Hartung defende aproximação entre Arnaldinho e Pazolini: “Tá na hora de renovar”

O ex-governador Paulo Hartung concedeu uma entrevista especial ao News Espírito Santo nesta quarta-feira (25), em Vitória, e voltou a afirmar que chegou o momento de renovar o processo político capixaba, Hartung defendeu a ascensão de uma nova geração de lideranças no Estado. Segundo ele, grupos que permanecem muito tempo no poder tendem a sofrer uma espécie de “fadiga”, tornando necessária a alternância para preservar a vitalidade da gestão pública.

Hartung citou como exemplos dessa renovação prefeitos jovens da Grande Vitória, destacando especialmente Lorenzo Pazolini (Vitória), Arnaldinho Borgo (Vila Velha), Weverson Meireles (Serra) e Wanderson Bueno (Viana). Para ele, esse conjunto de gestores representa uma alternativa concreta de futuro para a administração estadual, ainda que o processo eleitoral esteja distante e, nas palavras dele, “no máximo no vestiário”.

O ex-governador também ponderou que há muita especulação antecipada sobre a disputa, lembrando que etapas decisivas como desincompatibilização e convenções partidárias ainda ocorrerão apenas no meio do ano eleitoral. Na avaliação dele, apesar da movimentação nos bastidores, “tem muita água para passar debaixo da ponte” até que o cenário esteja definido.

Questionado sobre seu papel nesse movimento, Hartung disse atuar como observador e apoiador, deixando claro que a condução cabe às novas lideranças. Segundo ele, trata-se de um grupo “jovem, mas muito experiente”, no qual deposita expectativa e torcida pelo que considera ser uma renovação necessária “pelo bem do Espírito Santo”.

News Espírito Santo — O senhor naturalmente deve ter acompanhado os últimos fatos políticos do Espírito Santo. No Carnaval houve uma grande surpresa política no Estado: o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, até então aliado ao grupo do governo Renato Casagrande, apareceu e rodou no Sambão ao lado do prefeito de Vitória, numa aproximação política que causou grande surpresa. Como o senhor viu essa aproximação e esse movimento?

Paulo Hartung – Olha, primeiro a alegria de estar com você. Acho que esse registro é importante. O Espírito Santo já teve uma série de gerações de bons jornalistas. Quando falo nisso, me lembro de figuras como Serginho Egito, Toninho Rosetti, em áreas diferentes. E você, Caliman, faz parte de uma geração mais recente de bons jornalistas — você, o André Hees, a Andréia Lopes e tantos outros. Eu não quero ser exaustivo. Fazem parte dessa geração. Por isso é uma alegria.

Então não tem como eu não tocar no assunto de desejar sucesso ao News Espírito Santo nessa jornada. E eu acho que esse mundo complexo que nós estamos vivendo, onde muitas vezes a verdade não tem espaço e as notícias falsas proliferam, viralizam… Esse jornalismo feito por bons profissionais tem um lugar. E esse lugar é um lugar de defesa de valores e conquistas que foram importantes para a caminhada humana. Eu me refiro ao humanismo, eu me refiro à democracia como valor.

Desculpe gastar um tempo aqui do nosso bate-papo, mas eu queria saudar, desejar sucesso. O Espírito Santo precisa disso, o Brasil precisa disso, o planeta precisa disso. Porque tudo passa. Você sabe que eu gosto muito de história. As pessoas mergulham para entender, por exemplo, o nazismo, aquela polarização exacerbada, radicalizada que viveram os alemães… E depois você vai na Alemanha hoje e vê um país organizado. A Itália e tantos outros exemplos na história humana.

Então nós precisamos de um ferramental que permita proteger os bons valores, as boas conquistas humanas, porque por pior que seja a tempestade que nós estamos debaixo dela… a vida não está fácil. Tudo é passageiro. Meu pai brincava com a gente e falava assim: “Olha, não tem coisa ruim que não passe. E também não tem coisa boa que não passa”. Então a gente precisa ter capacidade de caminhar na vida.

Você me pergunta sobre a política do Estado. Eu acho assim: quando eu cheguei ao governo do Estado – ganhei a eleição em 2002, tomei posse em 2003 – muita gente jovem não viveu sequer esse momento. O Espírito Santo saiu de uma encrenca de grandes proporções: crime organizado, contas desorganizadas, salário de servidor atrasado. O policial, para receber o salário, tinha que pedir um empréstimo ao Banestes, a chamada “conta movimento”, e assim por diante. Quer dizer: precisava pedir empréstimo, pagar juros, para receber o salário.

O Estado saiu de uma situação grave – violência campeã, corrupção campeã – e deu um salto. Eu tive a honra de liderar esse processo como governador. Antes disso, junto com a sociedade civil, com o doutor Agesandro, com Dom Silvestre, com o pastor Beato, com a sociedade civil organizada capixaba, nós tivemos capacidade de sair. Eu até brinco, uso a expressão do sambista: nós levantamos, sacudimos a poeira e demos uma volta belíssima por cima. E criamos um ciclo na história do Estado.

Eu acho que esse ciclo está vencido. Isso é o que eu acho importante lhe dizer: está na hora de renovar o processo político capixaba. Grupo político vai para o poder e, se ficar muito tempo, dá ruim. Os físicos falam da fadiga de material. E pode ser grupo A, grupo B, grupo C – a vida é assim. Então está na hora de renovar a política do Espírito Santo.

A grande vantagem é que tem um conjunto de novos líderes emergindo na política do Espírito Santo.

Eu acho que o prefeito da capital é o mais importante deles. Não é por ser a capital, mas porque você teve uma disputa na última eleição municipal em que tentaram, com muita força, julgar a eleição por segundo turno, e o prefeito ganhou contra um conjunto de articulações e ganhou no primeiro turno. Mas não é figura única: o prefeito de Vila Velha é outro líder jovem, o prefeito da Serra é outra liderança jovem, o prefeito de Viana é outro líder jovem. Estou citando só alguns, não quero ser exaustivo.

O processo ainda está… ninguém está em campo ainda. As pessoas acham que já estão em campo. Tem gente até gastando por conta – e pior, gastando do contribuinte, não o dele. Nós estamos ainda no vestiário. No máximo no vestiário. O jogo ainda vai ser bem na frente. Você tem o período de desincompatibilização de quem está em mandato, depois as convenções partidárias lá em 20 de julho até o início de agosto. Então tem muita água para passar debaixo da ponte.

Mas eu acho que tem um movimento de renovação se colocando como alternativa de administração do Estado. É nele que eu estou engajado, é para ele que eu estou torcendo. E as pessoas estão me perguntando muito sobre isso, e eu estou dizendo: está na hora de renovar a política do Espírito Santo, pelo bem do Espírito Santo.

Também tem uma coisa importante: quando a gente reconstruiu o Espírito Santo, nós montamos uma base econômica para isso. E isso também gerou prosperidade no Estado. Essa base econômica, parte dela, é igual remédio: tem data de vencimento. Por exemplo, os incentivos fiscais.

Nós reorganizamos o Estado, demos transparência – fomos nós que introduzimos a ideia de que incentivo fiscal tinha que ser publicado no Diário Oficial. Isso muitas vezes levou a gente a pagar um preço pesado de críticas injustas, ilações infantis, mas nós demos transparência e o Estado cresceu.

Vou dar um exemplo: o setor atacadista, que praticamente era um pontinho na estrutura econômica do Espírito Santo, virou um setor grande no Estado, fruto desses incentivos fiscais. Só que isso tem data para acabar.

Então: primeiro, grupo ficar no poder muito tempo — fadiga de material — precisa renovar, precisa alternância. Alternância no poder é o melhor remédio na democracia. Segundo: precisa entrar uma nova geração que pense o Espírito Santo do futuro. Isso não está posto. As pessoas estão vivendo daquilo que nós fizemos num passado recente. Nós vamos levantar a cabeça e olhar para frente e ver o que vamos colocar no lugar.

Quando eu vejo o Etore Cavalieri construir um porto… alguém que outro dia era empregado da Aracruz Celulose está construindo um porto comercial de águas profundas em Aracruz. Isso é pensar no futuro, isso é ter cabeça de visionário. É igual o doutor Eliezer quando pensou o Porto de Tubarão: cabeça de visionário, como é que dava competitividade para o minério das Minas Gerais na Ásia. Precisava de logística. Então ele montou a estrutura mina-ferrovia-porto de águas profundas e com isso deu competitividade à Vale naquele período.

É cabeça de visionário que nós precisamos. O Espírito Santo precisa olhar para frente para pensar o Espírito Santo para daqui a 10 anos, 20 anos e assim por diante. E não é fazer “planinho” para pagar consultoria, mais uma consultoria. Muitas vezes planilha fica em gaveta depois de lançada em solenidade. Tem que ter clareza do que a gente quer.

Quando nós fomos a Singapura conversar com a Olam para trazer uma fábrica de solúvel para o Espírito Santo, isso é pensar no futuro. Quando a gente foi ao interior de Santa Catarina conversar com a WEG e trazer a WEG para Linhares, isso é pensar no futuro. Você vê: a WEG já está no terceiro investimento dela.

Então eu acho que é isso que falta ao Espírito Santo. Por isso, se eu não sou médico, eu sou economista, mas se eu pudesse prescrever alguma coisa eu prescreveria a renovação da política do Espírito Santo. Isso fará muito bem ao Estado.

A entrevista foi concedida ao diretor de Conteúdo do News ES, Eduardo Caliman

News Espírito Santo — E a participação do senhor nas próximas eleições… Qual é a probabilidade de o senhor disputar um cargo, ao governo ou ao Senado?

Paulo Hartung — Eu estou animado para tudo. Você está vendo aqui o brilho no meu olho, você está de frente comigo. Posso ser candidato. Depende muito da necessidade. Para montar alguma coisa que fique de pé, se precisar da minha presença numa chapa, posso ser candidato.

Posso não ser candidato e ser cabo eleitoral. No interior, fazer campanha, andar aqui na Grande Vitória, fazendo campanha. As pessoas que gostam de mim, que me respeitam, que respeitam a minha trajetória, muitas vezes precisam de uma palavra minha para apresentar um projeto novo. Pode contar comigo. Então assim: estou animado para tudo.

Evidentemente que o meu tempo não é um tempo de quem está com mandato eletivo. As pessoas demoraram a entender isso, mas agora acho que já estão entendendo. Eu estou na iniciativa privada. Já completei sete anos na iniciativa privada depois que saí do governo. Isso é uma coisa boa também: você ter alguém com liderança política e sair do cargo público, colocar o currículo no mercado, ser contratado e assinar carteira. É o meu caso.

Estou há sete anos na iniciativa privada e com uma experiência muito boa — você já falou nela — presidindo o Ibá. Posso voltar para a vida pública com mandato, debate político… Eu fico o tempo inteiro: escrevo artigos, dou entrevista como estou dando aqui pra você, falo em seminários Brasil afora. Eu estou dentro do debate nacional.

Posso ter uma candidatura. Já disputei oito eleições. E no plano nacional? Posso não estar na “cédula”, mas posso ser cabo eleitoral apoiando.

News Espírito SantoSeu nome tem sido cogitado como candidato a vice (presidente) numa eventual chapa “puro-sangue” do PSD, que é o partido do senhor. Como é que tem sido essa conversa, essa construção?

Paulo Hartung — Eu defendo, você acompanha isso já tem muito tempo, que a gente crie no Brasil uma força nova na política brasileira. E isso não é fácil num momento de polarização extremada como nós estamos vivendo.

Mas é aquela história do agricultor: só colhe quem planta e cuida. Então você tem que plantar e tem que cuidar. Nós estamos plantando essas ideias Brasil afora.

Eu acho que o PSD colocando uma candidatura para debater o país nessa eleição vai ajudar o país. Tem chance de romper com a polarização? Ninguém sabe. Não é como se a gente tivesse bola de cristal funcionando. Mas vai dar contribuição importante: colocar um programa de governo razoável que discuta as coisas no Brasil.

Por exemplo: tem que discutir corrupção no Brasil. Essa questão que nós estamos vivendo do INSS agora e do Master — esses dois escândalos — coloca de novo na agenda prioritária do Brasil o tema de integridade. Temos que tratar desse tema num programa de governo.

Tem que discutir a questão da segurança pública. Esse problema escalou no Brasil. Não é o Rio de Janeiro. É o Brasil, infelizmente. Tem conserto.

Precisa de um programa que trate de combate à corrupção, integridade; que trate da segurança pública; que trate o problema das contas públicas. A pessoa escuta e pergunta “o que eu tenho a ver com contas públicas?”. Tem tudo a ver. O juro que você está pagando quando compra uma geladeira tem a ver com as contas públicas. Você compra uma geladeira e muitas vezes paga duas, duas e meia para levar uma. Isso tem a ver com taxa de juros.

Hoje tem juros de 15% no mundo? Só na Ucrânia, que está em guerra há quatro anos. Lá é 15,5; aqui no Brasil 15, a Selic.

Tem que ter um programa claro para melhorar a educação básica: educação infantil, primeiro ciclo do fundamental, segundo ciclo, ensino médio. Precisamos revolucionar esse sistema educacional. O mundo analógico ficou para trás, o mundo digitalizou, a inteligência artificial está em cima da mesa mudando processos produtivos mundo afora. Você precisa de educação que prepare o brasileiro e a brasileira.

E tem que ter choque gerencial dentro dos governos. Eu não falo só do governo central: dos governos no país. É muito desperdício. Você aperta as contas públicas e é desperdício vazando para tudo quanto é lado.

Nós mostramos isso no Espírito Santo. A última vez que eu administrei foi em plena recessão econômica — 2015, 2016 — e, com recessão, levamos o Espírito Santo para primeiro lugar no IDEB, levamos o Espírito Santo à menor mortalidade infantil, segundo o IBGE, e levamos o Espírito Santo para a segunda expectativa de vida do Brasil, só ficando atrás de Santa Catarina. O capixaba passou a viver mais.

Então um plano para o país é importante. Seria importante o PSD ter candidato? Seria importante. E ter candidato com proposta: proposta clara do que fazer com o Brasil.

Quando a gente acerta a mão, o brasileiro ganha. Acertamos a mão na década de 70 com a questão do agro. Saímos de importadores de alimentos para alimentar praticamente 10% da população planetária. Acertamos a mão na exploração de petróleo em águas profundas. Hoje produzimos 3,8 milhões de barris/dia; vamos chegar a mais de 5 milhões nos próximos anos, fruto de tecnologia desenvolvida no Brasil.

Quando a gente acerta a mão, a gente marca o gol. Você vê a Embraer: não tem aeroporto importante no mundo que não tenha avião da Embraer. Uma indústria complexa e o brasileiro conseguiu o seu lugar.

Eu falei da WEG: hoje está no Brasil, México, Estados Unidos, Canadá, Europa, Ásia, China. Uma multinacional que nasceu no interior de Santa Catarina. Então precisamos de um programa que olhe as coisas que deram certo e veja como replicar em outras atividades. E parar de repetir coisa errada no país.

Eu tenho ânimo para isso. Estou ajudando de qualquer forma. Desde que entrei no PSD, eu entrei para ajudar a dar conteúdo programático ao partido. Os partidos hoje são ajuntamento de pessoas, mas não de ideias, programas, projetos.

Precisa ser candidato? Não precisa. Mas se precisar, eu estou te respondendo: tenho ânimo, tenho energia. Sou uma pessoa muito disposta. Vamos deixar… como o “filósofo” Zeca Pagodinho fala: “deixa a vida me levar”. Essas decisões vão ser tomadas no afunilar do processo, nas convenções partidárias, tanto local quanto nacional.

News Espírito Santo — O senhor sempre disse que é preciso cuidar das contas para cuidar das pessoas. Como é que o senhor está vendo essa administração hoje do Estado?

Paulo Hartung — Eu acho que o importante de discutir o Estado é que o que está hoje no poder é passado. Nós precisamos levantar a cabeça. Você sabe que eu não gosto de fulanizar, não gosto de xingar as pessoas, não gosto desse debate raso. Eu gosto do debate de ideias. Sempre fui assim, não consigo mudar.

O que está aqui é passado. Nós precisamos botar uma pegada de futuro agora. Para isso precisa renovar a política capixaba, colocar sangue novo nisso. As pessoas vão se apegando a poder demais.

Por isso que eu gosto: quem trabalha no público, depois vai trabalhar no privado, depois volta pro público, porque você não pode ficar apegado às coisas. Cargo público é uma delegação, uma procuração que as pessoas te entregam para você representá-las durante um período estabelecido – no Brasil, mandatos de quatro anos.

A democracia – o Churchill falava isso – é o que de melhor nós humanos conseguimos inventar. Tem defeitos, fragilidades, mas é o melhor. E uma coisa muito boa dentro da democracia é a alternância do poder. Porque a alternância oxigena o poder. E é isso que está precisando no Espírito Santo.

News Espírito Santo — Desafios para o futuro no Estado: quais são os maiores desafios que o Espírito Santo vai enfrentar nos próximos anos e décadas?

Paulo Hartung — Eu não vou colocar por ordem de prioridade, mas uma eu já toquei: você precisa reestruturar a base econômica do Espírito Santo. Senão é aquela história: pai rico, filho nobre, neto pobre. Precisamos desviar dessa história negativa.

Isso exige um choque de reestruturação e com alguma rapidez, porque algumas coisas o Estado vai perder em curto, curtíssimo prazo. Outras está perdendo lentamente.

Por exemplo: o minério de ferro que sai aqui no Porto de Tubarão não é o minério de melhor qualidade que o Brasil exporta. Os de melhor qualidade saem do Pará. Muitos navios saem daqui, vão para a Ásia e lá encontram outro navio saindo de São Luís, porque o minério do Pará sai por São Luís. Ali você tem unidades para fazer blend: misturar o nosso minério com o do Pará e fazer vários tipos.

Além do esgotamento de algumas minas importantes de Minas Gerais, você tem o elemento da qualidade. Isso está no nosso radar.

Um professor meu que tem o seu sobrenome, professor Caliman, uma vez, para explicar por que essa atividade é importante, usou a expressão das raízes de uma árvore. Quando você olha a árvore, não vê as raízes no solo. E as raízes são os impactos econômicos que essa atividade tem no Espírito Santo.

Outra coisa: a produção de petróleo. Ela sobe quando você descobre reservatório, estabiliza e depois cai. Nós estamos vivendo a queda da produção de petróleo. Então precisa olhar o futuro.

Outro desafio: ter uma educação diferenciada. Sempre falei isso. Se a gente tiver educação diferenciada, vamos virar provedor de gente. Gente é insubstituível. Você pode ter um celular de última geração, mas para operar o celular precisa de pessoas. E gente você forma nos bancos das escolas.

Como Estado pequeno territorialmente, a gente precisa melhorar e adaptar a educação. E tem a questão de segurança pública — isso é desafio do Espírito Santo também. Não somos ilha.

E tem um desafio permanente: combater miséria, pobreza, exclusão, como objetivo prioritário de governo e sociedade. Isso não se faz só com o governo.

News Espírito Santo — Como tem sido a rotina em São Paulo? Como tem sido essa divisão de atuação na formação política e sua rotina também aqui no Espírito Santo?

Paulo Hartung — Desde que fui para São Paulo, fui para presidir o Ibá, Indústria Brasileira de Árvores — todos que plantam árvores para fins industriais e para restauração de nativas nos biomas. É uma organização muito expressiva.

Fui com a garantia de que poderia continuar o debate nacional: escrevendo artigos, fazendo palestras, participando de debates.

E também faço parte de dois movimentos voluntários: um de formação de novos líderes, o RenovaBR — eu sou conselheiro do RenovaBR. E o outro é o IEPS, fundado pelo Armínio Fraga, para cuidar da formulação de políticas públicas para saúde. Eu sou conselheiro lá. A Margareth Dalcomo, capixaba, também é conselheira do IEPS.

Minha vida é dividida assim. Cristina tem consultório aqui, ela é psicanalista, minha esposa. Então tem finais de semana que passamos aqui.

E nós temos a delícia de ter netos agora: dois netos no Rio, dois menininhos no Rio, e uma neta em São Paulo. Então a gente “trança” o Brasil: uma hora aqui, uma hora São Paulo, uma hora Rio, principalmente nos finais de semana. É uma experiência magnífica na vida da gente.

News Espírito Santo — Voltando à nossa pergunta inicial: do movimento dos prefeitos aqui da Grande Vitória. Recentemente eles tiveram em Colatina, hoje também se encontraram com o prefeito Renzo Vasconcelos e fizeram ali também uma aproximação política. Como é que o senhor viu esse movimento já indo para o interior?

Paulo Hartung — São movimentos naturais. É aquilo que eu te falei: no calendário você tem até o início de abril aqueles que precisam se desincompatibilizar para disputar outras funções. Depois vem a corrida para as convenções partidárias em julho, e de julho até agosto. Tem muito prazo pela frente.

Mas os movimentos que estão sendo feitos são normais e muito bons, muito positivos.

News Espírito Santo — Muita gente especula qual a participação do senhor nesses movimentos. O senhor tem mantido conversas?

Paulo Hartung — Eu sou um torcedor, um apoiador. Quem está conduzindo são essas novas lideranças. Eu vou acompanhando. Se sou perguntado sobre alguma coisa, dou minha opinião.

São jovens, mas muito experientes. Conhecem o processo. Qualquer coisa que precise da minha opinião, eu dou com prazer, com esse foco: está na hora de o Espírito Santo passar por um processo de renovação política. Eu acho isso fundamental.

News Espírito Santo — No cenário nacional o senhor também defende essa transição, essa mudança?

Paulo Hartung — Claro. Eu acho que esgotou o que está lá. Não está claro que o atual governo opera muito mais como se a gente estivesse numa realidade de 10, 20 anos atrás do que nessa realidade que nós estamos vivendo.

A nossa sorte é que, mesmo com tantos tropeços, nós também temos alguns acertos. Vou te dar um número: o ano passado, o agronegócio como um todo colocou na balança comercial 169 bilhões de dólares. Você imagina a pujança e a importância de um setor como esse.

Se eu olhar a conta petróleo, o quanto vendemos para o mundo, você cai de costas. Não vendeu mais petróleo porque vendemos soja. E o agro não é só soja: tem diversificação de produtos, inclusive produtos florestais, no nosso setor.

Então o Brasil se beneficia desses acertos. Por isso, quando penso um plano de governo para o país, digo: precisamos olhar o que deu certo, replicar em outros setores e aprender com o que deu errado para não repetir.

Nós já gastamos dinheiro quatro vezes, desde Juscelino Kubitschek, tentando montar uma indústria naval no país. Em todas as quatro vezes deu errado. Precisamos aprender.

O mundo oferece oportunidades: até 2050 a população mundial vai crescer mais uns 2 bilhões. Vai precisar alimentar essas pessoas. Quem pode ajudar? Poucos lugares. A Ucrânia está em guerra com a Rússia. Quem pode ajudar é o Brasil, que já é celeiro de alimentos.

Precisa derrubar floresta para aumentar produção? Não. O Brasil tem mais de 100 milhões de áreas antropizadas – que já viraram pasto, café – hoje improdutivas, que podem ser convertidas para produção de alimentos, grãos, fibras. Energia também: etanol de cana e de milho está crescendo.

O mundo precisa de energia limpa. O Brasil tem potencial de fornecer energia limpa e produtos fabricados a partir de energia limpa.

O mundo precisa de metais de transição energética. As pessoas não discutiam terras raras, o Trump trouxe o tema para a agenda mundial. O Brasil é o segundo lugar em reservatórios de terras raras. Temos capacidade de produzir cobre – cobre é importante para transmitir energia elétrica. Temos reservatórios.

Então temos oportunidades em cima da mesa. O que vamos fazer é o dever de casa. Precisamos parar de tropeçar nas próprias pernas. Se a gente acertar o passo, aprendendo com o que deu certo e parando de repetir o que deu errado, a gente consegue transformar parte do potencial do país em oportunidade para os seus filhos, principalmente para os jovens brasileiros.

sobre nós

Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

compromisso e propósito

O NewsEspíritoSanto nasceu com compromisso de levar informação precisa, relevante e independente para os capixabas. Nosso propósito é ser uma fonte confiável para quem busca entender os acontecimentos do Estado, valorizando a transparência, a ética e a pluralidade.

contato

E-mail:

contato@newsespiritosanto.com.br

WhatsApp:

27 999204119

Participe do conteúdo do News ES: encaminhe a sua sugestão de pauta para o nosso e-mail.