Ex-secretário de Comércio Exterior afirma que mudanças na economia mundial exigem novas estratégias do Estado para transformar vantagens em produtividade e desenvolvimento
As disputas e transformações que acontecem do outro lado do mundo estão cada vez mais próximas da economia capixaba. Para o economista e ex-secretário de Comércio Exterior Marcos Troyjo, a geopolítica ganhou tamanho peso sobre o Brasil e o Espírito Santo que compreender esses movimentos deixou de ser uma discussão distante e passou a fazer parte das decisões econômicas do Estado.
“A geopolítica ficou tão importante para a economia do Brasil, tão importante para a economia do Espírito Santo, que já é o momento de nós entendermos que existem dinâmicas que são microgeopolíticas”, afirmou Troyjo durante o Encontro IBEF-ES 2026, realizado nesta quinta-feira (3), em Vitória. O evento reuniu mais de 250 empresários, executivos, economistas, autoridades e lideranças.
Um dos exemplos apresentados pelo economista foi a transformação da China. Troyjo lembrou que, até 1997, a economia brasileira era maior que a chinesa. Hoje, segundo ele, a economia da China é oito vezes maior. A mudança aparece também no comércio: em 2001, Brasil e China movimentavam cerca de US$ 1 bilhão por ano entre exportações e importações. Em 2026, de acordo com os dados apresentados por Troyjo, esse volume é movimentado a cada 46 horas.
Para o economista, a ascensão chinesa é parte de uma reorganização global que altera cadeias produtivas, localização de fábricas, mercados consumidores e decisões de investimento. E esse processo ainda estaria apenas no início. “Se fosse um jogo de futebol, essa partida daria aos quatro ou cinco minutos do primeiro tempo. Ou seja, o jogo ainda está começando”, comparou.
No Espírito Santo, o debate ganha peso pela forte ligação da economia estadual com o comércio exterior. Durante o encontro, foram destacadas vantagens como localização, infraestrutura, setores produtivos consolidados e conexão com mercados nacionais e internacionais. O desafio é aproveitar essas condições para elevar produtividade, inovação, competitividade e geração de renda.
O encontro também discutiu o planejamento de longo prazo por meio do projeto ES 500 Anos. Integrante do Comitê de Líderes da iniciativa, o IBEF-ES defende uma agenda capaz de ultrapassar ciclos políticos. “Essa é uma construção coletiva e plano de Estado e não de governo. Nós queremos que as coisas, os projetos com evidências continuem e entreguem resultados reais para a sociedade”, afirmou Nailson Dalla Bernardina.
Para o presidente do IBEF-ES, Alecsandro Casassi, o Estado atravessa um período de oportunidades, mas os resultados dependerão das decisões tomadas agora. “Temos vantagens, capacidade e oportunidades. Mas precisamos transformar tudo isso em produtividade, competitividade, inovação e desenvolvimento”, afirmou. O economista-chefe do instituto, Felipe Storch, reforçou que o diferencial do Espírito Santo estará justamente na capacidade de converter suas vantagens competitivas em crescimento sustentável e renda.
