Elaborado em parceira da Findes com o Bandes, levantamento aponta oportunidades para transformar resíduos da agropecuária e do saneamento em energia renovável, investimentos e novos negócios
Resíduos gerados pela pecuária, agricultura e pelo saneamento podem colocar o Espírito Santo em uma posição de destaque na produção de energia renovável. Estudo desenvolvido pelo Observatório Findes estima que o Estado tenha potencial para produzir cerca de 317 milhões de metros cúbicos de biogás por ano a partir dessas fontes.
Os dados fazem parte do projeto “Economia Verde no Espírito Santo: Impactos Socioeconômicos e Estratégias para um Ecossistema de Negócios Baseado em Biomassa”, desenvolvido pela Findes em parceria com o Bandes e a Open Society Foundations. Os primeiros resultados foram apresentados nesta quarta-feira (12), em Vitória.
Do potencial estimado de produção de biogás, 42% têm origem na pecuária, 33% na agricultura e 25% no saneamento. Com isso, as atividades agropecuárias respondem por 75% do volume identificado. O estudo também avalia a possibilidade de produção de biometano, combustível renovável que pode substituir fontes fósseis em diferentes atividades.
O levantamento considera não apenas a quantidade de biomassa disponível nos 78 municípios capixabas, mas também sua localização, os possíveis consumidores e as condições de infraestrutura, logística e regulação. Um dos desafios identificados é que grande parte dos resíduos agropecuários está no interior, enquanto importantes consumidores de energia estão concentrados nos polos industriais, especialmente na Grande Vitória.
Para detalhar essas diferenças, o Estado foi dividido nas oito Regiões Geográficas Imediatas definidas pelo IBGE. A próxima etapa deverá identificar áreas com melhores condições para receber projetos de biogás e biometano, considerando as características produtivas e as necessidades de infraestrutura de cada território.
Outra frente do projeto analisará os chamados empregos verdes e os efeitos que investimentos em descarbonização podem provocar na economia capixaba. O trabalho pretende identificar setores, ocupações e regiões ligados às atividades sustentáveis e estimar impactos sobre produção, emprego e renda. Os resultados poderão servir de base para empresas, produtores, investidores e poder público na estruturação de projetos e políticas voltados à economia de baixo carbono.
