de Montanhas.” “O turismo é a bola da vez” O presidente do Conselho Estadual de Turismo (Contures), Valdeir Nunes, enfatizou que o avanço do setor é resultado de união entre governo, entidades e empresariado. “Foi entregue um manifesto conjunto de apoio à construção do aeroporto das Montanhas Capixabas, representando muitas entidades. Essas entidades disseram sim e manifestaram sua vontade. O manifesto é apresentado como símbolo da união entre empresariado, entidades e governo, visando fortalecer a infraestrutura de turismo. A união é a força motriz do turismo.” Ele avaliou que o Espírito Santo vive um momento histórico na cadeia do turismo: “Turismo se faz com barulho e o Espírito Santo está fazendo barulho no mercado, com maior visibilidade e reconhecimento. Eu nunca vi algo que unisse tantas pessoas. Vamos fazer uma revolução no turismo do estado, sem dúvida, que já vai começar no próximo ano. O turismo é a bola da vez.” Foto e informações: Sebrae-ES
Arquitetos e urbanistas capixabas destacam desafios para cidades mais humanas e sustentáveis
Profissionais ressaltam papel estratégico do planejamento urbano em alinhamento com iniciativa mundial da ONU-Habitat O Outubro Urbano, iniciativa da ONU-Habitat, promove em todo o mundo uma reflexão sobre os desafios e as soluções para transformar os centros urbanos em espaços mais inclusivos, sustentáveis, resilientes e integradores. No Brasil, a mobilização resgata a importância do arquiteto e urbanista na construção de cidades que acompanhem as demandas presentes e futuras da sociedade. Planejar cidades é planejar a vida em comunidade Para o arquiteto Heliomar Venâncio, presidente da AsBEA/ES (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Espírito Santo), pensar o futuro urbano é ir muito além de ruas e prédios. “Não se trata apenas de desenhar prédios ou organizar ruas, mas de planejar a vida em comunidade. Uma cidade organizada deve prever mobilidade eficiente, espaços públicos de qualidade, acesso universal a equipamentos de saúde, educação e lazer, preservação ambiental e integração entre as pessoas. A arquitetura e o urbanismo têm o papel de costurar todos esses elementos”, ressalta Heliomar. Ele também destaca a importância da identidade local como elemento estruturante: Preservar a memória urbana, ao mesmo tempo em que se incorporam soluções contemporâneas, é fundamental para fortalecer vínculos sociais e garantir pertencimento. O arquiteto ainda reforça que a expansão desordenada aumenta desigualdades e pressiona o meio ambiente: “Crescer para fora, sem planejamento, significa ampliar desigualdades e pressionar ainda mais os recursos naturais. Requalificar áreas já construídas, incentivar a moradia em regiões centrais e apostar em soluções sustentáveis são caminhos mais inteligentes e responsáveis”, afirma. Soluções que integram sustentabilidade, natureza e pessoas O arquiteto e urbanista Hansley Rampineli Pereira (Studio 3 Arquitetura e Urbanismo) reforça que a transformação das cidades precisa de participação social. “O desenvolvimento urbano precisa ser planejado com foco nas pessoas, na natureza e na coletividade. Um dos caminhos fundamentais é investir em educação ambiental e participação social, para que a população se envolva nas decisões que moldam o espaço urbano.” Ele cita as “cidades esponjas” como modelo inteligente: • pavimentos drenantes • praças e vias que absorvem água • reaproveitamento de águas pluviais Essas soluções ajudam a: ✅ reduzir alagamentos ✅ melhorar o conforto térmico ✅ ampliar áreas verdes Hansley também ressalta mobilidade como prioridade urbana: “É essencial priorizar a mobilidade ativa, com calçadas acessíveis, ciclovias seguras e transporte público de qualidade. A cidade sustentável é aquela que acolhe, integra e garante qualidade de vida para todos.” Técnica, legislação e participação: pilares do desenvolvimento urbano Para o arquiteto e urbanista Juliano Motta Silva (Vivacidade Arquitetura e Urbanismo), dedicar um mês a esse debate é fundamental. “As populações urbanas predominam, tanto no Brasil quanto no Espírito Santo. As cidades médias têm crescido muito e demandam cada vez mais qualidade nos serviços públicos para se desenvolverem de forma harmônica e sustentável.” O desafio central, segundo ele: “Contar com corpo técnico capacitado aliado a uma legislação que atenda às expectativas de desenvolvimento sustentável das cidades, que contribua para a melhoria da qualidade de vida da população e que, ao mesmo tempo, seja aplicável e fiscalizável.” Juliano lembra que a agenda urbana já ganhou força na Grande Vitória: “Temos municípios revisando seus planos diretores, como Vila Velha. Esse movimento abre oportunidade para ampliar a discussão sobre o tema — que tem despertado interesse também da população em geral.” Ele destaca ainda o papel dos Estudos de Impacto de Vizinhança (EIVs): “Eles avaliam empreendimentos que podem gerar impactos urbanos e apontam medidas mitigadoras ou compensatórias necessárias para minimizar ou equilibrar os efeitos que possam surgir.” O futuro das cidades está em pauta — e passa pelo Espírito Santo Com os desafios globais espalhados pelo cotidiano urbano — mobilidade, moradia, mudanças climáticas, desigualdade — o Outubro Urbano reforça um caminho comum: 🟦 cidades mais humanas 🟩 planejamento sustentável 🟧 participação cidadã E os arquitetos e urbanistas capixabas estão no centro dessa construção.
Setor de serviços puxa retomada e Espírito Santo volta a gerar empregos formais
Depois de dois meses seguidos de retração, o mercado de trabalho capixaba voltou ao campo positivo. Em agosto, o Espírito Santo registrou saldo de 906 novas vagas com carteira assinada — resultado obtido a partir da diferença entre admissões e demissões. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo setor de serviços, que respondeu por 1.247 empregos e ajudou a reverter o cenário de queda observado em junho e julho. Os dados integram as análises do Connect Fecomércio-ES, com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), e refletem uma recuperação gradual do dinamismo econômico estadual. Na sequência dos setores que mais contrataram, aparecem: • Indústria: +394 vagas • Comércio: +177 • Construção: +96 Por outro lado, a agropecuária manteve o ritmo de queda e fechou 1.008 postos de trabalho. Serviços seguem como motor da economia Dentro do setor líder, o maior destaque foi o segmento de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que abriu 778 empregos, distribuídos entre administração pública em geral (237), educação (272) e atenção à saúde humana (264). Outro destaque foi o setor de alojamento e alimentação, que criou 231 vagas, impulsionado pela expansão dos serviços de alimentação corporativa — que, desde 2023, já acumulam crescimento de 25%. Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, o cenário aponta uma recomposição do mercado após os ajustes provocados pelo pico da colheita do café no primeiro semestre. “O resultado mostra a resiliência do mercado de trabalho capixaba. Os serviços continuam sendo o principal motor da economia, sustentando a geração de empregos formais mesmo em um cenário de desaceleração nacional”, afirmou Spalenza. Vitória lidera contratações Entre os municípios, o saldo de agosto ficou assim: • Vitória: +730 vagas • Vila Velha: +270 • Cachoeiro de Itapemirim: +209 A Grande Vitória encerrou o mês com saldo de 1.021 empregos, enquanto o interior registrou -115, ainda afetado pelo recuo nas atividades agrícolas. Panorama do ano: 19 mil novos empregos De janeiro a agosto, o Espírito Santo soma 19.120 vagas formais, totalizando 928.520 vínculos — alta de 2,4% frente ao mesmo período de 2024. Os setores apresentaram o seguinte desempenho no período: • Indústria: +2,9% • Comércio: +2,8% • Serviços: +2,7% • Construção: -0,6% Nos últimos 12 meses encerrados em agosto, o setor de serviços liderou com 11.288 novos postos, seguido pelo comércio (6.314). Juntos, somam quase 80% das vagas geradas no estado. Spalenza destacou ainda o crescimento da participação feminina: “Mais da metade das vagas criadas no ano, 51,2%, foi ocupada por mulheres (9.785), o que confirma uma tendência de maior protagonismo feminino no mercado formal capixaba”. Mesmo com a retomada, ele aponta desafios: “É preciso tornar o emprego formal mais atrativo, oferecendo melhores pacotes de benefícios e condições de flexibilidade. O futuro do trabalho passa por esse equilíbrio entre segurança e modernidade”. 📊 A pesquisa completa está disponível no Portal do Comércio (https://www.portaldocomercio-es.com.br) Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS recolhido no Estado e por cerca de 652 mil empregos. Com presença em todos os municípios — em unidades físicas, digitais e ações itinerantes —, a entidade reúne 24 sindicatos empresariais e atua para o desenvolvimento econômico e social do Espírito Santo. O Projeto Connect é realizado pela Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).
Assédio algorítmico já preocupa relações de trabalho e expõe riscos da automação
IA e sistemas de monitoramento ampliam pressão por produtividade; especialistas alertam para abuso e perda de direitos A rápida expansão da inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo vem modificando a forma como profissionais são contratados, avaliados e gerenciados. Embora amplie eficiência e produtividade, a automação também traz impactos que acendem um sinal de alerta: desvalorização profissional, aumento da sobrecarga e insegurança nas relações de trabalho. Atividades repetitivas e facilmente automatizáveis estão entre as primeiras a desaparecer — fenômeno que já atinge tradutores, atendentes e trabalhadores em início de carreira. O cenário, segundo especialistas, representa o maior desafio trabalhista desde a digitalização. “O avanço tecnológico pode mudar o exercício da profissão, mas não elimina direitos garantidos pela lei”, afirma o advogado Yghor Del Caro, sócio do Ferreira Borges. “Mesmo com automação, seguem obrigatórios o reconhecimento do vínculo, o pagamento justo e condições dignas de trabalho.” Demissões e reestruturação digital Nos Estados Unidos e na Europa, ondas de demissões associadas à adoção de sistemas de IA já motivam debates públicos e ações judiciais. No Brasil, o tema começa a ganhar força. Del Caro lembra que a substituição do trabalho humano por ferramentas digitais não isenta empresas de suas obrigações. Além disso, a redução de equipes pode levar ao acúmulo indevido de funções pelos trabalhadores remanescentes. “Quando a tecnologia vira justificativa para cortar equipes e transferir responsabilidades sem compensação, há violação à CLT. Isso pode resultar em indenizações”, destaca o advogado. Quando o algorítmico vira assédio O uso de softwares para controlar ritmo, metas e desempenho de funcionários está na origem do chamado assédio algorítmico — modalidade já reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O termo descreve o monitoramento e a avaliação automáticos que impõem metas inalcançáveis, vigilância constante e pressão psicológica. “A tecnologia não pode substituir empatia e bom senso”, ressalta Del Caro. “Algoritmos que definem produtividade sem considerar fatores humanos podem caracterizar assédio moral digital.” Embora ainda não exista menção específica à prática na legislação brasileira, princípios constitucionais já garantem proteção à dignidade e ao equilíbrio no ambiente laboral. Empresas podem ser responsabilizadas caso ultrapassem limites de jornada, exponham trabalhadores ou adotem controle desproporcional. Vieses e decisões automatizadas Outro risco é a discriminação algorítmica. Sistemas de IA podem reproduzir vieses históricos relacionados a gênero, raça e idade ao participar de processos seletivos ou avaliações internas. Para o especialista, supervisão humana é indispensável nessas decisões. “A empresa precisa garantir transparência nos critérios e prevenir prejuízos injustificados ao trabalhador.” Sinais de alerta para o empregado Profissionais devem ficar atentos, principalmente, quando observarem: aumento de metas sem explicação; controle excessivo de tempo de tela e pausas; substituição de colegas sem redistribuição justa das tarefas; decisões automatizadas sem justificativa clara. Nessas situações, recomenda-se registrar ocorrências, reunir provas e buscar auxílio sindical ou jurídico. A Justiça do Trabalho já reconhece o dano moral ligado ao controle abusivo e ao adoecimento por sobrecarga. Responsabilidade das empresas Para Del Caro, o futuro do trabalho exige equilíbrio entre inovação e proteção. “Empresas que adotam tecnologias disruptivas precisam definir políticas éticas, assegurar supervisão humana e investir em requalificação”, afirma. “O futuro do trabalho não é apenas digital — é humano e jurídico.”
Confraria das Onças celebra 15 anos com collab especial na Nuvem Sublimação
A força e o estilo das mulheres da Confraria das Onças acabam de ganhar uma nova expressão na moda. Na próxima quarta-feira (29), será lançada na Nuvem Concept, na Praia do Canto, a collab Club Felines — uma parceria entre a empresária Rachel Pires, CEO criativa da Nuvem Sublimação, e o tradicional grupo feminino que há 15 anos se reúne com a onça como símbolo principal. Durante o ano de 2025, Rachel realizou diversas parcerias com jornalistas, empresárias e formadoras de opinião, que se transformaram em coleções disputadas. Agora, o Club Felines chega como uma homenagem à força e elegância das 15 integrantes da Confraria das Onças, que se encontram mensalmente e mantêm o felino presente no vestuário, na decoração e em todos os detalhes que reforçam a identidade do grupo. “A linha traz bolsas, necéssaires, cangas de praia, T-shirts, segunda pele e bolsas para vinhos, todas com estampas exclusivas inspiradas nas onças, simbolizando o espírito feminino e a união do grupo”, conta Rachel. O lançamento acontece a partir das 17h, em um evento com decoração assinada por Bruna Medeiros e mesa de bolos e doces da Chocolateria Brasil. O espumante será escolhido pelas sócias Roberta Girelli e Tati Puppim, da Carpe Diem, para harmonizar com os canapés e com o bolo de aniversário. A DJ Larissa Tantan comanda a animação da noite. Confraria das Onças A Confraria das Onças reúne 15 mulheres: Renata Rasseli (presidente), Eulália Chieppe (vice-presidente), Mariana Perini, Marina Monteiro, Beth Dalcolmo, Betty Feliz, Zainer Silva, Trícia Navarro, Edilene Chieppe, Ana Claudia Cardozo, Roberta Rasseli, Andréia Lopes, Rachel Martins e Maria Izabel Braga. “Temos uma agenda anual de encontros que inclui degustações de vinhos, música e festas temáticas, como o Onça Day, o Spa das Onças e o Carna Onças, a ressaca de carnaval do grupo, celebrando nossa amizade”, conta a presidente e jornalista Renata Rasseli.
Administradora de benefícios capixaba amplia presença nacional e chega a 21 estados
A empresa 100% capixaba avança com novas sedes em mercados estratégicos e projeta investimento de R$ 22 milhões em expansão até 2026 A QualiSaúde, administradora de benefícios fundada no Espírito Santo, está consolidando sua atuação em todo o país e já marca presença em 21 estados brasileiros. Além de sua forte operação em território capixaba, a empresa inaugurou unidades em Caxias do Sul (RS), Londrina e Maringá (PR), Distrito Federal (DF), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Com mais de 40 mil vidas assistidas, o crescimento reflete o alcance e a relevância da QualiSaúde no setor de saúde suplementar. Atualmente, cerca de 3,5 mil novos beneficiários passam a ser atendidos pela empresa todos os meses. Segundo o CEO, Flávio Cirilo, a presença física nos mercados onde a companhia já atua é parte fundamental da estratégia de crescimento. “A filial instalada enriquece o produto e a relação com o corretor, porque ele passa a confiar que a empresa realmente está presente e não vai abandoná-lo. Por isso, trabalhamos para consolidar nosso espaço nos locais onde já vendemos os planos”, afirmou. Com foco em tecnologia, inovação e qualidade no atendimento, o modelo de expansão replica os processos que fizeram a QualiSaúde se destacar nacionalmente. A expectativa é encerrar o ano com 60 mil vidas assistidas. Visando sustentar esse avanço, a companhia prevê investir até R$ 22 milhões na expansão até 2026, com a meta de crescer de forma competitiva e sem abrir mão dos valores que definem seu posicionamento. “A QualiSaúde tem o compromisso de humanizar o atendimento ao corretor parceiro e aos beneficiários que contratam os planos, buscando otimizar o processo de venda e valorizando todos os envolvidos nesse ciclo”, completou Cirilo.