O governador Renato Casagrande destacou a importância da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou as tarifas de importação impostas pelo governo norte-americano. Em manifestação nas redes sociais, ele afirmou que a medida reforça a necessidade de equilíbrio nas relações comerciais e protege setores produtivos. Segundo o governador, a decisão demonstra que o comércio internacional deve ser conduzido com base na legalidade e no diálogo, evitando prejuízos a quem produz e gera empregos. O vice-governador Ricardo Ferraço, coordenador do Comitê de Enfrentamento das Consequências do Aumento das Tarifas de Importação (CETAX), também avaliou que a medida representa um alívio importante para a economia capixaba, especialmente para cadeias produtivas estratégicas. “Uma ótima decisão para a economia do Espírito Santo por tudo que pode representar de retomada de competitividade de alguns arranjos muito importantes que temos aqui, não apenas do ponto de vista econômico mas também do ponto de vista social. São setores que geram milhares de empregos e muita renda, dando estabilidade às famílias, e divisas ao Governo do Espírito Santo, recursos para realização de investimentos nos municípios”, afirmou. Entre os produtos impactados pelas tarifas estão itens tradicionais da pauta exportadora do Estado, como café, rochas ornamentais, pescados, gengibre, macadâmia e aço, todos com forte presença no mercado norte-americano. “Nossos cafés, mármore e granito, pescados, gengibre e macadâmia, por exemplo, são produtos muito apreciados no mercado norte-americano, assim como o aço também tem sua importância. Com os maiores custos, preços elevados e inflação no dia a dia, os próprios americanos ingressaram na Suprema Corte para questionar a medida que determinava a taxação”, disse. Ferraço lembrou que o governo estadual vinha monitorando os impactos desde a adoção das tarifas e adotando medidas para preservar empregos e buscar novos mercados. “Estamos acompanhando esses desdobramentos desde quando o governo dos Estados Unidos impôs a taxação. Reunimos o setor produtivo capixaba, anunciamos medidas para amenizar os impactos e buscamos alternativas de mercado. Tudo isso tendo como contrapartida e objetivo a manutenção dos empregos, dos postos de trabalho. Alguns produtos foram excluídos da taxação anteriormente e agora vem essa ótima notícia da Suprema Corte americana”, afirmou. Para o vice-governador, os Estados Unidos continuam sendo um parceiro comercial estratégico e de difícil substituição para diversos produtos capixabas, o que amplia a relevância da decisão. “Os Estados Unidos são um mercado muito importante, tradicional e fiel para um conjunto significativo de produtos capixabas, não muito simples de ser substituído, e a decisão certamente contribui para melhorar as condições de competitividade dos produtos do Espírito Santo”, concluiu.
TCE-ES aponta avanços e pendências em medidas para fortalecer a Polícia Civil
O Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) concluiu o primeiro ciclo de monitoramento das recomendações feitas após auditoria sobre a investigação de crimes contra o patrimônio no Estado. O acompanhamento avaliou providências adotadas pela Polícia Civil, pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e pela Secretaria de Economia e Planejamento (SEP), constatando que a maior parte das ações foi apenas parcialmente cumprida. Ao todo, foram analisadas 21 recomendações aprovadas em 2023. Segundo o relatório, oito medidas foram totalmente implementadas, duas parcialmente, dez estão em execução e uma não foi adotada. O monitoramento examinou ações implantadas, resultados obtidos e pendências relacionadas à investigação de furtos, roubos, estelionatos, extorsões, receptação e outros crimes patrimoniais. A auditoria havia identificado problemas estruturais e operacionais, como limitações físicas em delegacias, baixa capacidade investigativa e ausência de indicadores para medir o esclarecimento dos crimes. Em levantamento de 2021, apenas 9,4% das ocorrências registradas tiveram abertura de investigação, 4% resultaram em procedimentos com potencial de indiciamento e somente 2,4% foram concluídas ou encaminhadas à Justiça. Dados mais recentes mostram que o Espírito Santo registrou 78.161 ocorrências desse tipo em 2024, redução de 2,1% em relação ao ano anterior. Ainda assim, a média anual entre 2022 e 2024 — cerca de 80,8 mil casos — permanece superior à observada no período anterior analisado pelo TCE-ES. Em média, foram aproximadamente 214 crimes patrimoniais por dia no ano passado. Entre as melhorias identificadas está a implementação de mecanismos para que todos os procedimentos investigativos tramitem integralmente em sistema informatizado. Outras recomendações seguem em andamento, como a criação de monitoramento contínuo dos índices de esclarecimento desses crimes. Por outro lado, não foi adotada a proposta de implantar um sistema automatizado para informar as vítimas sobre o andamento das ocorrências por SMS, e-mail ou aplicativos de mensagem. O relatório também destacou desafios persistentes, como a limitada capacidade investigativa das delegacias distritais, deficiências na infraestrutura, ausência de acompanhamento sistemático da saúde psicológica dos policiais e fragilidades no controle de jornada e produtividade. Diante das pendências, o TCE-ES decidiu manter o acompanhamento de 13 recomendações ainda não plenamente cumpridas. Para o relator do processo, conselheiro Rodrigo Chamoun, a continuidade do monitoramento é necessária para garantir transparência, fortalecer a atuação da Polícia Civil e aprimorar a política pública de segurança, especialmente no combate aos crimes contra o patrimônio.
Aposentados passam a ter prazo mais curto para cobrar perdas na complementação
TST define regra para indenização por falhas na complementação de aposentadoria Trabalhadores que recebem ou irão receber complementação de aposentadoria devem redobrar a atenção. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) estabeleceu que o prazo para solicitar indenização por valores não considerados no cálculo do benefício segue a mesma lógica das ações trabalhistas: até cinco anos durante o vínculo empregatício e, no máximo, dois anos após o término do contrato. A tese foi fixada no Tema Repetitivo nº 20 e envolve situações em que parcelas salariais — como horas extras e outras verbas — não foram incluídas na base de contribuição para planos de previdência complementar vinculados à empresa. Quando começa a contagem do prazo A principal definição diz respeito ao início da prescrição. O trabalhador só poderá pleitear indenização após a concessão da complementação de aposentadoria ou quando o plano for encerrado para novas contribuições, momento em que não há mais possibilidade de corrigir os recolhimentos anteriores. Segundo o advogado Caio Vairo, sócio do escritório Ferreira Borges, o prazo não começa quando ocorreu o pagamento incorreto das verbas, mas quando se torna inviável ajustar as contribuições. “A partir da concessão do benefício ou do fechamento do plano é que surge o direito de pedir indenização. Antes disso, ainda seria possível regularizar os valores devidos”, explica. Na prática, é necessário observar tanto a data de início da aposentadoria complementar quanto a existência de ações trabalhistas que tenham discutido verbas como horas extras. Marcos para casos anteriores Para situações anteriores a entendimentos do Superior Tribunal de Justiça, o TST definiu datas de referência. Em ações envolvendo horas extras, o prazo de cinco anos passa a contar a partir de 16 de agosto de 2018, desde que o processo trabalhista já tenha sido concluído ou não tenha sido ajuizado. Para outras parcelas salariais, o marco é 11 de dezembro de 2020. Se a ação ainda estava em andamento nessas datas, a contagem começa a partir do trânsito em julgado — ou seja, quando não há mais possibilidade de recurso. De acordo com Vairo, essas datas servem para uniformizar a análise de processos antigos e evitar interpretações divergentes sobre o início da prescrição. Prazo de dois anos após o desligamento O limite de dois anos para ingressar com a ação após o fim do contrato de trabalho vale apenas para quem deixou a empresa depois da fixação da tese no Tema 20. Contratos encerrados antes dessa definição podem receber tratamento diferente, dependendo das circunstâncias de cada caso. Indenização pode continuar sendo possível O Tribunal também esclareceu que a impossibilidade de cobrar diretamente os reflexos das verbas na previdência complementar não elimina automaticamente o direito à indenização. Segundo o advogado, o pedido só estará prescrito se a própria verba salarial que fundamenta a ação já tiver ultrapassado o prazo legal. “O fato de não ser mais possível discutir o reflexo direto no plano não impede, por si só, a busca por reparação”, afirma. Orientação aos trabalhadores Quem participa de plano de previdência complementar vinculado à empresa — especialmente aqueles que já discutiram horas extras ou outras parcelas na Justiça — deve revisar atentamente datas e decisões judiciais. A contagem do prazo depende do momento da aposentadoria complementar, do encerramento do vínculo empregatício e da situação do processo trabalhista. Com a tese consolidada, o entendimento passa a valer em todo o país e tende a uniformizar decisões nos tribunais. Para os trabalhadores, a principal mensagem é objetiva: o direito pode existir, mas há um limite de tempo para reivindicá-lo.
Após 30 anos no PSB, Cael Linhalis migra para o PSDB e assume comando do partido em Vila Velha
Em uma movimentação que impacta no cenário partidário capixaba, o vice-prefeito de Vila Velha, Cael Linhalis, anunciou nesta quinta-feira (19) sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda onde militou por cerca de 30 anos e na qual manteve proximidade política e pessoal com o governador Renato Casagrande, principal liderança do partido no Espírito Santo. Cael irá se filiar ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), presidido no Estado pelo prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo. A mudança ocorre em alinhamento com o grupo político ao qual integra e reforça a articulação em torno de um projeto estadual liderado por Arnaldinho. Com a filiação, Cael também assumirá a presidência municipal do PSDB em Vila Velha. Participação ativa na gestão Desde que foi escolhido para compor a chapa vitoriosa de 2024 como vice-prefeito, Cael Linhalis passou a exercer papel estratégico na condução de projetos e políticas públicas da gestão municipal, com atuação em diferentes áreas da administração. Antes disso, já integrava o primeiro escalão da Prefeitura. À frente da Secretaria Municipal de Planejamento desde agosto de 2023, participou diretamente da organização fiscal, do planejamento estratégico e da formulação de políticas estruturantes. Com a prevista renúncia de Arnaldinho no início de abril para disputar o Governo do Estado, Cael deverá assumir a Prefeitura. A transição será marcada pela continuidade das diretrizes atuais, “com manutenção do ritmo de investimentos e foco em responsabilidade fiscal, eficiência administrativa e resultados.” “A decisão de ir para o PSDB simboliza minha confiança em um projeto inovador que transformou Vila Velha e que pode transformar o Espírito Santo. Caminho ao lado de Arnaldinho por convicção e por compartilhar uma visão moderna de gestão pública, baseada em planejamento, eficiência, inovação, transparência e compromisso com as pessoas”, afirmou Cael Linhalis. Fortalecimento do grupo Para Arnaldinho Borgo, a filiação representa o amadurecimento de uma construção política coletiva com projeção estadual. “Cael sempre esteve ao nosso lado na construção de uma gestão moderna, eficiente e reconhecida nacionalmente. Sua chegada ao PSDB fortalece um grupo comprometido com planejamento, responsabilidade e transformação social. A experiência de Vila Velha demonstra que é possível avançar com organização e visão de futuro, respeitando as particularidades de cada município.” Com longa trajetória no serviço público e na política, Cael Linhalis é formado em Administração, professor universitário e economiário federal concursado, com 35 anos de carreira. Foi superintendente estadual da Caixa Econômica Federal e presidente da Cesan. Pai do deputado federal Victor Linhalis (Podemos), reúne experiência técnica, articulação política e respaldo partidário para os novos desafios. A mudança de partido, segundo aliados, não representa ruptura, mas a formalização institucional de uma parceria política já existente, agora fortalecida e projetada para uma nova etapa.
ESTour chega a Vitória para posicionar o ES como destino estratégico do turismo nacional
Uma feira inédita voltada exclusivamente à geração de negócios turísticos promete colocar o Espírito Santo no centro das atenções do setor no Brasil. A ESTour — organizada pela COOPTURES (Cooperativa de Eventos e Turismo do Espírito Santo) — será realizada entre os dias 25 e 28 de abril, na área do Aeroporto de Vitória, reunindo operadores, agentes de viagens, influenciadores e especialistas do mercado. A proposta é apresentar, de forma estruturada e orientada para vendas, os destinos capixabas e suas potencialidades comerciais. O evento nasce com a missão de consolidar o Estado como um destino completo e competitivo, capaz de oferecer, em uma mesma viagem, experiências que vão do litoral às montanhas, passando por patrimônio histórico, gastronomia e natureza. A expectativa é de que as rodadas de negócios e o contato direto com compradores estratégicos gerem resultados que ultrapassem os dias da feira, fortalecendo toda a cadeia turística capixaba ao longo dos meses seguintes. Alinhada ao Plano de Marketing do Turismo do Espírito Santo (2026–2030), a ESTour aposta em um reposicionamento da imagem do Estado, buscando deixá-lo de lado da percepção de destino complementar para ocupar um espaço de desejo no mercado nacional e internacional. A apresentação estruturada a grandes players do setor deve ampliar a visibilidade dos atrativos capixabas e impulsionar o fluxo de visitantes para todas as regiões. Segundo Alfonso Silva, presidente da Cooptures, a proposta é valorizar um turismo autêntico, baseado na identidade local. “Da moqueca capixaba aos cafés especiais, do artesanato à cultura vibrante, cada experiência revela a identidade do Espírito Santo, apresentando um turismo menos massificado e mais conectado às histórias, ao território e às pessoas do Estado”, destaca. Mais do que uma feira tradicional, a ESTour será organizada em eixos temáticos que representam as principais vocações turísticas capixabas: Sol e Mar; Agroturismo e Turismo Rural; Cultura e Patrimônio; e Montanhas e Natureza. Em cada espaço, os participantes terão acesso direto a produtos turísticos, rede hoteleira, atrativos e condições comerciais das cidades participantes. Regiões como Caparaó e Guarapari aparecem entre os destaques, evidenciando tanto o potencial do turismo de natureza quanto do litoral. A programação inclui ainda mostra de destinos, área dedicada às operadoras, espaço cultural e gastronômico com valorização da culinária regional, rodadas de negócios e um conjunto de capacitações para agentes de viagem, em parceria com o Sebrae-ES. Também estão previstos famtours — viagens de familiarização que permitem aos profissionais conhecer, na prática, os roteiros turísticos do Estado — com itinerários de pelo menos dois dias em regiões como o Caparaó capixaba e Itaúnas, incluindo hospedagem local. Com participação do Governo do Estado e de entidades do setor, a expectativa é que a ESTour se consolide como um marco na promoção turística capixaba, ampliando o posicionamento do Espírito Santo no cenário nacional e internacional e estimulando novos investimentos e parcerias para o desenvolvimento do turismo.
Instituto Cultural das Montanhas inicia 2026 com aulas gratuitas de música em Afonso Cláudio
O Instituto Cultural das Montanhas dará início às atividades de 2026 ampliando suas ações de formação musical em Afonso Cláudio, na Região Serrana do Espírito Santo. A aula inaugural será realizada no dia 23 de fevereiro, a partir das 8 horas, na sede da instituição, reunindo 360 alunos inscritos nos projetos Musicalização Agrícola, Corais das Montanhas e Orquestra Jônice Tristão. Os projetos Musicalização Agrícola e Corais das Montanhas contam com patrocínio da EDP, por meio da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), enquanto a Orquestra Jônice Tristão — primeiro grupo de cordas friccionadas da cidade e da região — é mantida com patrocínio direto do Grupo Tristão. Todas as atividades são gratuitas e abertas a participantes a partir dos seis anos, sem limite de idade, incluindo crianças, adolescentes, adultos, idosos e pessoas com deficiência. Ao longo do ano, o Instituto prevê uma programação diversificada, com concertos, aulas abertas para as famílias, apresentações ao ar livre em diferentes pontos da cidade, intercâmbio do Coro Jovem com outros grupos do Estado, masterclasses com profissionais convidados e um recital de encerramento aberto ao público. Na área social, a instituição passa a oferecer também o serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Afonso Cláudio. O Instituto está com edital aberto para 50 alunos contemplados com bolsa-auxílio de R$ 185 e disponibiliza ainda seis vagas de monitoria para jovens a partir de 16 anos, com bolsas entre R$ 400 e R$ 810. Além da formação musical, a entidade mantém ações de assistência social, como a distribuição de cestas básicas para famílias inscritas no CadÚnico. Entre 2023 e 2025, foram entregues cerca de cinco toneladas de alimentos, e a previsão para 2026 é de 270 cestas destinadas a mais de 60 famílias. As aulas de musicalização incluem desde instrumentos de iniciação até formação técnica em flauta transversal, clarinete, saxofone, trompete, trombone, percussão, violão e instrumentos de cordas. O projeto Corais das Montanhas oferece cerca de 150 vagas para oficinas de canto coral, enquanto a Orquestra Jônice Tristão reúne atualmente 60 integrantes. Embora a maior parte das vagas já esteja preenchida, moradores de Afonso Cláudio ainda podem cadastrar crianças e adolescentes em lista de espera por meio do WhatsApp (27) 99699-6584. A prioridade é para famílias em situação de vulnerabilidade social, mas as atividades também são abertas à comunidade em geral. Fundado em 2022, o Instituto Cultural das Montanhas é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada ao atendimento de pessoas em situação de risco e vulnerabilidade social por meio de ações culturais, educativas e assistenciais. Nos anos de 2023 e 2024, a instituição foi finalista do Prêmio da Música Capixaba na categoria Impacto Social Através da Música.
Morar perto do mar se fortalece como escolha ligada ao bem-estar e à qualidade de vida
Viver próximo ao mar deixou de ser uma decisão associada apenas ao lazer ou ao status e passou a representar uma escolha conectada à saúde mental, ao equilíbrio emocional e à qualidade de vida. Estudos sobre os chamados blue spaces — ambientes naturais próximos à água — apontam que a convivência cotidiana com o oceano pode contribuir para a redução do estresse, a melhora do humor e a adoção de hábitos mais saudáveis, como a prática de atividades ao ar livre. Esse novo olhar tem influenciado o mercado imobiliário, que passa a incorporar conceitos de bem-estar, conexão com a natureza e desaceleração do cotidiano aos projetos residenciais, especialmente em cidades litorâneas. No Espírito Santo, Guarapari é um dos destaques nesse cenário, impulsionada pela valorização de regiões como a Enseada Azul, onde empreendimentos recentes vêm adotando esse conceito de moradia. Nesses projetos, o mar deixa de ser apenas um elemento de paisagem e passa a integrar a rotina dos moradores, seja pela valorização das vistas permanentes, seja pela criação de espaços voltados ao descanso, à contemplação e ao contato sensorial com o ambiente natural. Varandas amplas, áreas comuns voltadas para o oceano e soluções que permitem o uso dos espaços ao longo de todo o ano refletem essa mudança de abordagem. Para Lucas Peixoto, diretor da Invite Inc., os novos projetos surgem alinhados a uma transformação no comportamento das pessoas. “Hoje, morar bem vai muito além da estética ou da localização. Existe uma busca real por espaços que favoreçam o equilíbrio emocional, o bem-estar e uma relação mais saudável com o tempo. Pensar cada detalhe para que o morador tenha, todos os dias, a sensação de pausa, de respiro e de conexão com o mar”, afirma. Um exemplo desse conceito é o Manami Ocean Living (fotos), na Enseada Azul, empreendimento que adota o mar como elemento central do projeto, com soluções arquitetônicas voltadas à integração entre ambientes internos e externos e ao estímulo de experiências sensoriais ligadas à paisagem natural. Nesse conceito, a arquitetura assume papel estratégico ao priorizar ventilação natural, iluminação abundante e materiais que dialogam com o entorno, criando ambientes que estimulam a contemplação e favorecem o bem-estar. Atividades simples do cotidiano, como observar o horizonte ou ouvir o som das ondas, passam a integrar uma rotina mais equilibrada. Especialistas do setor avaliam que essa tendência reflete uma mudança estrutural no mercado imobiliário contemporâneo. Saúde mental, qualidade de vida e bem-estar deixaram de ser diferenciais e passaram a ocupar posição central na decisão de compra, redefinindo o papel da moradia como espaço de cuidado contínuo com o corpo e a mente.
Fabrício Augusto de Oliveira – “Banco Master: há algo de podre no reino da Dinamarca?”
Andei acompanhando o caso do Banco Master, mas cansei-me. Uma novela interminável de fraudes bancárias, que as autoridades públicas do país parecem tentar acobertar e ainda a dar algum motivo para que seu proprietário, Daniel Vorcaro, consiga, mais à frente, alguma indenização do governo, por uma suposta precipitação do Banco Central, ao decretar sua liquidação. Daniel Vorcaro deve entrar para a história do país como referência e exemplo pela forma como tornou possível estender seus tentáculos para uma rede de órgãos estatais, do judiciário e do Congresso para defender seus interesses. Patrocinando festas de milhões com convites para seus membros, oferecendo carona em seus jatinhos para autoridades públicas, contratando, a preço de ouro, membros das famílias de próceres do judiciário como advogados, e financiando com polpudas doações campanhas eleitorais de figurões da República, conseguiu que muitos deles saíssem em seu socorro com a liquidação do banco, culpando a autoridade monetária por sua precipitação. Entre os figurões da República que estranhamente passaram a defender o Banco Master, merecem destaque o ministro do Tribunal de Contas da União, Jonathan Jesus, de Roraima, e o ministro do STF, Dias Toffoli, que passaram por cima das regras institucionais desses órgãos, os quais delimitam seus campos de competência para, aparentemente, salvarem o banco da liquidação. Jonathan Jesus, ministro do Tribunal de Contas de União (TCU), abriu o caminho para o questionamento da decisão do Banco Central de liquidar o banco, trazendo para este órgão o exame deste caso, ao determinar uma inspeção no Banco Central sob a suspeita de ter sido uma decisão precipitada do mesmo, ameaçando revertê-la. Com isso, extrapolou o campo de competência do TCU, que tem como papel principal o de fiscalizar as contas do governo e não a de se intrometer em decisões técnicas tomadas pela autoridade monetária. Já o ministro Dias Toffoli avocou, para o STF, em dezembro de 2025, por decisão monocrática, sem se dispor a submetê-la à apreciação do colegiado da Corte, o inquérito que foi aberto para investigar as fraudes bilionárias do banco, estimadas em mais de R$ 50 bilhões, além de colocar todo o processo em sigilo, sem que nenhum dos atores que dela participou tenha foro privilegiado, o que não justifica essa decisão. Mas não ficou nisso em termos de medidas atípicas tomadas sobre o caso. Toffoli sentou no processo e passou a tomar outras medidas que surpreenderam até mesmo os seus pares da Corte, entre as quais cabe citar: a retirada de provas da Polícia Federal, determinando que as mesmas fossem enviadas para a guarda direta do STF, medida considerada como interferência indevida na investigação; determinação de uma acareação dos agentes envolvidos no processo (Banco Central e representantes dos bancos envolvidos na fraude) antes mesmo de serem tomados seus depoimentos; nomeação de 4 peritos da Polícia Federal para integrar a investigação, quebrando o protocolo da instituição; determinação da coleta de informações e diligências em casos extremamente exíguos para a Polícia Federal. Ou seja, as medidas adotadas por Toffoli revelavam claramente que pretendia ter controle pleno e direto sobre as investigações do caso, extrapolando o campo de competência do STF e de seus ministros. Suspeitas de que Toffoli poderia ter interesse direto no caso vieram à tona depois que se descobriu que, além de ter pegado carona no jatinho de um empresário para a cidade de Lima, no Peru, em companhia de um advogado dos executivos do Banco Master para assistir à final da Taça Libertadores entre Palmeiras e Flamengo, dois de seus irmãos haviam vendido sua participação num resort de luxo, chamado Tayayá, localizado em Ribeirão Preto, para Fabiano Zettel, empresário que administra um conjunto de fundos geridos pela Reag. A Reag é uma empresa gestora desses fundos, investigada por fraudes envolvendo o Banco Master, e que acabou também sendo liquidada pelo Banco Central. Com o negócio realizado, a empresa dos irmãos de Toffoli, a Maridt, de acordo com notícias da imprensa, passou, como resultado, a ter um fundo ligado a Zettel como principal sócio. Embora Toffoli, como se acreditava por falta de informações e por ele nada ter declarado a respeito, não tivesse participação direta no empreendimento, era considerado um assíduo frequentador do resort, bem como sua família, o que, segundo a opinião de vários juristas, já seria motivo suficiente para se declarar impedido pelas relações que lá cultiva. Apesar do desconforto causado com suas decisões no próprio STF, Toffoli tem se especializado em tomar medidas monocráticas de alta relevância e repercussão, sem submetê-las à apreciação do colegiado, como ocorreu com a anulação das provas da Lava Jato para suspender as penas de réus confessos, bem como das multas bilionárias impostas às empresas envolvidas no caso, o que a Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou, entrando com recursos contra essas medidas, assim como está acontecendo no caso Master. Diante das críticas recebidas do meio jurídico, da imprensa e, mesmo que reservadamente, de alguns ministros do Supremo, Toffoli acabou recuando em alguns pontos, mas continuou sentado no inquérito, mostrando-se pouco disposto a transferi-lo para a primeira instância, onde deveria estar. Somente quando a descoberta feita pela Polícia Federal (PF) de que o ministro era sócio oculto da Maridt e que também recebera dinheiro pela sua venda — o que também ele não revelara —, ao mesmo tempo que pediu ao STF e à PGR sua suspeição para continuar à frente do processo, enfraquecendo, mas embora sem conseguir demover sua teimosia em dele não abrir mão, foi que o STF, em reunião dos 10 ministros, decidiu, em comum acordo, retirá-lo de sua relatoria e transferi-la para o ministro André Mendonça. Pode ser que agora saibamos se “há [ou não] algo de podre no reino da Dinamarca”. *Fabricio Augusto de Oliveira é doutor em economia pela Unicamp, membro da Plataforma de Política Social e do Grupo de Estudos de Conjuntura do Departamento de Economia da UFES, articulista do Debates em Rede, e autor, entre outros, do livro “Karl Marx: a luta pela emancipação humana e a crítica da Economia Política”, publicado, em 2025, pela Editora Contracorrente.
Produções capixabas integram seleção de filmes brasileiros disponíveis gratuitamente
O cinema capixaba também marca presença no catálogo gratuito do Itaú Cultural Play, que reúne 18 filmes nacionais de diferentes regiões do país. Entre os títulos disponíveis na plataforma estão os curtas Depois Deste Desterro, de Renan Amaral, e Canto das Areias, de Maíra Tristão, de Maíra Tristão, produções do Espírito Santo que dialogam com memória, território e identidade cultural, conectando o público a histórias que nascem no próprio Estado e ecoam em diferentes contextos do audiovisual brasileiro. Entre as opções disponíveis na plataforma está a comédia Recife Frio, curta-metragem dirigido por Kleber Mendonça Filho, que retrata a cidade pernambucana sob uma drástica mudança climática. Com linguagem de documentário, a ficção mostra a capital em um cenário inesperadamente frio e aborda temas como especulação imobiliária, desigualdade social e impacto do turismo. Outro destaque é o documentário Brasiliana: o musical negro que apresentou o Brasil ao mundo, de Joel Zito Araújo, que conta a história da companhia de teatro, dança e música fundada em 1949, no Rio de Janeiro, por artistas negros que excursionou por 90 países. Já o documentário Empate, de Sergio de Carvalho, resgata o movimento seringueiro das décadas de 1970 e 1980 no Acre, marcado por estratégias pacíficas de resistência contra o desmatamento da Amazônia. Também da região Norte, o curta Dasilva Daselva, de Anderson Mendes, apresenta a vida e a obra do artista e ecologista Sebastião Corrêa da Silva, autor de mais de 600 trabalhos sobre a fauna e a flora amazônicas. No Nordeste, o documentário Serão, de Caio Bernardo, traz o Cariri paraibano como cenário para retratar a extração manual de cal e o trabalho na indústria têxtil a partir do cotidiano de uma família. Representando o Espírito Santo, Depois Deste Desterro acompanha uma personagem que retorna à terra natal em 1968, durante a ditadura militar, enquanto Canto das Areias resgata a memória de uma vila soterrada pelas dunas, conectando paisagem, história e identidade cultural. Além dos documentários e curtas-metragens, a plataforma disponibiliza a coleção Cine Curtinhas, com oito filmes voltados ao público infantil. Entre eles estão PiOinc, que mostra a amizade entre um porco e um passarinho; a animação Abraços, sobre uma filha que cria aventuras imaginárias para animar a mãe; O Jardim Mágico, inspirado em fábulas; e Eu e o boi, o boi e eu, que dialoga com a cultura popular da lenda do Boi da Manta. Os filmes podem ser assistidos gratuitamente pelo site itauculturalplay.com.br. Fonte: ABr
Municípios atingidos pelo desastre do Rio Doce receberão R$ 260 milhões no ES
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinaram nesta quinta-feira (12) a aprovação do Plano Estadual do Programa Especial de Saúde do Rio Doce. O documento define as diretrizes para aplicação de parte dos recursos provenientes do Novo Acordo do Rio Doce. Somente nesta etapa, serão investidos R$ 132 milhões em ações voltadas à ampliação do acesso à saúde nos 11 municípios capixabas mais impactados pelo desastre ambiental de Mariana. O Anexo 8 do acordo judicial prevê o repasse total de R$ 260 milhões ao Governo do Estado para execução de ações estruturantes no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na mitigação de danos, prevenção do agravamento de doenças e atendimento das demandas sociais de saúde das cidades contempladas: Baixo Guandu, Colatina, Aracruz, Linhares, Marilândia, São Mateus, Sooretama, Fundão, Serra, Conceição da Barra e Anchieta. “Esses recursos serão aplicados em diversas ações nos 11 municípios contemplados, dentro de um planejamento construído pelo Governo do Estado em diálogo com o Conselho Estadual e as secretarias municipais de Saúde. Parte do investimento será destinada à construção do Complexo Hospitalar de Colatina, além da implantação e do fortalecimento de serviços como CAPS, Centros de Especialidades Odontológicas, ampliação de cirurgias eletivas e modernização do Lacen. São iniciativas que fortalecem a rede pública de saúde, ampliam o acesso aos serviços e ajudam a responder às necessidades das populações impactadas pelo desastre do Rio Doce”, afirmou o governador Renato Casagrande. O plano organiza a aplicação dos recursos em ações de custeio e investimento, incluindo o financiamento parcial do novo Complexo Hospitalar de Colatina — que reunirá o novo Hospital Silvio Ávidos, a Superintendência Regional de Saúde e o Centro Regional de Especialidades (Policlínica) — além de investimentos na modernização do Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen), construção de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e ampliação da oferta de serviços assistenciais e de vigilância em saúde. Com previsão de 340 leitos de alta resolutividade, o Complexo Hospitalar de Colatina será referência para a Região Central de Saúde, integrando a Rede de Urgência e Emergência e ampliando a oferta de atendimentos de média e alta complexidade, incluindo cirurgias eletivas. “Além dos R$ 260 milhões destinados ao Estado, a Secretaria de Recuperação do Rio Doce e a Secretaria da Saúde estão atuando em parceria com as prefeituras capixabas na orientação dos Planos Municipais de Saúde. Dessa forma, os 11 municípios também vão receber diretamente cerca de R$ 700 milhões para custear políticas e ações na área da saúde pelos próximos dois anos. Isso demonstra a efetividade da participação do Governo do Estado no acordo de repactuação do desastre ambiental de Mariana”, destacou o secretário de Estado de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi. O documento apresenta ainda um diagnóstico situacional dos municípios atingidos, considerando aspectos demográficos, epidemiológicos, socioeconômicos e assistenciais. O estudo se baseia nos Planos de Ação Municipais aprovados no Comitê Especial Tripartite (CET) em 2025 e está estruturado em quatro eixos analíticos: perfil demográfico e socioeconômico, perfil epidemiológico, rede assistencial e principais desafios. “A integração entre as secretarias do Governo no acordo de repactuação do desastre ambiental de Mariana está garantindo recursos fundamentais para a área da saúde. Esses recursos não são apenas valores financeiros. Eles representam a oportunidade concreta de reparar danos, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a rede pública de saúde nesses territórios que convivem, há quase uma década, com os efeitos sociais, ambientais e sanitários do desastre. Nosso foco é fortalecer o SUS nos municípios atingidos, ampliar o acesso, qualificar os serviços e garantir que a população tenha atendimento mais resolutivo, mais humanizado e mais próximo de sua realidade. Estamos falando de transformar recursos de reparação em melhorias concretas na vida das pessoas”, disse o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann. Foto: Governo ES