Guilherme Henrique Pereira – “O complexo econômico da energia elétrica”

O setor elétrico brasileiro até os anos noventa era controlado integralmente pelo setor público – pincipalmente federal e estadual – Neste modeloinstitucional, via de regra, as empresas de energia atuavam de forma verticalizada, produzindo, transportando e distribuindo. 

Com a privatização de grande parte das empresas públicas, o modelo institucional foi redefinido e reajustado para dar conta da complexidade dessa indústria que precisa buscar sempre operar o mais próximo possível do ótimo, já que deve entregar um insumo que se tornou essencial para a vida moderna.

Assim, os objetivos básicos da mudança foram: garantir a segurança no suprimento, apostando em expansão dos investimentos privados; promover a modicidade tarifaria; e promover a inserção social, em particular pelos programas de universalização (como o Luz para Todos). A operação foi segmentada com empresas atuando na geração, outras na transmissão e, por último, as distribuidoras. Essas últimas, são as mais visíveis para o público porque são as responsáveis pela entrega da energia em cada ponto de consumo e são regionalizadas, isto é, responsável pela rede de distribuição em cada região. Neste modelo, fica evidente a necessidade decisiva de um sistema de regulação e fiscalização daí a instituição da ANEEL; introduziu dois mercados, um operando em ambiente de comercialização regulada e outro   como ambiente de contração livre, tendo a Câmara de Comercialização de Energia como organizadora; também foi instalado o Operador Nacional do Sistema (ONS , com a responsabilidade do planejamento e gestão diária do despacho de energia pelas geradores. 

No plano da geração da energia observou-se, talvez, as mais significativas inovações, desde o estabelecimento de leilão para a concessão da fonte potencial de geração, passando pelo desenvolvimento tecnológico que levou acrescente adoção de novas alternativas de fontes geradoras, valendo relembrar: a solar, a eólica, biomassa, etc. dentre outras, além da energia hidráulica. O importante crescimento destas fontes alternativas é muito bem-vindo, dada a necessidade de substituir fontes com maior emissão de gazes, como é o caso das usinas á base de óleo ou gás (térmicas) e carvão.

Recorrendo ao estudo da Consultoria Iventta  Macromovimentos e Tendências do Setor – do qual obtemos algumas informações estatísticas fundamentais para o conhecimento do tamanho da economia brasileira da energia:

– 189,6 mil km de linhas de transmissão, extensãoequivalente a 4,7 voltas a terra;

 A matriz elétrica brasileira atingiu 88,2% de fontes renováveis em 2024, uma situação privilegiada no contexto mundial;

– Em abril de 2025, o Brasil ultrapassou 210 Gigawatts (GW) de potência fiscalizada, colocando o sistema Elétrico brasileiro entre os maiores do mundo. 

 Capacidade instalada maior que a de países como Itália, França ou Reino Unido. 

 Em 2024, cada brasileiro emitiu, em média, 2,0 toneladas de CO2 equivalente (t CO2eq) com produção e consumo de energia. É uma emissão sete vezes menor que a de um cidadão dos Estados Unidos (13,8 t CO2eq) e 2,7 vezes menor que a média de um europeu (5,4 t CO2eq);

 Segundo a ANEEL, o Brasil contava, até 31 de julho de 2025, com 3,77 milhões de sistemas conectados – solar em residências na maior parte  à rede de distribuição de energia elétrica, reunindo potência instalada próxima de 42,28 GW que é 50% maior que a potência da usina de Itaipu (14 GW), a segunda maior do mundo;

 A energia solar apresentou um crescimento na participação na geração de 2,2% em 2020 para 13% em 2025, enquanto a energia eólica passou de 15% para 21% nos últimos 5 anos. 

 Ainda segundo o estudo citado, há muitos desafios diante do setor elétrico brasileiro, porém, os que mais se destacam no presente são: 1) O crescimento acelerado da energia solar e eólica, com suas marcantes intermitências de injeção de energia na rede, gerou desafios envolvendo inseguranças por falta de controle de energia no sistema elétrico. Assim, o risco de sobrecargas, apagõeslocalizados e cortes de energia aumentam; 2) a previsão de crescimento explosivo da demanda por energia, puxada de maneira destacada pelo crescimento do parque de data centers.

 

*Guilherme Henrique Pereira é doutor em Ciências Econômicas, autor do livro Economia, Governos e Suas Políticas e diretor executivo do Instituto Gestão e Desenvolvimento Sustentável – IGEDS ARANDU.

 

 

 

sobre nós

Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

compromisso e propósito

O NewsEspíritoSanto nasceu com compromisso de levar informação precisa, relevante e independente para os capixabas. Nosso propósito é ser uma fonte confiável para quem busca entender os acontecimentos do Estado, valorizando a transparência, a ética e a pluralidade.

contato

E-mail:

contato@newsespiritosanto.com.br

WhatsApp:

27 999204119

Participe do conteúdo do News ES: encaminhe a sua sugestão de pauta para o nosso e-mail.