O fechamento da janela partidária provocou uma reconfiguração no cenário político do Espírito Santo e acirrou a disputa por vagas na Câmara dos Deputados. Nos últimos dias, mudanças de legenda, articulações de bastidores e definições estratégicas passaram a redesenhar a composição das chapas e o equilíbrio de forças entre os partidos para as eleições de outubro.
Na bancada federal capixaba, quatro dos dez deputados aproveitaram o período para trocar de partido, o que representa uma mudança de 40% na composição das siglas. Entre as alterações, Amaro Neto deixou o Republicanos e se filiou ao Progressistas (PP); Evair de Melo fez o caminho inverso, saindo do PP para o Republicanos; Messias Donato trocou o Republicanos pelo União Brasil; e Victor Linhalis deixou o Podemos para se filiar ao PSB.
Nesse cenário, outras definições também foram consolidadas nos últimos dias. O deputado estadual Dr. Bruno Resende decidiu permanecer no União Brasil e avançar no projeto de disputar uma vaga na Câmara Federal. A decisão foi tomada após conversas com o ex-governador Renato Casagrande e o governador Ricardo Ferraço. (foto acima)
“Essa decisão foi amadurecida ao longo das últimas semanas e hoje, após conversas com os nossos aliados Renato Casagrande e Ricardo Ferraço, decidimos unir forças para trabalharmos juntos pelo desenvolvimento do Sul Capixaba e de todo o Espírito Santo, retomando o devido protagonismo da região Sul. Todos sabem da minha luta pela saúde e pelo desenvolvimento do Estado. Vamos colocar o nosso nome como candidato a deputado federal, para representar o Sul do Estado e todo o Espírito Santo na Câmara dos Deputados”, disse Dr. Bruno Resende.
Médico especializado no combate ao câncer, Dr. Bruno foi eleito em 2022 como o deputado estadual mais votado da Região Sul e o oitavo mais votado do Espírito Santo, com 31.897 votos. Atualmente, preside a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa e atua na articulação de projetos voltados à área, como o Hospital do Câncer de Cachoeiro de Itapemirim, além de iniciativas relacionadas ao atendimento oncológico e às vítimas de AVC.
A movimentação de Victor Linhalis, por sua vez, teve impacto direto na configuração das chapas. O deputado chegou a ser anunciado como um dos pilares da formação do PSDB no Espírito Santo, sob liderança do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, mas recuou e optou por ingressar no PSB, partido ligado ao ex-governador Renato Casagrande. Com isso, a tentativa de estruturação de uma chapa competitiva do PSDB para a Câmara acabou enfraquecida.
O PSB, por sua vez, fortaleceu sua nominata ao reunir nomes ligados ao primeiro escalão do governo Casagrande, como ex-secretários estaduais e outras lideranças com experiência administrativa. Já a Federação União Progressista ampliou sua presença e passou a figurar entre os grupos com maior potencial competitivo na disputa proporcional.
Além da reorganização partidária, o cenário também evidencia uma disputa concentrada em siglas com maior capacidade de atingir o quociente eleitoral, estimado em cerca de 200 mil votos. A tendência é de fortalecimento de chapas mais estruturadas, enquanto partidos com dificuldade de montar nominatas competitivas enfrentam obstáculos para eleger representantes.
Com o fim da janela partidária, o ambiente político entra agora em uma nova fase, com foco na consolidação das candidaturas, definição de alianças e organização das campanhas para a disputa eleitoral no Espírito Santo.
