Especialista orienta negócios expostos ao câmbio a planejar pagamentos, recebimentos e contratos em moeda estrangeira
O mercado financeiro projeta que o dólar encerre 2026 cotado, em média, a R$ 5,20, segundo o Relatório Focus do Banco Central. A estimativa está nesse patamar há 15 semanas consecutivas. Em meio ao ciclo de redução da Selic e às incertezas no cenário internacional, empresas que importam insumos, exportam produtos ou fazem pagamentos em moeda estrangeira precisam se preparar para as oscilações cambiais.
Mesmo com a estabilidade da projeção, a cotação do dólar varia diariamente, influenciada por fatores como o fluxo de investimentos, o cenário fiscal brasileiro, as decisões de bancos centrais e os acontecimentos geopolíticos. Para as empresas, o desafio é administrar os efeitos dessas mudanças sobre custos, receitas e fluxo de caixa.
Vinícius Pereira, assessor de Câmbio e Comércio Exterior da Sicredi Serrana, afirma que a redução dos juros pode influenciar o comportamento do câmbio e reforça a importância do planejamento. “A redução da Selic pode influenciar o comportamento do câmbio ao alterar a dinâmica de entrada e saída de capital no país, mas o dólar continuará respondendo a diversos fatores internos e externos. Por isso, empresas que trabalham com importação, exportação ou contratos em moeda estrangeira precisam olhar menos para a cotação do dia e mais para uma estratégia de gestão cambial”, explica.
Impactos para as empresas capixabas
No Espírito Santo, a gestão cambial é relevante para setores ligados ao comércio exterior, como rochas ornamentais, café, siderurgia, agronegócio, logística e indústria. A valorização ou a desvalorização do dólar pode afetar os custos e a competitividade dos negócios.
“Quando o dólar sobe, o custo de matérias-primas e equipamentos importados aumenta. Já para quem exporta, pode haver ganho de competitividade, mas também é preciso avaliar contratos, prazos de recebimento e exposição à moeda. Em qualquer cenário, planejamento faz diferença”, pontua Pereira.
Uma das ferramentas usadas para reduzir a exposição às oscilações é o hedge, ou proteção cambial. A estratégia pode ajudar empresas a ter mais previsibilidade em pagamentos, recebimentos e negociações internacionais. Outras medidas incluem programar compras externas com antecedência, distribuir pagamentos em diferentes datas, acompanhar o fluxo de caixa em moeda estrangeira e avaliar a exposição cambial do negócio.
“O objetivo da proteção cambial não é acertar se o dólar vai subir ou cair. É proteger o planejamento financeiro da empresa para que uma mudança brusca na cotação não comprometa margens, contratos ou investimentos”, destaca o especialista.
Segundo Pereira, empresas de pequeno e médio porte também podem incluir a gestão cambial no planejamento financeiro, especialmente quando compram insumos no exterior, contratam serviços internacionais ou vendem para outros países. “Quanto mais cedo a empresa incorpora a gestão cambial à rotina financeira, maior é a capacidade de tomar decisões com segurança. O câmbio sempre terá volatilidade, mas isto pode ser administrado quando existe planejamento e acompanhamento especializado”, diz.
