João Batista Dallapiccola Sampaio – “A marcha infindável pela Justiça: lições de Gandhi para a advocacia”

Hoje, 12 de março, rememoramos um dos atos mais emblemáticos de resistência pacífica da história: a Marcha do Sal, liderada por Mahatma Gandhi em 1930. Naquele dia, Gandhi e seus seguidores iniciaram uma jornada de mais de 300 quilômetros até o litoral indiano, não para travar uma batalha armada, mas para desafiar uma lei britânica injusta que monopolizava a produção de sal e taxava pesadamente um item essencial à vida. Era uma marcha pela dignidade, pela autonomia e, em sua essência, pela justiça.

Tenho, recentemente, refletido frequentemente sobre os paralelos entre a jornada de Gandhi e a nossa própria “marcha” diária nos tribunais, escritórios e fóruns. Assim como Gandhi, o advogado, em sua melhor forma, é um agente de mudança, um defensor incansável dos princípios que sustentam uma sociedade justa e igualitária.

A Marcha do Sal não foi apenas um protesto contra um imposto; foi um poderoso símbolo de desobediência civil e da capacidade de um povo oprimido de se levantar contra a tirania sem recorrer à violência. Gandhi demonstrou que a força da convicção e a perseverança na busca pela verdade podem desmantelar estruturas de poder aparentemente inabaláveis.

Nesse sentido, a advocacia espelha essa luta. Diariamente, advogados se deparam com leis injustas, interpretações equivocadas, abusos de poder e a vulnerabilidade de indivíduos e grupos. Nossa “resistência pacífica” se manifesta na argumentação jurídica meticulosa, na defesa intransigente dos direitos fundamentais e na busca incessante pela aplicação correta da lei.

A perseverança é, talvez, a virtude mais crucial tanto para o líder de um movimento social quanto para o profissional do direito. A jornada de Gandhi foi longa e cheia de obstáculos, prisões e ceticismo. Da mesma forma, a advocacia é um caminho que exige resiliência. Casos complexos podem se arrastar por anos, decisões desfavoráveis podem desanimar, e a burocracia pode testar a paciência de qualquer um. Contudo, é na persistência que reside a esperança de ver a justiça prevalecer.

Os obstáculos enfrentados por Gandhi eram monumentais: um império colonial, a indiferença internacional e a desunião interna. Os advogados, por sua vez, confrontam a complexidade do sistema jurídico, a disparidade de recursos entre as partes, a morosidade processual e, por vezes, a própria falha humana. Superar esses desafios exige não apenas conhecimento técnico, mas também uma profunda fé na causa e na capacidade transformadora do direito.

A justiça, quando alcançada, tem um papel verdadeiramente transformador na sociedade. Ela não apenas resolve conflitos individuais, mas também estabelece precedentes, corrige distorções sociais e reforça a confiança nas instituições. Assim como a Marcha do Sal catalisou a independência indiana, cada vitória jurídica, por menor que seja, contribui para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.

É imperativo que o advogado reconheça sua responsabilidade ética como agente de mudança. Não somos meros técnicos do direito, mas guardiões de princípios. Nossa atuação deve ser pautada não apenas pela defesa dos interesses de nossos clientes, mas também pela promoção da justiça social e pela integridade do sistema legal.

A lição de Gandhi, 96 anos após aquele dia histórico, ressoa com clareza: a busca pela justiça é uma marcha contínua. É uma jornada que exige coragem, paciência e uma inabalável crença na força da verdade e do direito. Que cada advogado, em sua prática diária, se inspire na determinação do Gandhi, transformando cada caso em um passo adiante na grande marcha pela justiça.

*Texto escrito por João Batista Dallapiccola Sampaio e Daniel Dummer de Souza.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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