Viver próximo ao mar deixou de ser uma decisão associada apenas ao lazer ou ao status e passou a representar uma escolha conectada à saúde mental, ao equilíbrio emocional e à qualidade de vida. Estudos sobre os chamados blue spaces — ambientes naturais próximos à água — apontam que a convivência cotidiana com o oceano pode contribuir para a redução do estresse, a melhora do humor e a adoção de hábitos mais saudáveis, como a prática de atividades ao ar livre.
Esse novo olhar tem influenciado o mercado imobiliário, que passa a incorporar conceitos de bem-estar, conexão com a natureza e desaceleração do cotidiano aos projetos residenciais, especialmente em cidades litorâneas. No Espírito Santo, Guarapari é um dos destaques nesse cenário, impulsionada pela valorização de regiões como a Enseada Azul, onde empreendimentos recentes vêm adotando esse conceito de moradia.
Nesses projetos, o mar deixa de ser apenas um elemento de paisagem e passa a integrar a rotina dos moradores, seja pela valorização das vistas permanentes, seja pela criação de espaços voltados ao descanso, à contemplação e ao contato sensorial com o ambiente natural. Varandas amplas, áreas comuns voltadas para o oceano e soluções que permitem o uso dos espaços ao longo de todo o ano refletem essa mudança de abordagem.
Para Lucas Peixoto, diretor da Invite Inc., os novos projetos surgem alinhados a uma transformação no comportamento das pessoas. “Hoje, morar bem vai muito além da estética ou da localização. Existe uma busca real por espaços que favoreçam o equilíbrio emocional, o bem-estar e uma relação mais saudável com o tempo. Pensar cada detalhe para que o morador tenha, todos os dias, a sensação de pausa, de respiro e de conexão com o mar”, afirma.

Um exemplo desse conceito é o Manami Ocean Living (fotos), na Enseada Azul, empreendimento que adota o mar como elemento central do projeto, com soluções arquitetônicas voltadas à integração entre ambientes internos e externos e ao estímulo de experiências sensoriais ligadas à paisagem natural.
Nesse conceito, a arquitetura assume papel estratégico ao priorizar ventilação natural, iluminação abundante e materiais que dialogam com o entorno, criando ambientes que estimulam a contemplação e favorecem o bem-estar. Atividades simples do cotidiano, como observar o horizonte ou ouvir o som das ondas, passam a integrar uma rotina mais equilibrada.
Especialistas do setor avaliam que essa tendência reflete uma mudança estrutural no mercado imobiliário contemporâneo. Saúde mental, qualidade de vida e bem-estar deixaram de ser diferenciais e passaram a ocupar posição central na decisão de compra, redefinindo o papel da moradia como espaço de cuidado contínuo com o corpo e a mente.
