Se a América Latina vai continuar reclamando do viés das IAs globais ou vai construir as próprias ferramentas, alguém decidiu agir. Em fevereiro de 2026, foi lançado o LATAM-GPT, primeiro grande modelo de linguagem desenvolvido de forma colaborativa na região.
A proposta é clara: criar uma inteligência artificial treinada com dados latino-americanos, reduzir dependência externa, diminuir distorções culturais e ampliar a soberania digital.
Enquanto isso, no Brasil, a Prefeitura de Vitória já testa IA no dia a dia da gestão pública.
Em janeiro de 2026, a capital capixaba lançou um novo canal de atendimento via WhatsApp integrado à inteligência artificial VitórIA e ao sistema Rede Bem-Estar. Agora, o cidadão pode agendar consultas, exames e buscar informações sobre medicamentos pelo aplicativo. O antigo SMS foi substituído.
O objetivo é simples: menos fila, mais agilidade e maior integração da rede de saúde.
Outra iniciativa é o FacilitaVix. Totens de autoatendimento instalados nas unidades de saúde permitem acesso aos serviços mesmo para quem não tem internet no celular. Tecnologia aplicada para resolver um gargalo real.
A estratégia municipal tem dois pilares claros: tecnologia com governança e ampliação do horário de atendimento.
Vitória também avança no campo da experimentação. O Laboratório Urbano Vivo (LUV) selecionou quatro soluções para a fase de MVP baseadas em inteligência artificial, visão computacional e Internet das Coisas.
Entre elas estão plataformas de diagnóstico urbano com análise de dados geoespaciais, inteligência territorial para mobilidade, automação de processos administrativos e sensores para monitoramento climático.
O que isso mostra?
Que o debate sobre IA não precisa ficar preso ao discurso ou ao hype. Ele pode se traduzir em consulta marcada, processo agilizado e política pública mais eficiente.
O LATAM-GPT representa a infraestrutura regional. Vitória representa a aplicação prática.
Quando essas duas camadas se encontram, a tecnologia deixa de ser promessa e passa a ser serviço funcionando.
*Júlio Diógenes é gerente de inovação do Laboratório Urbano Vivo de Vitória
