O dia 3 de março marca o Dia Mundial da Audição, data voltada à conscientização sobre a saúde auditiva. O alerta é especialmente importante para os idosos, já que a perda auditiva costuma evoluir de forma lenta e, muitas vezes, passa despercebida nos estágios iniciais.
Diferentemente de doenças agudas, a redução da capacidade de ouvir não ocorre de forma repentina. “A diminuição da capacidade de ouvir é, em geral, lenta. É comum que o idoso e as pessoas de seu convívio mais próximo não percebam a dificuldade aos primeiros sintomas, só procurando um médico quando a situação já está mais crítica”, afirma o geriatra e superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, Roni Mukamal.
Segundo ele, é comum que o idoso acredite que as pessoas estejam falando mais baixo ou “para dentro”. Em muitos casos, familiares percebem o problema antes do próprio paciente. “Muitos relutam em procurar tratamento ou em usar aparelhos auditivos e só quando aceitam iniciar o acompanhamento é que percebem o quanto a audição já estava comprometida”, avalia.
Perda auditiva pode aumentar o risco de demência
Além dos impactos na comunicação, a perda auditiva pode comprometer a sociabilidade e a saúde mental do idoso. “A comunicação fica mais difícil e, muitas vezes, o idoso se isola ao não conseguir estabelecer boas conexões. E isso pode ter uma série de consequências ligadas à saúde mental e ao bem envelhecer, que tem as relações sociais como um de seus pilares”, afirma Mukamal.
Pesquisas também indicam associação entre perda auditiva não tratada e aumento do risco de demência. “Uma coisa inclusive se relaciona à outra. O isolamento por si só já é um fator associado ao aumento do risco de demência. Além disso, a audição é uma das principais portas de entrada para estímulos cognitivos. A perda auditiva não tratada priva o cérebro de estímulos fundamentais. Com o tempo, isso pode acelerar processos de atrofia cerebral, comprometendo áreas ligadas à memória e à compreensão”, explica.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são considerados fundamentais para reduzir o risco de declínio cognitivo. “Nesse sentido, tratar é muito importante. O uso de aparelhos auditivos, acompanhamento com otorrinolaringologista e fonoaudiólogo e a realização de exames periódicos são medidas eficazes. Quanto antes identificamos a perda auditiva, maiores são as chances de proteger a saúde cognitiva. Usar aparelho auditivo não é sinal de fragilidade, mas de cuidado com o cérebro e consigo mesmo”, afirma.
Veja cinco sinais de alerta
Aumento progressivo do volume: TV, rádio ou celular sempre em níveis mais altos do que o normal, incomodando outras pessoas.
Dificuldade em ambientes barulhentos: conversa bem em casa, mas evita restaurantes, festas e eventos sociais.
Pedidos frequentes de repetição: expressões como “O quê?” ou “Pode repetir?” tornam-se constantes.
Isolamento social: evita reuniões ou permanece calado por não entender o que está sendo dito.
Cansaço ou fadiga mental: esforço excessivo para ouvir, resultando em exaustão após conversas prolongadas.
O que fazer?
A orientação é buscar avaliação médica. O otorrinolaringologista pode indicar a realização de audiometria, exame simples e indolor que identifica a existência e o grau da perda auditiva.
Com o acompanhamento de profissionais como médico e fonoaudiólogo, pode ser recomendada a utilização de aparelho auditivo. Para a família, a principal orientação é agir com respeito e empatia, evitando impaciência e constrangimento, que podem dificultar a adesão ao diagnóstico e ao tratamento.
