Diretora técnica do Hospital Vitória Apart, médica capixaba fala sobre desafios, propósito e o espaço das mulheres na saúde
Cuidar de pessoas sempre foi o que moveu a médica BrunelaCroce. Aos 36 anos, o cuidado ganhou outra dimensão na vida da cardiologista: ela é responsável pela assistência de mais de 100 mil vidas todos os meses no Espírito Santo. Diretora técnica do Hospital Vitória Apart, Brunela lidera uma ampla rede de serviços do grupo Athena Saúde no Estado. Sob sua responsabilidade estão 11 centros médicos, que realizam cerca de 60 mil consultas mensais, além de quatro Pronto Atendimentos na Grande Vitória, responsáveis por 35 mil atendimentos por mês. Isso tudo, sem esquecer da gestão do hospital Vitória Apart, na Serra, e da nova unidade hospitalar em Vila Velha, que abrirá as portas até o fim de março.
Brunela não veio de uma família de médicos. O interesse pela profissão surgiu de forma intuitiva, ainda jovem, baseado na vontade de cuidar das pessoas. Formada em medicina há 11 anos, com especialização em clínica médica e cardiologia, ela iniciou a transição na carreira em 2023, quando passou aos poucos a trocar o consultório pela gestão hospitalar. No mês da mulher, sua trajetória reflete uma mudança cada vez mais visível no mercado de trabalho: o avanço feminino em posições estratégicas de liderança.
“Sempre me interessei em cuidar e acolher pessoas. Eu me sentia preenchida quando estava cuidando de alguém. Quando entendi que a medicina era uma forma direta de fazer isso, percebi que era ali que eu queria estar. Quando iniciei a transição de carreira, confesso que achei que não daria conta. Mas a gente vai dando conta, e hoje eu sou muito feliz e realizada fazendo o que eu faço”, afirma.
No começo, ela conciliava a função administrativa com atendimentos em consultório. Mas desde o ano passado, passou a se dedicar integralmente à gestão. A rotina exige decisões estratégicas constantes e uma habilidade essencial: lidar com pessoas.
“O gestor é, acima de tudo, um resolvedor de problemas. E precisa realmente gostar de resolver problemas. O grande desafio é conciliar decisões difíceis do ponto de vista estratégico e, ao mesmo tempo, manter um time engajado e compreendendo o todo — o quanto cada pessoa é importante na sua posição. Existem diversas formas de cuidar do ser humano. O cuidado médico é uma delas, mas cuidar dos colaboradores, pensar no serviço que vai atender aquele paciente, estruturar equipes…tudo isso também é uma extensão desse cuidado”, explica a diretora técnica do Hospital Vitória Apart.
Um novo hospital
A nova unidade do Hospital Vitória Apart, em Vila Velha, vai abrir as portas para o público ainda neste mês de março. Com 30 leitos de enfermaria, 10 leitos de UTI adulto, Pronto-Socorro adulto e pediátrico, além de centro cirúrgico e serviços de exames de imagem, o hospital vai contar com atendimento em clínica médica, cardiologia, gastroenterologia e ortopedia, para adultos e crianças. Estruturar um hospital do zero é o maior desafio de Brunela Croce até aqui.
“Quando você assume um serviço que já está rodando, a estrutura existe, é tudo mais simples. Mas construir uma base, estruturar um serviço, exige conhecimento de várias áreas: governança, regulação, dimensionamento de equipes. É um dos maiores desafios da minha trajetória até aqui. Acender um hospital que estava apagado na região, trazer um serviço diferenciado e de qualidade, é motivo de muita alegria para mim e mostra como o Espírito Santo e o Brasil têm avançado em muitas áreas, incluindo a área da saúde”, avalia a médica.
No cenário atual, ela também observa avanços na presença feminina em cargos de liderança na medicina — espaços que, até pouco tempo atrás, eram majoritariamente masculinos.
“O mercado hoje respeita um pouco mais o espaço da mulher. As oportunidades que chegaram até mim vieram pelo trabalho, eu nunca me senti em desvantagem. Fico muito feliz de ocupar um lugar que durante muito tempo foi predominantemente masculino”, afirma.
Se a carreira é intensa, Brunela faz questão de destacar que a base para sustentar esse ritmo está fora do hospital: a família. “Só sou funcional no trabalho porque sou extremamente realizada na minha vida pessoal. Meu marido e meus pais são minha rede de apoio. Eles garantem o meu bem-estar psicológico e permitem que eu consiga ser a profissional que sou”.
Entre números, decisões estratégicas e equipes multidisciplinares, Brunela Croce resume sua trajetória de forma simples: encontrou na gestão hospitalar uma nova forma de exercer a mesma vocação que a levou à medicina. “Eu realmente me encontrei na gestão. No fundo, continuo fazendo o que sempre quis: cuidar de pessoas.”
