O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Marcelo Santos, recebeu o News ES em seu gabinete, na Ales, para uma entrevista em que analisa o cenário político que se desenha para a eleição de 2026 e defende de forma clara a continuidade do atual projeto de governo. Na conversa, o parlamentar classifica como histórico o processo que levará à renúncia do governador Renato Casagrande para disputar o Senado e à consequente posse do vice-governador Ricardo Ferraço.
Para Marcelo Santos, a transição representa o maior evento político vivido pelo Espírito Santo nas últimas quatro décadas e abre espaço para a ascensão de uma liderança que, segundo ele, reúne preparo técnico, experiência política e capacidade de articulação institucional. Ao longo da entrevista, o presidente da Ales destaca o papel de Ricardo Ferraço na condução da política de desenvolvimento econômico do Estado e afirma que o vice-governador está pronto para assumir o comando do Executivo capixaba.
Sem desconsiderar a legitimidade de outras pré-candidaturas, Marcelo Santos afirma acreditar que, neste momento, Ferraço é o nome mais preparado para liderar o Espírito Santo em um cenário de desafios econômicos, sociais e institucionais, especialmente diante dos impactos da reforma tributária.
Esta é a primeira parte da entrevista concedida ao diretor de conteúdo do News ES, Eduardo Caliman, no gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa.

Confira como foi a entrevista;
NEWS ES – Deputado, como o senhor vê a disputa que está se desenhando para o Governo do Estado e como avalia as pré-candidaturas já colocadas?
MARCELO SANTOS – Bom, primeiro vai ser uma eleição atípica. Há 40 anos isso aconteceu: em abril, um governador renunciou ao mandato para que o vice pudesse assumir. Foi no governo de Gerson Camata. Quarenta anos depois, um governador vai renunciar o mandato, que é o governador Renato Casagrande, para que o vice, Ricardo Ferraço, assuma o Governo do Estado do Espírito Santo.
Esse vai ser, talvez, o maior evento político dos últimos 40 anos. Porque, na época em que Camata renunciou, não existia nenhuma ferramenta tecnológica, como redes sociais ou celulares, que dessem amplitude a esse fato. Diferente de agora. O maior evento político será a renúncia do governador Renato Casagrande, que foi deputado estadual, deputado federal, senador da República e governador por três mandatos, e que renuncia ao cargo. É um grande evento político.
O segundo maior evento político, depois da renúncia, é Ricardo Ferraço, vice-governador, assumindo o Governo do Estado. Por quê? Porque Renato vai disputar o Senado da República, e para disputar o Senado ele tem que renunciar. Muita gente acha que a renúncia é lá na frente e que ele volta, mas não: ele renuncia e perde o mandato. Aí o Ricardo assume.
Os demais atores estão colocando seus nomes. Por exemplo, na disputa no campo majoritário principal, que é a disputa pelo Governo do Estado, nós temos o mês de abril como decisivo, porque existem duas figuras que são prefeitos de cidades importantíssimas da Região Metropolitana da Grande Vitória e do Estado: o prefeito de Vitória e o prefeito de Vila Velha. Eles têm que renunciar. Só saberemos se eles serão candidatos ou não se renunciarem aos mandatos. Ao renunciarem, naturalmente, não serão mais prefeitos, perderão o mandato e buscarão o caminho que planejaram.
Só a partir daí nós saberemos quem serão, de fato, os atores que vão disputar o Governo do Estado. Enquanto isso, o vice-governador vai assumir o mandato de governador e está no direito da reeleição, porque, ao assumir, pode disputar a reeleição. Já os prefeitos, ao renunciarem, disputam como qualquer cidadão, não mais como prefeitos.
Então, a expectativa é saber como vão se comportar esses nomes a partir de abril, renunciando ou não. A partir disso, saberemos qual será a configuração. Vai ser uma eleição interessante. Como eu disse, há 40 anos um governador renunciou. Depois disso, ninguém mais fez esse ato. Agora será feito por Renato Casagrande, que renuncia para disputar o Senado, e Ricardo Ferraço assume o Governo do Estado, com direito à reeleição.

Eu acredito muito no potencial do Ricardo Ferraço. Conheço o Ricardo desde deputado federal. Não o conheci vereador. Eu também fui vereador, ele também foi, pelo município de Cachoeiro. Conheci Ricardo deputado federal, presidente da Assembleia, senador da República, secretário de Estado, duas vezes vice-governador e agora governador do Espírito Santo, a partir do mês de abril.
Ele está preparado para liderar um estado como o nosso, pequeno, que precisa se preparar para os efeitos colaterais da reforma tributária. Um estado que há pouco tempo estava quebrado e que, a várias mãos, foi reconstruído. Um estado que é o maior importador de aeronaves executivas do Brasil, o maior importador de veículos elétricos, que está entre os primeiros colocados na produção de ovos, café, abriga a maior fábrica de café solúvel do mundo, em Linhares.
Nada disso aconteceu por toque de mágica. Tudo isso tem participação muito efetiva do vice-governador Ricardo Ferraço, especialmente em uma das áreas mais sensíveis e vitais do Estado: o desenvolvimento econômico. Na gestão de Ricardo Ferraço como secretário de Estado, foi gerado o maior programa social do Espírito Santo, que é a geração de emprego e renda. Quando ele atrai empresas, incentiva as que já estão a permanecer, ampliar e atrair novas, ele gera oportunidades.
Ele conhece a parte econômica, a parte social, tem relação com os poderes, instituições e com a classe política, especialmente a Assembleia Legislativa. Sem desmerecer qualquer outro pretenso candidato, todos têm legitimidade e eu respeito todos, mas acredito que, neste momento, o mais preparado é Ricardo Ferraço. Até abril, porém, não saberemos quem serão os jogadores desse campo eleitoral.
E a construção da candidatura a deputado federal, como está?
Nós temos uma missão muito grande aqui na Assembleia, que é liderar o Poder Legislativo, a Casa representativa da sociedade, ao lado dos meus colegas deputados. Eu faço uma gestão compartilhada. A eleição ainda está mais adiante.
Temos muito trabalho pela frente, muita coisa para debater e entregar ao povo do Espírito Santo. No momento certo, entraremos no processo eleitoral. Eu anunciei lá atrás, quando terminou a eleição passada, que não disputaria mais a eleição de deputado estadual e que o caminho natural do nosso planejamento seria disputar uma eleição de deputado federal. Assim eu afirmei, e é esse o caminho que estamos seguindo.
Presido uma agremiação que é uma das maiores do Brasil, a União Brasil, que ao lado dos Progressistas formou uma federação. Temos um trabalho muito grande de construção de chapa, com o objetivo de entregar o maior número possível de deputados federais e estaduais dentro da Federação União Progressista.
Enquanto eu estiver aqui na Assembleia, enquanto presidente, a população pode ter certeza de que vou trabalhar incansavelmente para ajudar o Governo do Estado e o Espírito Santo a crescer. Caso obtenha êxito no projeto de deputado federal, o Espírito Santo terá alguém em Brasília para debater temas importantes como segurança pública, reforma tributária, reforma administrativa e outros temas que hoje são tratados de forma rasa no Congresso Nacional.
A disputa ideológica é importante, eu tenho minha ideologia e incentivo que todos tenham, mas ela não pode ser maior do que os interesses da sociedade. Quero ir ao Congresso Nacional, se o povo do Espírito Santo me der essa oportunidade, para debater os grandes temas necessários ao Brasil.
Somos um estado pequeno, mas que produz muito para o país, e isso não é reconhecido. Temos trechos da malha rodoviária federal sem pavimentação. É inadmissível. A infraestrutura é fundamental. Fizemos muito no Estado, entregamos muito, mas ainda há muito a ser feito.

Quando esperamos algo do governo federal, recebemos migalhas. É preciso alguém no Congresso para brigar por isso, para garantir segurança pública de qualidade, discutir polícia de fronteira, rever benefícios que não alcançam as vítimas, mas sim quem comete crimes hediondos. Há uma inversão de valores que não é debatida.
Tenho sete mandatos no Legislativo, um como vereador e seis como deputado estadual. Fui três vezes vice-presidente, primeiro secretário e, pela primeira vez na história do Espírito Santo, um presidente da Assembleia foi reeleito por unanimidade. Sou muito grato aos meus colegas deputados. Meu compromisso é melhorar a vida dos capixabas e, se tiver a oportunidade, dos brasileiros.
Deputado, no plano federal, alguns nomes já foram colocados na disputa presidencial, no campo da centro-direita. Qual é a sua preferência? Já existe uma candidatura que o senhor defenda?
Sua pergunta é muito importante para que eu possa me posicionar. Muita gente confunde ser centrado com ser de centro. O centro, muitas vezes, navega em todos os mares sem posição. Eu sou uma figura centrada, dialogo com todos, mas tenho posição ideológica: sou de centro-direita.

Sempre me posicionei dessa forma, mas respeito todos. Existe um equívoco de achar que, por ser de centro-direita, eu não dialogo ou não reconheço coisas boas na centro-esquerda ou na esquerda. Claro que existem coisas boas, assim como existem coisas ruins em qualquer campo ideológico.
Nós somos feitos diferentes para dialogar. Minha posição ideológica não é maior que os interesses do Estado. Eu gostaria muito que tivéssemos um nome capaz de unir o país de verdade, não apenas no discurso. Alguém que dialogasse com todos os setores da sociedade e agremiações partidárias, buscando caminhos para fortalecer a economia, gerar emprego e renda, investir em educação de qualidade e capacitação real.
Falta alguém que coloque o Brasil no eixo. Não estou falando apenas do governo atual ou do anterior. O país produz alimento para o mundo inteiro, mas vive insegurança por conta de disputas ideológicas que produzem pouco resultado prático.
É preciso discutir temas vitais como segurança pública, fortalecimento do setor produtivo, descentralização do Estado, mais agilidade e credibilidade. Naturalmente, votarei em algum candidato à Presidência, naquele que eu entender ser melhor para o Brasil.
Queria alguém que pudesse unir os poderes, sentar à mesa com o Supremo Tribunal Federal, com o Congresso, com o Executivo, e restabelecer o equilíbrio institucional. Hoje, o Legislativo falhou em muitos momentos e o Supremo acabou legislando no lugar do Congresso.
Falta diálogo, falta alguém que chame todos para conversar e encontrar caminhos. O debate virou disputa ideológica e de poder. O meu compromisso é com resultados concretos. É isso que a sociedade espera.
Com a tendência de acirramento do debate no plenário da Assembleia em um ano eleitoral, como garantir o funcionamento da Casa e o andamento das votações?
Mesmo com uma Casa equilibrada e respeitosa, o clima eleitoral naturalmente esquenta os debates. Isso é esperado. Mas os deputados desta legislatura têm uma missão muito clara: garantir o desenvolvimento do Espírito Santo.
Nada – nem a eleição nem qualquer outro fator – vai comprometer o nosso compromisso com o povo capixaba. Temos uma eleição pela frente, mas, antes dela, temos muito trabalho a fazer.
O regramento eleitoral é claro, assim como o Regimento Interno da Casa, que baliza as nossas ações. Acredito muito no amadurecimento, na seriedade e no comprometimento dos meus colegas deputados.
O debate eleitoral vai existir, e é importante que exista, mas não vai comprometer votações nem entregas. A Assembleia continuará trabalhando sem misturar o processo eleitoral com os interesses da sociedade. Esse é um compromisso que os deputados têm demonstrado ao longo deste mandato, que me deu a oportunidade de presidir a Casa por duas vezes.
Imagens: Vitor Machado.
