Jovem músico, que ganhou projeção nacional com vídeos tocando cavaquinho, integra o elenco de “Vicentina Pede Desculpas”, vencedor de três prêmios no Festival do Rio 2026
O cavaquinho abriu as primeiras portas, levou seu talento às redes sociais e colocou Miguel Vicente ao lado de grandes nomes da música brasileira. Agora, o jovem conhecido como Miguelzinho do Cavaco começa a explorar um novo universo artístico: o cinema. Natural de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, ele participa do filme Vicentina Pede Desculpas, dirigido por Gabriel Martins, que conquistou três Troféus Redentor no Festival do Rio 2026.
A participação no longa representa mais uma etapa da trajetória do artista, que começou a ganhar reconhecimento nacional ainda criança. Além de atuar na produção premiada, Miguelzinho também integra a trilha sonora de O Velho Fusca, dirigido por Emiliano Ruschel, ampliando sua presença no audiovisual sem deixar de lado a carreira musical.
A história de Miguel com o cavaquinho começou aos 3 anos, quando passou a experimentar o instrumento, inicialmente com uma versão de brinquedo. Autodidata, aprendeu a tocar ouvindo músicas e tentando reproduzir os sambas de que gostava. Aos poucos, a curiosidade infantil se transformou em habilidade musical e, posteriormente, em reconhecimento público.
A projeção nacional ganhou força quando, aos 11 anos, começou a publicar vídeos nas redes sociais interpretando clássicos do samba. Uma das gravações, com a música Gratidão, de Xande de Pilares, chamou a atenção do próprio sambista, que compartilhou o vídeo, elogiou o menino e o convidou para uma apresentação na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Na ocasião, Miguel recebeu de Xande um cavaquinho profissional.
A repercussão alcançou outros artistas e personalidades, entre eles Neymar, Iza, Martinho da Vila, Anderson Silva, Teresa Cristina e integrantes do grupo Sorriso Maroto, que compartilharam ou reconheceram seu talento. Os vídeos abriram caminho para participações em programas de televisão e apresentações ao lado de músicos que até então eram suas referências.
Entre esses encontros está a participação no Domingão com Huck, da TV Globo, ao lado de Thiaguinho, um de seus ídolos. Durante o Navio da Xuxa, Miguel também recebeu um convite de Daniela Mercury para interpretar com ela Não Deixe o Samba Morrer, clássico consagrado na voz de Alcione.
Carreira musical ganha novos projetos
A repercussão nas redes sociais foi acompanhada pela construção de um repertório próprio. Em 2024, Miguelzinho lançou Menor Abandonado. No ano seguinte, apresentou Nosso Primeiro Date e Moleque Guerreiro. Já em 2026, acrescentou Dia Frio à sua discografia.
Outro momento de sua trajetória foi o encontro com o maestro João Carlos Martins e a Orquestra Bachiana, no Teatro Casa Grande. Na apresentação, Miguel levou o cavaquinho para uma interpretação de Ária da 4ª Corda, de Johann Sebastian Bach, aproximando o instrumento associado ao samba do repertório da música clássica.
O jovem também passou a atuar como apresentador do projeto Elo do Samba, realizado em parceria com o Cartão Elo e exibido no canal da Nova Brasil FM no YouTube. No programa, conduz entrevistas com artistas que marcaram a história da música brasileira.
Entre os convidados estão Demônios da Garoa, Luciana Mello, Alcione, Leci Brandão e Seu Jorge. A experiência acrescentou uma nova atividade à carreira de Miguel, que passou a explorar também o formato de entrevistas e a conhecer histórias de diferentes gerações do samba.
Primeiras experiências no cinema
A aproximação de Miguelzinho com o cinema ocorreu inicialmente por meio da música. Ele participa da trilha sonora de O Velho Fusca, produção dirigida por Emiliano Ruschel que reúne artistas de diferentes estilos e gerações.
O filme acompanha a história de Junior, um jovem que enfrenta conflitos familiares ao tentar se reaproximar do avô. A narrativa aborda as relações entre gerações, os vínculos afetivos e a possibilidade de reconciliação, utilizando a música como um dos elementos de conexão entre os personagens.
Na trilha sonora, Miguel divide espaço com nomes como Jorge Aragão, Péricles, Teresa Cristina, Paula Lima, Xande de Pilares, Diogo Nogueira e Jorge Vercillo, entre outros artistas.
A segunda experiência cinematográfica veio com Vicentina Pede Desculpas, dirigido por Gabriel Martins, também responsável por Marte Um. Desta vez, Miguel participa diretamente do filme, protagonizado pela atriz Rejane Faria.
Ambientada em Belo Horizonte, a história acompanha Vicentina, mãe de Wesley, motorista de um ônibus envolvido em um grave acidente que matou quase todos os passageiros. Após surgirem indícios de que o filho teria provocado deliberadamente a queda do veículo, em uma possível tentativa de suicídio, ela decide procurar os familiares das vítimas para pedir desculpas.
O longa aborda questões como luto, culpa, responsabilidade e as dificuldades de seguir em frente após uma tragédia.
Para Miguelzinho, a experiência de participar de uma produção cinematográfica trouxe a oportunidade de conhecer outra linguagem artística e acompanhar o trabalho de profissionais do setor.
“Estar em um filme é diferente de subir ao palco para tocar. É um universo que estou começando a conhecer e que me deixa muito curioso. Quero entender como tudo acontece, aprender com as pessoas que trabalham no cinema e descobrir até onde posso chegar também nessa área”, comenta Miguelzinho.
Filme conquista três prêmios no Festival do Rio
Produzido em parceria entre a Netflix e a Filmes de Plástico, Vicentina Pede Desculpas passou pelos festivais internacionais de Toronto, no Canadá, e San Sebastián, na Espanha, antes de sua estreia nacional no Festival do Rio 2026.
No último dia 11 de outubro, Miguelzinho esteve no festival para acompanhar a apresentação do longa, que conquistou três Troféus Redentor: Melhor Direção de Ficção, Melhor Roteiro e Melhor Longa de Ficção pelo Voto Popular.
A premiação colocou a produção entre os destaques do evento e marcou a primeira experiência do jovem músico em um festival de cinema dessa dimensão.
“Fiquei muito feliz de participar de um filme que recebeu um reconhecimento tão importante. Estou começando a dar meus primeiros passos no cinema e sei que ainda tenho muito a aprender. Quero viver essas experiências, conhecer mais sobre esse mundo e continuar fazendo aquilo de que gosto: arte”, afirma.
Miguel também destacou o acolhimento recebido durante sua participação no projeto e agradeceu aos profissionais envolvidos na produção.
“Quero agradecer ao diretor Gabriel Martins, que me recebeu com muito carinho e me deu uma atenção especial, à Rejane Faria, protagonista do filme, a todo o elenco e à equipe de produção. Foi muito especial viver essa experiência e conhecer de perto esse universo do cinema. Sou grato a todos que me acolheram e fizeram parte desse momento tão importante para mim”, finaliza Miguelzinho.
Novos caminhos na trajetória artística
A participação em duas produções cinematográficas amplia as possibilidades profissionais de Miguel Vicente, que continua desenvolvendo sua carreira musical enquanto experimenta outras formas de expressão.
Desde os primeiros vídeos com o cavaquinho até os encontros com artistas consagrados, os lançamentos musicais e a experiência como apresentador, Miguel acumulou atividades que contribuíram para sua formação artística.
O cinema surge agora como mais uma possibilidade nesse percurso. A participação na trilha sonora de O Velho Fusca e no elenco de Vicentina Pede Desculpas permite ao jovem conhecer diferentes etapas da produção audiovisual e avaliar novos caminhos para a carreira.
Apesar das experiências recentes, a música permanece como o principal vínculo de Miguel com o público. O cavaquinho, instrumento que começou a tocar ainda na infância, continua presente em sua identidade artística, enquanto os novos projetos abrem espaço para outras oportunidades.
Serviço | Vicentina Pede Desculpas
Direção: Gabriel Martins
Estreia nos cinemas: 5 de novembro de 2026, em salas selecionadas
Estreia prevista na Netflix: 20 de novembro de 2026
Premiação: Três Troféus Redentor no Festival do Rio 2026, nas categorias Melhor Direção de Ficção, Melhor Roteiro e Melhor Longa de Ficção pelo Voto Popular.
As datas de estreia foram informadas pela divulgação da produção e estão sujeitas a confirmação oficial.
Fotos: Marcos Serra Lima / Netflix
