Especialista explica que desejo, prazer e intimidade continuam fazendo parte da vida na maturidade e ajudam a envelhecer com saúde e bem-estar
A sexualidade na terceira idade foi, e muitas vezes ainda é, um tema cercado de preconceitos e tabus. E, apesar de toda a evolução, o que se percebe é que ainda persiste a ideia de que o desejo desaparece com o envelhecimento, mesmo que a vida real e a medicina mostrem o oposto.
Com o aumento da expectativa de vida e uma população idosa cada vez mais ativa, autônoma e disposta a ser feliz, especialistas reforçam que o sexo continua tendo grande importância como expressão de afeto, fonte de prazer e conexão emocional, trazendo benefícios que vão além da vida amorosa e impactam diretamente a saúde física e mental.
Neste Dia dos Namorados, o urologista Rodrigo Pastor e a ginecologista Isabela Laender, da MedSênior, esclarecem alguns dos principais mitos e verdades sobre a sexualidade depois dos 60 anos, reforçando que a maior das lendas é achar que o sexo deixa de ter importância com a idade.
Mito ou verdade?
“O desejo sexual desaparece depois dos 60 anos”
MITO
Isabela Laender: O envelhecimento provoca mudanças naturais no organismo, mas isso não significa o fim do desejo sexual. A sexualidade está presente em todas as fases da vida e pode ser vivida de diferentes formas ao longo dos anos.
É comum que a frequência ou a forma de viver a sexualidade mudem com o passar do tempo, mas isso não significa perda de interesse. Muitas pessoas relatam inclusive relações mais satisfatórias na maturidade, com menos ansiedade e mais autoconhecimento.
“Homens idosos não conseguem mais ter uma vida sexual satisfatória”
MITO
Rodrigo Pastor: Embora alterações hormonais, doenças crônicas e alguns medicamentos possam interferir na função sexual, existem tratamentos e estratégias que ajudam a preservar a qualidade de vida sexual.
Problemas de ereção não devem ser encarados como algo normal ou inevitável do envelhecimento. Muitas vezes eles estão relacionados a condições de saúde que merecem investigação e acompanhamento médico. Por isso é fundamental fazer consultas regulares com um médico de referência.
“Depois da menopausa, a mulher perde o interesse por sexo”
MITO
Isabela Laender: A menopausa provoca mudanças hormonais que podem causar sintomas como ressecamento vaginal e desconforto durante as relações. No entanto, essas alterações podem ser tratadas.
A menopausa marca uma transição biológica, não o fim da sexualidade. Existem recursos terapêuticos que ajudam a manter conforto, prazer e bem-estar nessa fase da vida.
“Dor durante a relação é normal com o envelhecimento”
MITO
Isabela Laender: O ressecamento vaginal é comum, mas existem tratamentos, lubrificantes e terapias que podem melhorar muito a qualidade de vida da mulher.;
“Sexo pode trazer benefícios para a saúde”
VERDADE
Rodrigo Pastor: Além do prazer, a atividade sexual está associada a benefícios importantes para a saúde física e emocional.
Entre eles, estão redução do estresse, melhora da autoestima, fortalecimento dos vínculos afetivos, sensação de bem-estar e mais qualidade de vida. Quando existe desejo, consentimento e condições de saúde adequadas, a sexualidade pode ser uma importante aliada do envelhecimento saudável.
“Libido depende apenas de hormônios”
MITO
Isabela Laender: fatores como autoestima, amizades, vida social, atividade física, relacionamento familiar e saúde emocional têm enorme peso sobre a sexualidade.
“Casais que envelhecem juntos precisam manter a mesma vida sexual da juventude”
MITO
Rodrigo Pastor: a relação sexual também envelhece e se adapta. O importante é que o casal converse e encontre formas de intimidade que façam sentido para aquele momento da vida.
“Idosos não precisam se preocupar com infecções sexualmente transmissíveis”
MITO
Isabela Laender: a prevenção continua sendo necessária em qualquer idade. Dados do Ministério da Saúde mostram crescimento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) entre pessoas mais velhas nos últimos anos, em parte pela menor utilização de preservativos nessa faixa etária.
A gravidez deixa de ser uma preocupação após determinada idade, mas a proteção contra infecções continua sendo fundamental.
“Carinho e intimidade são tão importantes quanto o sexo”
VERDADE
Isabela Laender: A sexualidade não se resume ao ato sexual. Afeto, companheirismo, toque, carinho e conexão emocional também fazem parte da vivência da sexualidade e ganham ainda mais importância com o passar dos anos.
Muitas vezes, a intimidade emocional se torna um dos aspectos mais valorizados pelos casais na maturidade. Sexualidade é uma dimensão ampla da vida humana e está diretamente ligada ao bem-estar e à qualidade de vida.
Quando procurar ajuda?
Os especialistas recomendam buscar orientação médica quando houver:
* Dor durante as relações;
* Queda repentina do desejo sexual;
* Disfunção erétil persistente;
* Ressecamento vaginal intenso;
* Sintomas de ansiedade ou depressão que afetem a vida afetiva;
* Dúvidas sobre medicamentos que possam interferir na sexualidade.
