O trabalho de base como caminho sólido para formar atletas

No imaginário popular do futebol brasileiro, a formação de atletas ainda é frequentemente associada ao talento precoce e aos resultados em competições. Profissionais que atuam diretamente nas categorias de base, no entanto, reforçam uma visão cada vez mais consolidada: o alto rendimento é consequência de um processo longo, planejado e alinhado ao respeito às fases da infância.

A preparação de um atleta nas categorias iniciais vai além dos treinos em campo. Envolve controle de carga, estímulos adequados à faixa etária, desenvolvimento motor, acompanhamento físico, equilíbrio emocional e, sobretudo, tempo para aprendizado e amadurecimento. Dentro dessa lógica, a formação esportiva passa a ser entendida como um processo contínuo, e não como uma corrida por resultados imediatos.

É nesse contexto que se insere um projeto desenvolvido em Itaperuna, no interior do Estado do Rio de Janeiro, voltado à formação gradual de um atleta da categoria Sub-11. A proposta prioriza a construção de uma base sólida, capaz de sustentar o desenvolvimento esportivo ao longo dos anos, respeitando o ritmo da criança e as etapas naturais do crescimento.

Planejamento familiar e formação gradual

O projeto teve início quando o atleta Emmanuel Souza manifestou o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. A partir daí, a família optou por não acelerar etapas, estruturando um planejamento cuidadoso, alinhado às demandas do esporte de base e às necessidades da infância.

O núcleo familiar desempenha papel central no processo, oferecendo suporte emocional, organização da rotina, acesso à infraestrutura adequada e acompanhamento constante das decisões. A proposta não se limita ao desempenho esportivo, mas busca garantir um desenvolvimento saudável, equilibrado e sustentável ao longo do tempo.

A rotina de treinos prioriza fundamentos técnicos, coordenação motora, entendimento do jogo e repetição orientada. Atividades complementares, como a natação, são utilizadas para ampliar capacidades físicas relevantes ao futebol moderno. Paralelamente, o acompanhamento fisioterapêutico preventivo atua na correção de desequilíbrios comuns ao crescimento e na redução do risco de lesões.

Outro ponto central é o cuidado com a competição. A participação em jogos e torneios ocorre de forma criteriosa, respeitando minutagem, rodízio de posições e períodos de descanso, compreendendo a competição como ferramenta pedagógica, e não como finalidade.

Supervisão profissional e visão multidisciplinar

Para profissionais que atuam na formação esportiva, o principal desafio está em equilibrar estímulo e proteção. Desenvolver habilidades técnicas e físicas sem comprometer o crescimento, a saúde e a relação da criança com o esporte é um dos pilares do trabalho de base.

Segundo Fernando Rezende da Silva, coordenador técnico da Escola Flamengo Itaperuna e pós-graduado em Ciência do Futebol, a formação esportiva deve ser pensada de maneira ampla. “Na base, o futebol não pode ser tratado apenas como desempenho. O processo precisa contribuir para a formação de uma pessoa saudável, equilibrada e socialmente preparada”, afirma. De acordo com ele, os resultados esportivos surgem como consequência natural de um processo bem conduzido. “O bom desempenho observado ao longo de 2025 é reflexo de uma base construída sem atropelar etapas.”

O analista tático Luís Gustavo, também professor da Escola Flamengo, destaca a postura do atleta dentro do ambiente formativo. “O que mais se destaca é o comportamento nos treinos. Ele compreende a importância da repetição, tem boa leitura do processo de aprendizagem e demonstra maturidade para a idade, fruto de um contexto que valoriza o treino, o erro e a evolução gradual.”

Para o fisioterapeuta Daciano Leonardo, mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Fisiologia do Exercício, o desenvolvimento do atleta passa pelo respeito às fases do crescimento. “O atleta nasce com potencial, e nossa missão é desenvolvê-lo considerando os aspectos físicos, motores, cognitivos e emocionais. Esse cuidado é determinante tanto para a performance quanto para a prevenção de lesões”, explica.

A natação como ferramenta complementar

Dentro do planejamento, a natação aparece como atividade complementar ao futebol, ampliando estímulos físicos e motores importantes na formação esportiva. A prática é pensada como apoio ao desenvolvimento global do atleta, respeitando sua fase de crescimento.

Segundo Fernando Pinheiro, profissional de Educação Física com pós-graduação em Esporte e Treinamento Esportivo, o trabalho na piscina dialoga diretamente com as exigências do futebol. “A natação contribui para o desenvolvimento motor, com estímulos sensoriais e somatossensoriais que impactam a cognição e a organização corporal. Todo o processo é planejado para potencializar o esporte principal, respeitando as necessidades da formação”, afirma.

Vivência do atleta

Vivendo cada etapa do processo, Emmanuel demonstra consciência sobre a importância do comprometimento diário e do apoio recebido ao longo da formação. “Eu tento seguir as orientações, prestar atenção nos treinos e me dedicar em todas as etapas. Meus tios me ajudam muito, explicam, conversam comigo, e minha família está sempre me apoiando. Isso me dá mais vontade de treinar e melhorar a cada dia”, relata o atleta.

Por meio do perfil @emmanuel9oficial, é possível acompanhar a rotina de treinos, bastidores da preparação e momentos que ajudam a compreender como a formação na base é construída de forma gradual, com método, responsabilidade e respeito ao tempo do atleta.

A consolidação desse modelo reforça uma mudança na forma de pensar o futebol de base no país, em que o resultado deixa de ser o ponto de partida e passa a ser consequência de um processo estruturado, consciente e alinhado ao desenvolvimento integral do jovem atleta.

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Diretor de conteúdo – Eduardo Caliman

Jornalista formado pela Ufes (1995), com Master em Jornalismo para Editores pelo CEU/Universidade de Navarra – Espanha. Iniciou a carreira em A Tribuna e depois atuou por 21 anos em A Gazeta, como repórter, editor de Política, coordenador de Reportagens Especiais e editor-executivo. Foi também presidente do Diário Oficial, subsecretário de Comunicação do ES e, de 2018 a 2024, coordenador de comunicação institucional no sistema OAB-ES/CAAES.

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